segunda-feira, 21 de novembro de 2011

"O palhaço" de Selton Mello 2011

"O gato bebe leite, o rato come queijo, e eu sou um Palhaço!"

Selton Mello escreveu (em parceria com Marcelo Vindicatto), estrelou e dirigiu este filme belíssimo sobre a crise de identidade de Benjamin, eterna busca humana retratada em um jovem palhaço (Pangaré), filho de palhaço (Puro-Sangue - Paulo José), que só possui uma certidão de nascimento surrada e passou a vida no 'Circo Esperança'

Vida difícil, meio 'nômade', sem residência fixa ou condições normais numa sociedade tão apegada ao 'material' como a nossa, porém cercada de pessoas do afeto, que tão aventureiras quanto, dedicam-se a viver com certa liberdade, brincando com a arte. Uma metáfora de quem faz um cinema 'livre' talvez?! É difícil, dá trabalho, mas no fundo, vale a pena!!

Assim como o circo, esse cinema delicado, de ritmo lento e com uma direção de arte belíssima, 'quase' atemporal, é cada vez mais raro e valorizado por um público inserido numa sociedade midiatizada, sedento por frenesia e êxtase. Filmes-anestesia não faltam, mas "O palhaço" distancia-se do lógico e narrativo, para ser um devir, um acontecer.

É um longa trajado de curta, pois se constrói em ações, silêncios, olhares e recortes. Explora o conflito interno de um Palhaço que não ri, através de seus olhos vagos, ombros caídos e sono inquieto. Pouco sabemos sobre o passado dos personagens, pouco vislumbramos seu futuro, parecem todos, congelados no tempo, mas o filme carrega ingenuidade e profundidade, própria de personagens que cresceram protegidos pela fantasia do circo, ainda que disposto de uma dura realidade do desapego material.

Benjamin encontra-se numa encruzilhada e o ventilador que tanto deseja, sugerido pela amante do pai, torna-se um cego objetivo, uma busca por identidade. Porém sem dinheiro e sem documento, como adquirir algo numa sociedade exigente por provas de existência?! Em nosso mundo, a palavra não tem mais valor, apenas o papel. Papel que nos identifica, que compra, troca, explora, violenta. RG, CPF, comprovante de residência, dinheiro!

Em certa altura do filme, em mais uma passagem do circo por uma cidade pequena, Puro-Sangue (Paulo José), pai de Benjamin, conversa com um forasteiro, que diz que o homem deve fazer o que nasceu para fazer e com a mais singela das frases, cativa qualquer coração sensível, com a sabedoria de um viajante: "O gato bebe leite, o rato come queijo e você deve fazer o que sabe fazer!" Um jeito simples de aconselhar o outro a fazer o que se gosta de fazer, o que se sabe fazer de melhor, ainda que valha a pena arriscar-se, só para descobrir o que realmente se gosta.

Puro-sangue repete essa frase para Benjamin no auge de sua crise de identidade, mas completa com '...e eu sou um Palhaço filho!" pois é tudo que lhe restou na vida, que é apaixonado e sabe fazer. Pangaré não sabe, então vai procurar numa vida estável, com emprego e residência fixa, sua verdadeira paixão. Como era de se esperar, resta-lhe tédio, mas ao ouvir os colegas do trabalho rindo, Pangaré finalmente sorri. E se antes questionava "Quem vai fazer o palhaço rir?!", percebeu que fazer os outros rirem é seu combustível, sua grande paixão.

Contente e com o novo ventilador debaixo do braço (sua identidade recuperada) volta para o circo, certo de quem é e do que gosta de fazer!

Um filme singelo, doce, delicado, que timidamente se contrapõe com os monstruosos blockbusters que se acumulam nas salas de cinema! Não que eu não goste deles, anestesiar a mente de vez em quando faz parte de uma vida em ritmo acelerado, mas quem não gosta de um 'circo' para sempre relembrar as raízes de uma 'doce infância'?!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

"Maria Montessori - uma vida dedicada às crianças" de Gianluca Maria Tavarelli 2006


Há quase 2 anos estou fazendo Mestrado em Educação e iniciei atualmente meus estudos em Pedagogia. E confesso (supreendentemente) que nunca havia ouvido falar da 'Pedagogia Montessori', mas de certa forma conheci seu método indiretamente através de outras pedagogias e leituras, que tem como foco principal, a valorização do desenvolvimento natural da criança e o professor como guia.

Esta cinebiografia de 3h10 de duração é emocionante e conta a história de Maria Montessori (Paola Cortellesi), uma mulher persistente, sonhadora, teimosa e corajosa numa época onde o papel principal da mulher era ser submissa, mãe e dona de casa. 

Montessori foi a primeira mulher a se formar em medicina na Itália, pela Faculdade de Medicina da Universidade de Roma em 1896 e foi lá que iniciou um trabalho com crianças especiais na clínica da universidade, onde ajudou a alfabetizá-los.

Também dedicou-se a experimentar procedimentos em crianças que ainda não tinham idade para frequentar o ensino fundamental, revolucionando a educação em todo mundo, onde contribuiu para criar métodos de ensino para a educação infantil

Devido a seu reconhecimento, participou de um projeto onde criou a 'Casa das Crianças', priorizando a autonomia da criança, já que os alunos vinham de famílias pobres e sem instrução, e noções de limpeza e higiene se faziam necessários naquele contexto.

Montessori criou um método de aprendizagem, conhecido como "Método Montessori", que fazia com que a criança aprendesse com seus próprios erros. Em sua pedagogia os princípios fundamentais eram a atividade, a individualidade e a liberdade. Era contra a violência física e psicológica (como palmadas e castigos). Seus escritos contribuíram bastante para a educação infantil e sua pedagogia se reflete no movimento das Escolas Novas e pedagogia Waldorf, opondo-se aos métodos tradicionais que não respeitam as necessidades e os mecanismos evolutivos do desenvolvimento da criança.

No filme é possível acompanhar suas motivações e contextos de trabalho, bem como a relação secreta que teve com seu professor de psiquiatria Dr. Montesano e o filho Mario, fruto desse amor. Maria foi obrigada a abrir mão do filho, mas jamais deixou de acompanhar seu desenvolvimento e sempre foram muito íntimos. Quando adulto, revelada a verdade, passaram a morar juntos e posteriormente, quando ele se formou em Medicina, passaram a trabalhar juntos. Foi ele quem continuou disseminando o método da mãe, após sua morte aos 84 anos.

Durante o fascismo italiano, Maria foi intimada a participar das modificações nas escolas italianas, já que seu método se disseminou pelo mundo e interessava ao governo, adaptá-lo e disseminá-lo também nas escolas italianas. Porém, chantageada, Maria fugiu com o filho, recusando a se esquivar e distorcer seu método para finalidades políticas!

Maria acreditava que para mudar o homem do futuro era precisar trabalhar com a criança do presente. Somente assim poderia haver uma verdadeira transformação! Através da educação!

Filmes do mês: novembro


São atualizados no decorrer do mês.

09C-"Amanhecer - parte 1" de Bill Condon 2011 (P)
08C-"O palhaço" de Selton Mello 2011 (4)
07L-"Água para elefantes" de Francis Lawrence 2011 (2)
06L-"Caça às bruxas" de Dominic Sena 2011 (1)
05L-"A informante" de Larysa Kondracki 2011 (3)
04L-"Eu sou o número 4" de D.j. Caruso 2011 (2)
03L-"Maria Montessori - uma vida dedicada às crianças" de Gianluca Maria Tavarelli 2006 (4)
02L-"Um novo despertar" de Jodie Foster 2010 (2)
01L-"Sem limites" de Neil Burger 2011 (2)

*Filmes Revistos 
Organização: Ordem crescente - em números.
Nome do filme + diretor + ano.
Códigos: B (baixado), C (cinema), D (dvd acervo pessoal), L (locadora), T (tv).

Notas:
(0) dispensável
(1) ruim ou fraco
(2) razoável
(3) bom - técnica ou emocionalmente
(4) muito bom - rolou um punctum
(5) excelente - marcou minha vida
(P) prazer culpado (tecnicamente ruim, mas adorei)

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Inscrições abertas - Festivais e concursos

 
 Prêmio para roteiros audiovisuais ligados a museus.
 
Inscrições abertas até 26 de novembro.

O Prêmio Ibram de Roteiros Audiovisuais 2011, que faz parte do Programa de Fomento aos Museus Ibram 2011, tem como objetivo premiar 18 roteiros inéditos para produção audiovisual, com 60% de ambientação em museus brasileiros e produções de mídias digitais com argumentação museológica. Serão premiados: três roteiros de longa metragem; cinco roteiros de curta metragem; cinco roteiros de documentário; cinco roteiros para Cine-TV  e vinte produções de mídias digitais. Os prêmios variam de R$ 5 mil a R$ 100 mil. As inscrições devem ser feitas através do SalicWeb, disponível no portal do Ministério da Cultura e no site do Instituto Brasileiro de Museus.
 
É Tudo Verdade continua com inscrições abertas!

Continuam abertas até 17 de dezembro as inscrições para documentários brasileiros e internacionais para o 'É Tudo Verdade' 2012 – 17º Festival Internacional de Documentários. O festival será realizado entre 23 e 31 de março, simultaneamente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Os longas-metragens precisam ser inéditos e os curtas não tem essa mesma exigência. O prêmio para melhor longa é de R$ 100 mil.

Mais informações e inscrições no site.  
 
Festival de Cinema da Língua Portuguesa recebe inscrições.

Em 2012 será o ano do Brasil em Portugal e o festival de cinema Itinerante da Língua Portuguesa vai prestar uma homenagem ao Brasil com uma mostra especial. A seleção do evento recebe inscrições até o dia 31 de janeiro e o festival está programado para 9 a 20 de maio. Inscrições no site oficial do evento. 


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Festival de nano minuto


Faça um nano minuto! Envie seu video de no máximo 10 segundos e concorra a um prêmio de R$ 500,00 + troféu minuto. Inscrições até 30 de novembro de 2011!

Mais infos aqui.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

"Criação" de Jon Amiel 2009


O filme é baseado no livro “Annie’s Box” de Randal Reynes (tataraneto de Charles Darwin)  e faz um recorte da vida de Darwin durante seus estudos de elaboração da teoria da evolução, onde luta para encontrar um equilíbrio entre suas teorias revolucionárias sobre evolução e seu relacionamento com sua esposa, cuja fé religiosa contradiz seu trabalho. A perda da filha mais velha Annie, aos dez anos, passou a influenciar a visão de Darwin sobre a religião.

Mais uma vez, a ciência e a religião parecem se confrontar diante dos 'mistérios' da vida humana.  Darwin (Paul Bettany), com 40 anos é cercado pela família, e se apresenta num grande conflito entre a perda da fé religiosa, ao observar, estudar e evidenciar intensamente as estruturas físicas das mais variadas espécies de seres vivos e suas relações em comum.

A cada descoberta, uma grande sensação de pavor e culpa toma conta de Darwin, que projeta no fantasma da filha mais velha, suas fugas e frustrações. Na tentativa de controlar suas emoções e contornar a culpa da perda, tranca em um baú, tudo que escreveu e pesquisou ao longo dos anos. A culpa o consome de uma maneira, que ao não ter controle sobre a vida de quem mais prezava, Darwin se afasta da esposa, dos outros três filhos e da própria pesquisa, desiludido com as surpresas da vida humana, muitas vezes as grandes responsáveis pelas perdas de fé religiosa. Seria um medo da perda?! Seria sentir segurança com o distanciamento?! Seria um último apego a fé religiosa?!

As inquietações e inseguranças de Darwin relacionadas à fé religiosa o enfraquecem diariamente, dificultando cada vez mais sua relação familiar e a clareza necessária para escrever sobre sua pesquisa. Quanto mais estuda, mais perde a fé, mas quanto mais perde a fé, mais se culpa e se pune, vivendo um círculo vicioso de desequílibrio emocional, que o impede de escolher no que acreditar. Seria sua perda da fé a grande responsável pela perda da filha?! Teria faltado fé para salvá-la?!

A medida que ele estuda e testa hipóteses para a evolução das espécies, entrando em contato com outras percepções e experiências, percebe que sua relação genética de primo-irmão com a esposa foi a grande causa da 'fraqueza' física da filha emocionalmente forte e considerada por ele, 'perfeita'. Um problema genético e não um castigo divino, devolvendo a força emocional e física que Darwin precisava para começar a escrever sua teoria e lidar com as conseqüências dela.

Ao 'abrir o baú' e libertar-se da fé religiosa, liberta também pensamentos, ideias e hipóteses, com a consciência de que ao publicá-los, causará uma grande revolução na História da Humanidade, tão centrada naquele contexto nas explicações divinas para diversos fenômenos da natureza.

Estudar 'bilhões de anos de evolução em apenas 8 anos' não é suficiente para explicar todos os fenômenos existentes e talvez nunca exista o tempo suficiente para avaliar todas as transformações que sofremos ao longo de tanto tempo, mas é tempo suficiente de enfraquecer discursos religiosos baseados em explicações divinas, sem abertura para questionamentos e estudos de hipóteses. Para a fé religiosa, basta acreditar!! Para a ciência, é preciso testar, comprovar, argumentar e questionar!! E para que não haja extremos, talvez a filosofia (pensar sobre o pensar) seja uma grande aliada para qualquer tipo crença.

O que seria da Humanidade se não duvidasse dos fenômenos que a cercam?! E duvidar inclusive da própria fé, que muitas vezes precisa ser renovada para não enfraquecer as relações humanas e dificultar as sensações de perda e culpa. Se a 'teoria da evolução e seleção natural, resulta na adaptação de determinados indivíduos ao ambiente, frente a outros não adaptados' e por meio da 'seleção natural, preserva as raças favorecidas na luta pela vida', manter-se forte emocionalmente diante de qualquer tipo de perda física, como a morte possibilita, seria sobreviver ao mundo hostil?! Estaria a fraqueza emocional relacionada às fraquezas físicas?! Ou ambas independem entre si?! 

Se a filha de Darwin morreu por uma fraqueza genética, foi por pouco que Darwin não morreu por uma fraqueza emocional. Ambas parecem confrontar a espécie humana e forçá-la a se enfraquecer ou se fortalecer diante de qualquer tipo de dificuldade, para que possa sobreviver ao mundo, independente de como se apresente, buscando sempre se adaptar ao que for possível. Sendo ou não um ambiente hostil, parece que nós enquanto humanos, diferente dos outros animais, estamos condenados a sofrer testes de sobrevivência, seja físico ou emocional. Com tanto potencial intelectual, ainda que supere as limitações físicas de fragilidade, o homem parece ser de todas as espécies, o mais afetado emocionalmente.Que venham as perdas, as crises e instabilidades nos testar e viva o 'mais forte'!!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Curso de Licenciatura em Cinema e Audiovisual - um novo campo profissional

Eu me lembro claramente quando anunciaram a abertura de um novo curso de cinema, com licenciatura, lá na Universidade Federal Fluminense - UFF, postado no blog Cineducacao há mais de 1 ano. 
E quando fui na SOCINE este ano, lembro de dois professores interessados em experiências com cinema na escola, justamente procurando colaborações dos profissionais que já atuam na área, para pensar na formação da grade de professores e do próprio currículo do novo curso.
Não se pode mais negar a abertura deste novo campo de trabalho para o profissional do cinema, voltado para a educação, na tentativa de suprir uma demanda já existente.
Tenho certeza que será feliz aquele que direcionar seus caminhos para educação, e fico ainda mais feliz de ser uma destas pessoas!!! O que será que o futuro me reserva?!


 Seguem mais informações sobre o novo curso!!

Com a responsabilidade  em atender as demandas pedagógicas, acadêmicas, sociais e culturais da comunidade, do Estado e do país, o Departamento de Cinema e Vídeo criou a Licenciatura em Cinema e Audiovisual, que já está sendo oferecido no vestibular da UFF (http://www.vestibular.uff.br/2012/) como uma alternativa ao tradicional “curso de Cinema da UFF”, para aqueles que procuram uma formação acadêmica na área do Cinema e do Audiovisual.
Vivemos há pouco mais de um século a sociedade audiovisual, onde a imagem em movimento e o som têm experimentado janelas de diferentes tamanhos e diferentes locais para assistência. A sala de cinema se deslocou para a tela da televisão e mais recentemente para as telas dos computadores e celulares. A indiscutível presença do audiovisual na vida cotidiana tem ampliado a intimidade de todos com a sua linguagem sem que se faça uma reflexão cultural, estética e técnica dos modelos de representação social nos quais se insere essa vasta produção. É nesse contexto que apresentamos para a Universidade Federal Fluminense a proposta de um curso de licenciatura visando a capacitação docente no campo do Cinema e Audiovisual fundamentada na tradição do curso de cinema da UFF que esse ano completa 40 anos.
Acompanhando os esforços da UFF e do MEC, nossa proposta de Licenciatura consiste em um curso noturno, de quatro anos, com a oferta inicial de 21 vagas com uma única entrada por ano, cujo Projeto Pedagógico pode ser acessado no site do Departamento. Entendemos que esta opção trará para os estudos de cinema uma gama de futuros profissionais que hoje encontram severas dificuldades em cursar uma formação diurna. O curso de Licenciatura noturno torna-se também importante na medida em que permitirá que o aluno tenha o dia livre para iniciar suas atividades profissionais nas escolas. Assim, não é negligenciável o fator de inclusão social presente em um curso noturno.
O desejo de abrir as portas do curso de cinema para um curso noturno é antigo. Hoje, graças às ações ligadas ao REUNI (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), torna-se possível pensarmos na possibilidade de termos estrutura e pessoal para os laboratórios, biblioteca e secretaria em um terceiro turno. Além disso, a abertura deste curso se insere na política educacional do Governo Federal, de maximização de utilização dos espaços físicos, recursos materiais e infra-estrutura universitária.

Mercado de trabalho para o licenciado

É crescente o número de Escolas Livres de Cinema e Audiovisual. Experiências bem sucedidas como a escola de cinema do Vidigal, ligada ao Grupo Nós do Morro, a Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu, as oficinas de audiovisual na Maré e na CUFA (Central Única de Favelas), são exemplos da forte demanda por profissionais capacitados na educação e no cinema. Além dessas, existem inúmeras outras iniciativas direcionadas à formação em audiovisual, através de escolas livres, alcançando milhares de alunos em centenas de projetos distribuídos em todo o território nacional. Pesquisa realizada entre 1995 e 2009, registrou 132 entidades no território nacional em 17 estados mais o Distrito Federal com um total de 25.665 alunos atendidos e uma produção de 3.233 vídeos.
Normalmente essas escolas têm funcionado com profissionais formados em cinema ou áreas afins, mas sem formação específica como professor. Uma licenciatura em Cinema e Audiovisual capacitará profissionais para assumir os lugares de ensino nessas escolas e planejar seus cursos.
Também a administração dessas instituições de ensino demanda profissionais especializados, por envolver questões de produção, pedagógicas e acadêmicas. Entendemos também que uma estreita relação com essas escolas será importante para o curso de licenciatura, através de estágios nas diversas áreas que compõem o aprendizado e o ensino de cinema e audiovisual.
Recentemente, projetos para unidades dos CAPs (Centros de Atenção Psicossocial), passaram a incluir oficinas audiovisuais como caminho para a re-inserção social de seus pacientes. Em Niterói, o projeto Alice, prepara o gato tem como proponentes e oficineiros ex-alunos do bacharelado em Cinema e Audiovisual da UFF. Acreditamos que, com a formação pedagógica que a licenciatura em Cinema e Audiovisual proporcionará, esse mercado pode ser ampliado. 
Outro mercado que se abre ao profissional que ingressa no mercado vindo de uma licenciatura em Cinema e Audiovisual, nos moldes que estamos propondo, vem da possibilidade de criar projetos pedagógicos para museus e centros culturais. É crescente a intenção de tais instituições de oferecer eventos que venham a iniciar crianças e adolescentes no mundo das artes e das ciências. Exemplo disso é o Museu da Vida, na Fundação Oswaldo Cruz, que recentemente abriu edital para profissionais do audiovisual que propusessem formas de ensinar para crianças, através da união entre imagem e som, os princípios básicos das ciências naturais.
Da mesma forma, outras ações de política pública como a criação de 1.600 salas de exibição digital, para difusão da produção cinematográfica brasileira através do Projeto Cine Mais Cultura, exige a formação de pessoal qualificado para revitalizar e ampliar os tradicionais Cineclubes, que apontam como princípio básico de atuação a sua vocação educativa para formação de novos públicos. Nesse cenário encontram-se projetos em municípios de 20 mil habitantes até os grandes centros urbanos, dos Territórios da Cidadania até as principais capitais brasileiras, como Rio de Janeiro e São Paulo.

Nas Escolas

Possibilitar à criança e ao adolescente uma cultura audiovisual e cinematográfica está na pauta do dia. Além da presença cada vez mais constante do audiovisual em sala, tramita no congresso o projeto de lei 185/8, de autoria do Senador Cristovam Buarque, que obriga as escolas exibirem filmes nacionais em sala. Mais do que apenas exibir, essa iniciativa propicia o surgimento de um amplo espaço acadêmico para a formação específica acerca da história, da estética e da teoria no cinema e do audiovisual, que é o cerne do projeto de lei e, que está sendo demandada. De certa forma, o Senador vislumbrou algo que há muito é demandado pelas escolas e que outras iniciativa do Governo Federal tem procurado atender com projetos como o TV Escola: a adoção da cultura audiovisual na sala de aula. Assim, esta proposta de licenciatura coaduna-se aos esforços do Governo Federal em fomentar uma melhor formação de professores do ensino médio e, consequentemente, avançar na qualidade do ensino de uma maneira geral.
O projeto Ensino Médio Inovador, também do Governo Federal, apoia dezenas de propostas oriundas das escolas visando a implementação da produção e da exibição audiovisual de maneira a integrar diferentes disciplinas abordando temas transversais, vinculados ao projeto pedagógico de seus currículos regulares. São experiências com cinema de animação, cineclubes, produção de vídeos, entre outros, onde o audiovisual contribui para proporcionar aos alunos ambientes de produção colaborativa e construção de conhecimento em condições de grande interação com os professores.
Outro aspecto importante a destacar é o barateamento das tecnologias ligadas ao audiovisual, que tem permitido às escolas adquirirem meios de exibição e produção com maior facilidade, tanto no espaço público como privado, com participação ativa dos alunos nessa ação. Dessa forma, um curso de Licenciatura em Cinema e Audiovisual abre diversas possibilidades de melhor se formar profissionais que possam utilizar plenamente tanto os filmes quanto os equipamentos, quer na sala de aula quer na sua vida social e profissional.
Espera-se que esse profissional seja também um agente multiplicador dentro da escola ao estabelecer um estreito diálogo com os outros professores sobre o uso do audiovisual na sala de aula, uma vez que a presença do cinema na educação é tema de debate e de iniciativas governamentais no Brasil desde os anos 20, e que nos anos 70 o vídeo chegou a ser visto por alguns como uma ameaça de substituição do professor. Superadas as fases de inovação revolucionária e tecnofobia a maturidade social impõe a necessidade do cinema ir para a escola não somente como texto ou como tema, mas como ato e criação, como uma maneira de formar estética, crítica e sensivelmente.