terça-feira, 1 de março de 2011

"Bruna Surfistinha" de Marcus Baldini 2011

É pesado? É!
Muita cena de sexo e nudez? Bastante!
Apologia à prostituição? Talvez! Às vezes parece uma vida bem divertida!
Engraçado? Em vários momentos!
Triste? Profundamente!
Vale a pena?! SUPER! (hehe)
Sou "rata" de google, de garimpo barato de filmes e de livraria.
Posso ficar horas rodando, folheando livros e nem levar nada.
Só o fato de pegar um livro, namorar a capa, ler a sinopse, alisar as folhas com cheirinho de novas, faz valer a pena!
E diante desta pequena paixão, lembro claramente do dia que me deparei com um pequeno livro de capa preta chamado "O doce veneno do escorpião!" numa livraria em Blumenau!
Arte gráfica bonita, livro fino, não era caro e tinha uma sinopse extretamente curiosa e atrativa...
Como seria a vida de uma garota de programa?
E ao ler o livro entendi porque Bruna Surfistinha havia se tornado tão famosa e porque Raquel Pacheco havia escolhido fazer da prostituição sua fonte de renda.
(continua...)

"Micmacs - Um plano complicado" de Jean-Pierre Jeunet 2009

Curioso como muita gente acha que o Oscar é o único parâmetro de bons filmes!

Apesar de eu dar devida importância ao maior prêmio da Indústria Cinematográfica Hollywoodiana, sei muito bem que outros filmes excelentes, como os franceses, ficam de fora, como é o caso deste filme de Jeunet.

É importante pensar que o Oscar premia os melhores filmes do ano realizados pelos grandes estúdios de Hollywood (com algum pequeno reconhecimento para filmes de línguas estrangeiras em uma única categoria), mas exclui tudo de bom que é feito pelo mundo e dificulta ainda mais a distribuição destes filmes, reduzindo o leque de opções de filmes super criativos e bem realizados!

Jeunet ficou mais conhecido após o sucesso do filme "O fabuloso destino de Amèlie Poulan", mas já dirigiu outros trabalhos interessantes como "Ladrão de sonhos" e "Delicatessen".

Para ele, o cinema é um espaço para explorar o mundo da imaginação e dos sonhos, por isso a direção de arte é sempre tão impecável e trabalhosa, assim como a belíssima composição de fotografia das cenas.

Neste filme, o protagonista é Bazil, que já criança sofre com as consequências da fabricação de armas e munições de guerra, com a perda do pai e a posterior loucura da mãe.

Cresce num orfanato e acaba tornando-se balconista de videolocadora.
Numa noite comum, testemunha um tiroteio e acaba com uma bala na cabeça.

É mais uma vez sua vida se transforma por consequência das armas!

Perde o emprego, o lar e vira um (simpático) mendigo, que acaba sendo acolhido por uma família de excêntricos, sem jamais esquecer, as razões que o levaram a tal destino.

É nesta trama cômica e sensível, que Bazil traça um plano de vingança e conta com todos os membros da família e suas habilidades mais especiais para executá-lo! Uma namoradinha-contorcionista, um amigo-inventor, uma calculadora ambulante, uma mãe-cozinheira, um pai-sucata, entre outros personagens curiosos.

O filme é leve, divertido, impecável, mas trata de um assunto extremamente atual e polêmico: a fabricação de armas e munições que continuam sustentando guerras e provocando mortes de milhares de inocentes!

É neste clima de fantasia que Jeunet nos presenteia com sua brilhante imaginação e nos diverte com diversas peripécias dos personagens, sem jamais se distanciar do tema e sempre o tratando com a devida delicadeza, mesclada com muito humor!

É um grito de ajuda! É um pequeno alerta!

É uma mensagem direta sobre um drama comum em todos os países, floreada pela arte de contar histórias através da fantasia!

Vale a pena e recomendo "super"!!!
(aproveitando essa expressão típica da minha amiga-borboleta Ari)

Oscar 2011


Na madrugada de domingo para segunda, pessoas do mundo inteiro acompanharam e torceram pelos "melhores" filmes do ano.

Após o anúncio de Melhor Filme pelo consagrado Spielberg, encerrava-se mais uma edição do mais importante prêmio da Indústria Cinematográfica Hollywoodiana: o Oscar e sua tão cobiçada e desejada estatueta dourada!

Após assistir 9 dos 10 melhores filmes indicados, testei meus conhecimentos, apurei meus palpites e constatei que meu entendimento de "Oscar" melhorou, mas ainda preciso "dançar" bastante "conforme a música" dos críticos!

Seguem meus erros e acertos, e o resultado de uma série de pequenas surpresas e resultados previsíveis!

Melhor filme - O DISCURSO DO REI =p

Até o último momento, acreditei que A Rede Social levaria o prêmio, por ser um dos primeiros filmes a falar sobre tecnologia sem fantasiar a realidade, diferente dos filmes "A rede" e "Matrix". Ele é um bom exemplo para discussão sobre os fenômenos das atuais redes sociais, jovens bilionários e problemas de relacionamentos pessoais. Acredito que se tornará uma referência nas discussões sobre pós-humanismo e mídia-educação, mas pelo visto a Academia preferiu premiar mais um filme de época retratando a realeza inglesa.

Melhor diretor - TOM HOOPER =p

Naturalmente diretor e melhor filme combinam, então acreditei no talentoso David Fincher – A Rede Social.

Melhor ator - Colin Firth – O Discurso do Rei =D

Foi difícil escolher, mas os críticos de Hollywood adoram atores que interpretam personagens reais e depois de Colin Firth, só James Franco conseguiria o feito.

Melhor atriz - Natalie Portman – Cisne Negro =D

Fantástica performance. Tenho momentos de "Nina" até hoje!

Melhor ator coadjuvante - Christian Bale – O Vencedor =D

Fiquei dividida entre o simpático papel de John Hawkes como Lionel, mas Christian Bale foi bastante convincente como o viciado em crack, ex-lutador de boxe, Dickey, irmão e treinador de Mickey.

Melhor atriz coadjuvante - Melissa Leo – O Vencedor =D

Sem Melissa, Bale não brilharia tanto!

Melhor longa animado - Toy Story 3 =D

Oscar merecido, já que quando os dois primeiros filmes da franquia foram lançados, nem existia essa categoria na época.

Melhor filme em lingua estrangeira - EM UM MUNDO MELHOR =p

Como não assisti nenhum, ficava difícil palpitar. Achei que "Biutiful" era o grande favorito.

Melhor direção de arte - Alice no País das Maravilhas =D

Nenhum filme merecia um grande destaque, então Alice levou, apesar de ser dirigido pelo genial Tim Burton, achei o filme muito vazio.

Melhor fotografia - A ORIGEM =p

Nenhum filme parecia se destacar em fotografia. Arrisquei "Cisne Negro", por ser um filme que faz uso de baixa qualidade na produção de imagens para favorecer a tensão psicológica, mas errei e fiquei satisfeita com a premiação do filme de Nolan.

Melhor figurino - Alice no País das Maravilhas =D

Quando se palpita para direção de arte, inevitável não palpitar o mesmo filme para figurino!

Melhor montagem - A REDE SOCIAL =p

Realmente não sou boa julgadora de montagem no cinema, apesar de ser editora de vídeo.

Melhor documentário - TRABALHO INTERNO =p

É Brasil, não foi dessa vez de novo!! "Lixo Extraordinário" não levou o prêmio!

Melhor trilha sonora - Trent Reznor e Atticus Ross – A Rede Social (bem marcante) =D

Melhor canção original - We Belong Together – Toy Story 3 =D


Acertei os dois na mosca!!!

Melhor Efeitos especiais - A Origem =D

De todos era o único que realmente merecia!

E por fim, os prêmios de melhor roteiro ilustram que a disputa era realmente entre estes dois filmes.

Melhor Rote
iro adaptado - A Rede Social =D

Melhor Roteiro original - O Discurso do Rei =D

Notícias rapidinhas de cinema XXII

1. O polêmico filme "Bruna Surfistinha" estourou em seu final de semana de estreia. O primeiro longa de Marcus Baldini já é cotado como o filme com a segunda maior estreia em 2011 no Brasil.

2. Rodrigo Santoro continua circulando com sucesso por Hollywood. Após interpretar Jimmy em "O Golpista do Ano" e conquistar seu espaço entre os dubladores da animação "Rango", o ator foi escalado para o drama sobrenatural "Falling Slowly", fazendo par com Mandy Moore. Na trama, versão menos “documental” de "Atividade Paranormal", um casal tem seu apartamento atormentado por assombrações. Direção de estreia de Chris Sparling, premiado pelo "National Board of Review" pelo roteiro do claustrofóbico "Enterrado Vivo". O longa ainda não possui previsão de estreia

3. Acontece em Março: Anima!arte 2011 – 10º Festival Brasileiro Estudantil de Animação e Mais informações em: http://www.vouanimarte.com.br/

4. A MGM vai ressuscitar o "Robocop", tira policial que fez bastante sucesso nos anos 80 e a grande novidade é que José Padilha, diretor de Tropa de Elite e Tropa de Elite 2, pode assumir o comando da produção.

5. O ator Keanu Reeves protagonizará o filme "47 Ronin" (ainda sem título em português), o primeiro longa-metragem do diretor Carl Erik Rinsch, uma produção com elenco japonês que conta a lenda de 47 samurais em busca de vingança. O filme começará a ser gravado em Budapeste ainda neste mês e terminará no Reino Unido pouco antes de sua estreia, no fim de 2012.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

"Amor à distância" de Nanette Burstein 2010


Sabe quando você vai na locadora com seu irmão e vocês escolhem um filme juntos e quando ele vê a capa diz "Nossa Ally, parece o André!" e você responde "Claro que não! Tá Maluco?", mas depois você assiste o filme e só consegue dizer "Nossa, é muito parecido mesmo!".

Pois é! Parece mesmo o "meu" André!
Não é um filme cult, nem tecnicamente brilhante, mas é um filme super doce e romântico sobre um casal que se conhece e tenta contornar todos as limitações e conflitos de namorar à distância.

Não é o tipo de filme que eu gosto, mas surpreendentemente achei excelente!

Não é só um filme tolo de amor, totalmente distante da realidade, onde cada um consegue resolver seus problemas num passe de mágica e o único obstáculo é uma vilã ou vilão maldito.

O filme é muito mais que isso. É singelo!
Simboliza entre tantas diferentes histórias, o amor daquele típico casal que por mais que se separe, sabe que no fundo é feito um para o outro.

Talvez essa fórmula já tenha sido usada em outros milhares de filmes, mas de alguma forma, esse me pareceu tão verdadeiro e possível!

Talvez eu esteja apenas devaneando nos meus pensamentos e romantismos, mas gostar de um filme nem sempre faz sentido ou pode ter uma explicação lógica.
É simplesmente identificação! Pura e simples!

Um casal cheio de defeitos, manias e diante dos problemas mais comuns da vida: escolher entre investir na carreira dos sonhos ou se jogar de cabeça na relação ou sofrer com a distância e com os desafios da solidão, mesmo quando se tem "alguém para ligar antes de dormir".
Ou ainda, tentar lidar com as diferenças e com os objetivos distintos de ambos, distanciando toda e qualquer harmonia e sintonia possível, essencial para selar um amor tão puro e intenso.

A receita de um relacionamento a longo prazo não é a falta de crises, mas saber contornar todas essas crises da melhor maneira possível.
Contornar com diálogo, com esforço mútuo e com o "famoso" saber ceder na hora certa!

É lidar com a coisa mais difícil: saber abrir mão do que é melhor para si, para valorizar o que é melhor para ambos!

Sacríficio pessoal é difícil, mas o equilíbrio exige conflitos e a transformação só é possível com intenso exercício de superação, erros e acertos!

Todo dia é um novo dia para recomeçar!

"A gente não pode fazer um novo começo, mas sempre pode fazer um novo fim", já diria o Chico.


E de nada adianta alcançar os mais belos sonhos e objetivos, se não tiver ninguém especial do lado para compartilhar tamanha felicidade!

No fundo, nessa minha pequena estrada da vida, essa foi uma das mais importantes reflexões que já tive para entender as relações humanas. A
vida faz bem mais sentido, quando a alegria pode ser compartilhada com alguém (ou alguéns - amigos, pais, família) especial!

‘Segunda Imperdível’ no Cinemark


Toda segunda-feira de fevereiro (07, 14, 21 e 28)
no Floripa Shopping.
Ingressos por R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia).
*Não vale para as sessões 3D.
Além disso, o snack bar oferece um combo especial
(pipoca + refrigerante promocional + bombom Serenata de Amor) por apenas R$ 3,50.

A programação completa do cinema pode ser consultada no site da Rede:

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

"Cisne Negro" de Darren Aronovsky 2010


Finalmente assisti a performance de Natalie Portman como a bailarina transtornada Nina.

Finalmente pude tirar minhas próprias conclusões sobre um filme elogiado, criticado, injustiçado ou mal compreendido!

Finalmente pude me libertar das cobranças alheias de desconhecer um trabalho considerado brilhante, mas longe de ser transgressor ou underground.

E finalmente cheguei à conclusão de que não adianta apenas assistir um filme, é preciso falar sobre ele, para captar todas as impressões que ele deixou.

Dito isto, posso resumir que é um filme interessante, menos brilhante do que eu esperava, mas talvez eu ainda esteja digerindo a ousadia de Darren Aronovsky, ao maquiar a Narrativa Clássica Hollywoodiana com suspense e tensão psicológica.

Foram muitos os elogios, de diferentes pontos de vista: leigos, cinéfilos, críticos profissionais, colegas, amigos e etc. A visão mais curiosa foi de uma crítica destruidora da Revista Bravo deste mês, que não considero injusta, mas grosseira.

Concordo que maquiar a Narrativa Clássica não é nada transgressor, mas menosprezar o esforço e criatividade de Darren é uma imensa grosseria. É típico de radicais, extremistas, com opiniões que beiram à "verdade absoluta", quando no cinema e na vida em si, elas não existem!

Desde o início do filme, somos distraídos com a tensão psicológica de Nina, ao enfrentar seus medos e anseios. Uma jovem reprimida, imatura, ingênua e perfeccionista ao extremo. Uma personagem desequilibrada, pois a imperfeição faz parte da natureza humana. O conflito é necessário para o equílibrio e a realização do grande sonho da vida limitada da bailarina Nina exige desequilibrar-se, "deixar-se levar" pela natureza desconhecida do inconsciente, dos instintos, da curiosidade e prazeres humanos.

A "receita de bolo do filme" é tão batida, que me fez lembrar do filme "Showgirls" que David Gilmour no livro "Clube do filme" rotulou de "prazer culpado". A história é simples: uma jovem mulher, decidida a fugir de seu tumultuado passado, vai para Las Vegas com o objetivo de tornar-se dançarina. Com o tempo, ela passa a ser corista no show de um grande cassino, mas surge uma rivalidade indisfarçável entre ela e a estrela do show. Até que, quando ela começa a se envolver com o responsável pelos espetáculos, fica claro que o cassino é pequeno demais para ela e sua rival.

A diferença é que Darren distanciou-se do showbusiness e das possíveis falhas narrativas, para focar nos conflitos psicológicos da personagem em enfrentar a competitividade, natural dos grandes palcos, as cobranças, a capacidade de se transformar e lidar com um diretor ousado e sedutor, além de uma mãe controladora e frustrada. Ele escolheu aproximar-se da realidade, seguindo a personagem com uma câmera, valorizando as elipses e produzindo imagens mais instáveis, exploradas na estética videoclipe e em filmes que buscam um caráter mais "realista".

E como Christopher Nolan faz muito bem em seus filmes, Darren transformou o abstrato em imagens. Transformou os sentimentos humanos em ações e as angústias e transtornos em transformações físicas.

E como muitos outros, nos "fala" em silêncio: isto é um filme e não a realidade! Ao mesmo tempo que nos distrai e nos faz sair da sala de cinema, sem certeza alguma dos limites entre realidade e fantasia. O que aconteceu ou não de fato?!

E importa?

Talvez por isso, seja difícil não sair transtornado do cinema, pois a maioria das pessoas procuram o cinema para se entreter, se distrair dos conflitos pessoais, procurando uma lógica que neste filme não existe. É tão confuso que alguns preferem se convencer e se confortar com limites, alegando que a personagem sofria esquizofrenia ou distúrbios de personalidade, quando nem na vida real isso é completamente compreendido e comprovado.

Quantas Ninas existem dentro de nós? Frágeis e assustadas?
E quantas Lilys? Impulsivas e selvagens?
Quantas mães (ou pais) controladoras e frustradas com seus próprios sonhos?
E quantos sonhos não exigem certas escolhas e conflitos??

Lidar com o desconhecido nunca é tarefa fácil pra ninguém, e Nina foi criada num casulo tão protegido que até para se libertar através do sexo, ela tem dificuldade.

Mas uma vida de bailarina não exige justamente extrema disciplina e perfeição? Foi o que Nina fez, e por ser "perfeita" como Cisne Branco, ela é defeituosa como "Cisne Negro". Como ser as duas coisas em uma? Como ser tão humana? É isso que Nina precisa aprender a ser...apenas humana!