segunda-feira, 24 de março de 2008

"História do cinema brasileiro"

Aulinha de cinema
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Resumo esquemático para os alunos
CINEMA BRASILEIRO

1ª Época: 1896-1912

1896- Chegou no Brasil o Omniografo

1897- Primeiras semana – cinematógrafo no Rio de Janeiro, Petrópolis e São Paulo.

-Essa nova invenção era utilizada por artistas ambulantes e estrangeiros com conhecimento mecânico.

1897 – Dia 31 de julho abre o “Salão de Novidades” no Rio de Janeiro. A primeira sala de exibição/projeção de “vistas animadas”. O dono era Paschoal Segreto (família italiana). Depois o salão passou a se chamar “Salão Paris no Rio”. E o irmão de Paschoal, Afonso Segreto, era responsável por ir a Europa buscar filmes e equipamentos novos.

1898, 19 de junho, Domingo - Num dos retornos da Europa, no paquete francês “Brésil”, Afonso trazendo uma câmera de filmar, registra imagens da Baía de Guanabara e assim nasce o cinema brasileiro.

- Os primeiro filmes eram considerados “vistas nacionais”

“Salão Paris no Rio” – incêndio em 1898 e reabre em 1899. Até 1903 os Segreto eram os únicos exibidores.
Afonso foi pra Itália e nunca mais se ouviu falar dele.

1907, março – Instala-se a Usina de Ribeirão das Lages no RJ. Até então a eletricidade era escassa no país.
Instalam-se 20 novas salas de exibição de filmes. E começam a investir na importação, exibição e produção de filmes.

Destacam-se os estrangeiros produtores no Brasil, pioneiros do cinema:

Italianos: José Labanca e Jácomo Rosário Staffa (bicheiros)
Franceses: Marc Ferrez e filhos (fotógrafos)
Alemão: Guilherme Auler (fabricante de móveis)
Espanhol: Francisco Serrador.
Português: Antônio Leal

Entre 1908 e 1911 – o comércio de exibição e fabricação de filmes é intenso. Até 1907 todas as filmagens eram de assuntos naturais.

1908 – O primeiro filme considerado “posado”, de enredo/ficção é “Os estranguladores” de Antônio Leal.
Por muito tempo ele foi considerado o criador e fundador do cinema brasileiro.

“Os estranguladores” é baseado na história real de um crime que ocorreu. Dois adolescentes ricos que foram estrangulados por uma quadrilha. O roteiro foi escrito a partir do livro “A Quadrilha da morte”. Dividia-se em 17 quadros: 1-Trama do Crime; 2-na Avenida Central; 3-Embarque na Prainha; 4-Na Ilha dos Ferreiros; 5-Primeiro estrangulamento; 6-A procura da pedra; 7-Desembarque em São Cristóvão; 8-O assalto; 9-Segundo estrangulamento; 10-Divisão das jóias; 11-A pega; 12- O informante; 13- Prisão do primeiro bandido; 14-Nas matas de Jacarepaguá; 15-Prisão do segundo bandido; 16-Dois anos depois; 17- Na prisão.

1907, maio. Surge a “Photo Cinematographia Brasileira” – com duração de 2 anos. Considerada uma fábrica de vistas, mas logo começou a produzir filmes de enredo.

Como sucesso de “Os estranguladores”, investe-se em filmes baseados em crimes que aconteceram recentemente.

1908-1911 – Outros gêneros também se destacaram: melodramas, tradicionais, dramas históricos, patrióticos, temas religiosos, temas carnavalescos, comédias e algumas que satirizavam a atualidade política. Até esquetes criticando os costumes da época.

-Antônio Leal e José Labanca se destacaram nesta época.

Os concorrentes são Cristóvão Guilherme Auler e Francisco Serrador, que introduziram o cinema cantanta ou falante. Os atores falavam ou cantavam na exibição do filme, ao vivo.

Existiam também as paródias e surgiram os filmes-revistas, que falavam sobre a atualidade política. Ex. “Paz e amor”.

O eixo principal do cinema até então se concentrava em RJ e SP.

1911 – Começou uma crise no cinema. Pouca coisa foi produzida e começou uma dificuldade para exibir-se os filmes, pois o cinema estrangeiro começou a invadir as salas de exibição.

2ª Época – 1912 a 1922

Destaca-se ainda Antônio Leal.

Surge Paulino e Alberto Botelho – produção de documentário e jornais cinematográficos.

-Continuam os filmes baseados em crimes, mas em menor proporção.

1ª Guerra Mundial, escassez do filme/película. A produção começa a parar.

Mais tarde surgem novos “cineastas”. Destacam-se italianos e alguns brasileiros. Entre eles José Medina e Luiz de Barros permanecem produzindo.

1922-23 – Começam a ser feitos filmes inspirados na literatura brasileira. Entre alguns autores que inspiraram estão: Monteiro Lobato, Olavo Bilac, Aluízio Azevedo, José de Alencar, entre outros.

-Com a guerra, filmes com este teor começam a ser feitos, pois o Brasil teve uma pequena participação.

-O primeiro desenho animado brasileiro é “O Kaiser”.

-Crônica criminal perde espaço, mas se mantém. Valoriza-se então os filmes históricos.

Alguns jovens demonstram interesse pela produção cinematográfica: os cariocas, Pedro Lima, Ademar Gonzaga e o paulista Antônio Tibiriçá.

-Até então os filmes tinham o formato de episódios. (VER OS ESTRANGULADORES)

-A exibição continua difícil, pois o estrangeiro industrializado invade cada vez mais as salas, conquistando os públicos por causa da qualidade.

Cinema entra numa nova crise.

3ª Época: 1923 a 1933

-O cinema brasileiro estava desvalorizado pela crítica e pelo público, mas duas revistas supervalorizavam “Selecta” e “Paratodos”. Os jovens Pedro Lima e Ademar Gonzaga se destacam nessa época.

CICLOS REGIONAIS – Algumas cidades passam a produzir filmes também: Recife, Belo Horizonte, Campinas, Porto Alegre, Curitiba. Destaca-se Pernambuco. “Aitaré da Praia” – cenário brasileiro como pano de fundo. Artesãos e jovens técnicos são os precurssores.

1925- Surge Humberto Mauro, considerado um dos mais importantes cineastas brasileiros. Trabalhou com o cinema mudo. Ex. filmes: “Na primavera da vida”; “Tesouro perdido”; “Brasa dormida”; “Sangue mineiro”.

Destacam-se os cineastas: José Medina, Gilberto Rossi e Canuto Mendes de Almeida.

1928 – Cinema sonoro invade o universo cinematográfico, mas somente em 1933 que o Brasil incorpora a técnica. (5 anos depois).

-Nasce a Companhia Cinédia – a favor do cinema nacional, fazia campanhas.

-Destaca-se Mauro Peixoto com “Limite” e Humberto Mauro com “Ganga bruta”, considerado um dos filmes mais importantes do cinema brasileiro, por possuir um teor inovador.

-A crise e luta por espaço nas salas de exibição continua diante do avassalador cinema estrangeiro. (EUA)

4ª Época – 1933 a 1949

-Permanece Humberto Mauro fazendo filmes, porém volta-se para produção de filmes educativos e documentários.

-Começam os filmes musicais – Surge a comédia carnavalesca, popularmente conhecida como “chanchada”.

-Surge a Atlântida (produtora de filmes), considerada a companhia mais importante do cinema brasileiro.

-Chanchada faz sucesso entre o público, apesar das duras críticas. Permanece pro 15 anos no auge.

-Paródias sobre acontecimentos políticos: golpe comunista; golpe de Getúlio Vargas, golpe contar Getúlio, nossa participação na Segunda Guerra Mundial.

-Surge a Televisão no Brasil, o cinema perde espaço por falta de interesse do público. (CONFIRMAR)

5ª Época – 1950 a 1966

-Companhia Vera Cruz “Cinema brasileiro com padrão internacional”, renegando as chanchadas, propondo um cinema de qualidade. A Companhia tem Alberto Cavalcanti, renomado profissional do cinema francês e inglês. Ex.”Caiçara”

-Humberto Mauro retorna para o cinema brasileiro.

-Surge a produção cinematográfica brasileira com a tentativa de industrializar o cinema, exportá-lo para os outros países, mas enfrenta dificuldades.

-Comédia continuou, destaca-se Genésio Arrudas no papel de Amacio Mazzaroppi, com contribuição para a chanchada, com temas caipiras. Permaneceu no auge por 10 anos.

-Surge Nelson Pereira dos Santos com “Rio 40 graus”, feito entre 1955 e 1959, e Walter Hugo Khouri.

-“Vidas Secas” de 1963 é considerado um dos melhores filmes já feitos.

-Fala-se em cinema contemporâneo, numa tentativa de fugir das “cópias”, do estrangeiro e tentar fazer um cinema autêntico, diferente do que era feito.

-Nesta época Nelson Rodrigues escrevia seus romances escandalosos e Jece Valedão contracenava no cinema urbano.

-É feito “O pagador de promessas”

-Glauber Rocha, baiano, em 1961 faz “Barravento” e “Deus e o diabo na terra do sol”

-Surge o cinema-novo, o questionamento sobre o cinema que era feito.

Diretores que se destacaram nessa época: Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade, Luís Sérgio Person, Ruy Guerra, Leon Hirzman, Carlos Diegues, Sérgio Ricardo, Walter Lima Junior.

-Ainda há, até hoje, a dificuldade do filme brasileiro ser valorizado nas salas de exibição, tanto pelos donos das salas de exibição quanto pelo próprio público. Nosso cinema compete cada vez mais com o cinema estrangeiro e só em um espaço considerável, ainda por intervenção do Estado.
*Atualmente se destacam nomes como Eduardo Coutinho, Walter Salles, José Padilha, Fernando Meirelles, entre outros.

6 comentários:

Anônimo disse...

A aula exclusiva sobre cinema brasileiro foi uma agradável surpresa, mas ainda assim você mantém o texto esquemático, que parece ter como fim apenas ajudar a memorizar uma série de nomes e datas. Não é preciso ser professor para saber que isso cansa (inclusive alunos de oitava série) e não dá muito combustível para a reflexão.

Pessoal, a critica sempre é, mas discordo quando diz que não é construtiva: estou apontando, aqui e ali, coisas das quais sinto falta, caminhos possíveis a seguir.

Por exemplo, no texto sobre cinema nacional, me faz falta um aspecto central do pensamento do Paulo Emílio que não é lá muito difícil, nem para alguém de 14 anos, entender: Ao invés de um grande relatório da produção nacional, mais importante seria pensar sobre as implicações de um "cinema brasileiro" para nós, os brasileiros. Teria o cinema nacional a missão de apenas copiar o estrangeiro? O que significa buscar uma identidade própria nesse meio? Como vemos hoje (no caso, seria interessante saber a posição da molecada) o cinema nacional? Que imagem o nosso cinema constrói do nosso povo?

São questões que atiçariam os moleques, principalmente se Tropa de Elite entrar na roda...

ally_c disse...

Estas questões são lançadas em sala meu caro.

Esses resumos e esquemas são apenas material de apoio pra eles terem algum material em casa, já que alunos da 8ª série não ganham um livro sobre cinema. É uma disciplina nova, no caso.

Quando eu entrego este material, inclusive explico que é apenas um resumo, mas pra eles pesquisarem outras informações por conta própria, coisas que lhes interessem.

Eu tenho uma noção de qual o tipo de filmes que eles vêem, o que esperam da disciplina e o que os interessa sobre cinema. Eu fiz esses questionamentos no primeiro dia de aula.

Não estou completamente preparada, mas faço um esforço bem grande para estimular as cabecinhas deles. Mas prefiro começar pelo mais simples, mostrar as diferenças dos primeiros filmes, dos primeiros cineastas, exemplificar e fazê-los entender que fazer um filme não é apenas ter uma idéia e por a mão na massa, existem outras questões, existe planejamento, e mais, que uma ideía não vêm do nada.

Você pode até achar que os resumos não instigam, mas não é você que está na sala ouvindo os questionamentos que eles tem sobre as informações que eles recebem. Antes de eu trazer questionamentos meus, prefiro ouvir o que eles tem pra dizer.

Por enquanto o meu papel é orientar e informar e esta foi a forma mais interessante e didática que encontrei no momento. Segurar a atenção deles é uma tarefa bem mais difícil. Este, na verdade é o grande desafio, pois nessa idade eles só querem saber de ação, efeitos especiais e diretores conhecidos.

Vamos começar de leve e quem sabe no decorrer do ano, eu possa com muito gosto lançar questões entre eles. (adoro questionamentos). Mas isto ainda é muito cedo pra quem desconhece praticamente tudo sobre a origem do cinema e sobre os pioneiros.

Agradeço a preocupação, mas estou segura do que estou fazendo! Quando eu passar pela experiência, já que sou eu que estou lecionando na sala e não você, vou saber o que valeu ou não a pena ter feito!

ally_c disse...

E eles não precisam decoras datas, elas são esquemáticas para facilitar a associação com outros eventos, pois o cinema atravessa tranformações de acordo com outros momentos da história, como as guerras mundiais, o surgimento da televisão e datas são uma boa referência. Além de facilitar a minha explicação, pois com tantas perguntas, preciso olhar pra esse esquema e lembrar aonde parei.

O que cobro deles são nomes de diretores e a importância deles para o cinema, filmes que marcaram época e porque, entre outras. Seria interessante eles gravarem algumas informações mas também se posicionarem perante esta informação e isto eles fazem e eu tenho cobrado de forma ainda leve, mas cobrado.

Bom, espero que você continue fazendo suas críticas. É interessante poder debater com uma cabeça diferente, mas esteja aberto pra o que te falo, pois também é válido, assim como considero seus comentários, ou não estaria respondendo.

Anônimo disse...

é munto interesante e ispirador é d+

ingrid victoria disse...

é surpriendente, como o cinema brasileiro desenvouveu e creceu muito rapido, é porisso que eu gosto muito de cinema, e curto fazer trabalhos sobre esse tipo de coisa. continuem fazendo suas criticas é muito legal

ta11 disse...

o resuminho grande em