terça-feira, 4 de janeiro de 2011

"Enterrado vivo" de Rodrigo Cortés 2010


Este é o tipo de filme que vale a pena assistir pela originalidade e tensão.

Paul Conroy (Ryan Reynolds) acorda num caixão de madeira com a respiração ofegante e com apenas um celular e um isqueiro. Com pouco mais de 1h30 de duração, Paul faz uso destes objetos e da nossa curiosidade para avançar numa agoniante luta pela sobrevivência.
No mesmo estilo de "12 homens e uma sentença" (1957) e "Quarto do Pânico" (2002), onde os personagens alimentam uma trama de suspense, com ações e diálogos que se passam apenas em um cômodo, o diretor Córtes nos desafia a construir e imaginar personagens e histórias apenas pelos diálogos que Paul tece no celular.
Aos poucos descobrimos que Paul é um motorista de uma empresa norte-americana em missão no Iraque, mas que acaba sendo encurralado por insurgentes iraquianos. Descobrimos também que ele é casado e só quer voltar para casa e para sua família. Mas a pior descoberta é saber que pessoas como ele são descartáveis e vítimas de um sistema complexo de interesses políticos e financeiros.
Em situações-limite como estas, jamais saberemos como agiríamos, mas até o fim, como Paul, somos espectadores da esperança.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

"Golpe baixo" de Peter Segal 2005


Ao zapear pela televisão no domingo, deparei-me com um filme que resolvi assistir pela milésima vez, mas pela primeira vez pensei sobre isso.
Pensei: Como posso assistir este filme de novo? O que há nele que me faz ver novamente?
E se eu estava sonolenta no início do filme, ao final sobrava energia.
Minha cabeça pipocava de ideias para escrever e aqui estou eu.
Muitas vezes ouço que há filmes bons e ruins, mas ao fazer mestrado só consigo pensar que tudo que é bom e ruim somos nós que julgamos. E mais... mesmo um filme sendo tecnicamente ruim (como muitos dos meus prazeres culpados já admitidos), pode ser mediado, gerando uma discussão bem produtiva. Ou seja, não acredito em filme ruim, mas em péssimos mediadores.
E "Golpe baixo" parece este tipo de filme.
Com a receita clássica de comédia, mistura narrativa clássica, happy end e o carismático Adam Sandler como protagonista. É feito para gostarmos. Não há profundidade narrativa ou reflexiva, mas de alguma forma me fez pensar em vários assuntos.
Comecei a reparar como sou (somos) conduzida a torcer pelo time dos criminosos, que na verdade são falsos, pois são apenas atores interpretando criminosos.
Será que eu torceria por criminosos verdadeiros?
Torceria por assassinos, estupradores, ladrões e afins?
Mas o filme me fez perceber uma coisa. Quem disse que é só na cadeia que há criminosos?
Em muitos lares e relações humanas há crimes que não são julgados.
Há muitos criminosos que se julgam de mãos limpas, como percebemos na trama fictícia de "Tropa de Elite 1 e 2". Há os que mandam matar, os que burlam a lei e desviam verba que deveriam ir pra saúde e educação, setores marginalizados que afetam milhares de pessoas, levando à morte e à uma vida sem perspectivas.
Quem são os verdadeiros criminosos?
Os pobres? Os negros? Os injustiçados por uma sociedade capitalista e selvagem?
A plateia de civis é realmente formada somente por pessoas de bem?
O filme passa ingenuamente a mensagem "criminosos também são gente", mas os noticiários do nosso país parecem não entender que esta mensagem é muito mais complexa e importante do que se imagina.
Há algum tempo (2007), postei neste blog palavras revoltadas com a superlotação nos presídios, pois na escala de importância da sociedade, os condenados ficam no final da fila, mas as pessoas parecem esquecer que estes mesmos condenados são humanos e imperfeitos como todos nós e ainda mais importante, não existe prisão perpétua no Brasil, ou seja, uma hora eles saem. Esquecem que estes mesmos condenados serão reintegrados à sociedade, pois merecem a chance de reconstruir e de receber uma punição digna, justa ou eqüivalente ao crime.
Assim como o Zé do morro que se envolveu com tráfico ou morte, merece, o playboyzinho que bebeu e fatalmente matou uma família, também merece.
Mas o que lemos nos jornais são cubículos imundos, com condições precárias de higiene, misturando assassinos cruéis aos pobres ladrões de galinhas. Lemos sobre adolescentes imprudentes, agindo como adultos, sendo libertados, sem qualquer tipo de orientação, por não haver espaço para todos. Vemos constantes fugas, constantes assaltos, mortes, assassinatos e roubos. Vemos IMPUNIDADE.
E pior, vemos verdadeiros criminosos assumirem o governo do país, do Estado, da prefeitura, do condomínio, do mercado, do mundo. Vemos corruptos sentados no dinheiro e fazendo o que bem entendem. Vemos jovens ricos estuprando, socando, agredindo, matando, usando a bebida como fuga e o carro como arma.
Enquanto a sociedade não entender que não adianta marginalizar ainda mais, a violência só vai gerar ainda mais violência.
Em certa ocasião, numa entrevista de tv com promotor de Justiça, ele comentava sobre o caso do ladrão de som que foi espancado por populares. Ele processou os populares. Com razão. Talvez o ladrão nunca tivesse agredido ou matado ninguém, então porque o cidadão que se julga honesto, acredita ter direito em agredir o outro sem ser punido?
O promotor disse que essa atitude tem sido um reflexo de uma sociedade que trata o crime com impunidade e corrupção. As pessoas não acreditam mais nas leis e na polícia, então agem sem lei nenhuma. Mas a verdadeira transformação precisaria vir de medidas administrativas.
Quando a sociedade oferecer condições de trabalho suficientes, de moradia, saúde e educação, talvez o crime diminua. Não é apenas punir e prender, mas prevenir, criando projetos sociais que envolvam jovens e dêem perspectivas de vida diferentes do que os espera no tráfico e em subempregos.
Votando com responsabilidade e sendo alfabetizado politicamente.
Envolvendo-se com decisões e direcionamentos políticos.
Usando menos ignorância e mais inteligência.
Infelizmente sou uma voz baixa na multidão. Uma chata, uma rebelde, uma inconveniente.
Mas ao menos tenho consciência de que se um dia eu sofrer alguma violência, tenho completo envolvimento com ela. Não sou apenas uma vítima, pois todos nós somos culpados e inocentes de alguma forma. Tento fazer a minha parte, através da educação e do cinema, mas como diria minha colega do mestrado, sem o coletivo não há mobilização.
Não habitamos este mundo individualmente, todas as nossas atitudes geram conseqüências aos outros e a nós mesmos. Enquanto continuarmos olhando apenas (friso o apenas) para o próprio umbigo, preocupados apenas com nossas vidas e nossos pequenos anseios, fazendo nossos programinhas e compras desnecessárias, conversando só de coisas banais e excluindo toda e qualquer preocupação, envolvimento, conversa e discussão política, social e econômica, continuaremos sendo mais culpados que vítimas desse sistema podre de corrupção, violência e injustiça.
Inevitavelmente não poderia encerrar este texto sem citar Nietzsche, somos humanos demasiado humanos, somos "além do bem e do mal".

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Os filmes de 2010 em 5 minutos

http://www.youtube.com/watch?v=K1SibpHD0Oc&feature=player_embedded

por Natália Albertoni

Neste dia 31, as horas correm, enquanto você prepara as lentilhas, separa as uvas, veste o branco lista em voz alta as resoluções para o ano novo e relembra o que viveu de melhor nesses últimos 365 dias. Kees van Dijkhuizen decidiu relembrar suas melhores lembranças cinematográficas de 2010 e dividir com o mundo.

Em 2009, sua retrospectiva fez sucesso online e somou quase 1 milhão de views no YouTube vídeo. Agora, ele quer mais. Dijkhuizen trabalhou cerca de 300 horas para fazer este vídeo de 5 minutos que você vê acima. Mas diz se não valeu à pena?!

Prepare-se para comemorar o ano novo em 10, 9, 8, 7...

por Natália Albertoni

Dentro de poucos dias, serpentinas e chuviscos brilhantes colorem os céus por todo o mundo. Estouros ritmados e suspiros melódicos dão o tom das festas que celebram a chegada de 2011. Seja pela magia dos fogos de artifícios brincalhões ou pelo clima que a data proporciona, a tradicional comemoração dos povos ocidentais já serviu de pano de fundo para grandes histórias nas telonas. Confira a seleção que a MOVIE criou para mostrar o despertar do ano sob diversas perspectivas.

A TRAPAÇA (FREDERICO FELLINI, 1955)

O reservado Augusto (Broderick Crawford) assiste rancoroso e insatisfeito uma cerimônia de réveillon, organizada por um arrogante golpista, depois de prometer ajudar financeiramente os estudos da filha. Ela nada sabe da parceria do pai com Picasso (Richard Basehart) e Roberto (Franco Fabrizi), trapaceiros que vivem de aplicar pequenos golpes em pessoas simples. O sexto filme de Fellini mescla drama e sátiras afinadas, além de discutir questões sócio-políticas da Itália no pós-guerra.

O DESTINO DO POSEIDON (RONALD NEAME, 1972)

Um transatlântico luxuoso batizado de Poseidon reúne famílias e casais para celebrar a chegada do Ano Novo quando uma gigantesca onda o vira de cabeça para baixo. O que era uma grande festa transforma-se no dramático pesadelo de um grupo de sobreviventes. Integrante do cinema catástrofe, bastante explorado nos anos 70, a tragédia fictícia ganhou Oscar de melhores efeitos visuais e canção (The Mornig After). Em 2006, Wolfgang Petersen fez uma refilmagem do longa com o dobro de efeitos gráficos.

HARRY & SALLY - FEITOS UM PARA O OUTRO (ROB REINER, 1989)

Sally (Meg Ryan) está num baile de gala de réveillon quando avista Harry (Billy Cristal) que caminha aflito em sua direção para dizer que a ama. Confetes chovem pelo salão enquanto convidados festejam a meia-noite e o casal continua a discutir sem chegar a um acordo. Até que Harry se declara de forma inesperada. Uma das comédias românticas mais copiadas do cinema mostra como o amor pode ser construído entre encontros e desencontros.

PARENTE É SERPENTE (MARIO MONICELLI, 1992)

Reunidos em uma sala de estar durante a celebração de Natal, os irmãos Colapietro decidem forjar um acidente fatal na noite de 31 de dezembro para acabar com um impasse. Seus pais pretendem sair do casarão onde moram para viver com um deles, mas ninguém se dispõe a abrigá-los. Entre cenas bizarras e muito humor negro, Monicelli costura forte crítica contra a tradicional instituição da família italiana.

ESTRANHOS PRAZERES (KATHRYN BIGELON, 1995)

Na última noite antes da virada do milênio, um ex-policial que trafica chips de memória nada convencionais corre perigo quando descobre estar em posse de uma peça que contém informações sobre uma trama de assassinatos emblemáticos. Enquanto a população aguarda eufórica a chegada do ano 2000, uma conspiração paranóica deve ser detida, mas a cada minuto que passa, o objetivo parece mais distante. Uma viagem pelo universo virtual que antecipa o temor do apocalipse informático que ganhou força no fim de 1999.

O ÚLTIMO RÉVEILLON (MARCO RISI, 1998)

Enquanto se arruma para a festa de Ano Novo, Giulia, interpretada por Monica Bellucci, descobre que o marido tem um caso com a melhor amiga. No mesmo condomínio, uma família acerta os últimos detalhes para um passeio, uma garota de programa prepara um assalto e uma mulher está prestes a se suicidar. Situações grotescas e tragicômicas conduzem as histórias paralelas que se cruzam à medida que a meia-noite se aproxima. Muitas vezes ofuscado pelo trabalho do pai, Dino Risi (1916-2008), Marco ganhou prêmios no Festival de Veneza em 1990 e 1991, entre outros.

O PRIMEIRO DIA (DANIELA THOMAS E WALTER SALLES, 1999)

João (Luiz Carlos Vasconcelos) foge do presídio no dia 31 de dezembro de 1999 para cometer um crime, enquanto, no mesmo instante, Maria (Fernanda Torres) vaga pelas ruas transtornada pelo abandono do marido. Contagem regressiva. Determinada a se matar, Maria sobe ao terraço do seu prédio, mesmo lugar que João encontra para se esconder de uma perseguição. Enquanto os fogos de artifício arrebentam e os gritos de “feliz ano novo” se espalham pela cidade, o encontro inesperado acontece.

ARMADILHA (JON AMIEL, 1999)

Catherine Zeta-Jones interpreta uma agente de seguros contratada para investigar o roubo de uma valiosa obra de arte, mas que acaba se envolvendo com Sean Connery, um charmoso ladrão. Os dois planejam um roubo milionário a ser executado na Malásia durante a virada do Milênio. O filme mostra sequências de ação elaboradas e Connery convincente em um de seus últimos papeis à la James Bond.

BABILÔNIA 2000 (EDUARDO COUTINHO, 2001)

Rio de Janeiro. Durante 12 horas, uma equipe de filmagem dirigida por Eduardo Coutinho acompanha os preparativos para a chegada do ano 2000 nas favelas Chapéu Mangueira e Babilônia, ambas no Morro da Babilônia. Situadas na orla de Copacabana, oferecem vista privilegiada aos personagens-moradores que todos os anos podem acompanhar ao vivo uma das mais conhecidas festas de réveillon do mundo.

O COBRADOR (PAUL LEDUC, 2006)

Na malha de histórias sobre a globalização da violência, um assaltante interpretado por Lázaro Ramos invade uma mansão durante a comemoração do réveillon. O assalto é um acerto de contas entre todos que não tiveram chance de vida digna e os que detém o poder. Baseado nos textos Passeio Noturno I e II e (1975) e O Cobrador (1979), de Rubem Fonseca, o longa do mexicano Paul Leduc é uma grande provocação.

Fonte: redacao@clubmovie.com.br

Coisinhas de 2010 - (off-cinema) - Adeus ano velho: confira as maiores bizarrices dos últimos 365 dias

Fonte: Kzuka

Eleições, Copa do Mundo e Youtube foram os responsáveis pelos piores fatos de 2010

Tá, chega de retrospectiva! Ninguém aguenta mais! Para afastar a chatice, tá na hora de rir um pouco. Elegemos algumas categorias bizarras, porque, cá entre nós, 2010 foi surreal, né?!. Tirem as crianças da sala e acompanhe...

Heroi do ano: Coronel Nascimento
Heroína do ano: Raquel, de Vale Tudo — viva o Canal Viva!
Vilão do ano: Bruno, ex-goleiro do Flamengo — #tenso
Vilã do ano: Valentina, a "velha porca" de Passione
%#@& falta de sacanagem do ano: Tiririca na Câmara dos Deputados
Moda mais "criticada" do ano: o colorido Restart
O que só 2010 pode proporcionar: mineiros do Chile sendo resgatados um a um
15 minutos de fama mais rápidos da história deste país: Larissa Riquelme
Gíria do ano: deu empate — Adoooro, Fica a dica, Aloucka
Pessoa mais bizarra do ano: Dado Dolabella
Piti do ano: Neymar
Loser do ano: Totó, de Passione
Look do ano: vestido de carne da Lady Gaga
Sem noção do ano: Vanusa, o retorno
Vexame do ano: Seleção na Copa
The Best of YouTube: deu empate — Aretuza e a auto-estima de Glaucia Zeferino

Tem outra categoria que merece ser lembrada (ou esquecida) e não está aí? Manda pra cá!!!

Chapolin estará nas telonas do cinema em 2011

Dirigido pelo próprio Roberto Gómez Bolaños, filme pode ser em 3D

Um dos personagens mais queridos da década de 90 irá voltar. O Chapolin Colorado estará nas telonas do cinema em 2011.

De acordo com a site Chavo del 8, o roteiro tem previsão para estar pronto no primeiro trimestre de 2011. O longa poderá ser gravado em 3D e terá Roberto Gómez Bolaños, que deu a vida ao personagem, como roteirista.




quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Filmes do mês - dezembro

São atualizados no decorrer do mês.

11L-“Beleza americana” de Sam Mendes 1999 (4)*
10T-“Ela é a poderosa” de Garry Marshall 2007 (2)
09C-“A rede social” de David Fincher 2010 (4)
08L-“Sonhos roubados” de Sandra Werneck 2009 (2)
07L-“Kick-ass – Quebrando tudo” de Matthew Vaughn 2010 (3)
06L-“Cartas para Julieta” de Gary Winick 2010 (2)
05T-“Antes só do que mal casado” de Bobby & Peter Farrelly 2007 (1)*
04T-“O quarto do pânico” de David Fincher 2002 (3)*
03T-“Todas contra John” de Betty Thomas 2006 (2)*
02T-“Carlota Joaquina, princesa do Brasil” de Carla Camurati 1994 (3)*
01T-“O silêncio do lago” de George Sluizer 1993 (3)*

*Filmes Revistos Organização: Ordem crescente - em números.

Nome do filme + diretor + ano.
Códigos: C (cinema), D (dvd acervo pessoal), L (locadora), T (tv).

Notas:
(0) dispensável
(1) ruim
(2) razoável
(3) bom
(4) muito bom
(5) excelente
(P) prazer culpado (tecnicamente ruim, mas adorei)