terça-feira, 25 de outubro de 2011

Com apoio da RioFilme, 25 filmes nacionais serão lançados entre 2012 e 2014

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FABÍOLA ORTIZ
Colaboração para o UOL, do Rio
   
Para os próximos três anos, a RioFilme, empresa distribuidora de filmes S.A. da Prefeitura do Rio de Janeiro dará apoio para o lançamento de 25 filmes brasileiros, tais como “As Aventuras de Agamenon, o Repórter” (da Tambellini Filmes), "Heleno" (da Goritzia Filmes), “De Pernas para o Ar” (Morena Filmes) e "Rio, Eu Te Amo" (Conspiração Filmes). O anúncio foi feito nesta terça (25) pelo presidente da RioFilme, Sérgio Sá Leitão, ao destacar a criação do programa Fomento ao Audiovisual Carioca (FAC) e que o ano de 2012 terá um “investimento recorde” na história da distribuidora - um total de R$31 milhões em 70 projetos de empresas cariocas de audiovisual (entre filmes, festivais e ações de democratização de acesso ao audiovisual como o cinema nas praças e nas favelas), incluindo os R$10 milhões de investimentos no FAC.

“Precisamos ajudar o cinema brasileiro a vencer a batalha do market share. Precisamos ser competitivos em todos os nichos, gêneros e públicos e, assim, consolidar o Rio de Janeiro como principal pólo de audiovisual do país e contribuir para o desenvolvimento da indústria do audiovisual da cidade”, defendeu Sá Leitão ao destacar que o audiovisual é uma das vocações econômicas do Rio. No plano de investimentos de 2009 a 2011, a RioFilme investiu R$60 milhões em 170 projetos, fazendo do Rio a capital brasileira que mais investiu no cinema. Foram realizados investimentos reembolsáveis em 41 filmes, dos quais 16 já foram lançados e atingiram 89% de retorno. “Ou seja, para cada R$1 que a RioFilme colocou, já obtivemos 89 centavos de volta que serão reinvestidos em próximos filmes”, salientou. O público dos filmes investidos saltou de 18.6 mil em 2008 para 5.6 milhões em 2011.

Os projetos do FAC ainda serão selecionados a partir de dezembro deste ano e serão anunciados em abril de 2012, com a publicação dos resultados dos editais, mas está previsto o investimento, a fundo perdido, de R$10 milhões na produção de filmes e conteúdo de TV. Pelo menos, R$1.5 milhão será destinado a projetos de longas (até R$150 mil por projeto), outros R$5 milhões para a produção e finalização de longas (até R$ 500 mil por projeto),  além de R$1.2 milhão para a produção de curtas (até R$80 mil por projeto); e R$1 milhão para projetos de TV. Será feita uma consulta sobre os regulamentos, neste próximo mês de novembro, em que as entidades do setor audiovisual poderão opinar sobre o teor dos regulamentos que serão publicados no próximo dia 2 de dezembro.

“A grande novidade é a linha de investimentos não reembolsáveis em filmes. O programa de Fomento ao Audiovisual Carioca será um instrumento adequado às necessidades do setor”, afirmou Sá Leitão. Para o presidente da distribuidora carioca, 2012 é “o ano de consolidação do processo de revitalização” da RioFilme, iniciado em 2009. Este volume de R$ 31 milhões poderá aumentar ao longo do ano e destinará recursos também aos chamados investimentos reembolsáveis, que é uma contrapartida da RioFilme calculada em cima do potencial de receitas, vendas de bilheteria e merchandising. “O cinema no Rio terá uma fonte de recursos que não fica ao sabor de condições adversas. A RioFilme continuará a investir e agora criamos uma fórmula para assegurar a perenização dos investimentos”, afirmou.

Veja a lista de produções que terão apoio da RioFilme em 3 anos:

"As Aventuras de Agamenon, o Repórter" (Produção: Tambellini Filmes | Coprodução: RioFilme;  Distribuição: Downtown Filmes / Paris Filmes / RioFilme)

"Paraísos Artificiais" (Produção: Zazen | Coprodução: RioFilme | Distribuição: Nossa Distribuidora / RioFilme)

"Heleno" (Produção: Goritzia Filmes / RT Features | Distribuição: Downtown Filmes / RioFilme)

"Tainá - A Origem" (Produção: Sincrocine Produções | Distribuição: Downtown Filmes / RioFilme)

"A Hora e a Vez de Augusto Matraga" (Produção: Pródigo Films | Distribuição: RioFilme / Nossa Distribuidora)

"Espiral" (Produção e Distribuição: Pax Filmes | Coprodução: RioFilme)

"Corações Sujos" (Produção: Mixer | Coprodução: RioFilme; Distribuição: Downtown Filmes)

"Totalmente Inocentes" (Produção: Atitude Produções / Migdal Filmes; Coprodução e codistribuição: Paris Filmes / RioFilme)

"A Montanha" (Produção: Três Mundos / Primo Filmes | Coprodução: RioFilme; Distribuição: Europa Filmes / RioFilme)

"Meu Tempo É Agora" (Produção: Academia de Filmes | Coprodução: RioFilme; Distribuição: Imagem Filmes / RioFilme)

"Onde a Coruja Dorme" (Produção: TVZero / Antenna | Distribuição: RioFilme)

"31 Minutos - O Filme" (Produção: Total Filmes / Aplaplac | Distribuição: RioFilme)

"Serra Pelada" (Produção: TVZero | Distribuição: RioFilme)

"Sequestro Relâmpago" (Produção: Panorama Filmes do Brasil | Distribuição: RioFilme)

 "Bonitinha, Mas Ordinária" (Produção: Diler & Associados / California Filmes / RioFilme; Distribuição: Califórnia Filmes)

 "Febre Do Rato" (Produção: República Pureza Filmes / Bela Vista Rio Cinema / Parabólica Brasil / RioFilme; Distribuição: Imovision)

"De Pernas Pro Ar 2" (Produção: Morena Filmes | Coprodução: RioFilme; Distribuição: Downtown Filmes / Paris Filmes / RioFilme)

"A Esperança é a Última que Morre" (Produção: MPC & Associados | Coprodução: RioFilme; Distribuição: RioFilme / Downtown Filmes)

 "E aí, Comeu?" (Produção: Casé Filmes | Coprodução: RioFilme; Distribuição: Downtown Filmes / Paris Filmes / RioFilme)

"Peixonauta - O Filme" (Produção: TV PinGuim / Gullane Filmes | Coprodução e distribuição: RioFilme)

"Meu Amigãozão - O Filme" (Produção: 2DLab | Coprodução e distribuição: RioFilme)

"Rio 77/78" (Produção: Focus Films | Coprodução e distribuição: RioFilme)

"No Retrovisor" (Produção: Casé Filmes; Distribuição: Paris Filmes / RioFilme)

"Vermelho Brasil" (Produção: Conspiração Filmes / Pampa Productions / CD Films; Coprodução e distribuição: RioFilme)

"Rio, Eu Te Amo" (Produção: Conspiração Filmes / Bossa Nova / Oz; Distribuição: RioFilme)

5 motivos para rever clássicos na Mostra de Cinema

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A programação da 35ª Mostra de Cinema de São Paulo exibe mais de 250 filmes até 3 de novembro e inclui sessões de vários clássicos.

Em meio a uma enxurrada de recentes produções, veja, abaixo, cinco bons motivos para rever produções como "Taxi Driver", "1900", "Laranja Mecânica", "La Dolce Vita" e "O Leopardo".

Robert De Niro (foto) interpreta Travis Bickle em "Taxi Driver", dirigido por Martin Scorsese e que está na Mostra

"Taxi Driver" (1976), de Martin Scorsese

1- Essa cópia restaurada foi exibida somente no Festival de Berlim deste ano.

2- Recebeu a Palma de Ouro em Cannes.

3- O compositor Bernard Herrmann morreu pouco antes de terminar a trilha do longa, que foi dedicado a ele.

4- Robert de Niro dirigiu um táxi 12 horas por dia, durante um mês, para se preparar para o papel.

5- Com 12 anos, Jodie Foster precisou de uma dublê de corpo, sua irmã Connie.

"1900", dirigido pelo italiano Bernardo Bertolucci, será exibido dentro da 35ª Mostra Internacional de Cinema


"1900" (1976), de Bernardo Bertolucci

1- É uma oportunidade de ver na telona a versão do diretor, com 316 minutos.

2- O filme foi pensado inicialmente como uma série de TV.

3- A fotografia é do italiano Vittorio Storaro ("Apocalypse Now"), que ganhou três vezes o Oscar de fotografia.

4- A trilha sonora é do mestre italiano Ennio Morricone.

5- O longa tem uma das raras incursões de Robert de Niro fora do cinema americano.

O ator Malcolm McDowell é o protagonista de "Laranja Mecânica", de Stanley Kubrick, que passa na Mostra

"Laranja Mecânica" (1971), de Stanley Kubrick

1- Será exibido na mostra o documentário "Era Uma Vez... Laranja Mecânica", de Antoine de Gaudemar.

2- O filme foi proibido no Brasil e só liberado após a inserção de bolas negras cobrindo cenas de nudez.

3- O filme tem atuação mais célebre de Malcolm McDowell.

4- Mesmo proibido para menores nos EUA, foi indicado ao Oscar de melhor filme

5- Inspirada na "Nona Sinfonia", de Beethoven, a trilha é de Wendy Carlos (na época, ainda como Walter Carlos), pioneira da música eletrônica




Marcello Mastroianni e Anita Ekberg beijam-se em "A Doce Vida", clássico da década de 1960 do cineasta italiano Federico Fellini

"La Dolce Vita" (1960), de Federico Fellini

1- Tem a famosa sequência em que Anita Ekberg entra na Fontana di Trevi com Marcello Mastroianni.

2- Foi premiado com a Palma de Ouro em Cannes.

3- É o primeiro filme do astro Marcello Mastroianni com Fellini.

4 - Nino Rota, que compôs a trilha sonora, é tema do documentário "A Visita Maravilhosa", de Mauro Gioia, em cartaz na mostra.

5 - O longa foi responsável por popularizar o termo "paparazzi".

O ator Burt Lancaster em cena de "O Leopardo", de Luchino Visconti, que a Mostra exibe em cópia restaurada

"O Leopardo" (1963), de Lucchino Visconti

1- É considerada a obra-prima de Luchino Visconti.

2- Vencedor da Palma de Ouro em Cannes.

3- Também tem trilha de Nino Rota, que levou o Oscar de melhor trilha em 1974 por "O Poderoso Chefão".

4- O elenco conta com os astros Alain Delon, Burt Lancaster e a diva Claudia Cardinale.

5- A sequência final, que dura quase uma hora, levou 40 dias para ser filmada.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

"Alexandria" de Alejandro Amenábar 2009


Ontem recebi a indicação deste filme para discutir 'filosofia da educação' e fiquei bastante surpresa com a trama. Não posso negar que há alguns incômodos (idioma, seqüência da narrativa, melodrama), mas quando nos deparamos com um filme que se apresenta rico para discussão, qualquer 'falha' ou 'problema' fica em segundo plano.

A história se passa em Alexandria (Egito), sob império do governo romano, no auge dos conflitos religiosos entre cristãos e judeus, que lutam pela soberania política, econômica e religiosa da cidade. Entre estes conflitos, temos a protagonista Hypatia (Rachel Weisz), filósofa, astrônoma e 'mestre' que discute com seus 'discípulos' filosofia, matemática e astronomia na Escola de Alexandria, junto à Biblioteca. Sua maior busca é entender o funcionamento do sistema solar, sempre pensado de maneira circular, a forma geométrica perfeita, onde não há início, meio ou fim, nem orientação ou direção. O infinito talvez?! Porém, existe uma outra forma, a elíptica, 'imperfeita' em relação ao círculo (ideal), mas tão contínua quanto. Seria a melhor forma de pensar a humanidade?! 

Talvez esta personagem seja uma boa representação da 'ciência' na História da Humanidade e da importância da filosofia, que diferente do 'senso comum' (forma de pensamento 'simples' do homem em relação ao cotidiano) é radical, porque busca os problemas em sua raíz; rigorosa, porque procura esgotar todas as abordagens possíveis, na tentativa de criar uma teoria; buscando a totalidade, para aplicar essa teoria ao todo. 

Para Hypatia, é preciso questionar tudo, inclusive a própria fé, e por isso ela não se identifica com religião alguma, já que todas pregam sua ideologia ao extremo, derramando sangue se necessário. Somente quando se abstrai todo tipo de fanatismo, é possível enxergar além. E acreditar em algo sem questionar, é de certa forma um fanatismo, uma espécie de cegueira. Inclusive não acreditar em nada. Até o nada deve e pode ser questionado! E quando ela é questionada sobre sua crença, Hypatia diz que acredita na 'filosofia', ou seja, pensar sobre o pensar.

Enquanto Hypatia valoriza o conhecimento e as discussões filosóficas, o cristianismo se dissemina rapidamente entre o povo, defendendo a existência de um único Deus, combatendo o politeísmo com as palavras 'divinas'. A partir da construção fictícia das relações entre os personagens do filme, conhecemos o 'escravo' de Hypatia, Davus (Max Minghella), que ao mesmo tempo que nutre uma paixão secreta pela sua 'mestre', inquieta-se com a situação de subordinação e tende ao cristianismo, religião que se dissemina facilmente entre os pobres, escravos e 'injustiçados'.

Quando a Biblioteca de Alexandria é invadida por cristãos, obstinados em destruir tudo que nutre uma 'ideologia pagã', vemos Hypatia (e muitos outros) deseperadamente tentando salvar os 'livros, ou o suposto 'conhecimento' construído até então pela Humanidade no contexto de Alexandria. Diante do desespero, Hypatia humilha Davus, que se revolta e resolve aderir a luta dos cristãos.

Além de Davus, um dos seus 'discípulos', Orestes (Oscar Isaac), também nutre uma paixão por Hypatia. Porém, ela se recusa a se 'aprisionar' a qualquer tipo de relação, que a torne subordinada ou incapaz de questionar, numa época onde a mulher (ainda hoje) é submissa ao homem. Hypatia deseja ser livre e talvez por isso, seja tão respeitada entre alguns homens. 

Mais tarde Orestes se torna 'prefeito' de Alexandria, e se antes questionador, adere ao cristianismo, buscando passividade e apoio político. Ao respeitar e ouvir Hypatia, que combate qualquer tipo de injustiça, Orestes é confrontado por Cirilo,  líder cristão que usa a palavra divina para 'condenar' Hypatia, alegando que nas sagradas escrituras a mulher deve ser submissa ao homem, não deve ensinar e nem questionar. Ele diz que Jesus escolheu 12 homens como discípulos e nenhuma mulher, reforçando a hierarquia de 'gênero' e desafiando Orestes a decidir quem vai apoiar. 

Este momento é chave, porque Orestes fica dividido entre a posição política de prestígio e o respeito que isso implica e sua 'suposta' crença, em confronto com seus ideais. Ao não se ajoelhar e admitir a submissão feminina, é apedrejado, ainda que se considere cristão.

Orestes sabe que se encontra em um beco sem saída, e sem coragem de voltar-se contra a maioria, arriscando a própria vida, também condena Hypatia, que é considerada bruxa, herege e pecadora.

O único a tentar protegê-la é Davus, banhado em sangue pelas batalhas religiosas travadas entre judeus e cristãos, que questiona a própria fé, pois quando agrediu Hypatia, ela o perdoou e libertou, e não entende porque não é possível perdoá-la. Ele diz aos 'colegas' que Jesus perdoou os judeus que o condenaram à cruz no leito de morte, então porque os Homens não podem perdoar?! Seus colegas alegam que nenhum homem poderia se comparar a Jesus ou a Deus, porque ele é um só, reforçando o fanatismo religioso e a distorção que se faz das 'sagradas escrituras' visando o próprio interesse e justificando seus atos brutais e injustos.

Diante dessa ficção inspirada em passagens históricas, é impossível não enxergar a História se repetindo. Fanatismos religiosos ou ideológicos que geram guerras e totalitarismos, em contraste com a objetiva e racional ciência. A ausência atual da filosofia, descartada entre os Homens e minimizada no contexto educativo, quando não excluída ou condenada a repetições. Uma 'cegueira' generalizada, já simbolizada por José Saramago, reforçada por atitudes sem questionamentos ou reflexões. 
Ainda que a 'cegueira' exista, não se pode negar as tentativas históricas de refletir sobre a realidade em diferentes contextos. Porém, assim como Hypatia, muitos pensadores e filósofos também foram e são condenados por pensar diferente ou questionar a maioria. Vivemos novamente numa era de confrontos, além dos físicos, também conceituais. Nunca se viu tanta luta para respeitar a diversidade dos povos e pessoas, mas também atitudes cruéis e primitivas em relação a toda essa luta. Se não pelas mãos, pelas palavras, que se confrontam em argumentos e ideais. 

Hypatia preferiu (se é que podia preferir algo) morrer e ser apedrejada do que submeter-se a fé cristã e seus rituais sagrados, uma mártir talvez! Orestes preferiu condenar a mulher amada para salvar a si mesmo, sendo um total covarde e ser alienado. Cirilo justificou seus atos e de seus seguidores com as supostas sagradas escrituras, como se fossem absolutas e inquestionáveis, sendo um cego e 'ditador', que impõe-se sobre os demais a qualquer custo. Devus foi o único que se apresentou aberto às crenças, questionando a si mesmo, aos outros e tudo ao seu redor. Um Homem mediano talvez, que avalia com os próprios argumentos e julga a partir do que sente e percebe. Um filósofo em construção, talvez?! Um alguém que buscou aprofundar seu 'senso comum' diante do mundo, transformando-o em 'bom senso'. 

Com qual deles nos identificamos?!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Notícias rapidinhas de cinema XLII


1. Foi presa a documentarista, produtora e distribuidora Katayoun Shahabi, acusada, entre outros, de "colaborar com a BBC persa". Shahabi distribuiu filmes de grandes expoentes do cinema iraniano, como Abbas Kiarostami, Mohsen Makhmalbaf e Mohammad Rasoulof. Também é a distribuidora internacional do filme 'One Two One', de Mania Akhbari, um dos destaques da 35ª Mostra Internacional de São Paulo. Além de Shahabi, outros seis documentaristas foram presos recentemente, entre eles MohsenShahnazdar, Hadi Aharideh, Mojtaba Mir Tahmaseb e Naser Safarian. 

2. Morreu Leon Cakoff, fundador da 'Mostra Internacional de Cinema de São Paulo'. Ele começou a carreira em 1969 como jornalista e depois crítico de cinema nos Diários Associados. A partir de 1974, dirigiu o Departamento de Cinema do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e iniciou a programação de mostras e ciclos no museu. Leon dirigiu os curtas 'Volte Sempre Abbas' (1999) e 'Natureza-Morta' (2004), ambos em parceria com Renata de Almeida, e 'Esperando Abbas' (2004). Também escreveu os livros 'Gabriel Figueroa – O Mestre do Olhar', grande entrevista com o mexicano; 'Ainda Temos Tempo', com crônicas de viagem ligadas a cinema; 'Cinema Sem Fim', com a história dos 30 anos da Mostra; e 'Manoel de Oliveira', uma grande entrevista sua com o cineasta português. Além de programador e produtor, Leon também atuou nas outras pontas do mercado cinematográfico.

3. O filme brasileiro 'L'acercadelacaña' de Diego Medeiros, recebeu o prêmio de melhor curta-metragem latino-americano na 18º edição do Festival Internacional de Cinema de Valdivia. Com direção assinada por Luís Henrique Leal e pelo fotógrafo e documentarista Felipe Peres Calheiros, o filme de 20 minutos aborda o drama de famílias que vivem da cana-de-açúcar em Pernambuco. 

4. A série de TV 'Além da Imaginação' ("The Twilight Zone", no original), que fez sucesso nas décadas de 50 e 60, servirá de inspiração para um novo filme, bancado pela Warner Bros e produzido pela Appian Way, do astro Leonardo DiCaprio. O estúdio definiu Matt Reeves ( Cloverfield - Monstro) como diretor do projeto. As filmagens devem começar em 2012 e o longa trará apenas uma história de ficção científica.

5. A Disney desistiu oficialmente do filme do 'Cavaleiro Solitário' após divergência dos produtores em relação ao orçamento. A decisão não significa que o filme não será mais realizado, afinal outro estúdio pode assumir o desenvolvimento, mas é quase certo que não conseguirão cumprir a data de estreia prevista para 21 de dezembro de 2012.

6. 'Raul Seixas - O Início, o Fim e o Meio', documentário de Walter Carvalho sobre um dos maiores ícones do rock brasileiro, foi escolhido para encerrar o Festival do Rio. A produção, através de imagens de arquivo e entrevistas, investiga as várias facetas do lendário músico, passando por sua parceria com Paulo Coelho, seus casamentos e seus fãs, que continuam a surgir mais de 20 anos após sua morte.

7. "Tropa de Elite 2" foi o filme escolhido para representar o Brasil na luta por uma indicação ao Oscar 2012 de Melhor Filme Estrangeiro, concorrendo com 63 filmes inscritos por outros países na mesma categoria. Mais infos aqui.

8. 'Inside Llewyn Davis' é o próximo filme dos irmãos Ethan e Joel Coen (Bravura Indômita) e já conta com um protagonista: Oscar Isaac (filme atual Drive). Isaac interpretará o LIewyn Davis, um cantor de música folk que nasceu e cresceu no Queens, em Nova York. Apesar de ser um talentoso cantor e guitarrista, ele não consegue fazer sucesso com a música. O personagem é vagamente baseado em Dave Van Ronk, um cantor que nos anos 60 fez amizade com vários músicos conhecidos, como Bob Dylan. As filmagens devem começar em 2012 na cidade de Gotham, nos Estados Unidos. Ainda não há data prevista para seu lançamento comercial.

9. O próximo longa de Woody Allen recebeu um novo título: "Nero Fiddled" que faz menção ao imperador romano Nero e é uma referência a clássica expressão "Nero Fiddled while Rome Burned". Confirmados no elenco os atores Jesse Eisenberg (A Rede Social), Penélope Cruz (Nine), Alec Baldwin (Simplesmente Complicado), Ellen Page (Juno), Roberto Benigni (A Vida é Bela) e Judy Davis (Maria Antonieta).O longa já está sendo filmado e deve estrear em 2012.

10. John Malkovich virá ao Brasil no próximo mês de novembro para uma curta temporada com sua peça The Infernal Comedy - Confissões de um Serial Killer. O ator se apresentará no Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Os ingressos variam entre R$ 40,00 e R$ 400,00.  A Comédia Infernal (tradução livre) é uma peça musical sobre a história real de Jack Unterweger, serial killer e escritor que se tornou uma celebridade austríaca após a publicação de sua autobiografia em 1984. A trama é contada através de monólogos ilustrados pela música da Orquestra Wiener Akademie, com a companhia de dois sopranos.

Produtores brasileiros se unem em nova distribuidora

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Em meio à maratona cinéfila do Festival do Rio há também espaço para anúncios importantes sobre o mercado cinematográfico brasileiro. Em coletiva realizada na última terça, 11 de outubro, foi anunciado o lançamento da Nossa, distribuidora formada por alguns dos principais produtores de cinema do país.

A empresa traz como sócios Conspiração Filmes (A Mulher Invisível), O2 Filmes (Cidade de Deus), Lereby Produções (Chico Xavier), Morena Filmes (Meu Nome Não é Johnny), Zazen Produções (Tropa de Elite), Vinny Filmes e FL & MAM Participações. Juntas, as produtoras foram responsáveis por 70 dos 268 filmes brasileiros lançados desde 31 de dezembro de 1999, com um público estimado em 67 milhões de pessoas.

A distribuidora nasce com a proposta de um novo modelo para o mercado, onde o produtor tem a chance de ganhar mais caso esteja disposto a correr riscos com seu longa-metragem. Quem explica é um dos sócios, o diretor José Padilha.

"Tradicionalmente o modelo de distribuição de cinema, criado nos Estados Unidos, financia a produção de filmes como um todo. O estúdio coloca o dinheiro, contrata o produtor e corre o risco com o lançamento. No Brasil o mesmo modelo é replicado, com algumas diferenças. Uma delas é que as distribuidoras não dão o valor total para a produção dos filmes, parte dele vem dos produtores e do incentivo fiscal. Como o risco não é 100% da distribuidora, a meu ver o modelo não deveria ser igual ao americano. Então olhando para a realidade brasileira e para algumas situações ocorridas nos Estados Unidos, resolvemos construir um modelo alternativo.

A Nossa terá por função a prestação de serviço. O produtor reúne dinheiro para o longa, sem contar com uma distribuidora. Se ele consegue isto, a gente vai viabilizar que ele consiga colocar seu filme no cinema. Não será cobrada taxa de distribuição e o copyright do filme ficará com o produtor o tempo inteiro. Além disto, o valor pago pelo exibidor será depositado diretamente na conta do produtor. Ou seja, o controle da receita do filme não será 100% da distribuidora. O que me parece razoável, visto que a distribuidora não entra com 100% do custo de produção do filme."

Padilha ressaltou que a manutenção da Nossa será através da quantia a ser paga pelo lançamento do filme, que dependerá do tamanho do circuito desejado, e também pelo valor fixo da cine semana (de sexta a quinta) em que o filme estiver em cartaz. O risco para o produtor vem justamente da definição do circuito, quando precisará definir um público estimado para o longa-metragem. Caso o número seja atingido, o produtor receberá cerca de cinco vezes mais que através do modelo tradicional. Caso não seja, perde-se dinheiro por investir além do potencial do produto.

A Nossa Distribuidora já conta com 50 filmes a serem lançados, sendo 20 deles nacionais. Entre os já assegurados estão Paraísos Artificiais, de Marcos Prado (Estamira); A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Vinícius Coimbra; e Boca do Lixo, de Flávio Frederico (Caparaó). Todos apenas chegarão aos cinemas em 2012.

A distribuidora será também responsável pelo lançamento em cinema dos filmes estrangeiros da Vinny Filmes, uma das sócias do projeto. Sua estreia será já em novembro, com o terror 11-11-11, que será lançado em cerca de 350 salas em todo o país.

Filmes do mês: outubro

São atualizados no decorrer do mês.

09M-"Mozzarella Stories" de Eduardo de Angelis 2011 (3)
08M-"Labrador" de Frederikke Aspöck 2011 (2)
07M-"Veneza" de Jan Jakub Kolski 2011(3)

06M-"Como Começar Seu Próprio País" de Jody Shapiro 2011 (3)
05M-"A Terra Ultrajada" de Michale Boganim 2011 (3)
04M-"A casa" de Zuzana Liová 2011 (4)
03T-"Criação" de Jon Amiel 2009 (3)
02L-"Alexandria" de Alejandro Amenábar 2009 (3)
01T-"Mais estranho que a ficção" de Marc Forster 2006 (3)

*Filmes Revistos 
Organização: Ordem crescente - em números.
Nome do filme + diretor + ano.
Códigos: M (Mostra SP), B (baixado), C (cinema), D (dvd acervo pessoal), L (locadora), T (tv).

Notas:
(0) dispensável
(1) ruim ou fraco
(2) razoável
(3) bom - técnica ou emocionalmente
(4) muito bom - rolou um punctum
(5) excelente - marcou minha vida
(P) prazer culpado (tecnicamente ruim, mas adorei)

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Notícias rapidinhas de cinema XLI


 1. A co-produção brasileira "360" de Fernando Meirelles, junto com Grã Bretanha, Áustria e França, que traz no elenco Anthony Hopkins, Jude Law e Rachel Weisz, concorre ao prêmio de melhor filme no Festival de Cinema de Londres do Instituto Britânico de Filmes (BFI London Film Festival).

2. Foi publicada, no Diário Oficial da União, a Medida Provisória 545, que institui o programa "Cinema Perto de Você". A iniciativa, já lançada pelo governo em junho de 2010, prevê a concessão de crédito para financiar salas de cinema pelo país. Haverá redução de impostos para a instalação desses espaços. Segundo o presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine), Manoel Rangel, isso significará um custo de implantação 30% menor para qualquer sala. O programa pode beneficiar municípios com menos de 100 mil habitantes e sem cinema.

3. O diretor Darren Aronofsky (Cisne Negro) está com um novo projeto e conta com o apoio e união de  dois estúdios para bancar seu próximo longa-metragem, baseado na clássica história de Noé. "Noah" será produzido em parceria pela Paramount Pictures e a New Regency.

4. O novo longa da diretora Tata Amaral, "Hoje", foi o grande vencedor do 44º Festival de Cinema de Brasília, levando os prêmios de melhor filme, melhor atriz, melhor roteiro, direção de arte e fotografia. O longa conta a história de Vera, vivida por Denise Fraga, uma mulher que recebe uma indenização do governo pelo desaparecimento do marido durante a ditadura e, no dia em que se muda de casa, o marido reaparece.

5. O jogo 'Dead Island' será adaptado para o cinema. A história é centrada em uma família de férias em uma ilha paradisíaca, que se torna um inferno ao ser invadida por zumbis. Isolados do resto do mundo, os sobreviventes têm apenas os materiais naturais da ilha como “armas” para se protegerem da legião de mortos-vivos.

6. O escritor norte-americano Stephen King anunciou que está escrevendo uma nova sequência para 'O Iluminado', livro clássico de 1977, adaptado para o cinema por Stanley Kubrick, que conta a história de uma família que passa um inverno isolada em um hotel histórico encravado nas montanhas. Na continuação, que ganhou o nome de 'Dr. Sleep', o garotinho Danny Torrance cresceu e virou um homem de 40 anos de idade que trabalha com doentes terminais e usa seus poderes paranormais para ajudá-los.  O livro inclui um grupo de vampiros viajantes chamado The Tribe, que sugam a energia de “pessoas especiais”. 

7. Acontece em São Paulo até 9 de outubro a V Mostra de Cinema Indiano e Bollywood, com  dez filmes que mudaram os rumos do cinema indiano ao longo dos anos 2000. São produções que buscam uma Índia moderna, que refletem questões das recentes mudanças sociais e culturais do país. Confira a programação completa no site da Cinemateca Brasileira.

8. A bem sucedida atriz Jennifer Aniston resolveu se arriscar como uma das diretoras em 'Five'. O projeto, feito especialmente para TV, reúne cinco curtas metragens temáticos, todos com histórias relacionados a vida de pessoas impactadas pelo câncer de mama. O episódio dirigido por JA fala sobre Mia (Patricia Clarkson) e as mudanças de sua vida depois do diagnóstico do câncer de mama.

9. A história do cantor Elton John vai virar filme. "Rocketman" é baseado em uma das músicas de Elton John, do disco Honky Château, de 1972. O roteiro ficará a cargo de Lee Hall e a produção será de Shaw Hamilton, da Rocket Pictures. Ainda não tem previsão de estreia.

10. Leonardo DiCaprio será o protagonista da adaptação para o cinema do livro "Satori", de Don Winslow. A história é sobre Nicholas Hel, um norte-americano criado no Japão especialista em artes marciais. O roteiro será escrito pelo próprio autor do livro, em parceria com Shane Salerno (Shaft). Ainda não há diretor definido nem previsão para o início das filmagens.