terça-feira, 29 de novembro de 2011

Filmes inspirados em músicas

João de Santo Cristo (Fabrício Boliveira) desembarcando em Brasília.

Com a expectativa da estreia em 2012 do filme "Faroeste Caboclo" de René Sampaio, inspirado na música de mesmo título composta em 1979 pelo grande Renato Russo, vocalista da banda Legião Urbana, onde narra a trajetória sofrida de João de Santo Cristo, resolvi pesquisar sobre outras músicas super conhecidas que inspiraram filmes ou vídeos.


Considerando que algumas músicas do Renato Russo são super narrativas, outra composição sua muito conhecida é "Eduardo e Mônica", história de amor entre dois jovens com idades bem diferentes, que foi recentemente (2011) adaptada para uma campanha da Vivo em homenagem ao dia dos namorados, voltada para o público da web e salas de cinema. 

Outra versão da música foi realizada há 10 anos (2001) pela Claro (antiga ATL) fortalecendo indícios de um possível plágio. Será?!


Chico Buarque é outro mestre compositor brasileiro de letras fortes, conhecidas e super narrativas e teve sua cançãoOlhos nos Olhos” adaptada no filme O Abismo Prateado" de Karim Aïnouz, que conta a história de uma mulher (Alessandra Negrini) abandonada pelo marido. Aclamado em Cannes, sua estreia comercial possivelmente será em 2012.


E nem só de cinema vive a música de Chico Buarque. No início de 2011, algumas de suas composições: "Mil perdões", "Ela faz cinema", "Construção", "As Vitrines" e "Folhetim" inspiraram e idealizaram a microsérie de 4 episódios "Amor em 4 atos" da Rede Globo. 

  
Além das canções brasileiras, outros projetos pelo mundo buscam inspiração nas músicas, como é o caso da adaptação para o cinema de "American Idiot" do Green Day, que já é um musical da Broadway. O longa será dirigido por Tom Hanks e narra a vida de três pessoas que moram no interior dos Estados Unidos com histórias totalmente diferentes, contribuindo para questionamentos sobre o governo americano. O galã Robert Pattinson está cotado para fazer parte do elenco.

Além destas, adoraria ver algumas outras canções transformadas em filmes como "Cotidiano" de Chico Buarque, "Não é fácil" de Marisa Monte, "Felicidade" de Marcelo Jeneci e outras do tipo. Porém não podemos negar que muitos videoclipes hoje são super narrativos e dão conta da música, mesmo em pouco tempo. Basta pegar o exemplo de "The one that got away" de Katy Perry, super emocionante em tão pouco tempo. (mas que também daria um bom filme!)  


Depois de ver essa pequena lista de canções fantásticas e celebradas com adaptações no cinema, fica difícil imaginar hits sertanejos/funkeiros em alta como "Eu sou foda" ou "Ai se eu te pego" e coisas do tipo em filmes. Já pensou que baixaria?!

"The one that got away" de Katy Perry


 
Fiquei muito emocionada com este videoclipe! Achei super narrativo e verossímel! Sofri com a personagem idosa e o vazio que sente ao perder seu grande amor na juventude! E ao mesmo tempo me identifiquei com o companherismo e sintonia do casal de jovens amantes. 

Eu já encontrei meu grande amor e me identifiquei com o pavor da perda e com a fragilidade das nossas vidas, muitas vezes marcada por situações irreversíveis. É por isso talvez que precisamos "amar como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há!" (Renato Russo) Nunca sabemos o dia de amanhã, então é bom curtir o hoje, sempre! Com nossos amores, amigos e familiares!!

Apesar da música estar sendo relacionada ao sentimento de sofrimento e perda do primeiro amor, típico da adolescência, possível público-alvo de Katy, acho que as pessoas podem se identificar de inúmeras maneiras com a letra e com o videoclipe, principalmente. 

Às vezes a separação de um casal pode ser metafórico. Um casamento que se desgastou e o casal já não é aquele mesmo do passado, mas continua junto. Um casamento infeliz, pautado na riqueza material que foi priorizado diante de um grande amor.  Uma relação que parecia durar para sempre, mas se desgastou, provocando seu fim. A perda em vida na juventude de um grande amor, seja namorado ou até marido.

Enfim, mais do que um primeiro amor na adolescência (confirmado pela letra da música), acho que o videoclipe remete a mais do que isso. Só pelas imagens (cores quentes e apagadas no 'passado', cores frias e vivas no 'presente') podemos pensar que a música fala da separação de casais, de um amor que não foi eterno, mas poderia ter sido, pela perspectiva da mulher. E no lugar do amor ficou a dor, o sofrimento, o vazio. Nada foi capaz de substituir esse grande amor. O homem desse relacionamento permaneceu jovem como uma boa e dolorosa lembrança.

Há pouco de abstrato em sua adaptação, típico dos videoclipes. E por ser tão cinematográfico e narrativo (Michael Jackson foi o pioneiro com Thriller) é que se torna emocionante, como um bom filme, ainda que dure menos de 5 minutos!

Obs.: "The One That Got Away" é uma canção da compositora e cantora estadunidense Katy Perry, para o seu segundo álbum de estúdio de música pop, intitulado Teenage Dream. A música foi escrita por Perry, Lukasz Gottwald e Max Martin, tendo sido produzida pelos dois últimos. Foi lançada pela Capitol Records como o sexto single oficial do disco em 28 de setembro de 2011 e recebeu opiniões mistas da crítica. Trata-se de uma canção midtempo dos gêneros pop, dance-pop e teen pop e, liricamente, fala sobre um amor adolescente perdido. Fonte aqui.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

"O palhaço" de Selton Mello 2011

"O gato bebe leite, o rato come queijo, e eu sou um Palhaço!"

Selton Mello escreveu (em parceria com Marcelo Vindicatto), estrelou e dirigiu este filme belíssimo sobre a crise de identidade de Benjamin, eterna busca humana retratada em um jovem palhaço (Pangaré), filho de palhaço (Puro-Sangue - Paulo José), que só possui uma certidão de nascimento surrada e passou a vida no 'Circo Esperança'

Vida difícil, meio 'nômade', sem residência fixa ou condições normais numa sociedade tão apegada ao 'material' como a nossa, porém cercada de pessoas do afeto, que tão aventureiras quanto, dedicam-se a viver com certa liberdade, brincando com a arte. Uma metáfora de quem faz um cinema 'livre' talvez?! É difícil, dá trabalho, mas no fundo, vale a pena!!

Assim como o circo, esse cinema delicado, de ritmo lento e com uma direção de arte belíssima, 'quase' atemporal, é cada vez mais raro e valorizado por um público inserido numa sociedade midiatizada, sedento por frenesia e êxtase. Filmes-anestesia não faltam, mas "O palhaço" distancia-se do lógico e narrativo, para ser um devir, um acontecer.

É um longa trajado de curta, pois se constrói em ações, silêncios, olhares e recortes. Explora o conflito interno de um Palhaço que não ri, através de seus olhos vagos, ombros caídos e sono inquieto. Pouco sabemos sobre o passado dos personagens, pouco vislumbramos seu futuro, parecem todos, congelados no tempo, mas o filme carrega ingenuidade e profundidade, própria de personagens que cresceram protegidos pela fantasia do circo, ainda que disposto de uma dura realidade do desapego material.

Benjamin encontra-se numa encruzilhada e o ventilador que tanto deseja, sugerido pela amante do pai, torna-se um cego objetivo, uma busca por identidade. Porém sem dinheiro e sem documento, como adquirir algo numa sociedade exigente por provas de existência?! Em nosso mundo, a palavra não tem mais valor, apenas o papel. Papel que nos identifica, que compra, troca, explora, violenta. RG, CPF, comprovante de residência, dinheiro!

Em certa altura do filme, em mais uma passagem do circo por uma cidade pequena, Puro-Sangue (Paulo José), pai de Benjamin, conversa com um forasteiro, que diz que o homem deve fazer o que nasceu para fazer e com a mais singela das frases, cativa qualquer coração sensível, com a sabedoria de um viajante: "O gato bebe leite, o rato come queijo e você deve fazer o que sabe fazer!" Um jeito simples de aconselhar o outro a fazer o que se gosta de fazer, o que se sabe fazer de melhor, ainda que valha a pena arriscar-se, só para descobrir o que realmente se gosta.

Puro-sangue repete essa frase para Benjamin no auge de sua crise de identidade, mas completa com '...e eu sou um Palhaço filho!" pois é tudo que lhe restou na vida, que é apaixonado e sabe fazer. Pangaré não sabe, então vai procurar numa vida estável, com emprego e residência fixa, sua verdadeira paixão. Como era de se esperar, resta-lhe tédio, mas ao ouvir os colegas do trabalho rindo, Pangaré finalmente sorri. E se antes questionava "Quem vai fazer o palhaço rir?!", percebeu que fazer os outros rirem é seu combustível, sua grande paixão.

Contente e com o novo ventilador debaixo do braço (sua identidade recuperada) volta para o circo, certo de quem é e do que gosta de fazer!

Um filme singelo, doce, delicado, que timidamente se contrapõe com os monstruosos blockbusters que se acumulam nas salas de cinema! Não que eu não goste deles, anestesiar a mente de vez em quando faz parte de uma vida em ritmo acelerado, mas quem não gosta de um 'circo' para sempre relembrar as raízes de uma 'doce infância'?!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

"Maria Montessori - uma vida dedicada às crianças" de Gianluca Maria Tavarelli 2006


Há quase 2 anos estou fazendo Mestrado em Educação e iniciei atualmente meus estudos em Pedagogia. E confesso (supreendentemente) que nunca havia ouvido falar da 'Pedagogia Montessori', mas de certa forma conheci seu método indiretamente através de outras pedagogias e leituras, que tem como foco principal, a valorização do desenvolvimento natural da criança e o professor como guia.

Esta cinebiografia de 3h10 de duração é emocionante e conta a história de Maria Montessori (Paola Cortellesi), uma mulher persistente, sonhadora, teimosa e corajosa numa época onde o papel principal da mulher era ser submissa, mãe e dona de casa. 

Montessori foi a primeira mulher a se formar em medicina na Itália, pela Faculdade de Medicina da Universidade de Roma em 1896 e foi lá que iniciou um trabalho com crianças especiais na clínica da universidade, onde ajudou a alfabetizá-los.

Também dedicou-se a experimentar procedimentos em crianças que ainda não tinham idade para frequentar o ensino fundamental, revolucionando a educação em todo mundo, onde contribuiu para criar métodos de ensino para a educação infantil

Devido a seu reconhecimento, participou de um projeto onde criou a 'Casa das Crianças', priorizando a autonomia da criança, já que os alunos vinham de famílias pobres e sem instrução, e noções de limpeza e higiene se faziam necessários naquele contexto.

Montessori criou um método de aprendizagem, conhecido como "Método Montessori", que fazia com que a criança aprendesse com seus próprios erros. Em sua pedagogia os princípios fundamentais eram a atividade, a individualidade e a liberdade. Era contra a violência física e psicológica (como palmadas e castigos). Seus escritos contribuíram bastante para a educação infantil e sua pedagogia se reflete no movimento das Escolas Novas e pedagogia Waldorf, opondo-se aos métodos tradicionais que não respeitam as necessidades e os mecanismos evolutivos do desenvolvimento da criança.

No filme é possível acompanhar suas motivações e contextos de trabalho, bem como a relação secreta que teve com seu professor de psiquiatria Dr. Montesano e o filho Mario, fruto desse amor. Maria foi obrigada a abrir mão do filho, mas jamais deixou de acompanhar seu desenvolvimento e sempre foram muito íntimos. Quando adulto, revelada a verdade, passaram a morar juntos e posteriormente, quando ele se formou em Medicina, passaram a trabalhar juntos. Foi ele quem continuou disseminando o método da mãe, após sua morte aos 84 anos.

Durante o fascismo italiano, Maria foi intimada a participar das modificações nas escolas italianas, já que seu método se disseminou pelo mundo e interessava ao governo, adaptá-lo e disseminá-lo também nas escolas italianas. Porém, chantageada, Maria fugiu com o filho, recusando a se esquivar e distorcer seu método para finalidades políticas!

Maria acreditava que para mudar o homem do futuro era precisar trabalhar com a criança do presente. Somente assim poderia haver uma verdadeira transformação! Através da educação!

Filmes do mês: novembro


São atualizados no decorrer do mês.

09C-"Amanhecer - parte 1" de Bill Condon 2011 (P)
08C-"O palhaço" de Selton Mello 2011 (4)
07L-"Água para elefantes" de Francis Lawrence 2011 (2)
06L-"Caça às bruxas" de Dominic Sena 2011 (1)
05L-"A informante" de Larysa Kondracki 2011 (3)
04L-"Eu sou o número 4" de D.j. Caruso 2011 (2)
03L-"Maria Montessori - uma vida dedicada às crianças" de Gianluca Maria Tavarelli 2006 (4)
02L-"Um novo despertar" de Jodie Foster 2010 (2)
01L-"Sem limites" de Neil Burger 2011 (2)

*Filmes Revistos 
Organização: Ordem crescente - em números.
Nome do filme + diretor + ano.
Códigos: B (baixado), C (cinema), D (dvd acervo pessoal), L (locadora), T (tv).

Notas:
(0) dispensável
(1) ruim ou fraco
(2) razoável
(3) bom - técnica ou emocionalmente
(4) muito bom - rolou um punctum
(5) excelente - marcou minha vida
(P) prazer culpado (tecnicamente ruim, mas adorei)

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Inscrições abertas - Festivais e concursos

 
 Prêmio para roteiros audiovisuais ligados a museus.
 
Inscrições abertas até 26 de novembro.

O Prêmio Ibram de Roteiros Audiovisuais 2011, que faz parte do Programa de Fomento aos Museus Ibram 2011, tem como objetivo premiar 18 roteiros inéditos para produção audiovisual, com 60% de ambientação em museus brasileiros e produções de mídias digitais com argumentação museológica. Serão premiados: três roteiros de longa metragem; cinco roteiros de curta metragem; cinco roteiros de documentário; cinco roteiros para Cine-TV  e vinte produções de mídias digitais. Os prêmios variam de R$ 5 mil a R$ 100 mil. As inscrições devem ser feitas através do SalicWeb, disponível no portal do Ministério da Cultura e no site do Instituto Brasileiro de Museus.
 
É Tudo Verdade continua com inscrições abertas!

Continuam abertas até 17 de dezembro as inscrições para documentários brasileiros e internacionais para o 'É Tudo Verdade' 2012 – 17º Festival Internacional de Documentários. O festival será realizado entre 23 e 31 de março, simultaneamente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Os longas-metragens precisam ser inéditos e os curtas não tem essa mesma exigência. O prêmio para melhor longa é de R$ 100 mil.

Mais informações e inscrições no site.  
 
Festival de Cinema da Língua Portuguesa recebe inscrições.

Em 2012 será o ano do Brasil em Portugal e o festival de cinema Itinerante da Língua Portuguesa vai prestar uma homenagem ao Brasil com uma mostra especial. A seleção do evento recebe inscrições até o dia 31 de janeiro e o festival está programado para 9 a 20 de maio. Inscrições no site oficial do evento. 


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Festival de nano minuto


Faça um nano minuto! Envie seu video de no máximo 10 segundos e concorra a um prêmio de R$ 500,00 + troféu minuto. Inscrições até 30 de novembro de 2011!

Mais infos aqui.