segunda-feira, 5 de maio de 2014

Filmes do mês: abril e maio

São atualizados no decorrer do mês. 

19T-"Forrest Gump - o contador de histórias" de Robert Zemeckis 1994 EUA (4)*
18T-"A família Addams" de Barry Sonnenfeld 1991 EUA (P)
17T-"Era uma vez" de Breno Silveira 2008 BRASIL (1)
16C-"Praia do futuro" de Karim Ainouz 2014 BRASIL (4)**
15T-"A era do rádio" de Woody Allen 1987 EUA (3)
14T-"William & Kate" de Linda Yellen  2011 EUA (1)
13C-"Getúlio" de João Jardim 2014 BRASIL (3)**
12T-"O pequeno Nicolau" de Laurent Tirard FRANÇA (5)*
11C-"Os filhos do padre" de Vinko Bresan 2013 CROÁCIA (3)
10T-"O homem que mudou o jogo" de Bennett Miller 2012 EUA (4)
09T-"Elefante branco" de Pablo Trapero 2012 ARGENTINA (2)
08T-"As mil palavras" de Brian Robbins 2011 EUA (1)
07T-"Meu namorado é um zumbi" de Jonathan Levine 2013 EUA (1)
06T-"Sr. Ninguém" de Jaco Van Dormael 2009 EUA (3)
05C-"Noé" de Darren Aronofsky 2014 EUA (2)
04C-"Suzanne" de Katell Quillévéré  2013 FRANÇA (3)
03C-"Uma viagem extraordinária" de Jean Pierre Jeunet 2013 FRANÇA/EUA (4)
02C-"O amor é um crime perfeito" de Jean-Marie e Arnaud Larrieu 2013 FRANÇA (2)
01C-"Eu, mamãe e os meninos" de Guillaume Gallienne  2013 FRANÇA (4)
 
*Filmes Revistos
**Clube do Professor
***Curta no Intervalo
 
Organização: Ordem crescente - em números.
Nome do filme + diretor + ano + país
Códigos: X (internet), B (baixado), C (cinema), D (dvd acervo pessoal), L (locadora), T (tv), M (mostra), A (aula), V (avião)
 
Notas:
(0) dispensável
(1) ruim ou fraco
(2) razoável
(3) bom - técnica ou emocionalmente
(4) muito bom - rolou um punctum
(5) excelente - marcou minha vida
(P) prazer culpado (tecnicamente ruim, mas adorei)

quarta-feira, 19 de março de 2014

"Ela" de Spike Jonze 2013 EUA

 

Eu não vou falar sobre a belíssima fotografia desse filme, que imprime em cada tomada, o estado de espírito do personagem, em sua insignificância, solidão ou profunda paixão e confusão. Estados de espírito que todos passamos ou passaremos em nossas vidas amorosas.

Não vou falar da direção de arte minimalista, que nos apresenta um futuro possível, na simplicidade das cores sóbrias, decoração clean e no destaque quente para o quê e quem mais importa na história contada.


Não vou falar dos trabalhos anteriores do diretor/roteirista (fingindo que sei isso de 'cor'), nem do reconhecimento que teve ao ser premiado este ano com o Oscar de melhor roteiro original, por contar a história de um homem que se apaixona por um sistema operacional num universo onde isso é comum (e cada vez mais realista), quando na verdade, o que ele queria (e assume), era falar sobre relacionamentos e os estados de espíritos pelos quais passamos, em cada etapa de nossas vidas amorosas.

Não vou nem falar do nome dos personagens ou atores que os interpretam, quando poderiam ser apenas Ele e Ela. Esse ela, que é só um outro, sem rosto, sem toque, sem sexo, só voz.

Não vou falar e nem trazer referências possíveis, já que o filme aborda questões contemporâneas como o isolamento social, o ciberespaço e as novas relações com as novas mídias; as aproximações com o pós-humano e o contexto social desapegado à matéria.

Eu prefiro não. Eu prefiro não!

Eu vou falar com a alma, porque esse filme tocou minha alma ou alguma coisa muito profunda dentro de mim, que prefiro chamar de alma. É de lá que vou falar desse filme, porque coisa assim me parece rara. E tudo que é raro, é especial!

E faço isso acompanhada da trilha sonora desse filme, boa parte composta por Arcade Fire (seja lá o que isso significa), que eu não conheço, não conhecia e não pesquisei nada para aqui escrever sobre. Mas é uma trilha que me marcou profundamente, que toca no som do meu carro enquanto devaneio pelas ruas da cidade, às vezes sorrindo, às vezes em lágrimas, ora agradecendo por estar viva, ora por ter vivenciado um momento difícil, e de vez em quando me faz lembrar desse filme, dessa sensação do vento tocando meu rosto, de girar de felicidade, de chorar durante o banho quando sinto a mais profunda solidão.

 

Solidão que já senti no vazio do término de um relacionamento, de enxergar alguém íntimo como um estranho, de viver os dias sem ânimo, ligar o piloto automático da vida, de achar que a dor nunca vai passar, de sentir um buraco dentro de mim,  e depois preenchê-lo quando eu menos esperava. Encher esse buraco de amor, de paixão, amizade, carinho, felicidade. De me descobrir no outro e tudo fazer sentido. De compreender que toda a dor valeu a pena para vivenciar tanto amor. De encontrar equilíbrio no outro e em mim. De encontrar paz! Encontrar pureza. Encontrar delicadeza! E não se importar mais com o mundo, com o que os outros pensam e acham, mas só com o mundo dentro de mim. De aprender a amar e ser amada incondicionalmente!


E ainda que esse dia chegue, de compreender o amor incondicional, os conflitos internos nunca terminam, não é mesmo?! Continuamos buscando respostas para o que sentimos e esperamos que os outros possam aliviar nossa dor, mas a verdade é que ninguém 'outro' sabe, só você sabe o que vive, o relacionamento que vive e como se sente nele. 

O que você acha? pergunta ele a ela, uma amiga. "Eu não sei. Eu não estou nesse relacionamento pra saber!" 

Mais do que um homem que se relaciona com um sistema operacional, é um filme sobre os altos e baixos dos relacionamentos amorosos. Um filme sobre ele e ela, mas ELA é só o outro. É só uma voz, um alguém, uma projeção de alguém. É um filme sobre a dor do fim, a dor da insegurança, a dor de não ser mais amado ou ser incapaz de amar e se entregar. É também um filme sobre a paz e alegria de amar, de aprender a amar e ser alguém melhor, nem que seja para alguém que ainda irá surgir.


É um filme que toca cada pessoa de uma maneira, já que cada pessoa no momento em que assiste, está vivenciando diferentes tipos e níveis de amor. Há os que nunca se apaixonaram e talvez não compreendam a poesia visual deste filme. Sentir por imagens. Estar num lugar, mas se sentir em outro ao fechar os olhos, ao ouvir uma música, ao lembrar de um beijo ou voz. 

Há os que estão apaixonados, e talvez achem o filme incapaz de dar conta de toda a explosão que sentem. Explosão inexplicável. Pura cegueira! Amor idealizado.

Há os que acabaram de romper ou estão infelizes na relação que vivem, e ver este filme é se identificar com a dor do vazio ou da relação que se desgasta com o tempo. Do amor idealizado que não se confirma. Da angústia de se deparar apenas com uma projeção do outro, mas jamais com ele mesmo. É se identificar com toda a incompreensão, insegurança, controle e mudança que um relacionamento sofre. Pessoas que se transformam de maneiras diferentes e nem sempre continuam fazendo sentido juntas. Tornam-se incompatíveis, mas demoram a perceber ou não estão prontas ainda.

Há os que amam! Que sentem um amor incondicional pelo outro, que não é filho, nem parente, mas um grande amor, um parceiro, que não é sangue do seu sangue, mas um estranho que se torna íntimo e alguém que te conhece em toda sua profundeza de qualidades e defeitos. Que ama incondicionalmente o 'pacote completo'. Que torce pelo outro, mesmo que isso signifique libertá-lo de si. Que mostra o mundo, ensina e apresenta coisas novas (livros, filmes, ideias, amigos,...) e ajuda a tornar o outro uma pessoa melhor, mas ao fazer isso, às vezes, precisa lidar com a insignificância que passa a ser e ter para o outro, e precisa libertar esse outro para vê-lo feliz. O mais puro amor incondicional!

E há aqueles que compreendem que o amor incondicional é eterno enquanto dura e que...tudo bem! Tudo bem! Contagia-se com um pouquinho que o outro deixa de si e prepara-se para encontrar novamente o amor. Coloca-se a disposição para o que der e vier e ser feliz sozinho ou acompanhado, mas sempre completo! O amor incondicional por si mesmo! =)

E há ainda outros tipos mais de amor, indefiníveis, inexplicáveis, inconstantes, que não se pode medir, definir em palavras, que só sentimos e passamos a vida tentando compreender. Quem sou eu para estar aqui fazendo isso, não?!

Nem ele, em 'Ela', é capaz de se compreender... 


E às vezes, mas só às vezes, alguns filmes, músicas, livros, histórias, sempre histórias, nos ajudam nesse processo. Confirmando ou acrescentando sobre o tipo de amor que sentimos!


'Ela' me toca desta maneira. Fala do amor de diferentes formas. E como é difícil descrever o amor, não?! Como é difícil entender o amor nessa tentativa trágica de rotular quando ele não se encaixa em nada. Ele só....é. Só existe. Só nos invade. Só nos ensina. Permite. Engana. Machuca. Cura. Contagia. 

O amor. Ela. Ele. Nós. Você. E só. =)

terça-feira, 11 de março de 2014

"No" de Pablo Larraín 2012 Chile

 
 
"No" é um filme baseado no manuscrito não publicado "El Plebiscito", escrito por Antonio Skármeta, dirigido e roteirizado por Pablo Larraín, e retrata os bastidores de uma campanha publicitária bem sucedida no Chile em 1988, num período pós-ditatura militar, onde o povo foi convocado a votar num plebiscito que decidiria SIM, pela permanência do General Augusto Pinochet e NO, por sua saída imediata, com direito a 15 minutos diários de propaganda para cada campanha (atendendo pressões internacionais), após um período de 15 anos de silêncio para a oposição.
 


 
Apesar da (falsa) ideia de democracia ao convidar o país a votar, o clima no país é tenso e  para qualquer tipo de manifestação, a violência policial predomina, inclusive para a equipe que elabora os VTS da campanha NO. Ameaças silenciosas, intimidação, nada foi suficiente para impedir o sucesso - improvável - de uma campanha contra a ditadura. Virou questão de estado!

Sim, o filme é uma ficção repleta de realidade, inclusive na participação de personalidades - já com as rugas do tempo - que participaram da campanha (verdadeira), presentes em cenas que ajudam a reconstruir os bastidores de uma campanha que transformou a história.
 
René (Gael García Bernal) é o publicitário com olhar inovador que bola esta campanha inusitada (e real!) focada no sentimento de alegria e liberdade que o povo poderia sentir sem Pinochet, ao invés de focar em todas as atrocidades de seu governo, como bem queriam todos os 17 partidos da oposição. Como conscientizar uma população já assustada?
 
O protagonista sofreu com a ditatura, mas colheu bons frutos do exílio (nos EUA) com seu pai, ao absorver a cultura pop da década de 80 e imprimir em seus trabalhos um aspecto alegre e cativante, sempre preocupado com 'o atual contexto social onde o comercial se insere', frase que profere cuidadosamente na apresentação de cada trabalho.
 
Essa mesma alegria, estrategicamente presente nos comerciais de TV, que nos instiga a comprar cada vez mais coisas 'inúteis', e contribui para um consumismo inconsciente, com a falsa sensação de trazer felicidade, foi a mesma que contagiou o povo a derrubar Pinochet e enfrentar o medo da repressão. Perigosa alegria, não?!
 
 
Através de René podemos observar todo o processo criativo de uma campanha, desde os rabiscos do designer para bolar a logo; o debate da equipe de criação durante um piquenique na praia sobre o público-alvo e as estratégias para atingir este público; os momentos de inspiração do publicitário ao brincar com o trem do seu filho; as pré-montagens para apresentação de proposta de comercial; os debates de propostas com ideias divergentes; o contraste entre as duas campanhas, além do filme nos brindar com os originais comerciais que marcaram profundamente a história do Chile e do mundo.
 
E é a presença destes comerciais originais que parece moldar toda a estética do filme, já que para ambientá-los num contexto tão contemporâneo, foi preciso incorporar visualmente toda a estética pop dos comerciais dos anos 80 na confecção das tomadas, em suas cores, grafismos, movimentos de câmera, edição linear, produzidas num estilo mais documental, menos planejadas e mais intimistas, criando um cenário possível e realista para exibição dos comerciais originais.  Equilíbrio puro!
 
Mais do que um filme sobre o papel determinante de uma eficaz campanha publicitária utilizada com a boa (será?) finalidade de derrubar um ditador, é também um filme sobre o poder persuasivo das propagandas. Alegria perigosa!!

 

Filmes do mês: fevereiro e março 2014

São atualizados no decorrer do mês. 

25T-"A guerra dos botões" de Yann Samuell 2011 FRANÇA (3)
24T-"Um homem de sorte" de Scott Hicks 2011 EUA (1)
23T-"Detona Ralph" de Rich Moore 2012 EUA (2)
22D-"Sem destino" de Dennis Hopper 1969 EUA (2) 
21T-"A filha do meu melhor amigo" de Julian Farino 2011 EUA (2)
20D-"Noivo neurótico, noiva nervosa" de Woody Allen 1977  EUA (4)
19T-"No" de Pablo Larraín 2012 Chile / Estados Unidos / França (4)
18B-"Capitão Phillips" de Paul Greengrass 2013 EUA (2)
17B-"Clube de compras dallas" de Jean-Marc Vallée 2013 EUA (2)
16D-"O sucesso a qualquer preço" de James Foley 1992 EUA (2)
15C-"Pompéia" de Paul W.S. Anderson 2014 EUA (0)
14C-"Philomena" de Stephen Frears 2014 REINO UNIDO (3)**
13C-"Ela" de Spike Jonze 2014 EUA (5)
12C-"Aventuras lego" de Phil Lord, Christopher Miller 2014 EUA (3)
11C-"12 anos de escravidão" de Steve McQueen 2013 EUA (3)
10T-"Mais um dia" ITALIA (3)
09C-"A grande beleza" de Paolo Sorrentino 2013 ITALIA/FRANCA (4)**
08T-"Amanhecer 2" de Bill Condon 2012 EUA (P)
07T-"Agora e para sempre" de Ol Parker 2012 EUA (2)
06C-"A menina que roubava livros" de Brian Percival 2014 EUA (2)
05T-"Mary e Martha" de Phillip Noyce 2013 EUA /REINO UNIDO (2)
04T-"A negociação" de Nicholas Jarecki 2012 EUA (2)
03T-"Sombras da noite" de Tim Burton 2012 EUA (3)
02C-"Trapaça" de David O. Russell 2013 EUA (2)
01T-"O vingador do futuro" de Len Wiseman 2012 EUA (1)
 
*Filmes Revistos
**Clube do Professor
***Curta no Intervalo
 
Organização: Ordem crescente - em números.
Nome do filme + diretor + ano + país
Códigos: X (internet), B (baixado), C (cinema), D (dvd acervo pessoal), L (locadora), T (tv), M (mostra), A (aula), V (avião)
 
Notas:
(0) dispensável
(1) ruim ou fraco
(2) razoável
(3) bom - técnica ou emocionalmente
(4) muito bom - rolou um punctum
(5) excelente - marcou minha vida
(P) prazer culpado (tecnicamente ruim, mas adorei)

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

"O som ao redor" de Kleber Mendonça Filho 2013 BRASIL


Quando um filme é super premiado, você acaba criando expectativas e esperando algo extraordinário, quando ele é justamente sobre o que não é extraordinário.
 
Um filme que não se propõe a ser poesia de nada, mas é a sua não-poesia que o torna interessante e inovador.
 
"O som ao redor" fala realmente sobre o som ao redor das coisas mundanas, principalmente das coisas cotidianas de personagens que ajudam a compor parte da classe média de um bairro do Recife. Histórias cruzadas, cada uma com sua particularidade, como um herdeiro de imóveis e seu avô com ar mafioso, as vizinhas que se odeiam, os vigilantes da rua, o casal que se beija escondido, os flanelinhas, entre tantos outros personagens passageiros ou fixos que ajudam a compor um período comum de vidas comuns.
 
Nenhum grande obstáculo ou objetivo de vida nos é mostrado, nem mesmo um personagem principal, mas apenas fragmentos de histórias, como a de um romance passageiro, o carro arrombado, o primo mau caráter, uma dona-de-casa que fuma maconha e se masturba com a máquina de lavar, o cachorro que não para de latir, o vigilante dorminhoco, a televisão nova de 42 polegadas, a reunião de condomínio, a aula de inglês das crianças, a festa de 15 anos da neta querida, o rapaz que traz a água, entre tantos personagens e acontecimentos da vida, quase nunca lembrados ou mostrados nas múltiplas histórias contadas no cinema.
 
Parece ser um filme sobre o vazio, sobre o nada, sobre o comum, articulado com os sons que narram nosso cotidiano.  Cada um desses fragmentos poderia se tornar uma história extraordinária, mas não é o que faz Kleber Mendonça. Ele parece realmente querer nos tocar através do nada, tal como a arte contemporânea consegue fazer. Tocar-nos para o banho de mar no meio da noite, para os olhos que piscam e não protegem, para o banho de cachoeira em família, para o menino que sobe no telhado, para os pesadelos na madrugada ou para os corpos nuns sobre a cama.
 
Um filme sobre as pessoas que se cruzam, todos os dias, mas nada de extraordinário acontece. Um filme sobre as nossas vidas, quando nada de extraordinário acontece. Um filme extraordinário (será mesmo?) sobre coisas que não são extraordinárias,  e que estão dispostas diante de nossos olhos e ouvidos diariamente. Basta ter um olhar (e ouvido) 'extraordinário' para compreender porque de vez em quando precisamos de filmes assim!

PS: E se você ler que o filme é sobre o impacto que um grupo de vigilantes provoca no bairro. Esqueça! Não existe impacto nenhum. Isso é o que o mercado cinematográfico (e os desinformados que perpetuam esse discurso) precisa dizer para tornar o filme mais interessante no circuito comercial. Cada personagem novo só integra esse cotidiano banal. Nada mais! =)

"Álbum de família" de John Wells 2013 EUA

 
Quem não tem uma família complicada?! Ou pelo menos, quem não teve algum conflito familiar na vida?! Se você já teve, prepare-se, ao assistir a este filme, você verá a maravilha que é sua família!! "Álbum de família" é um soco no estômago! Porque o que ele te dá de delicado, ele pega de volta e devolve com acidez e crueldade dobrada!
 
O filme abre com uma voz masculina dizendo esta frase: "A vida é muito longa!", combinada com um tom nostálgico. A voz masculina é do personagem Bev (Sam Shepard), escritor e aparentemente infeliz no casamento, que em seguida  emenda que muitas pessoas já vividas também pensaram isso, mas foi um autor, T.S. Eliot,  que a escreveu pela primeira vez, e agora, quando você quer pronunciar ou escrever esta frase, precisa citar o autor. Ele ri. Eu também.
 
Bev (de Beverly) é casado com a difícil Violet (interpretada com extrema competência pela magnífica Meryl Streep), diagnosticada com câncer de boca terminal, viciada em cigarros e remédios, e craque em fazer um cruel jogo psicológico com suas 3 filhas: Barbara (Julia Roberts), mãe e mulher traída; Karen (Juliette Lewis), 'periguete' depois dos 40, e Ivy (Julianne Nicholson), serena, mas cheia de rancores e dilemas.
 
O suicídio (discreto) de Bev unirá as 3 irmãs para decidir o que fazer com a mãe e com sua própria vida. E para que o circo fique completo, a irmã de Violet, Mattie Fae (Margo Martindale), com o marido Charles e o filho Little Charles (Benedict Cumberbatch) também aparecem. Além da presença do ex-marido (Ewan McGregor) e a filha adolescente (Abigail Breslin) da amarga Barbara e o noivo Steve (Dermot Mulroney), da periguete Karen.
 
Com tanta gente reunida, ficaria difícil não haver troca de farpas, desafetos e grandes revelações e conflitos, depois da morte do homem que parecia neutralizar aquele bando de 'loucos'.
 
 
O filme é baseado numa peça de Tracy Letts e mantém o caráter teatral com muito jogo de cena entre os personagens, com diálogos intensos, rápidos e ácidos, sempre confinados aos cômodos da casa, raramente transitando em outros espaços. E não existe lugar melhor para uma boa briga de família do que a mesa de jantar, onde as diferenças se tornam evidentes, e o riso pode rapidamente dar lugar a um comentário cruel e um prato quebrado.
 
E toda vez que você se deparar com certa doçura e delicadeza no filme, além do constante sarcasmo, prepare-se que em seguida, vem um soco no estômago!
 
 
Uma destas cenas doces é quando Little Charles ao piano canta uma canção de amor para Ivy, seu romance proibido, e sua mãe entra no recinto e rispidamente desfaz o clima. Ela está sempre o menosprezando, na verdade. As lágrimas que brotavam dos meus olhos, rapidamente secaram, diante da insensibilidade da mulher. E quando você acha que não poderia piorar, ela faz a revelação mais bombástica do filme. Outro soco horrível no estômago!!
 
 
Ao ver tanto desamor, senti até felicidade de ter uma família mais 'normal'. Às vezes precisamos do contato com o outro para perceber que a vida não é tão ruim quanto pensávamos. Mas, é claro que de vez em quando, fica difícil não pensar como a vida é loooooonga para aturar tanta baboseira! Viva a família, no amor e na dor! =)

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Filmes do mês: dezembro 2013 & janeiro 2014

São atualizados no decorrer do mês. 

27V-"Truque de mestre" de Louis Leterrier 2013 EUA (2)
26V-"As bem armadas" de Paul Feig 2013 EUA (1)
25T-"Guerra é guerra" de McG 2012 EUA (1)
24T-"Um time especial" de William Dear 2011 EUA (1)
23T-"A procura da felicidade" de Gabriele Muccino 2006 EUA (4)*
22T-"Fora de controle" de Roger Michell 2002 EUA (2)
21T-"E se vivêssemos todos juntos?" REINO UNIDO (3)
20T-"Lua nova" de Chris Weitz 2009 EUA (P)*
19T-"Crepúsculo" de Catherine Hardwicke 2008 EUA (P)*
18T-"O idiota do meu irmão" de Jesse Peretz 2011 EUA (2)
17T"A hora mais escura" de Kathryn Bigelow 2012 EUA (2)
16T-"O fantasma da ópera" de Joel Schumacher 2004 EUA (3)*
15T-"Madagascar 3 - os procurados" de Eric Darnell 2013 EUA (3)
14T-"O exótico Hotel Marigold" de John Madden 2011 Reino Unido (4)
13C-"O lobo de Wall Street" de Martin Scorsese 2013 EUA (3)
12C-"A vida secreta de Walter Mitty" de Bem Stiller 2013 EUA (3)
11T-"O poderoso chefão 2" de Francis Ford Coppola 1972 EUA (4)*
10T-"Manhattan" de Woody Allen 1979 EUA (3)
09T-"O som ao redor" de Kleber Mendonça Filho 2013 BRASIL (3)
08C-"Álbum de família" de John Wells 2013 EUA (3)
07C-"O hobbit - a desolação de Smaug" de Peter Jackson 2013 EUA (3)
06V-"Uma família do bagulho" de Rawson Marshall Thurber 2013 EUA(1)
05V-"Kick Ass 2" de Jeff Wadlow 2013 EUA (3)
04V-"Amor sem pecado" de Anne Fontaine 2013 EUA (2)
03V-"O homem de aço" de Zack Snyder 2013 EUA (1)
02T-"Shame" de Steve McQueen 2011 EUA (2)
01C-"Os suspeitos" de Bryan Singer 2013 (3)
 
*Filmes Revistos
**Clube do Professor
***Curta no Intervalo
 
Organização: Ordem crescente - em números.
Nome do filme + diretor + ano + país
Códigos: X (internet), B (baixado), C (cinema), D (dvd acervo pessoal), L (locadora), T (tv), M (mostra), A (aula), V (avião)
 
Notas:
(0) dispensável
(1) ruim ou fraco
(2) razoável
(3) bom - técnica ou emocionalmente
(4) muito bom - rolou um punctum
(5) excelente - marcou minha vida
(P) prazer culpado (tecnicamente ruim, mas adorei)