sexta-feira, 9 de novembro de 2007

"Santo forte" de Eduardo Coutinho 1999

O documentário de 80 minutos de Eduardo Coutinho nos recorta a relação de moradores da favela Vila Parque da Cidade, na zona sul do Rio de Janeiro, com algumas religiões, como: católica, evangélica e umbanda. Além da mistura entre elas no cotidiano de cada entrevistado.
Coutinho, posteriormente ao trabalho de sua equipe, selecionou 11 pessoas que relatam suas experiências com divindades, santos, espíritos, entre outros, deixando em evidência a crença em várias religiões diferentes, tornando cada indivíduo único em suas crenças.
Também se destaca o fato de a maioria ter tido experiências com um pouco de tudo e optarem em não seguir mais nenhuma religião, pois se decepcionaram com as pessoas que freqüentavam esses lugares, ou com alguma outra coisa.
A obra de Coutinho se constitui de técnicas e enquadramentos precários, assemelhando-se a filmes de baixo orçamento e com pouco equipamento. O conjunto do documentário é basicamente de entrevistas diretas, mesclando algumas imagens, usadas para ilustrar falas dos entrevistados, como santos, espaços vazios e imagens de arquivo. Em alguns momentos, essa opção de intercalar imagens, acaba dando um certo tom irônico a fala de algumas pessoas, pois as crenças e a bagagem de significados dos espectadores, podem influenciar diretamente na interpretação dessas construções narrativas, feitas por Coutinho.
Falar de religião é sempre algo delicado, pois é um assunto polêmico e muito pessoal. Mas o recorte de Coutinho parece falar mais da relação das pessoas com várias religiões, do que das religiões em si. Tanto que não temos presença direta de rituais ou missas, apenas foram usadas imagens de arquivo para construção da narrativa documentária e para ajudar nos depoimentos das pessoas.
Apesar de ser um filme interessante, ainda assim, fica vaga a real intenção de Coutinho em mostrar essas pessoas em seu cotidiano religioso. Não pode ser considerada amostra nem da favela e muito menos do Rio de Janeiro, então porque falar dessas pessoas? Porque a escolha específica delas?
Esses questionamentos nos refletem a flexibilidade do documentário e a dificuldade de enquadrá-lo em regras fechadas. Que um documentário passa muito mais credibilidade que um filme de ficção é fato, mas é necessário relevar a presença de elementos e estruturas ficcionais no documentário.
A escolha específica das pessoas que se tornam personagens de si mesmas, o depoimento muitas vezes, dirigido e influenciado pelo entrevistador, as imagens intercaladas, tanto inofensivas como irônicas. Tudo isso dá um tom irreal para algo que se diz real e documentário, mas aí é que está a flexibilidade do filme dito como documentário.
Apesar da presença desses elementos narrativos tão próximos à ficção, ainda assim, o documentário transmite credibilidade e talvez por isso, desencadeie muitos questionamentos, pois os espectadores acreditam na possibilidade daquilo realmente ser verdadeiro, diferente da certeza de quando algo é absolutamente ficcional.

3 comentários:

Giovanna disse...

Olá!
Eu gostaria de ver este documentário. Você sabe onde posso encontrá-lo aqui em Florianópolis?
Sou estudante de ciências sociais aqui da UFSC.
Obrigada.

giovanna_licia@hotmail.com

psdias disse...

Olá !

No blog do próprio Eduardo Coutinho há um link para baixar o documentário:

http://eduardocoutinho.blogspot.com.br/2007/09/santo-forte.html

Obs.: É necessário instalar o "utorrent" (http://www.utorrent.com/intl/pt/?client=utorrent2210),
para poder baixar.


Paulo

Rogerio Floripa disse...

Baixar o Documentário - Santo Forte - http://mcaf.ee/iv1es