quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Filmes do mês - dezembro

Atualizando no decorrer do mês na ordem em que assisto.

A bússola de ouro de Chris Weitz 2007 (3)
A arte do amor de Ryan Little 2005 (2)
Poseidon de Wolfgang Petersen 2006 (1)
Vingança virtual de Stefan C. Schaefer 2005 (2)
Uma escola de arte muito louca de Terry Zwigoff 2006 (3)
Violação de conduta de John McTiernan 2003 (2)
Hitch - conselheiro amoroso de Andy Tennant 2005 (3)*
A Lenda de Beowulf de Robert Zemeckis 2007 (2)
Dois é Bom, Três é Demais de Anthony & Joe Russo 2006 (2)
Reviravolta de Oliver Stone 1997 (4)
Herói de Zhang Yimou 2002 (2)*
Paixão à flor da pele de Paul McGuigan 2004 (4)*
Blade Runner de Ridley Scott 1982 (2)
Leões e cordeiros de Robert Redford 2007 (3)
O show de Truman de Peter Weir 1998 (4)*

*Revistos
(0)-horrível; (1)-ruim; (2)-razoável; (3)-bom; (4)-muito bom; (5)-excelente

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

"Leões e cordeiros" de Robert Redford 2007

"(...)São três debates sobre o papel e responsabilidades da imprensa, governo e população nos rumos dos Estados Unidos. Cada segmento é basicamente um grande diálogo entre dois personagens com visões opostas sobre os problemas do país.(...)"


Esta foi a melhor descrição que encontrei sobre o filme. Três histórias paralelas: entre senador popularmente aceito e jornalista consagrada; soldados jovens em fogo cruzado e diálogo entre professor e aluno promissor.


O filme possui diálogos complexos e profundos, lançando reflexões sobre o atual governo dos EUA e o papel de cada cidadão, mas também lança a reflexão para o espectador (estrangeiro) "O que você vai fazer sobre isso, sobre os acontecimentos ao seu redor?!"


Talvez por ter um teor mais profundo, o filme fica carregado e cansativo, afinal o espectador precisa fazer um considerável esforço pra entender muito do que os personagens falam, contudo se torna uma obra valiosa, afinal vivemos numa era de filmes superficiais e empobrecidos narrativamente.


Considerando nossa visão estrangeira e de Terceiro Mundo, considero o filme uma grande reflexão sobre nosso papel na sociedade e o que fazemos para mudar qualquer realidade desagradável. É um verdadeiro soco no cérebro, mas afinal, não fugimos o tempo todo daquilo que nos dá dor de cabeça?! Mais fácil vivermos nossa vidinha, que tentarmos abraçar uma causa e fazer algo melhor do que apenas continuar vivendo.


Para aqueles que gostam de se manter alienados e serem apenas mais um na multidão, é um filme cansativo, chato e mal resolvido, mas para pessoas que no mínimo pensam em tentar, ou tentam de alguma forma, é uma cutucada "ei, faça alguma coisa" ou "continue fazendo" ou "pelo menos pense ou tente pensar".


Valorizei mais sua intenção que seu conjunto. Afinal, o Brasil está afundado em questões polêmicas, discutíveis e mal-resolvidas. Precisamos realmente fazer alguma coisa, só gostaria de saber como fazer mais do que apenas fazer a minha parte da melhor forma possível. Penso que no mínimo discutir, certo?!

"O caçador de pipas" de Khaled Hosseini


O livro é narrado em primeira pessoa pelo personagem Amir jan, tendo apenas um ponto de vista. (com exceção de um capítulo, onde outro personagem, Rahim Khan narra para Amir uma passagem da história). Ele concentra-se na relação de amizade entre Amir e Hassan, que forma a estrutura principal da narrativa, paralela aos medos, inseguranças e lembranças do personagem principal. Apesar de tratar de dramas e conflitos da vida humana, tudo se passa num ambiente desconhecido do nosso mundo ocidental, pois trata de uma cultura, religião e etnias diferentes da nossa: islamismo e cultura arábe. Este universo só ficou mais familiarizado para as novas gerações, quando as torres gêmeras foram derrubadas e os EUA iniciaram uma nova guerra.


O que tinha tudo para se tornar um ótimo livro, falha a partir da metade. Até a metade, a obra é espetacular, fazendo o leitor se debulhar em lágrimas. Porém, acredito que o autor não soube conduzir a história até o final, empobrecendo a narrativa e deixando os personagens posteriores, superficiais, como Sohrab, o filho de Hassan, importante para o final da história.


Não é pelo fato de não ter um final propriamente dito "feliz", mas por criar uma expectativa para isso. O livro nos conduz para um final cheio de expectativas, mas introduz personagens que não ficam bem desenvolvidos, enfraquecendo a intenção de suas ações e atitudes. Talvez para criar um ar de surpresa, o que não é fácil, o autor acabou falhando e conduzindo uma narrativa artificial e forçada, pois enquanto criava expectativas para uma reviravolta na história, ele inseria cada vez mais dramas e horrores, transformando a história do meio para o final, uma tentativa forçada de nos comover e chocar.


O que faltou talvez, foi desenvolver melhor alguns personagens para compreendermos melhor suas atitudes. Ou modificá-las de acordo com o que parecem ser suas características psicológicas. Digo isso, porque no início, o autor se concentra em explicar com detalhes (através do personagem Amir) os momentos mais dramáticos que marcaram o personagem na infância, porém em outras passagens, mais dramáticas e chocantes, elas são descritas superficialmente, enfraquecendo sua carga dramática. Como se o perfil psicológico do personagem tivesse se modificado. Isso provavelmente ocorre, por termos apenas um ponto de vista da história.


Enfim, não é fácil contar uma história que não se viveu e passar credibilidade e verossimilhança, e foi nesse ponto que acredito que o autor falhou. A história pode não ter existido, o que é comum no universo da literatura, mas tinha que no mínimo ter perecido verdadeira.


Do meio para o final, o livro se tornou uma fábula fraca e cheia de absurdos narrativos.



PS.: O livro originou um filme e espero que o diretor consiga corrigir as falhas, e transforme esta história em um bom filme de drama.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Livros do mês: dezembro

2. A sombra do vento de Carlos Ruiz Zafón (Status: ainda lendo)

1. O caçador de pipas de Khaled Hosseini (2)

Notas: 0-5

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

‘’Morte.” de José Roberto Torero: análise do roteiro e do curta-metragem

“Morte.” desenvolve com muito humor a relação de um casal que se prepara para a morte. Eles se preparam para tudo: a escolha da lápide no cemitério, as flores, os caixões, a música do velório, a divisão e organização dos bens e até o ensaio de como seus amigos vão se comportar. Porém o mais difícil parece esperar a própria morte chegar. No desenrolar da história é possível deduzir que os dois devem saber que vão morrer e estão lidando com naturalidade. Mas no final descobrimos que não é bem isso e sem perder o bom-humor.

Torero conseguiu ser irônico e humorado para tratar de um assunto tão delicado como a morte. Os personagens principais formam um casal em perfeita harmonia, típicas pessoas de idade e aparentemente bem organizadas, afinal estão organizando o próprio velório.

O curta-metragem adaptou fielmente o roteiro, com exceção de uma troca de ordem das cenas: a cena da igreja veio antes da cena da divisão de bens. Acredito que assim tenha ficado melhor, porém, o curta é dividido em fragmentos, que relacionam tempo e espaço. Não há uma noção de quanto tempo se passou, pois as cenas se concentram mais no seu próprio tema, que são os preparativos para o velório. Cada cena equivale a um preparativo.

Os diálogos dos personagens são quase fiéis aos do roteiro encontrado (site: www.portacurtas.com.br) com algumas pequenas modificações que parecem decorrer da própria atuação e improvisação dos personagens, e talvez pela direção de cena. Paulo José e Laura Cardoso conseguiram dar um tom natural e humorado aos diálogos. Com uma atuação ruim, talvez complicasse a credibilidade e veracidade do roteiro, pois como citado anteriormente, lidar com o assunto “morte” é algo bem delicado. As falas poderiam ter ficado artificiais dependendo da atuação dos atores.

Enfim, “Morte.” é resultado de um roteiro bem escrito, bem dirigido e com um final bem inusitado, afinal pensar que vamos morrer é um fato, só não sabemos quando.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Filmes de novembro

Atualizando no decorrer do mês na ordem em que assisto.

Garotas formosas de Nnegest Likké 2006 (1,5)
Bem me quer, mal me quer de Laetitia Colombani 2004 (5)*
Cidade do silêncio de Gregory Nava 2006 (2)
Morte. de José Roberto Torero (curta) 2002 (3)
Desejos de Ally Collaço 2007 (5)*********... só pra zuar né?! =) (meu último curta - projeto acadêmico de Direção de Arte - CINEMA UFSC- hoho)
11:14 de Greg Marcks 2003 (4)*
Parentes perfeitos de Greg Glienna 2006 (1)
Protegida por um anjo de Craig Rosenberg 2006 (2)*
Obrigado por fumar de Jason Reitman 2007 (3)
1408 de Mikael Hafström 2007 (1)
Piaf - um hino ao amor de Olivier Dahan 2007 (5)
Santo forte de Eduardo Coutinho 1997 (2)

*Revistos (0)-horrível; (1)-ruim; (2)-razoável; (3)-bom; (4)-muito bom; (5)-excelente

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

"Cidade do silêncio" de Gregory Nava 2006

Se gostar dos filmes de Jennifer Lopez for uma fraqueza, eu tenho e assumo com orgulho. Apesar de não ter a melhor das atuações, e excluindo os romances onde encarna papéis esteriotipados de latino-americana, gosto de alguns trabalhos que ela se envolve como "Nunca mais". Fraco, porém denuncia a violência doméstica e encoraja as mulheres a pararem de fugir. E o atual "Cidade do silêncio" que baseia-se em histórias reais de mulheres que são estupradas e mortas na cidade de Juarez - México, dentro do universo da globalização (NAFTA), onde empresas de eletroeletrônicos pensam apenas no lucro e não se preocupam com a segurança das funcionárias, pois é mais barato abafar os casos do que protegê-las.
É um filme bem feito (cores, têxturas, enquadramentos), com falhas no enredo, mas que trata de um assunto muito mais importante do que o cinema: a violência real que assola o país.
É um assunto delicado, triste e polêmico, ainda mais comparado com a atual realidade do nosso país, Brasil. Recentemente no Pará foi feita a denúncia de uma adolescente que ficou presa por quase 30 dias numa cela com mais de 20 homens, sendo submetida a todo tipo de violência, principalmente sexual. Depois de uma repercussão nacional e internacional, novos casos estão sendo descobertos em mais de 5 estados. E quem são os culpados? Negligência do estado? Da Justiça? Exploração sexual?
Ou seja, 2007, e ainda é possível nos surpreendermos com casos chocantes e brutais contra jovens, mulheres, crianças e pessoas esquecidas e marginalizadas, em lugares onde a lei não predomina. "Pará, terra sem lei"?!.
"Cidade do silêncio" não possui um final feliz e nem prevê um. É uma triste realidade, de um mundo globalizado, que explora mão-de-obra barata e visa apenas o lucro. E tenho certeza que essa realidade se expande por todo o mundo, principalmente nos países de terceiro-mundo, onde prevalece a violência, injustiça e desigualdade social, incluindo o nosso Brasil.
Li algumas críticas que se concentraram apenas em falar da atuação fraca de Jennifer Lopez, das falhas no enredo e dos pobres trabalhos de Gregory Nava. Mas acredito que tudo isso é o de menos, afinal o filme dá uma boa cutucada nos EUA, e obviamente não chegou aos cinemas, pois é sempre um risco denunciar o país que domina o mercado internacional.
Achei considerável a tentativa de Nava contar uma realidade, através de algumas escolhas "hollywoodianas", colocando atores latino-americanos famosos (Jennifer Lopez e Antonio banderas, além de Martim Sheen) e técnicas cinematográficas mais sofisticadas, porém, sabemos que para falar alguma coisa precisamos de voz, e nesse ambiente de desigualdade, acaba-se optando por escolhas questionáveis, que possam tentar promover essa "voz".
Além de atuar, Jennifer Lopez foi a produtora do filme. Mesmo polêmica (e linda) está claro que não esqueceu totalmente de suas origens. (nem como pessoa e nem como a personagem do filme).
Enfim, posso ser tola e boba de curtir esses filmes quase sempre não vistos, mas acredito nesse cinema que tenta comover e contar histórias, quase sempre abafadas.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

"Caramel" de Nadine Labaki - 2007

Nadine Labaki é linda, ótima atriz e dirigiu esse filme fantástico.
Pra quem gosta de Almodóvar, acredito que vai gostar desse filme, pois ele trata da relação de cinco mulheres, com seus dramas, (seus) homens, idade e as típicas dificuldades femininas, de forma bem humorada, colorida e bem construída narrativamente.
A beleza das personagens tem grande destaque, além da presença forte das atrizes. A fotografia é impecável e a trama bem construída.
É um filme delicado, divertido e feminino. No mínimo curioso e diferente, pois lida com cultura e idioma arábes, incomuns no nosso universo cinematográfico brasileiro, onde predominam filmes hollywoodianos e os tímidos "filmes alternativos" de outros países.
São mulheres fortes, apaixonadas, que de uma forma ou de outra, lidam com relações que envolvem amor. Amor de amante, amor de alguém descobrindo sua sexualidade, amor de irmã, amor-próprio, o simples e inquestionável...amor.

"Santo forte" de Eduardo Coutinho 1999

O documentário de 80 minutos de Eduardo Coutinho nos recorta a relação de moradores da favela Vila Parque da Cidade, na zona sul do Rio de Janeiro, com algumas religiões, como: católica, evangélica e umbanda. Além da mistura entre elas no cotidiano de cada entrevistado.
Coutinho, posteriormente ao trabalho de sua equipe, selecionou 11 pessoas que relatam suas experiências com divindades, santos, espíritos, entre outros, deixando em evidência a crença em várias religiões diferentes, tornando cada indivíduo único em suas crenças.
Também se destaca o fato de a maioria ter tido experiências com um pouco de tudo e optarem em não seguir mais nenhuma religião, pois se decepcionaram com as pessoas que freqüentavam esses lugares, ou com alguma outra coisa.
A obra de Coutinho se constitui de técnicas e enquadramentos precários, assemelhando-se a filmes de baixo orçamento e com pouco equipamento. O conjunto do documentário é basicamente de entrevistas diretas, mesclando algumas imagens, usadas para ilustrar falas dos entrevistados, como santos, espaços vazios e imagens de arquivo. Em alguns momentos, essa opção de intercalar imagens, acaba dando um certo tom irônico a fala de algumas pessoas, pois as crenças e a bagagem de significados dos espectadores, podem influenciar diretamente na interpretação dessas construções narrativas, feitas por Coutinho.
Falar de religião é sempre algo delicado, pois é um assunto polêmico e muito pessoal. Mas o recorte de Coutinho parece falar mais da relação das pessoas com várias religiões, do que das religiões em si. Tanto que não temos presença direta de rituais ou missas, apenas foram usadas imagens de arquivo para construção da narrativa documentária e para ajudar nos depoimentos das pessoas.
Apesar de ser um filme interessante, ainda assim, fica vaga a real intenção de Coutinho em mostrar essas pessoas em seu cotidiano religioso. Não pode ser considerada amostra nem da favela e muito menos do Rio de Janeiro, então porque falar dessas pessoas? Porque a escolha específica delas?
Esses questionamentos nos refletem a flexibilidade do documentário e a dificuldade de enquadrá-lo em regras fechadas. Que um documentário passa muito mais credibilidade que um filme de ficção é fato, mas é necessário relevar a presença de elementos e estruturas ficcionais no documentário.
A escolha específica das pessoas que se tornam personagens de si mesmas, o depoimento muitas vezes, dirigido e influenciado pelo entrevistador, as imagens intercaladas, tanto inofensivas como irônicas. Tudo isso dá um tom irreal para algo que se diz real e documentário, mas aí é que está a flexibilidade do filme dito como documentário.
Apesar da presença desses elementos narrativos tão próximos à ficção, ainda assim, o documentário transmite credibilidade e talvez por isso, desencadeie muitos questionamentos, pois os espectadores acreditam na possibilidade daquilo realmente ser verdadeiro, diferente da certeza de quando algo é absolutamente ficcional.

"Piaf - um hino ao amor" de Olivier Dahan 2007

Se eu não conhecia nada de Edith Piaf, passei a conhecer através do filme e das incansáveis pesquisas sobre ela. Viciei em Piaf e nas músicas do encantador idioma francês. Ela realmente é fantástica e sua voz tem uma presença incrível.
Diferente de filmes biográficos que já vi, Dahan optou em montar um mosaico de passagens da vida de Piaf. E é neste mosaico que se constrói uma sólida e fantástica cantora, que enfrentou dificuldades terríveis que influenciaram na formação de sua personalidade.
O filme não é melancólico, na verdade, apesar de todas as tristezas que Piaf passou e de seu temperamento difícil e seus defeitos em evidência, não tem como não se apaixonar por ela.
A atriz Marion Cotillard conseguiu interpretar com êxito, a personalidade forte e o exotismo de Piaf. Atriz tão bela, conseguiu transformar seus traços nos traços exóticos e peculiares de Piaf. Além da performance e dublagem (ou cantoria, ainda não sei ao certo) bem feitos.
Se alguém acredita não conhecer Piaf, quando ouvir algumas de suas canções famosas, terá certeza de que já a ouviu em algum momento da vida.
Gostei do filme, mas gostei ainda mais no dia seguinte, pois ele não saiu da minha cabeça, muito menos as canções. Tenho vontade de ver novo, e por isso considero o conjunto em perfeita harmonia e acabamento.
Com 2 horas e 20 minutos de duração muito bem aproveitados, o espectador envolve-se com a história sem perceber o tempo passar. É um filme belo e bem-feito. E que voz essa mulher tem!
"Non, je ne regrete" é a minha preferida! =)

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Filmes do mês - outubro

Atualizando no decorrer do mês na ordem em que assisto.

Outubro

Filmes da 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (vistos de 26 a 31 de outubro)

01- CARAMEL, Nadine Labaki (5)
02- A VIDA DOS OUTROS, Florian Henckel von Donnersmarck (4)
03- EL ORFANATO, Juan Antonio Bayona (4)
04- PEQUENAS HISTÓRIAS, Helvécio Ratton (3)
05- DÉFICIT, Gael García Bernal (2)
06- POSTALES DE LENINGRADO, Mariana Rondón (2)
07- 5 FRAÇÕES DE UMA QUASE HISTÓRIA, Armando Mendz, Cris Azzi, Cristiano Abud, Guilherme Fiúza, Lucas Gontijo, Thales Bahia (2)
08- LONGE DELA, Sarah Polley (2)
09- PEOPLE – HISTÓRIAS DE NOVA IORQUE, Danny Leiner (2)
10- SUKIYAKI WESTERN DJANGO, Takashi Miike (2)
11- A RETIRADA, Amos Gitaï (1)
12- ESTAÇÃO SECA, Mahamat-Saleh Haroun (1) quase dormi
13- SÓ POR HOJE, Roberto Santucci (1)
14- AINDA ORANGOTANGOS, Gustavo Spolidoro (1)
15- OVO, Semih Kaplanoglu (0) dormi
16- O ESTADO DO MUNDO, Apichatpong Weerasethakul, Vicente Ferraz, Ayisha Abraham, Wang Bing, Pedro Costa, Chantal Akerman (0) - dormi
17- A SOMBRA INTERIOR, Silvana Zancolo (0)

Invasores de Oliver Hirschbiegel 2007 - (1)
Quando um estranho chama de Simon West 2006 - (4)
Superbad - É hoje de Greg Mottola 2007 - (2)
Maria Antonieta de Sofia Coppola 2006 - (2)
Notícias de uma guerra particular de João M. Salles e Kátia Lund 97/98 - (3)
O sol de cada manhã de Gore Verbinski 2005 - (2)*
Mais que o acaso de Don Ross 2000 - (3)*
Imagine eu e você de Ol Parker 2005 - (2)
Os produtores de Susan Stroman 2005 - (3)
Justiça cega de Mike Figgis 1990 - (2)
Identidade roubada de Ann Turner 2006 (3)
Crônica de um verão de Jean Rouch e Edgar Morin 1960 - (3)
Fargo de Ethan e Joel Coen 1996 - (4)
Zodíaco de David Fincher 2007 - (2)
Napoleon Dinamite de Jared Hess 2004 - (1,5)
Premonição 3 de James Wong 2006- (1)

*Revistos (0)-horrível; (1)-ruim; (2)-razoável; (3)-bom; (4)-muito bom; (5)-excelente

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

"Quando um estranho chama" de Simon West - 2006

Eu me sinto ridícula de ter gostado de um filme que aparentava ser um típico filme adolescente de suspense, mas não é. É um terror psicológico que há muito eu não via.
Quando um estranho chama é uma história clichê, de uma garota que recebe o castigo de ficar de babá, perdendo a melhor festa do colégio. O que parecia uma tarefa simples se torna aterrorizante quando ela começa a receber chamadas de um estranho.
A casa é encantadora enquanto é dia, mas a noite se torna um alvo de extremo suspense.
Sem um elenco conhecido e com uma construção de trilha e seqüências de imagens recheadas de suspense. É um engolir seco do início ao fim.
Possui cenas clichês e tolas, mas o conjunto é um bom suspense que anda raro no cinema. Mais pelas opções de roteiro que pela atuação da protagonista. É o novo "Hello, Sidney!" que marcou nossa adolescência.
Acredito que vale a pena sentar numa sala escura e se "cagar" de medo pela personagem!

domingo, 21 de outubro de 2007

"Maria Antonieta" de Sofia Coppola - 2006


Conheço poucos trabalhos de Sofia Coppola, mas confesso que achei o filme super interessante. Instigou-me a conhecer mais das suas obras.

Maria Antonieta mescla uma história de época, de uma personalidade que existiu, com um figurino e maquiagem bem construídos, com uma direção de arte impecável e com pitadas de características bem contempôraneas. Seja na trilha sonora, enquadramentos e cores.

O filme é colorido, poético e reflexivo. Colorido na fotografia, nos figurinos, maquiagem, doces, penas, cenários. É poético porque muitas vezes o silêncio dos personagens transmite mais que os diálogos.Reflexivo pela linguagem diferente, mesclando clássico e contemporâneo. A música como estado de espírito e não apenas como trilha. A música como personagem. Assim como o all-star sujo que aparece entre sapatos clássicos.

A fotografia é ousada e bela como Maria Antonieta. Gostei das inovações de linguagem cinematográfica como a cena do quadro, em que anuncia a morte de uma criança pela exclusão desta no quadro. Porém, apesar de interessante, acredito que ocorreram falhas de compreensão. Muitas coisas não ficaram claras para o espectador, e acredito que isso seja negativo para o filme. Além de eu achar decepcionante, um filme ser falado em inglês com mesclas em francês, quando está retratando a França. Coisa bem comum no universo cinematógrafico.

Apesar de vários elementos interessantes, ousados e diferentes do que costumamos ver em filmes de época, achei que o filme ficou monótono e constante demais. Dá a impressão que o filme é uma introdução constante, sem que aconteça uma reviravolta. Esperei por ela até os últimos minutos. Ficou sutil demais, e por isso, achei o conjunto razóavel.

Possui inovadas técnicas, beleza, sofisticação, sutilezas, mas o resultado deixou a desejar.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

"Notícias de uma guerra particular" de João Moreira Salles e Kátia Lund - 1997/98

"Notícias de uma guerra particular" se refere à guerra civil que ocorre nas favelas do Rio de Janeiro, entre traficantes e policiais. Uma guerra que parece resultar de uma desigualdade social, fazendo parte de um sistema capitalista e consumista.
Apesar do documentário mesclar o cinema direto (imagens) com discurso direto (entrevistas), poderia ser enquadrado como auto-reflexivo, pois possui uma voz própria, mostrando vários pontos de vista, através de imagens cotidianas dos entrevistados, imagens de arquivo e depoimentos de pontos de vista diferentes, dos envolvidos na história: policiais, traficantes e moradores da favela que ficam entre o fogo cruzado.
Não há uma grande variedade de opiniões de cada ponto de vista, pois os entrevistados que representam cada grupo envolvido, são quase sempre os mesmos. Provavelmente pela dificuldade de se capturar imagens dentro da favela, já que a mesma é liderada pelos traficantes. Tanto é, que os traficantes e jovens delinqüentes que aparecem, não identificam seus rostos.
O curioso é a neutralidade que os realizadores necessitam como posicionamento para realização do seu trabalho e coleta de depoimentos, pois teoricamente, os entrevistados criminosos, que justificam suas razões para estarem no tráfico, são procurados pela polícia. Polícia esta, que não consegue capturá-los, devido ao fogo cruzado, mas que a equipe conseguiu entrevistar.
Traçando um paralelo com a ficção, baseada em depoimentos reais, "Tropa de Elite" de José Padilha, que coloca apenas o ponto de vista dos policiais, o que estes realizadores parecem querer mostrar é que todos são vítimas de um sistema falho e corrupto.
O tráfico de drogas, sustentado pelo tráfico de armas, tornou-se um comércio lucrativo, onde tornam os excluídos de uma sociedade capitalista e consumista, "trabalhadores" bem-remunerados, diante de uma visível desigualdade social e de distribuição de renda. A classe baixa também tem sonhos de consumo, desejos e carências, mas diferente das outras classes, não consegue atingir uma renda mínima para suprir suas necessidades, por isso muitos acabam caindo no tráfico, acreditando que assim possam ter uma vida um pouco melhor. E os policiais, mal-remunerados, arriscando suas vidas, acabam se corrompendo pelo mesmo motivo, para suprir suas necessidades e carências.
Numa sociedade, aparentemente, sem valores e carente de consciência, fica difícil condenar qualquer parte envolvida. Todos são vítimas e todos estão cansados dessa guerra que realmente parece não ter um fim.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

"Crônica de um verão" de Jean Rouch e Edgar Morin - 1960

"Crônica de um verão" contou com uma parceria entre o sociólogo Edgar Morin e o documentarista Jean Rouch. Um filme inovador por ser considerado um dos precursores do cinema direto, dentro do universo do documentário e precursor na utilização de câmera com som direto, com resultados bem resolvidos.
Jean Rouch utilizou uma câmera especial que sincronizava o som com a imagem, e rodava um rolo maior de película, para realização de grandes planos, isso teve uma intenção estética muito importante em sua obra, além de ser rodado em preto e branco, mesmo já existindo cor.
O que se percebe no filme é uma grande experimentação, iniciando-se com uma conversa sobre a realização do filme, entrevistas com pessoas nas ruas de Paris partindo da pergunta "Você é feliz?!" e as variadas respostas e reações, além de depoimentos e imagens cotidianas de alguns personagens, aparentemente selecionados. Entre eles estão operários, trabalhadores, estudantes, cover-girl, pessoas aleatórias das ruas de Paris e os próprios realizadores se questionando sobre o resultado do filme.
Elaborar uma sinopse para o filme parece uma das tarefas mais complexas, pois dependendo do ponto de vista, poderíamos apontar o documentário para várias direções. Questionamento sobre o que é felicidade? Reação das pessoas em frente à câmera? Personagens reais que atuam ou não?! Presença de depoimentos, imagens diretas, entrevistas, entre outros recursos. Exatamente por ele apontar para várias direções, que ele poderia ser considerado um documentário auto-reflexivo. Existe uma mistura do cinema direto com o discurso direto, além da presença dos próprios autores questionando-se sobre o que fizeram e questionando as pessoas entrevistadas sobre o que elas acharam de si mesmas.
Nós como espectadores entramos superficialmente no mundo particular de cada pessoa entrevistada, mas com dúvidas se elas estão sendo elas mesmas ou se não estão simplesmente atuando. Colocar a câmera na frente de alguém é torná-la personagem, fictícia ou não, de uma história a ser contada. Morin e Rouch contaram essa história de uma forma imprevisível, interessante e questionadora.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Filmes do mês - setembro

Setembro

-O julgamento do diabo de Alec Baldwin - (0)
-Tropa de elite de José Padilha - (3)
-Caça ao leão com arco de Jean Rouche - (2)
-O corte de Costa-Gravas - (3)
-A enfermeira Betty de Neil LaBute - (2)
-O outro lado da rua de Marcos Bernstein - (2)
-Garota da Vitrine de Ashok Amritraj - (2)
-Jogo do amor de Sheldon Larry - (0)
-Sociedade secreta de Rob Cohen - (1)
-Marcas da violência de David Cronemberg - (3)
-De repente é amor de Nigel Cole - (4*)
-Mergulho radical de John Stockwell - (1)
-O exorcismo de Emily Rose de Scott Derrickson - (1)
-A família do futuro de Stephen J. Anderson (em 3D) - (1)
-Corações e Mentes de Peter Davis - (3)
-A identidade Bourne de Doug Liman - (3*)

*Revistos

Obs.: 0-(horrível); 1-(ruim); 2-(razoável); 3-(bom); 4-(muito bom); 5-(excelente)

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

A história de Gustavo N. Bento

"Sentada entre suas malas e enjoada de esperar pelo seu vôo, Manuela, usando seu jeans favorito, misturado com seus acessórios cheios de cores e seu rosto cansado de um final de semana movimentado, aguardava prontamente, no mezanino do aeroporto, sua amiga, que comprava mais alguns selos nos correios (para sua coleção), um verdadeiro programa de índio para Manuela, já que a mesma não se interessava por selos.Resolveu observar as pessoas do andar de baixo, gente entrando e saindo, executivos com seus ternos e malas, famílias de turistas, gente trabalhando, lojas com seus produtos caros, restaurantes abarrotados e sem mesas para sentar, pessoas comendo em pé, pessoas e mais pessoas, aeroporto em reforma, muita bagunça, e a voz com sotaque do interior paulista, chamando para os embarques, até que Manuela, absorta em seus pensamentos, "faltou alguma lembrancinha?", "será que as geléias não vão estourar na bolsa?", escutou a voz chamar , duas vezes, por um nome: - Senhor Gustavo Bento, comparecer ao balcão de informações.Manuela com seus olhos atentos, procurou pelo tal balcão e pensou "quem será esse Gustavo?!" sim, finalmente havia encontrado algo para se distrair, enquanto sua amiga, ainda esperava para ser atendida no tal correio.Manuela pensou "quem será que procura por ele?" e seus olhos focaram um casal. A mulher, sofisticada, com sua bolsa larga e de marca, morena, aparentando uns 30 e poucos, repousava seu pescoço no grande pilar e escutava o (suposto) marido, dar um sermão, e ela só mexia a cabeça como se dissesse "sim, meu marido". Manuela pensava...será que o marido, com sua camisa desabotoada, será que ele é um pai ausente e ela uma mãe consumista?!, será que Gustavo era filho deles, adolescente sem causa e rebelde: "mãe vou numa loja e já volto", "filho 5h aqui na frente", mas ele não havia aparecido e seus pais emputecidos (o pai descontando e culpando a mãe) e nada de Gustavo aparecer, pra confirmar a imaginação de Manuela.Já não estava mais cansada ou impaciente, só queria descobrir quem era Gustavo..uma criança perdida talvez?! Um amigo do casal?! Mas nem sabia se era o casal que havia chamado por Gustavo...seus olhos estavam atentos, a qualquer momento iria descobrir...De repente sua amiga tocou em seu ombro e disse "vamos?!", Manuela gelou..."e agora?! será que ao descer vou perder eles de vista?", mas ansiosa para o final desse drama: "vai dar tempo", e foi empurrando o carinho das bagagens, dirigiu-se ao elevador, não durou nem 2 minutos e ao chegarem ao térreo, manuela disparou para ver o casal e o desejado encontro, mas...não havia mais ninguém, nem casal, nem Gustavo...e a história não teria um desfecho...muita imaginação será?! muita cenoura crua?! Manuela sentou no carrinho, ainda faltava 1 hora...e pensou "acho que vou escrever sobre isso"
e escreveu..."
Escrevi no dia 25/11/05, após passar pela experiência de esperar o embarque da primeira viagem de avião. =)
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Data: 11/01/06
Algo que eu sentia, montado através da mistura de letras de músicas...

"Chove lá fora, faz tanto frio...
Lágrimas de chuva, molham o vidro da janela, mas ninguém me vê...
Isso não é uma carta de amor, são pensamentos tolos, traduzidos em palavras...
E no meio de tanta gente, eu encontrei você, entre tanta gente chata, sem nenhuma graça, você veio...
Eu quis dizer, você não quis escutar...
Pra me transformar no que te agrada...no que te faça ver...
Não é fácil não pensar em você...
É estranho, não te contar meus planos...
Talvez sejam memórias que me perturbam...
Não há nada que me faça entender...
Quando eu vi você quase não acreditei, nem vi você mudar, nem vi você crescer...
Me diga então, em quanto tempo se esquece alguém...
Palavras são erros, e os erros são seus,
Não quero lembrar, que eu erro também,
Um dia pretendo tentar descobrir, porque é mais forte, quem sabe mentir...
Diz pra eu ficar muda, faz cara de mistério...
E que não me falte forças pra lutar...
Não importa quem mais brilha, se agirmos com amor...
Eu descia as escadas, as velhas escadas, sem medo de olhar o que eu deixei pra trás...
São pensamentos tolos, traduzidos em palavras, pra que você possa entender, o que eu também não entendo!"
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Data: 17/02/06
devaneando...
"Aí você anda na rua, a brisa bate no seu rosto, como uma lambida quente.E a música do diskman começa a pular, você dá uma batidinha, e a trilha sonora completa o momento, junto com o barulho dos carros passando, as buzinas e pessoas caminhando no final de tarde. Você está voltando pra casa, se sentindo viva...Mais um dia terminando, e mais um dia você conseguiu não fumar e nem comer besteiras de mais, ficou feliz por suar na academia e por seus planos darem certo.Você pensa nas pessoas que está com saudade e de momentos que não voltam mais. (ainda bem que você aproveitou todos!) e pensa que o tempo tá passando tão rápido...Melhor apressar o passo, falta tanta coisa pra fazer...(...)Mas o bêbado continua lá dormindo na grama, e quando você passa, ele ronca muito alto...arrancou uns risinhos....e ai a pilha acaba, não tem mais música...que chato! O que eu estava falando mesmo...."
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Data: 16/03/06
desabafos...
"Ontem a noite ela sentou, e entre folhas e rascunhos, descobriu que não conseguia escrever... Tentava, mas não saia nada bonito como antes, e as frases escolhidas não tornavam o texto, no mínimo gracioso. Ela pensou "porque será que não consigo escrever..." E logo seu pensamento se desviava para outras coisas... Para o medo de não conseguir dar conta de tudo..de não realizar um sonho, de não resolver os problemas, de esquecer o que tem que ser esquecido... E seu peito sentiu um aperto, o desespero foi tomando conta, sentiu-se desamparada, e percebendo que não conseguiria escrever, encolheu-se no sofá e ficou observando o que se passava na televisão e chorou... Chorou pela mocinha sem esperanças no amor, chorou pela mocinha que enfrentou o poder, mas foi espancada por ter sido corajosa, chorou pela paixão proibida de uma, pela inocência e ingenuidade da outra, pela revolta, injustiça....e chorou mais ainda, porque lembrou que seu sonho é esse: criar histórias que nos identificamos...que nos fazem chorar, que nos motivam ou encorajam, que nos comovem, que simplesmente retratam nossas próprias inseguranças, desejos, vontades, sonhos...nossas vidas... Então antes de adormecer, ela juntou suas mãozinhas e entre lágrimas, fez uma oração, pedindo que seu caminho seja iluminado, pedindo para não se sentir mais desamparada e com medo, pedindo que seu sonho, tão próximo e tão distante, realize-se, e que ela tenha forças pra seguir em frente...e pediu para iluminar o caminho das pessoas queridas a sua volta e pediu para entender seu coração e porque ele continua tão magoado...e pediu para esquecer o que tem que ser esquecido, e esquecer quem precisa ser esquecido....e adormeceu com os olhinhos inchados... E Ele reposou a mão sobre sua cabeça e permitiu que ela sonhasse naquela noite...e que lembrasse que Ele está ali...mesmo quando ela adormece perturbada com seus maiores medos.... e então ela sonhou...em paz..."
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Detalhe: Tirei essas criações do meu fotolog www.fotolog.net/ally_c

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

"Tropa de elite" de José Padilha - 2007

Mesmo sem ter sido lançado e com uma versão ainda não-finalizada, não resisti a assistir a cópia de "Tropa de Elite" que consegui no trabalho.
Nem tão forte ou pesado quando eu esperava, mas revoltante quanto a polícia e ao Brasil em geral.
O filme gira em torno do Comandante Nascimento (Wagner Moura) que precisa urgentemente encontrar um substituto, para se desvencilhar do BOPE e assumir sua recente paternidade. Nesse mundo do tráfico e da corrupção policial, vemos policiais de todos os tipos: honestos, corrompidos, loucos, fracos, desmotivados.
No filme, o BOPE aparece quando a polícia militar ou civil faz alguma cagada que o BOPE tem que resolver. Não é qualquer um que pode integrar ao Batalhão de Operações Especiais, o símbolo é uma caveira espetada com uma faca, e eles são treinados para matar e não para morrer. O Bope não entra atirando na favela, ele busca ser estratégico. O próprio treinamento, super agressivo, possui fases que eliminam sempre os mais fracos, que geralmente são os corruptos e policiais desonestos (nada surpreendente).
O fato do filme ter vazado parece até uma estratégia de marketing, como aconteceu em "Bruxa de Blair", quando alegavam que o que acontecia era verdadeiro. As pessoas ficaram mais instigadas e curiosas a assistir ao filme, que não tem lá aqueeele elenco e nem imagens muito estáveis. É um filme agoniante, tanto na história quanto na seqüência de imagens.
A impressão que o filme nos dá é de uma câmera sempre entre o fogo cruzado e os conflitos policiais. Uma intrusa, em um ambiente altamente perigoso e hostil. Sempre tremida e às vezes desfocada, devido aos movimentos rápidos e bruscos.
O filme não possui tanta qualidade técnica, mas sua intenção está em denunciar a corrupção policial que é um resultado da ausência de políticas públicas, ausência de moral e valores de uma sociedade desigual e de um país governado com irresponsabilidade.
Viajando legal agora....esses dias estava estudando Biologia com meu irmão e o assunto era Ecossistema, Ecologia, comunidade...enfim, falava sobre o processo cíclico dos seres vivos e que um depende do outro para sobreviver. Acho que nossa sociedade não foge muito disso.
Quem financia o tráfico não é bandido, mas usuário, e sabemos muito bem da onde vem esses usuários: classe média e alta principalmente, que levam vidas vazias e preenchem-nas com fugas da realidade, e não me excluo dessa não, bem pelo contrário. Todos fazemos parte desse processo e todos nós também temos culpa do que acontece com o país, principalmente quando pensamos no povo como eleitor (se é que voto faz alguma diferença mesmo).
Enfim, é um filme interessante de se assistir, mas não achei nenhuma novidade. No fundo, todos nós já sabíamos que isso acontecia.

"Caça ao leão com arco" de Jean Rouch - 1965

Na sociedade capitalista em que vivemos, considerando as mortes racionalizadas dos animais que nos servem de alimento, Rouch nos traz hábitos e costumes diferentes do povo Peul (nômades africanos). Um povo que se relaciona com o ambiente, respeitando as leis da natureza, matando os animais apenas para sobrevivência, sempre envolvidos num ritual de perdão e agradecimento.
A caça ao leão é um ritual que envolve fabricação dos arcos e flechas utilizados, preparação do veneno, rastreamento e ritual de sacrifício. Quando bem sucedida, os caçadores entoam canções e narram a aventura às crianças. E só é permitida, quando a aldeia se sente ameaçada. O leão, por exemplo, quando mata sem intenção, é considerado um assassino. Não é a toa que os caçadores denominam o leão caçado no documentário de “americano”, talvez pela imposição econômica e política que o mundo sofre por um país (EUA) tão visado por promover guerras e confrontos políticos.
O documentário de Rouch se divide em dois momentos: a caça ao leão que resulta em fracasso, e após três anos, quando numa bem-sucedida caça, capturam duas fêmeas do “americano”, servindo de alimento e punição ao suposto assassino. O próprio Rouch é quem narra os fatos numa edição posterior e prefere utilizar câmera sem tripé para poder nos dar vários pontos de vista, como afirma na entrevista concedida a (inserir nome). A câmera funciona como espectadora da caça e os caçadores Songhay parecem atuar para nós.
Apesar de todos os recursos que Rouch utiliza, o filme de oitenta minutos se torna um pouco cansativo, talvez pelo próprio cansaço e frustração que os caçadores enfrentam a cada investida mal-sucedida. Nós nos frustramos juntamente com eles, criando expectativas e acompanhando atentos à aventura.
O filme nos faz refletir sobre crenças e costumes em relação aos recursos oferecidos pela natureza. Num primeiro momento, agressivo, pois visualizamos a morte dos animais, mas ao mesmo tempo irônico, pois nós não matamos com nossas próprias mãos, mas aceitamos nos alimentar de animais que morrem violentamente e distantes de nós.
Rouch parece nos contar uma fábula, pois no filme introduz que nos contará a história de gaway- gawey, que na verdade é a canção da caça aos leões.

"O corte" de Costa-Gravas - 2005


O desemprego não é nenhuma novidade, mas Costa-Gravas utilizou do humor e da ironia para transmitir uma trama pesada.

Bruno Davert é um profissional da indústria do papel com certo padrão de vida e se vê sem saída quando completa 2 anos de desemprego. Pai de dois filhos, marido de uma esposa compreensiva, acredita que perderá tudo que construiu se não eliminar seus maiores concorrentes de profissão. Resolve então, matá-los com uma arma antiga do seu avô.

Parece engraçado, e é. Mas ao mesmo tempo mórbido e caótico. Ele realmente consegue eliminar seus concorrentes a sangue frio e de forma bem desajeitada, e ainda se orgulha disso. Com sorte consegue se safar da suspeita de assassino e conquistar o cargo que tanto almeja.

Sua frieza me deu calafrios, mas o filme se tornou tão leve que engolimos o personagem desesperado, compreendendo suas ações. Mas acredito que Costa-Gravas quis unir o útil ao agradável. Fazer um filme diferente e interessante, mas trazendo o questionamento sobre o desemprego. Sobre o crescimento desenfreado do capitalismo e dos profissionais qualificados e experientes, que são descartados por profissionais mais jovens e mais dinâmicos, talvez.

E como já falei em outro filme, o estado de espírito conta muito na análise de um filme. O meu é "empregada" (como bolsista de cinema num órgão público, onde exerço pouca coisa associada diretamente a profissão, mas onde aprendo outras bem importantes...), jovem e faminta por conhecimento. Mas ao mesmo tempo pensei no meu pai, que enfrentou uma situação parecida, se não pior. E apesar de simples, somente agora, com maturidade e através do filme, tive um pouco mais de empatia pra entender a sua situação que tanto já me revoltou.

Muitos filmes acabam se tornando atemporais, exatamente por discutirem temas sempre presentes na sociedade, e este é um deles. A não ser que o capitalismo seja extinto e passemos a viver em harmonia e com outra formação de valores e de sociedade. (o que parece bem utópico).

Li numa crítica na internet, a comparação deste filme com um crime ocorrido no Brasil, de uma mulher que encomendou a morte de uma concorrente. Visto este fato, considerando a idéia absurda do filme, impossível não é, certo?!

Clicks de hoje

Fotógrafa: ally_c

Primavera

Beiramar

Alguma manifestação

Entrada de Floripa

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

"De repente é amor" de Nigel Cole - 2005

Esse filme me fez refletir que o estado de espírito do espectador influencia, e muito, no gosto, compreensão e na apreciação de um filme. Afinal, alguns teóricos acreditam que o espectador é um co-autor, certo?! Não é bem uma comédia e nem um romance meloso, é uma história divertida de amor.
E como estou super apaixonada e bem resolvida amorosamente, obviamente, adorei o filme. Achei fofo e gostoso de assistir. E olha que assisti com minha mãe. haha
Foi a segunda vez que assisti, e com certeza, na primeira vez eu não estava com esse estado de espírito, tanto que acabei assistindo de novo porque me chamou a atenção. Na verdade, eu nem lembrava de nada do filme. (o que não é nada incomum).
Sei que não é nenhuma obra-prima, mas como já falei aqui antes, meu gosto é eclético e verdadeiro. Não sou super entendida, mas também não sou uma completa leiga no assunto cinema. E acredito no cinema de entretenimento como no cinema alternativo.
Comédias românticas não fazem muito meu estilo, então é raro eu gostar de um filme assim, e eu gostei. Gostei das soluções e da idéia do filme. "O amor é paciente e benigno..." Poxa...esperar 6 anos pra ficarem juntos, descobrirem que foram feitos um para o outro...eu acredito nisso, que nada é por acaso e tudo acontece como deve acontecer. E a vida não tem a menor graça, sem termos vivido pelo menos, um grande amor. Alguém pra quem ligar a noite, alguém pra amar, dar e receber carinho, alguém pra compartilhar realizações e pequenos fracassos, alguém, simplesmente alguém pra dividir um pouquinho da vida e tudo que ela pode oferecer.
Para os mal resolvidos, assistam outra coisa ou então se influenciem pelo filme e para os apaixonados, que tenham uma ótima sessão juntos! =)
"De todo filme pode-se extrair alguma reflexão..." Ally Collaço (hahahaha metida né?!)

"Marcas da violência" de David Cronenberg - 2005

Não que eu conheça tudo do Cronenberg, mas pelos poucos filmes que assisti, obviamente pensei: "é. é um filme do Cronenberg". Pensando assim, não podia esperar nada muito clássico. Achei surpreendente, esquisito, diferente, bem feito, estranho...melhor que Videodrome. haha
Achei a fotografia do filme impecável. Cada enquadramento e movimento de câmera fantásticos. Cenas ousadas de sexo e de violência, imagens daquilo que não costumam mostrar: um 69, por exemplo, entre marido e mulher (nunca vi nada parecido no cinema, considerando que não é um filme erótico), ou as faces desfiguradas das vítimas-mafiosas de Tom (quase lembrou Tarantino, quase).
A história do bom-moço, não tão bom-moço assim. A dúvida que se mantém até a metade do filme: Tom ser ou não ser o verdadeiro Joey. Juro que eu não tinha a menor idéia do que ia acontecer, talvez por isso eu tenha gostado, e talvez por isso muita gente não goste, é um filme meio sem pé-nem-cabeça, mas que eu gostei pra caramba. Odeio prever ou supor o que vai acontecer, e o contrário disso está cada vez mais raro no cinema.
O filme começa tranquilo e como espectadora, já tendo lido a sinopse, esperei ansiosa pela reviravolta do filme, que aconteceu e me manteve numa tensão e intensa expectativa do desenrolar da história. Narra uma trajetória incomum (pelo menos no mundo cinematográfico), sem previsão dos acontecimentos, lidando com o possível e/ou impossível, e sobre a violência adormecida de alguém que queria esquecer o passado.
Gostei muito dos diálogos, pois eram através deles que descobríamos um pouco mais dos personagens. Os dialógos funcionavam como pistas para dúvidas freqüentes durante o filme. Achei isso fantástico, pois Cronenberg não precisou mostrar nada do passado de Tom para entendermos melhor. Claro, que um esforço sempre é necessário.
Enfim, achei um filmão, não tanto pelo conjunto, mais pelos recursos utilizados, que citei aqui.
No final tive uma sensação estranha, pois não estou acostumada a ver filmes assim, mas gostei, entendi, fiquei satisfeita. Acho que Cronenberg faz um cinema do tipo "um cinema que não se costuma fazer, mas eu faço". Acho que virei fã.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Filmes do mês - agosto

Agosto

-Videodrome de David Cronenberg - (2)
-O segredo de Berlim de Steven Soderbergh - (3)
-O Homem Com Uma Câmera, de Dziga Vertov - (3)
-Nanook of the North de Robert Flaherty - (3)
-Gritos e Sussurros, de Ingmar Bergman - (3)
-Estranhos no Paraíso, de Jim Jarmusch - (3)
-A volta do todo poderoso de Tom Shadyac - (2)
-Simpsons -O Filme de Davis Silverman - (2)
-Blow Out de Brian De Palma - (4)
-The Secret de Drew Heriot - (1)
-Capote de Bennett Miller - (1)
-Ratatouille de Brad Bird - (3)
-Barton Fink de Joel e Ethan Coen - (2)

*Revistos

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

"Corações e mentes" de Peter Davis - 1974

“Corações e mentes” retrata uma visão crítica sobre a Guerra do Vietnã através de depoimentos, reportagens, imagens de arquivo, entrevistas, entre outros recursos.

Utilizando a proposta de Nichols sobre a classificação de documentário, encontraríamos a presença do “discurso direto” por utilizar entrevistas e um pouco do “cinema direto” onde Davis utilizou imagens de arquivo da Guerra. Não há uma narração no “estilo voz-de-Deus”, porém há presença de outros elementos que aproximariam o documentário de algo como “auto-reflexivo”: uma mistura de todos esses recursos. Também há a presença de uma voz própria, dificuldade que Nichols aponta no discurso direto (apenas entrevistas) e no cinema direto (apenas imagens).
Considerando que Davis recebeu uma boa quantia em dinheiro para realização de “Corações e mentes”, constatou-se que ele reuniu um bom material e conseguiu construir uma visão crítica bastante evidente, através da montagem desse material. Davis mostra pontos de vista de todos os principais envolvidos na Guerra do Vietnã: soldados norte-americanos e vietnamitas, governantes e vítimas, além de intercalar imagens do patriotismo norte-americano e dos horrores da guerra, dando um tom irônico e crítico sobre o posicionamento dos EUA perante a Guerra do Vietnã.

O documentário acaba se tornando extenso, talvez por essa preocupação em mostrar vários pontos de vista, e ainda consegue construir uma visão crítica, instigando o espectador a refletir sobre os horrores da Guerra de Vietnã e sobre as verdadeiras vítimas dessa guerra: todos os soldados, familiares e a ignorância de um povo que acaba sendo manipulado pelo seu governo, em virtude de interesses próprios.
“Corações e mentes” poderia ser atemporal, pois esses mesmos horrores continuam acontecendo pelo mundo, só mudam o lugar e as vítimas.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

"Videodrome" de David Cronenberg - 1983

O que falar desse filme?! Uma sensação estranha, depois de uma história que termina sem o menor sentido. Era pra ser engraçado?! Afinal, o que era pra ser esse filme?
Enfim, na sessão dessa semana do cineclube, Videodrome trouxe questionamentos e discussões (até) interessantes.
Conversando com meu amigo Stéfano, ele lembrou que na época do filme, o cinema 3D estava em ascenção. Técnica que envolve o espectador de uma forma ainda mais intensa, por dar a impressão de estar dentro do filme. Além disso, tanto a televisão quanto o computador hoje, tornaram nosso mundo mais individual e novos padrões de vida assumiram espaço no cotidiano. Passar horas vendo filmes ou tendo conversas na internet, vivendo dentro de um mundo alheio a realidade. Refeições mecânicas e amigos virtuais, além de uma alienação do mundo exterior.
Videodrome começa com uma trama que aparentemente se desenvolverá com início, meio e fim. James Woods, dono de uma pequena emissora de tv erótica, busca novidades para seu público e encontra um mistério a ser desvendado. Estamos na expectativa da descoberta junto com ele, até o ponto em que o filme parece não ter mais sentido algum. A trama "quebrada" nos distancia do que realmente está se passando e os efeitos e a maquiagem ao invés de nos causar horror, causa-nos risos. O filme quando termina, provoca um bater dos ombros "então tá né".
No debate que seguiu após o filme, levantou-se a questão da tv se tornando a realidade e como Cronenberg trabalhou isso no filme, mas sinceramente porque começar com uma história que aparenta se desenrolar normalmente e depois confundir o espectador por completo?!
Achei o filme apelativo e até lembra um pouco da filosofia de Matrix, quando fala dessa realidade e nos faz questioná-la, mas de uma forma superficial e confusa.
Sinceramente, não gostei não. Eu acho que algumas coisas tem obrigação de fazer sentido, maaas como conheço pouco do trabalho deste diretor, melhor investigar, antes de tirar conclusões precipitadas.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

"O segredo de Berlim" de Steven Soderbergh - 2006

O segredo de Berlim possui uma estética diferenciada. A impressão que me passa é que na falta de alternativas e roteiros originais, Hollywood está optando em diferenciar seus filmes através da estética. Notamos essa característica em filmes como 300 e O número 23, já citados aqui no blog. No caso desse filme, resgatando a forma que o cinema já foi feito algum dia. Tanto nas imagens, planos e atuações, O segredo de Berlim parece um filme antigo, mas não é.
A trama se passa numa Berlim ainda em conflitos, mas se concentrando mais em personagens, deixando a guerra apenas como cenário ilustrativo.
O que realmente me chamou a atenção foi a estética do filme e como isso tem proliferado nos chamados "filmões". Ao mesmo tempo que parece interessante ver qualquer idéia mirabolante ser realizada, devido as ferramentas disponíveis hoje, vemos um empobrecimento de roteiro e o questionamento, como estudante de cinema, do que ainda pode ser feito hoje sem que se apele apenas para a estética! Questionamento válido, já que o cinema contemporãneo, que comentei no filme anterior, vai lidar exatamente com esse problema. O que fazer daqui pra frente?

"Estranhos no Paraíso" de Jim Jarmusch - 1984

Em mais uma sessão do Cineclube Rogério Sganzerla - Cinema UFSC, Estranhos no Paraíso faz parte da mostra de Cinema Contemporâneo.
Jim Jarmusch, como outros dessa fase, parecem buscar tentativas de fazer um cinema diferente. Sinto que ainda hoje, essas tentativas são bastante incorporadas a estética do filme e trajetória da narrativa.
O filme é todo em preto e branco, por opção, com um planejado enquadramento, mantendo-se no máximo, em plano médio e boa parte separada em módulos individuais e fades longos em preto, retratando o vazio e a entediante vida dos jovens, tanto americanos, americanizados e estrangeiros (Eddie, Willie e Eva).
Essa ausência de cor parece transmitir a ausência de algo, comum numa geração sem causa, retratando um vazio, uma acomodação, a falta de questionamento da própria existência. Ausência de valores, moral, nacionalidade e de experiências. Ausência de valores ou moral, pois o dinheiro que eles conseguem no filme é trapaceando num jogo ou através de um mal-entendido. Ausência de identidade própria e nacionalidade, pois o próprio Willie rejeita seu nome verdadeiro, pois se considera americano e prefere não lembrar das origens, negando o próprio idioma. E ausência de experiência, quando Eddie descreve lugares em que nunca esteve, e Willie come algo (Tv-food) que nem ao menos parece carne.
Já Eva parece resgatar um pouco dessa existência, mas apenas ameaça, pois acaba se rendendo ao tédio e ao vazio de sua existência.
O filme parece dialogar mais com essas questões do que se preocupar com uma trajetória em si. O final se torna interessante e inesperado, deixando-nos imaginar o destino de cada personagem. Nesses silêncios há um pouco de humor, há um pouco de vazio, há um pouco de espera e da torcida por alguma descoberta. O filme fica no "não-acontecer".
Obs.:Li um pouco sobre o diretor mas foi o primeiro filme que assisti, então fiz um pequeno parecer. Como eu disse, ainda treinando.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

"A marcha dos pingüins" de Luc Jacquet - 2005

A marcha dos pingüins é um filme documentário que divide opiniões e questiona conceitos que classificam o cinema documentário.
Já assisti faz um tempo e semana passada reassisti algumas cenas na aula de Cinema Documentário, onde entramos numa séria discussão sobre a classificação do filme.
Acredito que os criadores tiveram a intenção de criar algo novo com o material que tinham. Num primeiro momento parece apenas uma dublagem de animais (como "Baby - o porquinho atrapalhado"), inserido em algum tipo de trama, aparentemente classficando-o como uma ficção, mas eu vejo diferente. Acho que a pesquisa e convivência com os pingüins acabou aproximando o mundo deles com o dos pesquisadores (o nosso) e por isso, a opção foi de colocar voz aos "personagens". A intenção narrativa das imagens não ficaria tão diferente colocando a voz-off de algum narrador ou deixando as imagens falarem por si mesmas. Acredito que eles optaram em facilitar a compreensão da rotina dos pingüins dando voz feminina, masculina e infantil, mas não colocando nomes aos personagens.
O documentário fica mais atrativo pra qualquer tipo de público e pode ser considerado um documento e uma base para entender a vida dos pingüins, tanto é que "Happy feet" de George Miller - 2006 (animação sobre pingüins) feita logo depois, usa como base na rotina dos pingüins, características que podemos encontrar no fime de Luc Jacquet e e aí sim, a animação insere uma narrativa, comum em qualquer filme de ficção.
Os pingüins são humanizados pela voz que recebem, isso não significa que seja um filme ficcional, mas sim, uma nova forma de fazer documentário. Excluí-lo dessa classificação é ignorar conceitos téoricos que identificamos claramente no filme.
Para uns pode ser um péssimo documentário porque foge das técnicas normalmente utilizadas, mas para outros, como eu, é apenas outra alternativa de contar ou documentar alguma coisa que acontece na nossa realidade, mas foge a nossa rotina.
Classificar "o que é documentário" se torna uma tarefa cada vez mais difícil, pois o cinema feito hoje, possui técnicas super elaboradas e um leque de novas ferramentas cada vez mais exploradas. E mesmo em documentários ocorre manipulação na edição de imagens, exatamente porque a câmera não funciona como o olho humano e não poderia apenas com imagens, transmitir emoções e intenções, precisa haver a "mão" do cineasta direcionando o olhar do espectador, seja em filme de ficção ou de não-ficção.

"A volta do todo poderoso" de Tom Shadyac - 2007

Em sua maioria, os profissionais do cinema, pelo menos os estudantes (colegas de sala por exemplo) parecem mais céticos, descrentes e racionais. Não sei se posso afirmar com precisão, mas é o que transparece pra mim. São difíceis de surpreender, contém um leque de críticas e opiniões formadas, ficando difícil se renderem a fantasia e a magia que acredito existir no cinema.
Acredito que foi essa profissão que me escolheu e não eu a ela. Porquê?! Porque o cinema pra mim, além de ser uma mídia de veiculação em massa, é a oportunidade de se ter "voz" ou pelo menos representar a voz de algo ou alguém e transmitir mensagens, pensamentos, conscientizações, reflexões, etc. É a chance de semear algo dentro do público e quem sabe influenciar de forma positiva, pelo menos uma pessoa, e se isso acontecer já terá valido a pena.
Sei que essa mesma mídia acaba sendo usada, muitas vezes, com outras intenções, às vezes negativas, mas prefiro ver com bons olhos todos os filmes, muitas vezes considerados bobos pro público intelectual e "cult" do cinema. Praticamente todos, tem algo de bom a ser extraído. (eu disse "quase" todos).
A volta do todo poderoso é um filme considerado bobinho, mas achei a mensagem tão tão legal. Fala de família e de se manter unido, mesmo quando tudo parece desabar. Fala de amor e de companheirismo.
É um filme engraçadinho, mas que semeou uma reflexão sobre Deus e sobre a forma que ele age em nossas vidas. Deus no filme, representado pelo Morgam Freeman, alega que quando você pede algo a Ele, não significa que Ele te dará de mãos beijadas, mas criará situações para que você possa realizá-la. Exemplo: Se você quer ser corajoso, ele não dará coragem, ele criará situações para que você seja corajoso. Ele abre caminhos e você deve aproveitar a oportunidade. E como eu acredito nessa força, nessa energia, nesse algo maior que nós mesmos, e que nada parece ser por acaso, saí do cinema renovada e pensativa. Não foi por acaso que assisti esse filme e isso só reforçou minha certeza de estar no caminho certo.
Não sei fazer críticas bem construídas ainda, não sei tudo sobre cinema e nem chegarei a saber, mas vou me esforçar pra seguir meus princípios e o conhecimento que tenho adquirido no curso e experiência de viver.
Existe sim, um cinema culto, de reflexões bem mais profundas que essa "bobinha", mas também existe um cinema de entretenimento, tolo, divertido, superficial, para servir de bom programa com amigos, namorado, família. Um cinema para ser apreciado e quem sabe até, sirva para animar um dia difícil. Um cinema que não tenho preconceitos e que se existe, não é por acaso.
Não gosto do cinema que é feito para minoria ou para não ser compreendido, isso pra mim é desperdiçar a oportunidade de levantar a "voz" e saber usá-la para o bem. Ele até pode ser importante para outras reflexões, mas cinema pra mim é muito mais que isso.
A volta do todo poderoso é um filme de entretenimento, engraçadinho e com uma mensagem bonitinha. Preconceitos a parte, é um filme leve e para quem acredita que somos apenas parte de algo muito maior que nós mesmos.
Não fala de religião, porque Deus não é religião, Deus é algo presente em tudo e dentro de nós, quanto mais aceitamos que ele realmente existe, mais ele se torna presente. E se realizei tantas coisas até agora, foi por acreditar nessa força.
Tá..sei que parece um discurso inflamado de crente, mas juro que não é. Se as pessoas tivessem só um pouquinho disso dentro do coração, o mundo se tornaria um lugarzinho um pouco melhor. Pena! =)

"Simpsons, o filme" de David Silverman - 2007

Simpsons, um seriado pra qualquer tipo de público, e o filme também. Não teve nada demais, o filme foi fiel ao humor do seriado e apesar de se auto-denominar em 2d, tiveram algumas cenas com a presença de técnicas 3d.
Engraçado, divertido, enfim, um típico Simpsons. Não há muito o que falar.
E pra quem ainda for assistir, fique até o final dos créditos, principalmente estudantes de cinema como eu....hahahahaha

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

"Um tiro na noite (Blow out)" de Brian De Palma- 1981

Lá vai mais uma tentativa de crítica. (falta muito aperfeiçoamento...)
Um tiro na noite abriu a mostra de Cinema Contemporâneo do Cineclube Rogério Sganzerla - Cinema UFSC - 2007/02.
Após a sessão, ocorreu um tímido debate, onde consegui formular algumas questões e onde ouvi várias outras interessantes.
Ainda sei pouco sobre De Palma, pois vi pouca coisa do que ele já fez. Acredito que para conhecer bem o trabalho de qualquer cineasta, deve-se ver seus filmes e com base nisso, traçar características comuns e um estilo presente. Não basta apenas ler sobre o cara, tem que estudar seu trabalho, e acho que se estuda, vendo muuuitos filmes.
Enfim, concordo quando alegam que De Palma fez várias referências a Hitchcock em seu filme. Mas o que achei mais em comum mesmo, foi o clima de tensão e suspense que o filme nos conduz em sua trama. Não conseguimos prever o que vai acontecer, e muitas vezes ficamos surpresos. "Será que ela vai conseguir fugir?! Será que ele vai chegar a tempo?!" Além de características psicológicas dos personagens, apresentadas sem explicações. Porque ele é psicopata?! Nada indica esse porquê, apenas suas ações e atitudes. E acredito que isso se faz presente nos filmes de Hitchcock, como Janela indiscreta e Psicose.
Achei o filme muito bom, mesclando humor, suspense e tensão. A trilha contribuiu para essa construção e os movimentos de câmera também.
Os personagems se apresentam de forma esteriotipada como o herói frustrado, a loira sexy e ingênua (pra não dizer burra) e o psicopata obsessivo. Além de outros personagens.
O cineasta parece ter sido influenciado pelo contexto histórico em que se encontrava no momento para construir a trama. (Conspiração e assassinato de John Kennedy).
A seqüência inicial de Blow out (o filme dentro do filme), soa como uma satirização de Psicose com a famosa cena da faca. Isso me leva a refletir que é normal, quando um filme novo com uma idéia nova, e faz sucesso, a tendência é que hajam várias cópias desse sucesso, numa tentativa de atingir o mesmo, mas se tornam apenas tentativas frustradas, no caso dos filmes B. De Palma parece fazer esse tipo de referência, já que se considera um grande fã e seguidor de Hitchock.
Essa cena se torna importante também, a partir do momento em que ela abre e fecha a trama, pois a seqüência do filme se dá quando Jack, editor de som, precisa captar sons para um filme e por acaso, grava o som do acidente do governador e sua amante, que resultará numa obsessão em provar o que realmente aconteceu e na tentativa de não cometer erros do passado.
Enfim, Blow out é uma boa dose de suspense com muito humor e tensão.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

"The Secret" de Drew Heriot - 2006

The Secret... já tinha ouvido falar e estava curiosa pra ver, acabei assistindo ontem e fiquei satisfeita com o que vi. (mais pela mensagem do que pela qualidade do vídeo)
Sei que está bem associado a auto-ajuda, mas fiquei surpresa com a mensagem, porque eu já vinha fazendo isso (o segredo) há algum tempo e obtido sucesso com o pensamento positivo.
Tem quem acredite, tem quem ache uma baboseira, enfim, que o vídeo convence, convence. Achei bem feito, mesmo feito com câmera de vídeo e com cara de tv.
E ainda levanta a discussão do que é um documentário, digo isso porque estou cursando uma disciplina chamada Cinema Documentário em que meu professor insiste em dizer que "A marcha dos pingüins" não é documentário e eu argumento que é, e ainda usando Vertov no meu discurso. Ainda falta muita base teórica pra engrossar meus discursos e análises críticas, por isso ouso escrever por aqui, já praticando um pouquinho do que vem pela frente.

Segue uma lista resumida do que fala o livro que catei por aí:

The Secret – Resumo

O Segredo

* A lei da atração é a lei da natureza. Ela é tão imparcial quanto a lei da gravidade;

* Nada se pode introduzir na sua experiência a menos que você o peça por meio de pensamentos duradouros;

* A fim de saber o que você está pensando, pergunte a si mesmo como está se sentindo. As emoções são ferramentas valiosas que nos dizem instantaneamente o que estamos pensando;

* É impossível sentir-se mal e ao mesmo tempo ter bons pensamentos;

* Seus pensamentos determinam sua freqüência, e seus sentimentos lhe dizem de imediato em que freqüência você está. Quando se sente mal, você está na freqüência em que atrai mais coisas ruins. Quando se sente bem, você está poderosamente atraindo para si mesmo coisas boas;

* Modificadores do Segredo, tais como lembranças agradáveis, a natureza ou sua música predileta, podem mudar seus sentimentos e sua freqüência num instante;

* O sentimento de amor é a freqüência mais alta que você pode emitir. Quanto maior o amor que você sente e emite, maior o poder que você utiliza.


Como Usar o Segredo

* Como o gênio de Aladim, a lei da atração atende a todos os nossos pedidos;

* O Processo Criativo ajuda a criar o que você quer em três passos simples: peça, acredite e receba;

* Pedir ao Universo o que você quer é a oportunidade de ter clareza quanto ao que quer. Quando ficar claro em sua mente, você terá pedido;

* Acreditar implica em agir, falar e pensar como se já tivesse recebido o que pediu. Quando você emite a freqüência de ter recebido, a lei da atração move as pessoas, acontecimentos e situações para que você os receba;

* Receber implica sentir como será assim que seu desejo se manifestar. Sentir-se bem agora o coloca na freqüência que você quer;

* Para perder peso, não se concentre em “perder peso”. Em vez disso, concentre-se em seu peso ideal, Sinta o seu peso ideal e você o atrairá para si;

* O universo não precisa de tempo para produzir o que você quer. É tão fácil produzir um dólar quanto um milhão de dólares;

* Começar com algo pequeno, como uma xícara de café ou com uma vaga no estacionamento, é uma forma simples de experimentar a lei da atração em ação. Projete poderosamente atrair algo pequeno. Ao experimentar o poder que tem de atrair, você irá passar a criar coisas muito maiores;

* Crie seu dia com antecedência pensando no modo como você quer que ele seja, e estará criando sua vida intencionalmente;


Exercícios Poderosos

* A expectativa é uma força de atração poderosa. Espere as coisas que você quer, e não espere as coisas que você não quer;

* A gratidão é um processo poderoso de transformar sua energia e conquistar para a sua vida mais do que você quer. Agradeça pelo que já tem, e irá atrair ainda mais coisas boas;

* Agradecer antecipadamente por aquilo que quer turbina seus desejos e envia ao Universo um sinal mais poderoso;

* Visualização é o processo de criar na mente imagens de você mesmo desfrutando o que quer. Quando você visualiza, gera pensamentos e sensações poderosas de já ter. A lei da atração então devolve essa realidade a você, assim como a viu na sua mente

* Para usar a leite da atração em seu benefício, transforme-o num modo de vida, não em um acontecimento isolado;

* Ao final de cada dia, antes de dormir, repasse os acontecimentos daquele dia. SE algo não se passou como você queria, repita-o em sua mente da forma como gostaria que tivesse sido;

O Segredo para o Dinheiro

* Para atrair dinheiro, se concentre na prosperidade. É impossível atrair mais dinheiro para sua vida quando você se concentra na falta dele;

* É útil soltar sua imaginação e fingir que você já tem o dinheiro que quer. Brinque de ter prosperidade e você se sentirá melhor em relação ao dinheiro; quando se sentir melhor com isso, mais irá fluir para sua vida;

* Sentir-se feliz agora é a forma mais rápida de atrair dinheiro para sua vida;

* Comprometa-se a olhar para tudo de que você gosta, e dizer a si mesmo: “Eu dou conta. Eu posso comprar aquilo”. Você irá mudar sua forma de pensar e começará a se sentir melhor em relação ao dinheiro;

* Dê dinheiro, de modo a atrair mais para a sua vida. Quando você é generoso com o dinheiro e se sente bem em partilhá-lo, está dizendo: “eu tenho muito”;

* Visualize cheques em sua caixa de correio;

* Faça a balança de seus pensamentos pender para a riqueza. Pense rico;

O Segredo para os Relacionamentos

* Quando quiser atrair um relacionamento, tenha a certeza de que seus pensamentos, palavras, ações e ambientes não contradigam seus desejos;

* Sua missão é você. Sem que o primeiro alcance a plenitude, você não ter nada para dar a ninguém;

* Trate a si mesmo com amor e respeito, e irá atrair pessoas que demonstrem amor e respeito;

* Quando se sente mal consigo mesmo, você bloqueia o amor e atrai mais pessoas e situações que continuarão fazendo com que se sinta mal consigo mesmo;

* Concentre-se nas qualidades que adora em si e a lei da atração irá mostrar mais coisas grandiosas sobre você:

* Para fazer um relacionamento dar certo, concentre-se naquilo que aprecia no outro, e não em suas queixas. Quando você se concentra nos pontos fortes, consegue mais do mesmo;

O Segredo para a Saúde

* O efeito placebo é um exemplo da lei da atração em ação. Quando um paciente acredita de fato que o comprimido é uma cura, recebe aquilo em que acredita e acaba curado;

* A concentração na saúde perfeita é algo que podemos fazer dentro de nós, a despeito do que possa estar acontecendo no exterior;

* O riso atrai a alegria, elimina a negatividade e leva a curas milagrosas;

* A doença é retida no corpo pelo pensamento, pela observação da doença e pela atenção dada a ela. Se você está se sentindo indisposto, não fale nisso – Exceto se quiser intensificar o mal-estar. Se ouvir pessoas falarem sobre suas doenças, irá acrescentar energia a estas. Em vez disso, mude a conversa para coisas boas, e dedique pensamentos poderosos à visão daquelas mesmas pessoas com saúde;

* As crenças sobre envelhecimento estão todas em nossa mente, portanto, afaste estes pensamentos de sua consciência. Concentre-se na saúde e na eterna juventude;

* Não dê ouvido às mensagens da sociedade sobre doenças e envelhecimento. As mensagens negativas não servem para você.

O Segredo para o Mundo

* Você atrai aquilo a que resiste, por estar intensamente concentrado nele com emoção. Para mudar alguma coisa, volte-se para si mesmo e emita um novo sinal com seus pensamentos e sentimentos;

* Você não pode ajudar o mundo pela concentração nas coisas negativas. Enquanto se concentra nos acontecimentos mundiais negativos, além de reforçá-los, também introduz mais coisas negativas em sua própria vida;

* Em vez de se concentrar nos problemas do mundo, dedique sua atenção e energia à confiança, ao amor, à abundância, à educação e à paz;

* Nunca ficaremos desabastecido de coisas boas, porque elas são mais do que suficiente para todos. A vida visa à abundância;

* Por meio de seus pensamentos e sentimentos, você tem a capacidade de explorar o manancial ilimitado e traze-lo para sua experiência;

* Louve e abençoe tudo no mundo e você dissolverá a negatividade e a desavença, e se alinhará com a mais alta freqüência – o amor.

O Segredo para Você

* Tudo é energia. Você é um imã de energia, portanto energiza eletricamente tudo para você e se energia eletricamente para tudo o que deseja;

* Você é um ser espiritual. Você é energia, e a energia não pode ser criada nem destruída – ela apenas muda de forma. Portanto, a pura essência de você sempre foi e sempre será;

* O Universo emerge do pensamento. Somos os criadores não só de nosso destino, mas também do Universo;

* Encontra-se a seu dispor um acervo ilimitado de idéias. Todo o conhecimento, todas as descobertas e invenções estão na mente Universal com possibilidades, à espera de que a mente humana venha busca-las. Tudo está contido em sua consciência;

* Todos nós estamos conectados e todos somos um;

* Livre-se das dificuldades do seu passado, dos códigos culturais e das crenças sociais. Só você pode criar a vida que merece;

* Um atalho para a manifestação dos desejos é visualizar como fato absoluto aquilo que se deseja;

* Seu poder está em seus pensamentos, portanto, esteja consciente, ou seja, “lembre-se de lembrar”.

O Segredo para a Vida

* Você precisa preencher o quadro-negro de sua vida com o que deseja;

* Tudo que precisa fazer é sentir-se bem agora;

* Quanto mais usar o poder que tem dentro de si, mais poder irá atrair por seu intermédio;

* O momento de assumir sua magnificência é agora;

* Estamos no meio de uma era gloriosa. Quando pararmos de limitar nossos pensamentos, iremos vivenciar a verdadeira magnificência da humanidade, em cada área de criação.

* Faça o que você ama. Se não souber o que lhe dá satisfação, pergunte: “Qual é a minha alegria?”. Quando se comprometer com ela, irá atrair uma avalanche de coisas alegres, porque estará irradiando alegria;

* Agora que você aprendeu o conhecimento do Segredo, fica a seu critério o que fará com ele. O que escolher será correto. O poder é todo seu.

domingo, 5 de agosto de 2007

"Capote" de Bennett Miller - 2005


Refazendo a crítica em 13 de agosto de 2007, após um pouco mais de pesquisa sobre o filme.

Um filme até bem feito, boa fotografia, boa trilha, mas não concordo quando alegam que tem um bom roteiro. Senti que o filme foi uma tentativa sutil de nos comover e provocar emoções intensas, mas o personagem de Truman era extremamente irritante com aquela voz. Se era uma imitação fiel ou não, comprometeu uma compreensão melhor do filme.
Como opinião pessoal achei o filme cansativo e entediante. Na maior parte do tempo tinha vontade de desligar e deixar de lado, mas insisti em assistir, esperando talvez, uma reviravota na trama (que obviamente não veio).
O que ficou mais claro pra mim, foi quando o persongem Capote diz que ele e Perry pareceram ter sido criados na mesma casa, mas Perry (um dos assassinos) saiu pela porta dos fundos e Capote pela da frente. A minha interpretação é de que Capote tem a mesma mente doente, sensível, falsa, mas que Perry virou bandido e ele um escritor manipulador.

Enfim, foi um filme premiado e tem quem goste, mas eu não conseguiria ver de novo, não por enquanto.

sábado, 28 de julho de 2007

"Transformers" de Michael Bay - 2007

Ok ok... está certo que é um típico filme hollywoodiano de ficção científica, repleto de ação e com aquele velho clichê da "luta contra o bem e o mal". Mas eu curti o filme porque achei os efeitos muito bem feitos e a qualidade do som, perfeita.
Fico satisfeita de viver numa geração que pode apreciar hoje, filmes com qualidade, enriquecidos tecnologicamente. Penso que a indústria cinematográfica abriu espaço pra vários tipos de profissionais: engenheiros, designers, programadores... O mundo cinematográfico está cada vez mais investindo em pesquisa e ampliando os horizontes.
Hoje é possível tornar, praticamente, qualquer idéia mirabolante, num filme. Robos, ETs, sonhos surreais, mortos-vivos... a tecnologia tem facilitado "nossa" vida. Cito inclusive Matrix, que desde que inovou o mundo da ficção científica com o efeito "bullet time", os filmes vem usando e abusando desse efeito, como efeito dramático e ampliando pontos de vista.
Transformers também nos traz uma nova leva de atores...incluindo gatas lindas e super bronzeadas, ou seja, nada a ver com as típicas branquelas americanas. Hollywood está mudando? hahaha típicas "velozes e furiosas"
Enfim, até a metade estava curtindo muito o filme, mas dai vieram os velhos clichês, incluindo a chamada báaasica aos jovens americanos "você é um soldado agora, filho" dã... Mas não tira o mérito de um filme bem feito. (Claro que ainda prefiro filmes simples com grandes idéias...presentes nos filmes franceses, argentinos, e até brasileiros...)
Enfim, é um filme que conta a mesma história de sempre recheado de efeitos especiais e tecnologia. Mas que é legal, é... hehehe Agora quero ver os desenhos... =)

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Análise Crítica - Ópera do Malandro

A família de Duran, o cafetão, vê-se ameaçada com o casamento proibido de sua filha, Terezinha, com o contrabandista Max. Com a trama principal, intercalam-se: a luta pelo poder, a legalização do contrabando, a corrupção policial, chantagens e manifestações públicas, além de uma metalinguagem sugerida na apresentação da própria peça.

Inspirada em outras obras, Ópera dos mendigos (1728), de John Gay, e na Ópera de três vinténs (1928), de Bertolt Brecht e Kurt Weill, que utilizam de narrativas e temas sobre o submundo, a peça de Chico Buarque retrata a década de 40, com a Guerra assolando o mundo, fazendo uma alusão à modernização no Brasil, que deixa de piratear produtos importados para se tornar um país “americanizado” e dentro da lei.

A comédia musical se divide em dois atos e possui em seu repertório diversas músicas compostas exclusivamente para a peça. Todas transmitem algum conteúdo crítico e sugestivo. Entre elas, destaca-se “Homenagem ao malandro” que faz referência ao verdadeiro malandro da boêmia que não existe mais, pois os malandros de hoje são os engravatados do senado, das colunas sociais, regulares e profissionais, como citados na música. Essa referência se faz presente na passagem da peça em que a personagem Terezinha sugere ao seu recente marido, o malandro Max, legalizar seu negócio de contrabando, e quando ele é preso, é isso que ela acaba fazendo. Não só foi uma importante crítica na época, como pode ser aplicada ainda hoje, já que ocorrem tantos casos, da suposta malandragem, ao nosso redor.

Possui um linguajar coloquial, e seu elenco é composto por prostitutas, cafetões, contrabandistas, policiais corruptos e travestis. Ou seja, o mais baixo escalão da sociedade. Não são exemplos para ninguém, o que cria um contraste interessante, já que ao final, esses mesmos personagens se tornam os novos burgueses, sugerindo a verdadeira máscara da sociedade brasileira.

Ópera do malandro retrata uma verdadeira disputa pelo poder, fazendo críticas pesadas, mas utilizando um teor humorístico e agradando o público da época. Em 1985 é adaptada para o cinema, com Edson Celulari no papel do malandro Max.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

"Brás Cubas" X "Memórias Póstumas"

Na obra de Machado temos uma narrativa em primeira pessoa, focada no personagem principal, o “defunto” Cubas, alguém que após a morte resolveu relatar fatos de sua vida. Não há moral, não há final feliz, apenas fatos de romances inacabados, adultérios, frustrações políticas, reflexões, lembranças, devaneios e interferências do autor, através do personagem. Não é uma história visivelmente linear, pois alguns capítulos avançam e voltam no tempo, intercalam-se com os devaneios e reflexões. Porém, apesar da narrativa se apresentar descontínua, não deixa de ser uma história linear. O diretor André Klotzel observa que a obra parece bem moderna, considerando a época em que foi escrita, 1881.

Bressane tentou se aproximar do universo imaginário tanto de Cubas, como de Machado, criando um filme repleto de alegorias e interferências. Ao invés de uma narração do personagem-defunto-autor, como ocorre na adaptação de Klotzel, Bressane optou em narrar através das imagens. Em alguns momentos, o personagem Cubas dialoga com o espectador, assim como acontece no livro, mas a maior parte do filme, dá-se pelas imagens e diálogos da cena.

“Brás Cubas” de 1985 intercala as alegorias em cenas e montagens audiovisuais. No início do livro, há uma passagem fantasiosa de Cubas onde ele se refere ao início dos “delírios”, e no filme, o início também é marcado por uma tentativa de transpor esse imaginário absurdo.

Na cena do envolvimento de Cubas com Marcela, ocorre uma interferência direta do autor do filme, a equipe de filmagem dialoga com os atores Fernando Guimarães e Regina Case, voltam à cena e o filme segue. Esta interferência integrada com as cenas, distancia o espectador do filme, trazendo a reflexão de que “isso é apenas um filme”, igualando-se a Machado que cria esse distanciamento no leitor, quando há um momento de tensão e ele interrompe dialogando através do personagem, diretamente com o leitor, e trazendo a reflexão de que “isso é apenas um livro”, característica também marcante de Machado. Além desse tipo de interferência, ocorre interferência através do personagem Cubas, que dialoga diretamente com o espectador, se referindo a ele como tal. “caro espectador...” Essa interferência transpõe a interferência que acontece no romance, e nesse ponto, Bressane deixou o filme interessante.

Num primeiro olhar, vemos os personagens ridicularizados, mas que serviram para, literalmente, ironizar o filme e criar alegorias da sociedade, que condizem com a obra de Machado. Bressane parece tentar realmente adaptar o livro ao cinema, inclusive transpondo a mão do autor do livro para a mão do autor do filme. Apesar de interessante, a construção da narrativa de Bressane dificultou a compreensão da história. Em parte também, porque o filme de Bressane parece ter sido de um orçamento muito mais baixo que “Memórias Póstumas” de André Klotzel, filme de 2001.

Klotzel consegue fazer um filme agradável, engraçado, levemente irônico e transpondo as partes principais da história de Machado. “Memórias Póstumas” possui um bom elenco, cenários e figurinos bem construídos, além de uma vasta pesquisa histórica. Boa parte do filme é narrada pelo ator Reginaldo Farias que interpreta Cubas já no final da vida, e as imagens apenas reforçam a narrativa do personagem. É como se o filme adaptasse quase que fielmente o livro, sem a interferência do cineasta, abandonando o estilo de Bressane. Ainda ocorrem interferências, mas do personagem e não mais do autor do filme.

Além desses paralelos, Klotzel preferiu não trabalhar com a irmã de Cubas, pois ela não consta no filme, nem seu cunhado, subtendendo-se que ele é filho único. O pai parece mais rígido que no próprio livro e alguns personagens não foram muito desenvolvidos na trama.

Enfim, as duas adaptações trouxeram contribuições para o cinema brasileiro. Bressane parece se aproximar do estilo de Glauber Rocha, arriscando-se a criar um estilo diferente e inovador, utilizando também a trilha sonora como narrativa, enquanto Klotzel preferiu seguir um cinema mais tradicional, bem acabado narrativamente e fiel a obra de Machado.