sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Notícias rapidinhas de cinema XVII


1. Diretor Michael Meyer confirma intenção de transformar álbum do Green Day em filme. American Idiot é um álbum conceitual que conta a história de três jovens sem rumo nos EUA pós-11 de setembro. Já existe um espetáculo inspirado no álbum.

2. Divulgado cartaz da releitura gótica de Chapeuzinho Vermelho, "A Garota da Capa Vermelha". O filme será dirigido por Catherine Hardwicke, de "Crepúsculo". As atrizes Virginia Madsen e Julie Christie também integram o elenco. O filme chegará ao Brasil no dia 21 de abril de 2011.

3. Lançado, na França, "Abel", primeiro filme de ficção dirigido pelo ator mexicano Diego Luna, que foi recebido com o aplauso praticamente unânime da crítica parisiense. O Abel do título é um menino autista, criado em um centro de atendimento e que volta para casa com a mãe e os dois irmãos. Ele se vê como chefe da família, sem que ninguém o discuta, até que um dia o pai volta para casa.

4. Vazou na internet a primeira imagem de Chris Evans como o Capitão América. A direção do longa será de Joe Johnston, de "O Lobisomem". O filme chega ao Brasil no dia 29 de julho de 2011.

5. A série "Piratas do Caribe" se deve à dupla Ted Elliott e Terry Rossio, os roteirista de todos os filmes, incluindo o quarto, que estreará em 20 de maio, porém a Disney não tem planos para trazer de volta Ted Elliott. Apenas Terry Rossio assinará o próximo roteiro. Já o retorno do diretor Rob Marshall foi cogitado, assim como o de Johnny Depp no papel principal. O astro afirmou que se todas as peças das história fossem reunidas, certamente ele consideraria voltar ao papel de Jack Sparrow no futuro.

6. A 100% Vídeo divulgará no dia 1° de março os filmes brasileiros ganhadores do Prêmio 100% Vídeo de Cinema Brasileiro. A eleição acontece pela internet e os cinéfilos podem votar em seus favoritos no site da premiação até 31 de janeiro.

7. Filmes em 3D já representam um quinto do mercado do cinema no Brasil. São 277 salas, para onde aflui 13% do público pagante. Os dados foram divulgados pelo Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do Município do Rio de Janeiro, entidade responsável pelo acompanhamento do setor.

8. Para Elijah Wood, filmar "The Hobbit", de Peter Jackson, vai ser como uma reunião de família da Terra Média. Muitos dos atores da trilogia original "O Senhor dos Anéis" vão retornar à Nova Zelândia para as filmagens de "The Hobbit", no inverno deste ano. O próprio Elijah Wood confirmou na semana passada que fará novamente o personagem Frodo.

9. Wes Craven resolveu subverter os clichês do gênero que ele mesmo ajudou a reviver no próximo longa da franquia, "Pânico 4". O filme estreia em abril e o trailer já está disponível: http://www.cinemaemcena.com.br/FichaNoticiaDetalhe.aspx?id_noticia=35693&id_filme=113

10. O diretor de "Tropa de Elite" e "Tropa de Elite 2", José Padilha, vai ser um dos jurados do Festival de Sundance deste ano. Ele vai julgar os filmes da categoria documentário internacional. Também estará no júri Lucy Walker, que dirigiu o filme "Lixo Extraordinário", sobre o trabalho do artista plástico brasileiro Vik Muniz no aterro sanitário do Jardim Gramacho (RJ).

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Dicas de filmes - videolocadora: janeiro


Já vi e indico:

"O pequeno Nicolau" de 2010 - comédia
Outra alternativa para entreter as crianças nas férias, além das tradicionais animações, é este filme que aborda com delicadeza e diversão, situações comuns na infância, protagonizadas pelo personagem Nicolas, como a chegada de um irmãozinho, as perguntas "cabeludas" aos pais e as típicas aventuras com os amigos da escola.

"Enterrado vivo" de Rodrigo Cortés 2010 - suspense
Este é o tipo de filme que vale a pena assistir pela originalidade e tensão. Aborda um tema saturado como EUA X Iraque sob uma pespectiva diferente.
Paul Conroy (Ryan Reynolds) acorda num caixão de madeira com um celular e um isqueiro. Com pouco mais de 1h30 de duração, Paul faz uso destes objetos e da nossa curiosidade para avançar numa agoniante luta pela sobrevivência. No mesmo estilo de "12 homens e uma sentença" e "Quarto do Pânico", onde os personagens alimentam uma trama de suspense, com ações e diálogos que se passam apenas em um cômodo, Córtes nos desafio a construir personagens e histórias apenas pelos diálogos que Paul tece no celular. Em situações-limite como estas, jamais saberemos como agiríamos, mas até o fim, como Paul, somos espectadores da esperança.

Não vi, mas quero ver:

"A Suprema Felicidade" de Arnaldo Jabor 2010 - drama
Segunda Guerra Mundial, cabarés e relações de família. Este é o universo do drama que conta a história de Paulo, um garotinho de oito anos que conta com seu avô, Noel, para lhe ensinar as coisas da vida. Mais velho, Paulo começa a frequentar bordéis e frequentar a vida boêmia do Rio de Janeiro. Ele se envolve romanticamente com Deise, uma garota misteriosa que faz partir seu coração. Entre frustações e alegrias, uma reaproximação entre Paulo e seu pai vai trazer uma grande reviravolta em suas vidas.

"O bem amado" de Guel Arraes 2010 - comédia/nacional
Baseado na obra de Dias Gomes, O Bem Amado conta a história do prefeito Odorico Paraguaçu, que tem como meta prioritária em sua administração na cidade de Sucupira, a inauguração de um cemitério. De um lado é apoiado pelas irmãs Cajazeiras. Do outro, tem que lutar contra a forte oposição liderada por Vladimir, dono do jornaleco da cidade. http://www.obemamado.com.br/filme.html

"Mary e Max" de Adam Elliot 2009 - animação/drama
Em paralelo ao 3D, é um longa feito em técnica artesanal stop motion (fotografia dos movimentos quadro a quadro), que conta uma história de amizade entre dois personagens, inseridos no universo atual das redes sociais.

"A fita branca" de Michael Haneke 2009 - drama/guerra
Ambientado na Primeira Guerra Mundial, foi indicado ao Oscar 2010 de Melhor Filme Estrangeiro.

"É proibido fumar" de Anna Muylaert 2009 - drama /nacional
Glória Pires protagoniza a história de uma mulher, professora de violão, que precisa enfrentar conflitos pessoais como parar de fumar, reaver um sofá e lidar com o envolvimento amoroso com o vizinho recém chegado.

Dicas de filmes - cinema: janeiro


CINEMA

Não vi, mas quero ver:


"Entrando numa fria maior ainda com a família" de Paul Weitz 2011 - comédia
Greg (Ben Stiller) e sua esposa (Teri Polo) irão adicionar à família os irmãos Henry e Ashley Focker, gêmeos de cinco anos do casal. O garoto será gentil e bastante sensível, enquanto a garota será travessa e se interessará por atividades mais masculinas, como carros. Jessica Alba será uma sexy e manipuladora representante da indústria farmaceutica que sofre assédio de todo o elenco masculino. Laura Dern vai viver a diretora da escola primária em que os gêmeos Focker vão estudar.

"Além da vida" de Clint Eastwood 2010 - drama
Três pessoas são tocadas pela morte de maneiras diferentes. George (Matt Damon) é um americano que desde pequeno consegue manter contato com a vida fora da matéria, mas considera o seu dom uma maldição e tenta levar uma vida normal. Marie (Cécile De France) é jornalista, francesa, e passou por uma experiência de quase morte durante um tsunami. Em Londres, o menino Marcus (Frankie McLaren/George McLaren) perde alguém muito ligado a ele e parte em busca desesperada por respostas. Enquanto cada um segue sua vida, o caminho deles irá se cruzar, podendo mundar para sempre as suas crenças.

Já vi e indico:

"A rede social" de David Fincher 2010 - drama
Baseado na história real de Mark Zuckerberg (papel de Jesse Einsenberg), o drama segue a ascensão meteórica do estudante de computação em Harvard que teve a ideia de criar com amigos um site de relacionamentos. Nascia então o Facebook, que o tornou um jovem bilionário.
O filme é um dos favoritos ao Oscar 2011 e já ganhou inúmeros prêmios pela forma inteligente e ágil de abordar temas tão contemporâneos, como as redes sociais, valorização do virtual, fenômenos financeiros, mídias e afins, já considerados "pós-humanos".

"O pequeno Nicolau" de Laurent Tirard 2010

A doce infância em forma de filme!
Esta poderia ser a maneira sucinta de ilustrar a impressão que o filme me deixou.

Tirard nos apresenta o pequeno Nicolas (ou Nicolau) e seus amigos, num universo típico da imaginação infantil, onde a chegada de um novo irmãozinho exige dos meninos a criação de um clube secreto e diversas estratégias arriscadas para salvar Nicolas de um grande desastre.

A inocência infantil é a grande responsável por uma série de desencontros e interpretações equivocadas num mundo nada transparente como o dos adultos.

As típicas perguntas "cabeludas": "Da onde vem os bebês?!" e com
portamentos estranhos como bagunçar a casa, numa fracassada tentativa de arrumá-la para agradar sua mãe ou trancar o carro por horas, para se salvar de um possível abandono na floresta, fazem do ingênuo Nicolas um mestre da imaginação.

É com muita delicadeza e diversão que o filme nos apresenta situações típicas da infância, principalmente no colégio, composta por perfis comuns a qualquer outra experiência escolar, com a presença dos alunos "burrinhos", "cdfs", "comilões" e "riquinhos", que não agem da velha maneira hollywoodiana, como vilões X heróis, mas sim como crianças saudáveis, jogando no mesmo time de aventuras.

Com uma boa mediação, o filme pode ser usado com leveza entre crianças e adultos, para discutir questões comuns na educação, como o bullyng, contrastes entre sexos e personalidades diferentes, nascimento dos bebês e a importância da valorização do saber de cada um, e o direcionamento dos conteúdos como explorar a experiência pessoal na pergunta "o rio que você passeia com seus pais" ao invés de "qual rio corta a França?"

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Filmes do mês: janeiro

São atualizados no decorrer do mês.
15T-"Eu odeio o dia dos namorados!" de Nia Vardalos 2009 (0)
14D-"O leitor" de Stephen Daldry 2008 (4)
13B-"Homens em fúria" de John Curran 2010 (2)
12B-"O pequeno Nicolau" de Laurent Tirard 2010 (4)
11B-"Incontrolável" de Tony Scott 2010 (3)
10T-"A duquesa" de Saul Dibb 2008 (3)
09T-"Por amor" de David Hollander 2009 (2)
08T-"Casamento em dose dupla" de Vince Di Meglio 2007 (2)
07T-"A última ceia" de Marc Forster 2001 (3)
06T-"Táxi 3" de Luc Besson 2003 (3)*
05T-"Táxi 2" de Luc Besson 2000 (3)*
04T-"Grease - Nos tempos da brihantina" de Randal Kleiser 1978 (4)*
03L-"Diário de um banana" de Thor Freudenthal 2010 (2)
02L-"Enterrado vivo" de Rodrigo Cortés 2010 (2)
01T-"Golpe baixo" de Peter Segal 2005 (3)*

*Filmes Revistos Organização: Ordem crescente - em números.

Nome do filme + diretor + ano.

Códigos
: B (baixado), C (cinema), D (dvd acervo pessoal), L (locadora), T (tv).

Notas
:
(0) dispensável
(1) ruim
(2) razoável
(3) bom
(4) muito bom
(5) excelente
(P) prazer culpado (tecnicamente ruim, mas adorei)

Minha lista de 10 melhores do ano - 2010

É difícil julgar um filme bom ou ruim quando somos indivíduos tão complexos e diferentes.

Nossas histórias de vida são recheadas de experiências únicas e todas elas contribuem para formar aquilo que podemos chamar de "eu" ou de "nossa personalidade".

Somos criados em famílias harmoniosas e/ou não, somos estudantes de escolas públicas e/ou não, moradores de cidades pequenas e/ou grandes, apreciadores de rock e/ou pagode, apaixonados por cerveja e/ou vodka. São muitas as opções, muitos os gostos e muitas combinações de "e/ou".

Por essa razão, não acredito em filmes ruins, mas em péssimos mediadores.
Acredito que muitos filmes julgados fracos, superficiais e dispensáveis, direcionados adequadamente para um determinado público-alvo em determinadas situações, podem servir como ponto de partida para discussões construtivas e produtivas.

Assim como muitos filmes clássicos, não poderiam ser apreciados como mero entretenimento ou obra de arte se não fosse considerado seu contexto. Portanto filme bom ou ruim é apenas uma opinião pessoal (muito pessoal, por estar de acordo com a experiência única de vida de cada um) e opinião é uma verdade relativa e questionável, jamais absoluta.

Não acho justo fazer determinadas listas, pois não poderia classificar todos os filmes que assisto em bons ou ruins, portanto listo abaixo os filmes que mais chamaram minha atenção em 2010, assistidos no cinema ou na locadora (no caso dos lançamentos), mas sem querer desmerecer todos os outros que foram feitos:

"A rede social" de David Fincher 2010


Escolho este filme por ser dinâmico em contar sobre a criação do Facebook, que tem sido um grande fenômeno financeiro e polêmico, mas principalmente por abordar um assunto tão atual como as redes sociais, relações virtuais, perpetuação da informação através da rede, uso de mídias crescente, e inclusive sobre os tão comuns e antigos problemas de relacionamento presenciais. Em rodas de conversa tenho citado bastante este filme para falar sobre minha pesquisa de mestrado em mídia-educação e o uso desenfreado das redes sociais sem aproveitamento educativo. Entre tantas passagens do filme, uma que me chamou a atenção foi num diálogo entre Mark e uma das suas advogadas, em que ele comenta que o facebook já havia chegado na Bósnia e ela diz "Não tem estradas na Bósnia, mas tem facebook!". Essa fase coroa o atual momento "pós-humano" em que vivemos. Uma era digital e extremamente virtual.

"Tropa de Elite 2 - O inimigo agora é outro" de José Padilha 2010



O cinema nacional tem se destacado cada vez mais em recordes de público e quantidade de bons lançamentos desde a retomada na década de 90. Desde "Cidade de Deus", que aborda com sinceridade a violência urbana tão presente no país nos grandes sistemas de tráfico, alguns filmes tem se aprofundado em explicar este esquema tão bem consolidado e "Tropa de Elite" narrou com genialidade tanto no primeiro, quanto no segundo, a corrupção da polícia e a vinculação com políticos influentes. Uma grande sensação de impotência e revolta nos apossa ao final do filme. Que ótimo! Talvez só assim o povo abra os olhos e resolva se mobilizar por mudanças!

"Chico Xavier - O filme" de Daniel Filho 2010


Achei este filme mais uma boa contribuição para o cinema nacional, ainda que seja voltado para um público televisivo. Num país com tanto sincretismo religioso e tão esperançoso, parece natural se permitir acreditar no bem e que há vida após a morte. "Nosso lar" tinha uma boa proposta nesse sentido, mas pecou no roteiro e direção de atores, justamente itens que tornaram a vida de Chico no cinema tão bem contada.

"Toy Story 3" de Lee Unkrich 2010



Este foi o terceiro filme da seqüência que originou-se de um grande marco para os desenhos animados e história do cinema. "Toy Story" foi o primeiro desenho feito em computação gráfica. É com carinho que todos lembram do primeiro filme e daquela mesma fantasia infantil de misturar realidade com imaginação nas tardes divertidas entre brinquedos. Andy cresceu, como todos nós, mas os brinquedos e a imaginação continuam eternos.

"A origem" de Christopher Nolan 2010



Nolan é simplesmente genial quando precisa nos colocar em situações-limite. Ele nos joga contra nós mesmos, como fez em "Batman - O cavaleiro das trevas" com seu inesquecível vilão Coringa, e perturba nossa mente ao concretizar o inconsciente através dos sonhos. Inevitável não pensar que ele conhece psicanalista Jung e toda complexidade da mente humana.

"Enterrado vivo" de Rodrigo Cortés 2010



Segurei o sono para ver o filme inteiro. Terminei bem elétrica, meio insatisfeita, mas certa de valeu a pena ter visto. Para qualquer pessoa que entenda de bom roteiro e de direção, sabe quais são os grandes desafios de estabelecer relações entre os personagens nas ações dramáticas e das limitações da câmera na hora das filmagens. O diretor foi ousado e pecou no tema EUA X Iraque, mas pelo menos fugiu do estilo "Jogos Mortais" e tentou criar algo bem mais verossímil e atual, ao inserir o fenômeno das mídias.

"O segredo dos seus olhos" de Juan José Campanella 2009


Completamente engraçado e criativo. Fantástico como muitos filmes argentinos costumam ser. E nunca tinha visto um pênis tão nítido no cinema.

"Educação" de Lone Scherfig 2009



Contém a sutileza ideal para tratar de temas polêmicos e essenciais como educação, sexo, casamento, juventude e inocência.


"A estrada" de John Hillcoat 2009


Difícil não se esquivar do comentário coletivo "completamente apocalíptico". É um ótimo filme para discutir sobre a direção que o planeta e a espécie humana está tomando, enquanto continuar despreocupada com suas atitudes que agridem o meio ambiente. Lembra "Mad Max" da década de 70, mas consegue ser muito mais sombrio e apavorante por antecipar um futuro possível.

"Julie e Julia" de Nora Ephron 2009



Assistindo os extras do dvd, a diretora falava como as relações humanas costumam acontecer em torno de uma boa refeição e essa foi sua motivação para o filme. E de fato, a comida é apenas coadjuvante daquilo que chamamos de "vida". Está certo que neste filme se torna quase protagonista, mas a doçura da história está justamente nas duas personagens tão peculiares em suas motivações culinárias.

Filmes dos Anos 80 que gostaríamos de ver em 3D - Parte I

por Daniel Herculano

Com a febre 3D invadindo os cinemas e a cabeça dos produtores de Hollywood, nenhum filme é produzido hoje em dia sem pelo menos se cogitar a terceira dimensão. Depois de Avatar arrebatar a maior bilheteria da história veio Alice no País das Maravilhas (de Tim Burton) e a refilmagem de Fúria de Titãs, que havia sido filmado em 2D e depois passou pelo processo do 3D, apenas para amealhar um público maior.

E como a máquina hollywoodiana não para, ainda temos inúmeros desenhos (Shrek Para Sempre, entre outros) e filmes (não apenas de ação e terror) já engajados na terceira dimensão. E mesmo com a tonelada de refilmagens, vamos voltar no tempo e pensar em 10 questões contendo filmes originais da década de 80 que, por alguma razão especial, gostaríamos de ver em 3D. E excetuando o gênero de ficção-científica, que tratarei especificamente na Parte II, essa é a minha lista. Qual é a sua?


10. Mulheres fatais:

Ao criar a Mulher Nota Mil (1985), dois nerds não imaginavam, mas estavam cristalizando tudo o que todos os nerds sempre sonharam. Mas bem que ela poderia vir em 3D; mas, se ao assistir Uma Cilada Para Roger Rabbit (1988), o mundo inteiro clamava por uma Jessica Rabbit de verdade, o que dizer se ela fosse em 3D?

9. Vôos, aventura e tiros:

Com suas batalhas, treinamentos e até mesmo demonstrações aéreas, Top Gun – Ases Indomáveis (1986) seria um espetáculo ainda maior em 3D; em Os Intocáveis (1989), aposto que na cena do tiroteio na Central Station ia ter muito espectador querendo segurar o carrinho de bebê; nas sessões de Rambo II – A Missão (1985) e Comando Para Matar (1985) todos poderiam jurar que estavam sendo metralhados pelos brutamontes Stallone e Scharzennegger, respectivamente;

8. Fantasia é visual:

As Aventuras do Barão Munchausen (1988) e suas histórias mirabolantes, mesmo com os dois pés na criatividade, iam ficar bem mais críveis e imaginativas em 3D; já A Princesa Prometida (1987) poderia jogar suas magias e aventuras no meio dos espectadores; adoraria ver o vôo da lady Falcão mais linda da história num O Feitiço de Áquila (85) 3D; as lendas e confrontos de Excalibur (1981) e Conan, O Bárbaro (1982) – esqueçamos a matinée O Destruidor, 84 – também cairiam muito bem no velho novo formato de exibição;

7. Podreira da boa:

No primeiro Evil Dead – A Morte do Demônio (1981) um dos momentos ideais para o uso do 3D seria quando as câmeras que atacam os personagens, os perseguindo, vindo desde o chão até conseguir matar um por um; em Evil Dead II – Uma Noite Alucinante (1987) não haveria momento tão apropriado quanto louco para fazer com que a mão de Ash, possuída pelo demônio, queira matar seu próprio dono, fosse em 3D.

Mas se os programas de TV bizarros de Videodrome – A Síndrome do Vídeo (1983) praticamente saem do aparelho de televisão, multiplique por 3D; já em Scanners – Sua Mente Pode Destruir (1981) temos cérebros explodindo. Precisa dizer mais? Tá, em cima de você; e aquele ser (o tal Enigma do Outro Mundo, 82, do título nacional) que mata tudo e todos numa base no meio do nada (mas com muito gelo) já vale uma terceira dimensão, não é?

6. Medo, muito medo:

Já imaginaram os passeios de velocípede pelos corredores do Hotel, as gêmeas aterrorizantes, a perseguição de Jack Nicholson, em especial a cena do machado. Se O Iluminado (1980) já é aterrorizante assim, em 3D então; No original A Hora do Pesadelo (1984) as garras de Freddy Krugger saltariam da tela direto no corpo de suas vítimas. Mas sua refilmagem, prestes a estrear, não entrou na onda 3D; hoje já sabemos que Chuck se assumiu até como auto-paródia, mas se em sua primeira aparição (O Brinquedo Assassino, 1988) assustou meio mundo com suas brincadeiras mortais, o sangue gelaria mais se o encarássemos tridimensionalmente; e Poltergeist – O Fenômeno (1982)? A televisão, as assombrações, a paranormalidade da garotinha e, ao final, uma grande luta entre o bem e o mal. Em 3D ia ter gente surtando direto para o hospital...

5. Diversão:

Em Os Goonies (1985), a sua louca busca pelo tesouro do pirata Willie Caolho pularia da tela e o doce Sloth seria muito mais assustador (a principio); se as plantas carnívoras (e cantoras) de A Pequena Loja de Horrores (1986) provocaram perturbação geral, em 3D seria ainda mais perturbador, mas igualmente prazeroso; seria a maior diversão ver os Gremlins (1984) mais reais, mais loucos! E os fofinhos Gizmos também não seriam esquecidos. Mas lembrem-se, só não pode dar comida depois de meia-noite e nem molhá-los!

4. Fantasmas:

Se em Os Fantasmas se Divertem (1988), nós podemos nos divertir também, em 3D as brincadeiras de Beetle Juice ficariam ainda mais absurdamente bacanas; Mas delírio total seria acompanhar os ícones Os Caça-Fantasmas I & II (1984; 1989) às voltas com os mais esquisitos e divertidos fantasmas e suas tentativas de pegá-los, que o diga Geléia (no primeiro) e o Homem de Marshmellow (especialmente no segundo);

3. Heróis:

Se no primeiro Batman (1989) temos o embate entre nosso herói e o Coringa (Jack Nicholson), multiplique esse problema por três e adicione poderes extraordinários; assim Superman II (1980) enfrenta um trio de criminosos do extinto planeta Krypton que estava confinado na Zona Fantasma. Em terceira dimensão, os dois embates seriam ainda mais mágicos, principalmente no segundo caso;

2. O Futuro do Passado ou o Passado do Futuro?

São tantos os momentos que poderíamos enlouquecer nos dois De Volta Para o Futuro (1985; 1989) ... Voltas de skate (com rodinhas ou no ar), as viagens no tempo, o DeLoeren voador, Tubarão 19 no futuro... Todos os filmes mereciam um belo 3D e um plus Imax!

1. Filmes de Spielberg:

Toda a Trilogia Indiana Jones, é claro! Em Os Caçadores da Arca Perdida (1981), como bem lembrou Pablo Villaça, seria espetacular fugir (com os olhos) da gigantesca pedra redonda rolando de encontro ao público; em Indiana Jones e o Templo da Perdição (1984) em 3D nos daria a honra (e a emoção) de dar uma voltinha espetacular nos carrinhos da mina; em Indiana Jones e a Última Cruzada (1989) poderíamos acompanhar de pertinho o jovem Indiana e sua luta para salvar a Cruz de Coronado, seu primeiro contato com o chicote e o pavor das cobras; com E.T – O Extra-Terrestre (1982) o ápice seria voar de bicicleta na clássico cena;

Menção Especial: Se Martin Scorsese imprime uma técnica sem igual ao nos colocar praticamente dentro de lutas de boxe em Touro Indomável (1980), multiplique agora pela terceira dimensão. Maxilares de espectadores quebrados? Bem capaz.

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Daniel Herculano é crítico de cinema formado em cursos com Pablo Villaça (Cinema em Cena), Ruy Gardnier (Jornal O Globo) e Joaquim Assis (roteirista). Graduado em Comunicação Social, é publicitário, produtor musical e assessor de comunicação. Atualmente escreve sobre cinema para a coluna semanal Script no O Povo On line, de Fortaleza-CE, a Revista O Grito, de Recife-PE, e o blog Script no Blogueisso!