segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Filme "Deserto Azul" retrata vazio existencial em Brasília futurista

SILAS MARTÍ
ENVIADO ESPECIAL A BRASÍLIA

É madrugada no Planalto Central. Uma equipe de filmagem aproveita o azul radiante do céu noturno para gravar as cenas de um filme que transforma Brasília num deserto estranho e futurista.

Os atores, fotógrafos e contrarregras, eletrizados pela cafeína, consultam versões do roteiro no iPad do diretor Eder Santos.

Na cena daquela noite, os atores Odilon Esteves e Ângelo Antônio contracenam nus, em camas lado a lado, amarrados a emaranhados de fios. Eles vivem o mesmo personagem --jovem e velho. Falam de dobras no espaço e no tempo que tornam possível a convivência etérea na Brasília pós-tudo.

O ator Odilon Esteves em cena de "Deserto Azul", filme do artista plástico e cineasta Eder Santos
"É um futuro reduzido de gente", afirma o artista plástico e cineasta Santos. "Brasília ainda dá essa visão um pouco vazia, que não é algo comum nas cidades de hoje."

No mês que passaram gravando na capital federal, o diretor e sua equipe ficaram no hotel Nacional, símbolo agora decadente da era de ouro que seguiu a inauguração de Brasília, há 50 anos.

Quase toda a filmagem se concentrou na caixa de vidro do lado de fora do Centro Cultural Banco do Brasil, espécie de QG da produção, onde armou-se um estúdio, com os figurinos e todos os cenários.

No trajeto de ida e volta, cruzavam o amplo horizonte do cerrado, o céu que roça o chão num contraste entre vermelho e azul profundos.

E mesmo numa cidade onde tudo é um marco, monumento pensado por Oscar Niemeyer e Lucio Costa, Santos saiu em busca de pontos, ângulos e becos anônimos.

FUTURO ÁRIDO
"Penso um pouco nessa coisa do futuro, nessa aridez", diz o diretor. "Isso está presente na arquitetura daqui, acho que é possível tornar Brasília anônima, o clima desértico, sem árvores."
Na trama algo confusa de "Deserto Azul", um garoto recebe estranho convite para uma festa. Lá, encontra uma mulher que passa a perseguir por ambientes que lembram Brasília --horizontes esgarçados, despovoados, com poucos carros e máquinas.

Seu desejo é transcender, como repete em monólogos extensos no filme. Não há indicação clara do que seja tal transcendência, mas isso se ilustra com a travessia de um deserto azulado e voltas pela cidade em táxis com telas de plasma no lugar das janelas.

"Vemos algumas paisagens, avenidas com prédios futuristas, cheios de letreiros luminosos", diz uma indicação no roteiro. "Ele observa a paisagem. Olha prédios passarem, reflexos coloridos."

São ecos de certo vazio existencial que Santos também enxerga no urbanismo ralo de Brasília, com vastos descampados e gente que não se entrosa, extensão coletiva dos traços meio ensimesmados do protagonista de seu filme, ainda sem data definida para estrear.

"Essa ideia só existe ali até hoje, essa coisa de colocar as pessoas na cidade de maneira diferente", diz Santos. "É outra escala, não sei se utópica, porque existe e funciona, mas é muito estranho, frio."

Essa frieza também aparece nas obras de artistas que Santos escalou para compor seus cenários.
Uma sauna de Adriana Varejão opõe certo minimalismo ortogonal à intimidade dos relatos. Carlito Carvalhosa empresta uma árvore flutuante ao quarto em que o jovem protagonista conversa com sua versão envelhecida.

Todos parecem sublinhar esse modernismo estranho que se quer futuro.
O jornalista SILAS MARTÍ viajou a convite da produção de "Deserto Azul"

Uma década no cinema do século 21: nada será como antes?

Parafraseando um antigo programa da BBC (que influenciou muita gente boa), esta foi a década que foi. Não exatamente um momento de felicidade no planeta Terra _ por que seria no cinema?
E no entanto coisas interessantíssimas aconteceram. Entre elas:

A grande crise. A década começou com o mercado de consumo de ingressos de cinema em festa, com 1 bilhão e 58 milhões de bilhetes vendidos apenas nos EUA e Canadá. Descontado o pique de 2009 –quando Avatar, sozinho, representou um aumento de 15% de vendas – o tombo foi gradual e grande, pior a partir da recessão de 2008, quando a crise no mercado imobiliário norte-americano virou uma bola de neve de repercussões internacionais. Nos últimos três anos da década os grandes estúdios que fazem parte da Motion Picture Association of America produziram menos 12% em número total de títulos por ano – de 920 em 2005 para 677 em 2009.

Mas esse impacto foi maior e mais profundo que apenas um encolhimento: as fontes de financiamento da produção secaram, diminuindo radicalmente as opções para projetos independentes e co-produções internacionais. Em pânico com a retração do consumo, os estúdios produziram não apenas menos, mas mais do mesmo: a partir de 2008 só ganhou luz verde quem podia garantir casa mais ou menos cheia ou, idealmente, bandos de adolescente dispostos a passar o fim de semana inteiro no shopping.

O novo 3D _ Desde meados do século passado a ilusão de profundidade é uma espécie de santo graal do entretenimento audiovisual. Nesta década, o salto quântico da captação e da exibição digital de imagens trouxe de volta a possibilidade da tão sonhada “experiência imersiva”,o abraço total da narrativa. Não é de espantar que o mais dedicado discípulo do novo 3D- James Cameron – tenha sido o responsável pelo mais monstruoso sucesso do formato – Avatar. Com isso, duas coisas ficaram claras: 1. Era possível atrair o público de volta para as salas de cinema e 2. A qualidade do 3D e, sobretudo, o bom uso da tecnologia a serviço de uma história à altura eram essenciais. Em resumo: o 3D não foi a panaceia que muita gente esperava, mas entrou para o arsenal de recursos disponíveis para realizadores curiosos.

O audiovisual pessoal. Enquanto os grandes distribuidores pensavam exclusivamente em levar pessoas para salas de cinema, fabricantes de hardware, software e realizadores imprensados pela falta de opções descobriam que era hora de levar o conteúdo ao consumidor _ onde quer que ela ou ele estivessem. O grande boom da década, mais importante que a corrida a Pandora, foi a multiplicação de plataformas para o que antes se chamava “filme” e que, hoje, é uma série de códigos acessíveis em casa, na rua, no celular, no computador. Nos EUA e Canadá, hoje, é possível ver qualquer filme ou série de TV, legalmente, por muito pouco , sem sair de casa. Isso inclui o cinema do mundo todo, curtas, repertório, seleções de festivais, títulos independentes. Como modelo de negócios, ainda não é o bastante para resolver o impasse da crise financeira. Mas promete.

A maturidade da TV. Sem trabalho no cinemão, com projetos pessoais frustrados e exaustos de tanto correr atrás de um público que preferia ficar em casa, uma parte substancial do talento criativo mudou-se para uma forma de expressão que tem distribuição garantida –a TV. Alguns dos melhores momentos da narrativa audiovisual da década vieram do que mal pode se chamar “telinha” (quando existem à venda televisores de 60 polegadas, alta definição, 3D): da saga mitológica de Lost à investigação existencial de Mad Men; a reivenção do noir, do thriller , do musical, do terror _ e de Sherlock Holmes. O Carlos de Olivier Assayas e os documentários da HBO. O Traffik não-ficção da BBC que ganhou o Oscar com a assinatura de Steve Soderbergh. E, em 2009, três dos melhores filmes da década, disponíveis apenas na TV: a Red Riding Trilogy (foto) do Channel 4 britânico.

O triunfo da animação . Nos primeiros 10 anos do século 21, apenas uma companhia pode dizer que cada um de seus lançamentos foi um sucesso _ a Pixar. De Monstros SA em 2001 a Toy Story 3 em 2010 cada nova produção estabeleceu um novo nível de excelência técnica, um novo marco em popularidade além das convencionais divisões do mercado por idade. A comprovação desse domínio veio com a corrida dos demais estúdios para voltar à animação _ e da Disney para atualizar sua produção in house, culminando com a colocação de John Lasseter, fundador da Pixar, como presidente de animação do estúdio. Sem sindicatos, exigências, escândalos e papparazzi, os atores virtuais colocaram o controle da narrativa nas mãos dos roteiristas e diretores _ e este foi o grande trunfo da Pixar.

A globalização. A vitória de Quem Quer Ser Um Milionário (foto) nos prêmios de 2008 confirmou o que a indústria já sabia _ que talento, histórias e recursos financeiros não tinham visto nem passaporte. É uma tendencia cíclica _ nos anos 1950-60, imprensados com a diminuição da produção nativa, distribuidores e exibidores norte-americanos encheram os cinemas com filmes da fértil filmografia europeia e asiática, na medida para os gostos de uma nova geração. Agora, a crise econômica trouxe investidores coreanos e indianos para a DreamWorks, fechou acordos entre Hollywood e Bollywood e abriu as portas a diretores como Guillermo del Toro, Christopher Nolan, Alejandro Amenabar, Ang Lee, Carlos Saldanha, Peter Jackson, Florian Henckel von Donnesmarck, Neil Blomkamp. E levou a febre do remake ao grau de epidemia.

Brasília vira metrópole anônima em longa de ficção; ouça comentário

DE SÃO PAULO

O longa de ficção científica "Deserto Azul", do videoartista Eder Santos, mostra Brasília transformada numa metrópole anônima e futurista.

A maior parte da filmagem concentra-se numa caixa de vidro do lado de fora do Centro Cultural Banco do Brasil da cidade.

Segundo o repórter da Ilustrada Silas Martí, "mesmo com os traços marcantes de Niemeyer, a capital federal deve virar, no filme, uma espécie de despovoado hi-tech à beira de um horizonte radiante".

No áudio abaixo, o jornalista também destaca as obras de Tamar Guimarães e Louidgi Beltrame. Ambos exploram a Casa das Canoas, uma residência projetada em 1951 por Oscar Niemeyer, no Rio de Janeiro.

Ator francês Bernard-Pierre Donnadieu morre aos 61 anos

DA EFE, EM PARIS

O ator francês Bernard-Pierre Donnadieu, que há anos batalhava contra um câncer, morreu em Versailles, nos arredores de Paris, aos 61 anos, informou nesta segunda-feira a imprensa local.
Donnadieu, que fez sua última aparição cinematográfica em 2009 em "Paris 36", do diretor Christophe Barratier, trabalhou ao longo de sua extensa carreira com diretores como Roman Polanski, Claude Lelouch e Jean-Jacques Annaud, entre outros.

Sua consagração aconteceu em 1981, quando trabalhou junto com Jean-Paul Belmondo em "O Professional", de Georges Lautner, onde interpretou o inspetor Farges.

Entre seus reconhecimentos se destacam o prêmio de melhor ator do Festival de Madri, em 1989, por seu trabalho em "O Silêncio do Lago", de George Sluizer.

Site lista filmes de 2010 que serão fáceis de esquecer no futuro

Fim de ano é tempo de retrospectivas dos filmes mais memoráveis do ano, mas o site norte-americano Cinema Blend resolveu listar também os filmes de 2010 mais fáceis de esquecer, ou melhor, os que provavelmente não serão lembrados em 2020. A seleção inclui tramas com estrelas do primeiro time de Hollywood como Mel Gibson (em foto acima, de “O Fim da Escuridão”) Matt Damon, Harrison Ford, Jude Law e Ashton Kutcher.

Para definir o tema inusitado, o site explica que não se trata de escolher piores nem melhores, mas de apontar filmes que não se destacaram e, por isto, têm boas chances de serem esquecidos (não foram inclusas sequências como, por exemplo, “Nanny McPhee 2″). Os critérios e as apostas são vagas, mas a lista vale como diversão e para questionar (e discordar). Segue a lista com justificativa resumida das escolhas:

“Zona Verde” – Apesar de bem cotado pela crítica, não se sobressaiui entre outros filmes de ação e outros filmes sobre a Guerra do Iraque- “Repo Men” – Apesar do elenco estelar, não há um bom motivo para ver este filme fraco de ficção científica-

“O Livro de Eli”- Fácil de esquecer assim que Denzel aparece em outra história, como “Incontrolável”-

“Par Perfeito” – Sobra obviedade nesta comédia romântica com Ashton Kutcher e Katherine Heigl-

“O Lobisomem” – Apesar das qualidades de Benicio Del Toro como ator, seu personagem não foi marcante-

“Dupla Implacável” – Faltou originalidade para o filme de ação com John Travolta-

“Deu a Louca nos Bichos” – Filme com Brandon Fraser tem fracas escolhas, como a de aproveitar pouco o elenco- “Tiras em Apuros” – O diretor Kevin Smith não será lembrado por este filme descrito como óbvio- “Decisões Extremas” – O filme traz uma boa mensagem sobre corporações e luta individual, mas há filmes sobre este mesmo tema que são mais que “filmes com boas mensagens”-

“O Fim da Escuridão” - Ter um astro como Mel Gibson como protagonista não mudou o fato de que não há grandes motivos para ver este filme

por Redação às 13:05

Notícias rapidinhas - XII


1. Chapolin estará nas telonas do cinema em 2011. Dirigido pelo próprio Roberto Gómez Bolaños, filme pode ser em 3D.

2. Em 2009, um usário do youtube chamado Dijkhuizen editou uma retrospectiva de filmes em 5minutos. Com o sucesso que somou quase 1 milhão de visuzalições, agora ele apresenta a versão 2010.Confira no link: http://www.youtube.com/watch?v=K1SibpHD0Oc&feature=player_embedded

3. Site lista filmes de 2010 que serão fáceis de esquecer no futuro. Entre eles: "O livro de Eli", " O Lobisomen" e "No fim da escuridão" com Mel Gibson.

4. "Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família" ficou em primeiro lugar no ranking do fim de semana do Natal na América do Norte, mas arrecadou consideravelmente menos do que seu predecessor.

5. Uma gravação do filme "The Impossible" foi interrompida na Tailândia após um dublê ameaçar de morte o ator Ewan McGregor, 39.

6. Morreu aos 61 anos, o ator francês Bernard-Pierre Donnadieu, que há anos batalhava contra um câncer. O ator fez sua última aparição cinematográfica em 2009 em "Paris 36", do diretor Christophe Barratier, e trabalhou ao longo de sua extensa carreira com diretores como Roman Polanski, Claude Lelouch e Jean-Jacques Annaud, entre outros.

7. Restaurado, o clássico "O Encouraçado Potemkin", de 1925, voltará aos cinemas americanos a partir de 14 de Janeiro, exibido em cópias 35mm. A obra prima do diretor Sergei Eisenstein passou por longo processo de restauração feito sob os cuidados da Kino, empresa especializada no assunto responsável pela “versão limpa” de outro clássico dos cinemas: Metrópolis, de Fritz Lang.

8. Papai Noel ganha versão macabra. O filme "Rare Exports: A Christmas Tale", assinado pelo diretor finlandês Jalmari Helander, traz uma versão diferente para a figura tradicionalmente simpática. Imagine se ao invés de recompensar os que se comportam bem, Papai Noel apenas castigasse os que se comportassem mal?

9. O mercado cinematográfico no Brasil termina o ano levantando taças e brindando o êxito marcado por bons números e alguns recordes. São três filmes nacionais entre as maiores bilheterias de 2010, que juntos a outras 68 produções brazucas conseguiram abocanhar 19,1% do faturamento com bilheterias no país no ano. O circuito exibidor brasileiro cresceu e chegou a 2,5 mil salas. Para se ter uma ideia, em 1997 tínhamos pouco mais de mil telas no país.

10. Lançamentos do Mês de Janeiro: Além da vida [EUA, 2011], de Clint Eastwood. Gênero: suspense; Enrolados [EUA, 2010], de Nathan Greno e Byron Howard. Gênero: animação. Entrando numa fria maior ainda com família [ EUA, 2010], de Paul Weitz. Gênero: comédia. Feliz que minha mãe esteja viva [França, 2009], de Claude Miller e Nathan Miller. Gênero: drama; As viagens de Gulliver [EUA, 2010], de Rob Letterman.Gênero: comédia; A casa muda [Uruguai, 2010], de Gustavo Hernandez. Gênero: horror; Desenrola [Brasil, 2010], de Rosane Svartman. Gênero: comédia. Jogo de poder [EUA, 2010], de Doug Liman. Gênero: drama; Heartbreaker [França, 2010], de Pascal Chaumeil. Gênero: comédia romântica; Black Swan [EUA, 2010], de Darren Aronofsky. Gênero: drama; Bravura indômita [True Grit, EUA, 2010], de Ethan Coen e Joel Coen. Gênero: faroeste. Brasil animado 3D [Brasil, 2011], de Mariana Caltabiano. Gênero: animação; Burlesque [EUA, 2010], de Steve Antin. Gênero: Musical; Little Murder [EUA, 2010], de Predrag Antonijevic. Gênero: suspense; Assalto ao banco central [Brasil, 2010], de Marcos Paulo. Gênero: ação. Biutiful [Espanha/México, 2010], de Alejandro González Iñárritu. Gênero: Drama; Um lugar qualquer [ EUA, 2010], de Sofia Coppola. Gênero: drama. Turnê [França, 2010], de Mathieu; Família vende tudo [Brasil, 2009], de Alain Fresnot. Gênero: comédia.

Papai Noel ganha versão macabra

Da Redação

O Natal chegou! Você ganhou aquele presente que tanto sonhava? Ficou decepcionado com o “bom velhinho” por ele não ter passado na sua casa? Depois de assistir ao trailer de Rare Exports: A Christmas Tale você vai pensar duas vezes antes de lamentar a ausência de Papai Noel.
O longa, assinado pelo diretor finlandês Jalmari Helander, traz uma versão diferente para a figura tradicionalmente simpática. Imagine se ao invés de recompensar os que se comportam bem, Papai Noel apenas castigasse os que se comportassem mal?Partindo da ideia, Helander criou uma fábula sombria que se passa em sua terra natal, a Finlândia. Durante escavações no Monte Korvatunturi, algo estranho é descoberto e uma série de eventos começa a tumultuar a região.Ficou curioso? Então clique no player abaixo e assista a essa mistura de fábula infantil e filme de terror.