segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Pela primeira vez em 15 anos, distribuidora brasileira lidera mercado cinema

ANA PAULA SOUSA
DE SÃO PAULO

Apesar de comemorados, os sucessos do cinema brasileiro da chamada era da retomada, iniciada com a Lei do Audiovisual, deixavam um travo de incômodo em parte do mercado. É que todos eram fruto de uma vitória comercial, sob certo aspecto, mais estrangeira do que nacional. Explique-se.

Um artigo que permite que distribuidoras estrangeiras apliquem, em filmes brasileiros, parte de imposto que deveriam pagar ao remeter o lucro para a matriz, fez com que quase todas se associassem a produtores locais.

Foi a Fox que lançou "Se Eu Fosse Você 2", foi a Sony que coproduziu e distribuiu "Carandiru" e "Dois Filhos de Francisco", foi a Warner que colocou nas salas de cinema os sucessos da Xuxa.

Foi, porém, a brasileira Zazen que produziu e distribuiu "Tropa de Elite 2" e que respondeu por cerca de 44% dos ingressos vendidos pelo cinema nacional até aqui. A segunda no ranking de 2010, a Sony/Disney, aparece com 21,33% de participação.

"Pós-retomada, é a primeira vez que a liderança fica com uma empresa brasileira", diz Manoel Rangel, presidente da Agência Nacional de Cinema (Ancine).

Em 2002, a brasileira Lumière, que distribuiu "Cidade de Deus" e "Abril Despedaçado", mordeu 52,1% do market share do filme nacional. Mas a empresa trabalhava em parceria com a Miramax internacional.

E, neste ano, levadas em conta as associações, outras distribuidoras brasileiras se deram bem no negócio. A Downtown, por exemplo, partilhou com a Sony o lançamento de "Chico Xavier".

"Esse movimento veio para ficar", aposta Rangel, tomando por base a carteira de lançamentos de 2011, indicativa de que os filmes com potencial de público deixaram de ser monopólio das distribuidoras estrangeiras.

MAIOR QUE O MÉXICO

A ultrapassagem da Zazen se deu num ano forte não só no cinema nacional, mas no mercado como um todo, comprovando, de uma vez por todas, que o filme nacional não tira público do estrangeiro: soma.

A Ancine estima que, até o final do ano, os filmes brasileiros terão vendido de 24 a 25 milhões de ingressos.

O público total deve ficar entre 136 e 138 milhões, batendo o resultado de 2004, quando foram vendidos 117 milhões de ingressos --até então, recorde da década. Em 2009, foram 112,7 milhões de espectadores.

Se foi grande o aumento no número de ingressos, maior ainda foi o aumento na renda. A arrecadação, neste ano, deve ser cerca de 30% maior que a de 2009. Além de refletir o crescimento do público, o índice chama a atenção para a força do 3D que, apesar de mais caro, tem sido um ímã poderoso.

Essa cifra fará, inclusive, com que o mercado brasileiro supere o mexicano em renda e saia da 15ª para a 14ª posição no ranking mundial.

Notícias rapidinhas - XI

1. A direção do Festival de Berlim divulgou hoje os oito primeiros filmes da seleção oficial da 61ª edição do evento, que se realizará entre 10 e 20 de fevereiro de 2011. Entre os destaques, "Coriolanus", o filme de guerra que marca a estreia na direção de Ralph Fiennes, e "Pina", documentário sobre a dançarina alemã Pina Bausch e primeira experiência de Wim Wenders com o 3D.
2. Hugh Hefner pode embaçar o brilho da estreia de Tron - O Legado. O filme chega às telonas brasileiras nesta sexta (17), mas no site da Playboy existe um filme que deve chamar atenção de muito mais gente. É o making off do ensaio inspirado na ficção científica com as modelos Saxckya Porto e Irina Voronina.
3. As atrizes Julia Roberts (Comer Rezar Amar) e Charlize Theron (A Estrada) devem interpretar a Rainha Má (ou Bruxa) do conto da Branca de Neve e os Sete Anões ao mesmo tempo, segundo o Latino Review. Elas não estão competindo pelo papel. Trata-se da mesma ideia sendo adaptada por dois estúdios diferentes.
4. Embora O Discurso do Rei tenha sido o grande destaque das indicações ao Globo de Ouro, A Rede Social continua como nome forte para o Oscar, graças ao retorno que os prêmios dos críticos estadunidenses estão garantindo, segundo o Slash Film.
5. O diretor chinês Zhang Yimou (A Maldição da Flor Dourada) anunciou que o ator Christian Bale (Inimigos Públicos) estará em seu próximo filme, segundo o Latino Review. O nome provisório da produção é Nanjing Heroes e será baseada no Massacre de Nanjing.
6. A Academia de Ciências e Artes Cinematográficas liberou as primeiras quatro imagens oficiais de promoção da 83ª edição do Oscar. Todas trazem elementos típicos da festa: o tapete vermelho, o troféu, os holofotes e o envelope. E em todas as peças lê-se a inscrição: "Você está convidado". A premiação ocorre em 27 de fevereiro no Teatro da Kodak. A lista de indicados será divulgada em 25 de janeiro, mas é possível deduzir boa parte deles pelas premiações que já estão acontecendo, como a eleição dos melhores pelas associações de críticos de todo mundo. Um bom indicativo também é o Globo de Ouro, prêmio da imprensa estrangeira considerado uma prévia do Oscar.
7. Para o alívio dos fãs de Senhor dos Anéis e 007, o estúdio Metro-Goldwyn-Mayer, mais conhecido como MGM, anunciou oficialmente que saiu da situação de insolvência, segundo o IMDB. A notícia foi dada por dois dos novos chefes da empresa, Gary Barber e Roger Birnbaum
8. Mais um filme na extensa lista de refilmagens de Hollywood. Desta vez quem vai ganhar nova versão é O Vingador do Futuro. Segundo o jornal Toronto Star, a produção da Columbia Pictures será rodada inteiramente na cidade de Toronto, no Canadá.O estúdio Pinewood Toront será o responsável pelas gravações. Com orçamento estimado em US$ 200 milhões, o longa será a maior produção já realizada no país.
9. O Natal chegou! Você ganhou aquele presente que tanto sonhava? Ficou decepcionado com o “bom velhinho” por ele não ter passado na sua casa? Depois de assistir ao trailer de Rare Exports: A Christmas Tale você vai pensar duas vezes antes de lamentar a ausência de Papai Noel.O longa, assinado pelo diretor finlandês Jalmari Helander, traz uma versão diferente para a figura tradicionalmente simpática. Imagine se ao invés de recompensar os que se comportam bem, Papai Noel apenas castigasse os que se comportassem mal?Partindo da ideia, Helander criou uma fábula sombria que se passa em sua terra natal, a Finlândia. Durante escavações no Monte Korvatunturi, algo estranho é descoberto e uma série de eventos começa a tumultuar a região.
10. Os Vingadores, filme que reúne os principais heróis da Marvel, vai começar a ser filmado em Abril de 2011, no Estado do Novo México (EUA).Segundo a Variety, a produção será a maior já realizada pela Marvel Studios, com duração de seis meses, bancados principalmente por incentivos fiscais.

"A rede social" de David Fincher 2010

Comentário interessante:
"A Rede Social" é muito mais que um filme sobre Facebook
por Alysson Oliveira, do Cineweb
Um nerd sem habilidades sociais, mas querendo se tornar descolado. Um par de gêmeos mauricinhos com dinheiro e ideias, mas não espertos o bastante para executá-las. Um brasileiro estudando em Havard com mau gosto para roupas e movido pelo eterno impulso de satisfazer o pai. Bem-vindo a era das relações de mentirinha de "A Rede Social", em que as emoções e expressões estão apenas a um toque de distancia.

Dirigido por David Fincher ("O Curioso Caso de Benjamim Button" e "Clube da Luta"), a partir de um roteiro de Aaron Sorkin ("Jogos de Poder" e a série de TV "The West Wing"), baseado no livro "Bilionários por Acaso", de Ben Mezrich, o filme tem como mote o nascimento do Facebook, mas seria reducionista demais dizer que trata apenas dos bastidores da criação de um site.

"A Rede Social" aspira, e consegue em boa parte do tempo, ser o retrato de uma geração que nasceu com o boom da Internet e, ao chegar à idade adulta, descobre que a interação humana não é necessária para haver interatividade.

O filme começa com diálogos incessantes e pouco importa do que se depreende deles. O objetivo é entender que os jovens se interessam por informação - em grande quantidade, pouco importa sua qualidade ou profundidade. O mesmo se aplica aos relacionamentos, sejam amorosos ou simples amizades.

Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg, de "Zumbilândia") difama sua namorada Erica (Rooney Mara) na Internet depois de levar um fora dela. Não bastasse isso, inventa um site onde garotas "competem" por votos para serem escolhidas as mais bonitas de Harvard.

O que começa com uma brincadeira, se torna alvo de um processo milionário envolvendo a criação de um site de relacionamentos que mais tarde viria a ser - e é até hoje - conhecido como Facebook. Ele enfrenta os gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss (Armie Hammer) e o brasileiro Eduardo Saverin (Andrew Garfield), sempre com a mesma pose parte blasé, parte nerd.

Zuckerberg é uma figura paradoxal. Com pouco trato para laços sociais, se torna o criador do site de relacionamentos mais usado do mundo. Apesar de manter os nomes reais dos personagens, o filme de Fincher não se preocupa em ir, no que se refere à questão de biografia, além daquilo que já se conhece da repercussão da criação do site, dos processos e tudo o que os envolvem.

O diretor cria "A Rede Social" como um thriller sobre disputas intelectuais e relacionamentos reduzidos a códigos de computação. Logo de início, é Eduardo que ganha a simpatia do público como um personagem frágil e sempre preocupado em não decepcionar seu pai. Mark, ao contrário, é sutilmente arrogante, com olhar soturno parece não deixar de analisar nenhum ângulo de qualquer situação - o que parece transformá-lo numa figura fria e calculista.

Só com a entrada de Sean Parker (Justin Timberlake), Mark vai se convencer da possibilidade de ganhar dinheiro com o site. Sean, um dos criadores do Napster, que revolucionou a forma como as pessoas distribuem música, ganha a confiança de Mark com seu modo divertido e bon vivant, e eles se tornam parceiros.

Fincher sempre foi um diretor de apuro técnico o que, muitas vezes, esfria seus filmes ou deixa as emoções enterradas bem lá no fundo. Aqui essas características são bem pertinentes. Os jovens criadores do Facebook são herdeiros - ou porque não filhos? - daqueles yuppies depressivos de "Clube da Luta". Se distribuir socos era uma forma de interação social no filme de 1999, aqui, uma conexão com a Internet pode trazer efeitos mais perigosos do que uma noite de troca mútua de sopapos.

"A Rede Social" é um daqueles filmes que chegam a ser assustadores por serem capazes de captar com tanta sagacidade o momento em que vivemos. Daqui a alguns anos, quando outras obras se debruçarem novamente sobre esse período, provavelmente o retratarão com senso mais crítico - mas sem o frescor e a confusão de levar para a tela a vida do lado de fora do cinema naquele momento.

Filmes x Livros: quando a adaptação na telona é melhor que a obra

por Natália Albertoni e Fernanda Klüppel

Nas buscas por listas de final de ano, essa aqui do Popcrunch indica 14 filmes melhores que os livros que os originaram.

A Identidade Bourne (The Bourne Identity, Robert Ludlum)
Nas telonas, a história de espionagem dirigida por Doug Liman perde grande parte da trama secundária envolvendo Carlos o Jackal, mas ganha um tema crucial: Bourne pode ser realmente o culpado das acusações que recaem sobre ele. A pequena distorção do personagem é encarnada muito bem por Matt Damon

Homens de Preto (The Men in Black, Lowell Cunningham)
O blockbuster com direção de Barry Sonnenfeld é baseado na história em quadrinhos ilustrada por Sandy Carruthers. Publicadas pela Aircel Comics – que foi comprada pela Malibu Comics e, por sua vez, foi vendida à Marvel –, as tirinhas mostravam a rotina de uma organização secreta que monitorava atividades paranormais na Terra, incluindo demônios, mutantes, aliens, entre outros. A adaptação concentra as mudanças na organização, que só monitora as atividades extraterrestres, seus métodos, que apaga memória ao invés de matar testemunhas, e seus objetivos, que passam a ser manter a ordem no planeta e não dirigí-lo.

O Iluminado (The Shining, Stanley Kubrick)
Stephen King, autor do livro que originou a adaptação de Kubrick, odiou o longa quando ele chegou aos cinemas em 1980. O que é justo, já que o diretor melhorou imensamente a história. No livro, Jack é essencialmente uma representação do autor, que nunca faz nada realmente ruim, e é resgatado no final. Já o filme constrói uma versão bem mais sinistra do personagem. Já que se trata de Kubrick, a imensa densidade do conteúdo é fenomenal, trazendo sentido para cada cena. Se você assistir a minissérie de 1997, você verá como a adaptação é banal e fiel ao livro se comparada ao trabalho feito por alguém que realmente sabe o que esta fazendo e pode acrescentar o suficiente para transformar uma boa trama em algo sensacional.

Mera Coincidência (American Hero, Barry Levinson)
A maior diferença entre Mera Coincidência e o livro em que é inspirado, American Hero (além de ser muito mais engraçado), é que eles levaram o filme para longe do mundo real. A satírica novela é baseada diretamente em pessoas e eventos reais: George W. Bush é o presidente em questão, e a primeira Guerra do Iraque foi uma farsa. O filme consegue ter muito mais graça com a premissa, parcialmente pelo presidente que não tem nome, e pelo fato da Albânia ter sido escolhida como fonte de guerra. A produção não teve o respeito que merecia por ser um maravilhoso e inteligente trabalho de humor negro, com um pouco de críticas sobre a forma da mídia lidar com a guerra e a política.

O Grande Truque (The Prestige, Christopler Nolan)
Em parte, o filme é melhor que o livro, devido ao elenco. Todos os personagens foram perfeitos e os atores eram todos veteranos que deixam clara sua experiência em cada cena. A história no livro tende mais para o terror, e é também marcada por um desnecessário artifíicio literário que deixa a história muito lenta. O fato que mais desagrada sobre a publicação é que o truque de Bordon é entregue ao leitor muito cedo, diferentemente do filme, que guarda o segredo até o fim para manter o suspense.

Psicose (Psycho, Robert Bloch)
Com Psicose, o escritor Robert Bloch criou a base para o que é, discutivelmente, o thriller mais icônico de todos os tempos. No romance, Mary Crane (a Marion do filme) é introduzida brevemente e morre muito rápido. Já o clássico de Hitchcock enfoca a trama na personagem, tornando Normam Bates muito mais antipático e insensível. Além disso, o livro se estende sobre o problema de alcoolismo de Bates como uma justificativa para a dupla personalidade. Não é um livro ruim, mas o filme o coloca em outro nível.

O Gigante de Ferro (The Iron Man, Ted Hughes)
Dirigido por Brad Bird, mesmo de Os Incríveis e Ratatouille, o filme traz um olhar brilhante sobre a paranoia da Guerra Fria. Diferentemente da obra de Ted Hughes, o gigante de Bird destroi boa parte da Grã-Bretanha antes de ficar amigo de um garoto e defender a Terra de um dragão espacial.

Forrest Gump – O Contador de Histórias (Forrest Gump, Winston Groom)
Aqui o protagonista também guarda profundas diferenças nas duas obras. No best seller, Gump não perde Jenny ou mesmo sua mãe e ainda ganha um macaco. O filme de Robert Zemeckis cobre apenas metade da história e seu aspecto trágico ganha força com a morte de Jenny com AIDS e com a alteração do papel do Tenente Dan.

Tubarão (Jaws, Peter Benchley)
Mesmo com toda a tensão de sua narrativa, Peter Benchley é desbancado por Spilberg neste filme icônico. A principal diferença é que os personagens do livro não são tão agradáveis quando no filme. Certa vez, o diretor brincou alegando que ele detestava tanto alguns personagens que acabava torcendo para o tubarão.

Filhos da Esperança (The Children Of Men, P. D. James)
Apesar de manter o mesmo tom de esperança do best seller, a versão de Alfonso Cuarón para Filhos da Esperança é drasticamente diferente do livro. Além das alterações dos personagens e das locações, os acampamentos de imigrantes, que ocupam boa parte da trama cinematográfica, não existem na obra impressa e a culpa da infertilidade cai sobre os homens.

Uma Cilada para Roger Rabbit (Who Framed Roger Rabbit, Gary Wolf)
Além dos nomes dos personagens, a semelhança entre as duas obras é muito pequena. O romance é sobre tirinhas ao invés de desenhos animados e o seu protagonista está morto durante a maior parte da história. A versão cinematográfica dirigida por Robert Zemeckis manteve os personagens, o título, a interação com os humanos e insinuação suficiente para causar problemas à Disney.

O Silêncio dos Inocentes (The Silence Of The Lambs, Thomas Harris)
Enquanto o livro tende a uma narração metódica e trabalhosa, o filme de Jonathan Demme é recheado de suspense e prende a atenção. Sem contar que muito da “superioridade” do longa está na atuação brilhante de Jodie Foster, mas, principalmente, de Anthony Hopkins, que em apenas 20 minutos na tela, surpreende na pele do psicopata Hannibal Lecter.

Um Estranho no Ninho (One Flew Over The Cuckoo's Nest, Ken Kesey)
Uma das mais significantes mudanças na adaptação de Milos Froman para o cinema foi suprimir a narração do Cacique Bromden. A perspectiva de Bromdens é totalmente apoiada em suas alucinações, mas apesar de ser incrível adentrar uma mente perturbada, o leitor é desviado da trama com frequência.

O Poderoso Chefão (Godfather, Mario Puzo)
O romance traz um olhar interessante de Puzo sobre o crime em Nova Iorque, mas é fraco e muito direto. Nas mãos de Francis Ford Coppola, os personagens adquirem profundidade. Gangsters são apresentados como homens comuns, com falhas, mas até bondosos em alguns momentos. A trilogia se torna uma das maiores obras cinematográficas da história dos EUA.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Notícias rapidinhas de cinema X

1. O trailer final do filme "Bruna Surfistinha", estrelado pela atriz Deborah Secco e dirigido por Marcus Baldini, chegará aos cinemas nesta semana. Com previsão de lançamento no dia 25 de fevereiro, o filme conta a história de uma jovem da classe média de SP, que se torna garota de programa e ganha repercussão nacional ao postar suas histórias na internet, através de um blog, que originou o livro "O doce veneno do escorpião".

2. Morreu o ator
Leslie Nielsen morreu neste domingo, aos 84 anos, em decorrência de uma pneumonia. Ele estava internado há 12 dias em um hospital da Flórida, e sua morte foi noticiada primeiro no Twitter, para depois ser confirmada por rádios e sites de jornais dos Estados Unidos e do Canadá. Nascido no Canadá e naturalizado americano, Nielsen atuou em mais de cem filmes e produções para a TV. Ganhou visibilidade por suas participações em Corra que a Polícia Vem Aí (1988), no qual interpretou o atrapalhado e incompetente policial Frank Drebbin, e em Apertem os Cintos... o Piloto Sumiu (1980). Em retribuição a sua carreira, foi homenageado com uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.

3.
A releitura do clássico conto infantil "Chapeuzinho vermelho" dos irmãos Grimm ganhou uma noa versão com "A Garota da Capa Vermelha", dirigido por Catherine Hardwicke. Na história, uma jovem (vivida por Amanda Seyfried) vive em uma vila medieval aterrorizada por um lobisomem e ela se apaixona por um órfão lenhador (Shiloh Fernandez), para desagrado de sua família. O roteiro fica por conta de David Leslie Johnson. A estreia nos EUA está prevista para março de 2011.

4.
O filme "Brasil Animado", de Mariana Caltabiano, acaba de ganhar seu primeiro trailer. O longa é o primeiro filme brasileiro em 3D e está previsto para estrear em 21 de janeiro de 2011.

5.
Coleção Hector Babenco chega às prateleiras - Oito filmes do diretor argentino naturalizado brasileiro estão reunidos numa caixa, distribuída pela Europa Filmes. Os longas são: O Rei da Noite (1975), Lucio Flávio, o Passageiro da Agonia (1977), Pixote, A Lei do Mais Fraco (1980), O Beijo da Mulher Aranha (1985), Brincando nos Campos do Senhor (1991), Coração Iluminado (1996), Carandiru (2003) e O Passado (2007). Esta é a primeira vez que os filmes O Rei da Noite, Pixote, A Lei do Mais Fraco e O Beijo da Mulher Aranha chegam ao mercado de DVD.

6.
A cinebiografia em 3D de Justin Bieber intitulada "Never Say Never" acaba de ganhar seu segundo trailer. Nele é possível ver o astro teen em várias apresentações no palco, vídeos de arquivo de família, com amigos, fãs, etc. O filme estreia nos EUA em 11 de fevereiro, próximo ao Dia dos Namorados.

7. Vencedor do Oscar de melhor ator por seu trabalho em "O Pianista,"
Adrien Brody conseguiu na justiça a proibição da distribuição do filme "Giallo-Reféns do Medo", pois acusa a produtora de não ter pago seu cachê e direitos de imagem, que chegam a aproximadamente US$ 640 mil. Apesar de proibido nos EUA, no Brasil, o filme pode ser encontrado em qualquer locadora.

8. Diante do fracasso obtido nas bilheterias do filme "A Princesa e o Sapo", a
Disney anunciou o fim das animações baseadas em clássicos dos contos de fada. A produtora alega que as meninas de hoje em dia não têm o desejo de se tornar princesas e sim, garotas independentes e populares.

9. Líder no segmento de shopping center em Santa Catarina, a Almeida Junior construirá em São José seu 5º empreendimento do Estado com investimentos na ordem de R$ 220 milhões. O
Continente Park Shopping deverá ser o maior do Estado com 100 mil m² de área construída e 44 mil m² de área bruta locável e contará com 10 salas de cinema da Rede mexicana Cinépolis.

10. Estreias em Dezembro no Brasil: Film Socialism [França, 2009], de Jean-Luc Godard - O garoto de Liverpool [Reino Unido, 2010], de Sam Taylor Wood - Malu de bicicleta [Brasil, 2009], de Flávio Tambellini - Megamente [EUA, 2010], de Tom McGrath - A rede social [EUA, 2010], de David Fincher - As crônicas de Nárnia: A viagem do Peregrino da Alvorada [Reino Unido, 2010], de Michael Apted - Aparecida, o milagre [Brasil, 2010], de Tizuka Yamazaki - O assassino em mim [ EUA, 2010], de Michael Winterbottom - Tron - O legado [EUA, 2010], de Joseph Kosinski - Caça às bruxas [EUA, 2010], de Dominic Sena - De pernas pro ar [Brasil, 2010], de Roberto Santucci.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O Nordeste é aqui

Existe sim, uma Hollywood brasileira. Só que ela tem praias e sertões; e, surpresa!, fica fora do eixo Rio-São Paulo


Pense rápido em uma região onde a produção cinematográfica é rica, grande e conta com temáticas variadas. Não, não estamos falando da Meca hollywoodiana, nem da efervescência do cinema indiano conhecida como Bollywood. Estamos falando da indústria cinematográfica do Nordeste brasileiro, que tem grande riqueza cultural e está se tornando cada vez mais conhecida. A região é a estrela da 5ª Mostra Paulista de Cinema Nordestino, que acontece entre os dias 11 de outubro e 9 de dezembro nas unidades do Sesi do Estado de São Paulo.


"O cinema da região nordestina tem características variadas: retrata a cultura local, a relação com a terra, a seca e as questões sociais, além dos filmes urbanos, que mostram o caminho do Nordeste em direção à modernização", conta Kátia Camargo, produtora cultural da Mostra. E é isso que o festival do Sesi tem: filmes novos, antigos, curtas e longas metragens, animações e documentários surpreendentes que trazem essa riqueza toda.


A mostra foi idealizada por Gregório Bacic, diretor do programa Provocações, da TV Cultura, depois de realizar pesquisas no Nordeste na década de 70 e ser arrebatado pelas manifestações culturais da região. "Ele teve acesso à produção cultural local e conheceu os cineastas de lá. E pensou ´isso não chega a São Paulo´", conta Katia. Desde sua primeira edição, em 2006, a aceitação entre os artistas da região aumenta a cada ano, assim como o número de filmes inscritos para exibição.



Foto: Divulgação/Sesi



"O céu de Suely" conta a a história da nordestina que retorna ao Ceará


O que não significa que antes a produção era menor. Por volta de 1920, os projetos locais chegavam a ser maiores do que os do Sudeste. "Havia até filmes mudos no Recife", diz Katia. Hoje, além da capital pernambucana, Salvador e Fortaleza são as cidades que mais produzem filmes na região. Mas a Mostra do Sesi traz películas de quase todos os Estados Nordestinos. Para a edição deste ano, há até filmes do Piauí, do Rio Grande do Norte e do Maranhão.


Entre os destaques, está O Céu de Suely, de 2007, que também foi exibido nas salas do Sudeste. Ele conta a história da nordestina Hermila voltando de São Paulo para o interior do Ceará, onde espera encontrar o marido. Árido Movie não fala somente da aridez do interior de Pernambuco, mas também da sina de Jonas, que teve seu pai assassinado e que, de volta à sua cidade natal, sente um clima de vingança no ar. Um outro filme que chegou a ser exibido em outros países é Cinema, Aspirinas e Urubus (foto no alto), com a saga de um estrangeiro que roda várias cidades do interior do Brasil mostrando um filme sobre aspirina.


Foto: Divulgação/Sesi



"Árido Movie" conta com Selton Mello no elenco


Mas não só os adultos vão curtir essa programação que é assiiim... uma Brastemp. Já estão programadas sessões de filmes infantis produzidos no Nordeste, com animações diferentes que contam a história das suas crianças. Haverá também uma oficina crítica do audiovisual, uma espécie de workshop sobre cinema nordestino e, de quebra, brasileiro. Aliás, esse é um diferencial e tanto deste roteiro inovador: mostrar uma realidade que, por mais que não esteja próxima das grandes cidades, reflete a riqueza da cultura nordestina e também entre o resto da população brasileira. Em São Paulo, os filmes serão exibidos no Centro Cultural Fiesp - Ruth Cardoso, na Avenida Paulista, e nas unidades do Sesi da Vila Leopoldina, na zona oeste, e na da Vila das Mercês, na zona sul, de quarta a sexta. Uma oportunidade única de conhecer o Nordeste sem sair de São Paulo.


Conheça os endereços da 5ª Mostra Paulista de Cinema Nordestino:


Centro Cultural Fiesp - Ruth Cardoso (Mezanino)

Avenida Paulista, 1313 - Cerqueira César

Telefones: 3146-7405/ 3146-7406


Sesi Vila Leopoldina

Rua Carlos Weber, 835 - Vila Leopoldina

Telefone: 3832-1066 ramal 1180


Sesi Vila das Mercês

Rua Júlio Felipe Guedes, 138 - Vila das Mercês

Telefone: 2946-8172 ramal 2838

Aventura nas telonas

Com a promessa de emoção e diversão garantida, os filmes de ação são os grandes filões do cinema. Confira os seis melhores do gênero escolhidos pelo jornal britânico The Guardian

Por Leonardo Filomeno


Um dos pilares do cinema hollywoodiano, os roteiros dos filmes de ação transportam o público para universos carregados de emoções, com heróis e vilões, onde as leis da física podem ser revogadas. Incorporando aspectos da cultura popular, o gênero trabalha tanto com películas de época como temáticas atuais, onde a crítica à sociedade ainda pode se fazer presente.

Para celebrar o gênero, o jornal britânico The Guardian montou uma lista com os 25 melhores filmes de ação de todos os tempos. Conheça os principais dessa lista, que conta com o brasileiro Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, na sexta posição.

6º Cidade de Deus (2002)


Leandro Firmino no papel do traficante Zé Pequeno

A película narra a história de dois meninos, Buscapé (Alexandre Rodrigues) e Dadinho (Leandro Firmino da Hora), durante a ocupação do conjunto habitacional Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. O primeiro resiste ao banditismo e vira fotógrafo, enquanto o segundo se transforma no traficante mais temido do Estado. Para dar mais verossimilhança ao longa, Fernando Meirelles selecionou um elenco formado majoritariamente por amadores, como os protagonistas.

Adaptado do romance homônimo de Paulo Lins sobre a realidade das favelas cariocas nos anos 80/90, a produção foi um sucesso de público e crítica, eleita um dos 100 maiores filmes da década pelo diário norte-americano The Times. Em 2004, foi indicado ao Oscar em quatro categorias: Melhor Direção, Fotografia, Edição e Roteiro Adaptado.

5º Amargo Pesadelo (1972)


Para cortar os custos de produção, o filme não contou com dublês, e o ator Burt Reynolds fraturou a costela ao realizar uma das cenas

Baseado na obras de James Dickey's, o enredo de Amargo Pesadelo gira em torno de quatro amigos da cidade, Ed Gentry (Jon Voight), Lewis Medlock (Burt Reynolds), Bobby Trippe (Ned Beatty) e Drew Ballinger (Ronny Cox), que decidem descer pela última vez as correntezas de um rio antes que o mesmo se torne uma represa. Ignorando os perigos existentes, a narrativa do grupo que parte rumo a uma arriscada aventura foi original ao adotar uma temática que antes era restrita a produções independentes.

O longa, indicado para o Oscar nas categorias de Melhor Filme, Diretor e Edição, conta com a cena clássica do duelo de banjos entre um dos amigos e um garoto mudo que encontraram no caminho. O diretor franco-argentino Gaspar Noé diz que buscou inspiração em Amargo Pesadelo pra realizar a cena do estupro de Monica Bellucci em Irreversível.

4º Meu Ódio Será Sua Herança (1969)


A quadrilha do filme vai buscar no assalto ao trem seu último delito

O western conta a história de uma veterana e perigosa quadrinha de foras da lei que decidem encerrar a fase dos crimes. Antes da "aposentadoria", planejam a última grande ação, um assalto a um trem carregado de armas. Dirigido por Sam Peckinpah, Meu Ódio Será Sua Herança reinventou o gênero explorando uma temática crua, sem glamour e apostando em uma violência estilizada.

A violência é explicitada pelas inúmeras cenas filmadas em slow motion (câmera lenta). No elenco participam: William Holden, Ernest Borgnine, Robert Ryan e Warren Oates. Apesar da temática principal abordar o fim do Velho Oeste e da era cowboy, no longa nota-se um forte paralelo com a guerra do Vietnã, que estava em pleno desenrolar na época das filmagens.

3º Era Uma Vez no Oeste (1968)


Na época o filme foi considerado lendo pela crítica e público, se transformando em um fracasso de bilheteria

A trama de faroeste dirigida por Sergio Leone, em 1969, é centrada em quatro protagonistas: a ex-prostitura Jill McBain, o bandido Cheyenne, o pistoleiro de aluguel Frank e um homem misterioso que sempre carrega consigo uma gaita. Após finalizar a sua Trilogia dos Dólares, formada de Por um Punhado de Dólares, Por uns Dólares a Mais e Três Homens em Conflito, Leone tenta resgatar o respeito e a ideia de que os faroestes poderiam ser bons filmes e não apenas entretenimento barato.

A intenção original do diretor era chamar Clint Eastwood para interpretar o último personagem, mas Charles Bronson acabou assumindo o papel. Al Mulock, ator que interpretou um dos três atiradores que aparecem na abertura do filme, se suicidou em pleno set durante as gravações. A película é o primeiro de uma trilogia sobre a América. Os demais foram Quando Explode a Vingança (1972) e Era uma Vez na América (1984).

2º Intriga Internacional (1959)


Passado 50 anos, Intriga Internacional ainda é um marco do cinema mundial

Cary Grant vive o papel de Roger Thornhill, um publicitário confundido por acaso com um funcionário do governo norte-americano sob a mira implacável de espiões estrangeiros. O filme serviu de inspiração para a maioria dos thrillers dos anos 80 (incluindo a série James Bond), com cenas antológicas, como a do avião perseguindo o protagonista em um campo de milho ou da fuga pelo monte Rushmore, com os enormes rostos dos presidentes dos EUA esculpidos.

Com duas horas de pura adrenalina, Intriga Internacional é considerada a obra prima do mestre do suspense Alfred Hitchcock. Foi indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Direção de Arte, Edição e Roteiro Original. Uma de suas clássicas aparições, o diretor aparece no começo da película, correndo para pegar o ônibus.

1º Apocalypse Now (1979)


Com ácida crítica a Guerra do Vietnam, Apocalypse Now lidera a lista


Clássico de guerra, o filme dirigido por Francis Ford Coppola narra a história do capitão Willard, designado pelo alto comando do exército americano para matar o coronel Kurtz, este que enlouquecera, matando deliberadamente inocentes no interior da selva do Camboja. Apocalypse Now faz uma crítica feroz ao imperialismo estadunidense na Guerra do Vietnam, mostrando ao longo da saga do capitão, as situações inacreditáveis e absurdas geradas pelo conflito.

Baseado no livro O Coração das Trevas, de Joseph Conrad, a trama tem no elenco Marlon Brando, Martin Sheen, Harrison Ford e Dennis Hopper. Foi indicado em sete categorias para o Oscar de 1980, incluindo de Melhor filme, Diretor, Ator coadjuvante e Edição. Ganhou com Fotografia e Som. A película teve uma segunda versão em 2001, com o nome de Apocalypse Now Redux, reeditada pelo próprio diretor e com 60 minutos de cenas adicionais.