segunda-feira, 17 de setembro de 2007

"Marcas da violência" de David Cronenberg - 2005

Não que eu conheça tudo do Cronenberg, mas pelos poucos filmes que assisti, obviamente pensei: "é. é um filme do Cronenberg". Pensando assim, não podia esperar nada muito clássico. Achei surpreendente, esquisito, diferente, bem feito, estranho...melhor que Videodrome. haha
Achei a fotografia do filme impecável. Cada enquadramento e movimento de câmera fantásticos. Cenas ousadas de sexo e de violência, imagens daquilo que não costumam mostrar: um 69, por exemplo, entre marido e mulher (nunca vi nada parecido no cinema, considerando que não é um filme erótico), ou as faces desfiguradas das vítimas-mafiosas de Tom (quase lembrou Tarantino, quase).
A história do bom-moço, não tão bom-moço assim. A dúvida que se mantém até a metade do filme: Tom ser ou não ser o verdadeiro Joey. Juro que eu não tinha a menor idéia do que ia acontecer, talvez por isso eu tenha gostado, e talvez por isso muita gente não goste, é um filme meio sem pé-nem-cabeça, mas que eu gostei pra caramba. Odeio prever ou supor o que vai acontecer, e o contrário disso está cada vez mais raro no cinema.
O filme começa tranquilo e como espectadora, já tendo lido a sinopse, esperei ansiosa pela reviravolta do filme, que aconteceu e me manteve numa tensão e intensa expectativa do desenrolar da história. Narra uma trajetória incomum (pelo menos no mundo cinematográfico), sem previsão dos acontecimentos, lidando com o possível e/ou impossível, e sobre a violência adormecida de alguém que queria esquecer o passado.
Gostei muito dos diálogos, pois eram através deles que descobríamos um pouco mais dos personagens. Os dialógos funcionavam como pistas para dúvidas freqüentes durante o filme. Achei isso fantástico, pois Cronenberg não precisou mostrar nada do passado de Tom para entendermos melhor. Claro, que um esforço sempre é necessário.
Enfim, achei um filmão, não tanto pelo conjunto, mais pelos recursos utilizados, que citei aqui.
No final tive uma sensação estranha, pois não estou acostumada a ver filmes assim, mas gostei, entendi, fiquei satisfeita. Acho que Cronenberg faz um cinema do tipo "um cinema que não se costuma fazer, mas eu faço". Acho que virei fã.

Um comentário:

André Gelsleichter disse...

Esse filme é bom/bizarro. A trama é toda boa, pois não se sabe o que acontece em seguida. Com um final sangüinário, o filme termina de forma bizarra!
Gostei!