sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Notícias rapidinhas de cinema - VIII

1. Com o lançamento de "Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1", São Paulo é o palco dos principais figurinos usados nas filmagens do último capítulo da saga. A exposição com as vestimentas dos personagens do filme vai até o dia 26 de novembro, das 10h às 22h, em frente ao Cinemark do Shopping Eldorado.
2. Já está à venda, por enquanto apenas em DVD, a Edição Especial Estendida da triologia "O Senhor dos Anéis". São 12 DVDs com quase três horas de filme adicionais, além de muitos extras como a inspiração dos livros de Tolkien, a construção da Terra-média na Nova Zelândia, documentário, entrevistas com o elenco, fotos comentadas pelos artistas, miniaturas das locações, storyboards para comparação com o filme, conceitos descartados, etc. Preço? R$199,00
3. A Warner Bros divulgou o trailer do suspense sobrenatural, inspirado em uma história real, "O Ritual" (The Rite), dirigido por Mikael Hafstrom (1408). No elenco principal estão Anthony Hopkins (Silêncio dos Inocentes) e a brasileira Alice Braga (Predadores e Ensaio Sobre a Cegueira). Previsão de estreia no Brasil para fevereiro de 2011.
4. Divulgada a lista dos longas animados que concorrem ao Oscar 2011. São 15 inscritos na categoria de melhor longa-metragem de animação que vão ser reduzidos a três finalistas no dia 25 de janeiro de 2011, quando os finalistas serão anunciados. A premiação será em 27 de fevereiro do ano que vem. Os favoritos são: "Toy Story 3", "Como Treinar o seu Dragão", "Megamente" e "O Mágico".

"Red - aposentados e perigosos" de Robert Schwentke (2010)

Junte Bruce Willis (nervos de aço + sorriso simpático e carismático)
+ Morgan Freeman (ator vetereno mileumautilidades + parecido com Mandela)
+ John Malkcovich (doido varrido)
+ Hellen Mirren (A rainha + elegante e sofisticada mulher madura)
+ uma HQ desconhecida como premissa....(um ex-agente aposentado da CIA, que reune velhos amigos para proteger-se de uma perseguição injusta - tipo queima de arquivo ou Jason Bourne na terceira idade)
E.... você terá "RED - aposentados e perigosos" de Robert Schwentke, numa comédia bizarra, divertida, sarcástica e muito bem produzida.
Criado no filme "Matrix" (1999), o efeito "bullet time" revolucionou os filmes de ação (e algumas comédias), retardando a ação do personagem, favorecendo a movimentação de câmera, sensação de expectativa e manipulação de cenas "fantasticamente" inverossímeis (ou "que bafo" como diria meu pai).
Recheado de ação e humor negro, o filme coroa mais uma vez a tendência lucrativa do cinema hollywoodiano de adaptar histórias em quadrinhos (muitas vezes desconhecidas), fazendo uso de veteranos do cinema, conhecidos pelos seus filmes de ação (Bruce Willis em Duro de Matar) ou surpreendendo com a presença de rostos típicos de papéis tradicionais, como é o caso de Hellen Mirren. (praticamente uma Angelina Jolie na terceira idade, arrasando com elegância e beleza!)
John Malkovich não poderia ter recebido papel melhor como um veterano de guerra, ex-agente da CIA, com mania de perseguição e tendências psicóticas de matar.
Depois de "Os mercenários" de Sylvester Stallone, que homenageia os astros dos filmes de ação (ou nervos de aço), ainda que conte com uma história fraca e superficial, "Red" parece uma boa opção de rever rostos carismáticos numa trama que parece ter divertido bastante os próprios atores.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Divulgada a lista de longas animados que concorrem ao Oscar

Toy Story 3 encerra a trilogia e é um dos fortes concorrentes a melhor animação.

São 15 inscritos na categoria de melhor longa-metragem de animação que vão ser reduzidos a três finalistas no dia 25 de janeiro de 2011, quando os finalistas serão anunciados. A premiação será em 27 de fevereiro do ano que vem.

São tidos como fortes candidatos Toy Story 3, Como Treinar o seu Dragão, Megamente e O Mágico. No ano passado o filme Up – Altas Aventuras além de ter ganhado o prêmio na categoria de longa animado ainda foi indicado como melhor filme, fato que só ocorreu com outro desenho em 1992 com A Bela e a Fera.

Confira a lista:

Alpha and Omega
Como Cães e Gatos II – A Vingança de Kitty Galore
Meu Malvado Favorito
The Dreams of Jinsha

Como Treinar o seu Dragão
Idiots and Angels
O Mágico
A Lenda dos Guardiões
Megamente
My Dog Tulip
Shrek Para Sempre
Summer Wars
Enrolados
Tinker Bell and the Great Fairy Rescue
Toy Story 3

terça-feira, 9 de novembro de 2010

4ª Semana de Cinema - UFSC


Este ano será realizada a 4ª edição da Semana de Cinema, de 8 a 12 de novembro nas dependências do Centro de Comunicação e Expressão da UFSC.

O evento conta com palestras e debates, realização de oficinas e exibição de filmes durante as noites, além de contar com a presença do teórico Ismail Xavier e do realizador Rodrigo Siqueira, com seu recente filme premiado em diversos festivais: "Terra deu, terra come".

A organização é feita por alunos do curso de Cinema e todos os palestrantes e oficineiros são voluntários.

Mais informações: http://www.semanadecinemaufsc.blogspot.com/

PROGRAMAÇÃO - Palestras e Mesas
Mesa “O Ator e o Cinema”
Convidados: Roberto Gervitz, Christian Duurvoort e Lau Santos
Segunda-feira (08/11)
Horário: 14:00 às 18:00
Local: Auditório Henrique Fontes, CCE bloco B, UFSC, Campus Trindade.

O propósito da mesa é trazer à tona questões sobre a necessidade de uma equipe que acompanhe os atores desde o casting até as filmagens, passando pela preparação e sobretudo pela direção. É realmente necessária a atuação de outro profissional, além do diretor do filme, para dirigir os atores? Talvez a divisão de tarefas, cada vez mais intensa no cinema, provoque um distanciamento prejudicial entre o diretor e os atores. O diretor de atores é mesmo necessário ou apenas representa uma dificuldade do diretor do filme em trabalhar os atores? Como deve ser feita essa aproximação entre eles para atingir o tom proposto pelo filme?

Roberto Gervitz é formado em Ciências Sociais pela USP. É diretor e roteirista, tendo começado sua carreira na década de 70 com documentários de cunho político como Greve Geral e Braços Cruzados, Máquinas Paradas. Estudou na Escuela Internacional de Cinema y Video em Cuba com Gabriel Garcia Marques, e na Cinemateca Francesa, em Paris. Foi aclamado em 1988 por seu trabalho como diretor e roteirista em Feliz Ano Velho, ganhando diversos prêmios. Entre seus últimos trabalhos temos o premiado Jogo Subterrâneo e a direção de quatro dos dez episódios da série Carandiru: outras histórias.

Christian Duurvoort é ator, diretor e preparador de elenco. Preparou atores dos longas metragens Jogo Subterrâneo, Noel O Poeta da Vila, El Baño del Papa, Não por Acaso, A Via Láctea, Cidade dos Homens, Blindness, Um Homem Qualquer e dos seriados de televisão Cidade dos Homens e Filhos do Carnaval. Foi professor convidado da Escuela Internacional de Cine Y Television de Cuba. Estudou em Paris com Jacques Lecoq e Monika Pagneux. Ministra cursos através do método "Ator Imaginário" e é professor da Escola Internacional de cinema em São Paulo.

Laudemir Pereira dos Santos (Lau) é mestrando em Teatro na Universidade de Santa Catarina, focando o trabalho do ator no cinema, através da imagem desse projetada na tela. Graduou-se em Letras/Português pela Universidade Federal de Santa Catarina e estudou no Conservatório Nacional Superior de Artes Dramáticas de Paris. Viveu durante 9 anos na Europa, Barcelona/Paris onde deu aulas e fundou um Centro de Pesquisas sobre o trabalho do Ator: C.I.R.C. (que fundia várias linguagens teatro, circo, capoeira, dança e vídeo). Lecionou, atuou e dirigiu espetáculos na Europa. A ênfase de seu trabalho é a direção de espetáculos, direção de vídeos e circo. É também poeta e dramaturgo.
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Mesa “O Limiar da ficção”
Convidados: Simplício Neto e Ruy Gardnier
Terça-feira (09/11)
Horário: 14:00 às 18:00
Local: Auditório Henrique Fontes, CCE bloco B, UFSC, Campus Trindade.

O limiar da ficção envolve as fronteiras dos discursos de realidade e de ficionalidade, resumindo as fronteiras entre documentário e ficção. Assim, temos em foco a questão do realismo no cinema, que aborda tanto a história do documentário, sua tradição ética e estética, quanto a tradição da representação ficcional realista, onde vemos diversos pontos de contato no cinema e na TV. Trabalha-se com filmes que criam "fissuras" na ficção ou em que o mundo diegético se rebate sobre o "mundo real", traçando um breve histórico com ponto de ancoragem em Roberto Rossellini. Por fim, analisa-se a estética de alguns cineastas contemporâneos que provocam perturbações na lógica documental/ficcional e observando alguns procedimentos de mise-en-scène que tornam distintas as obras desses cineastas.

Simplicio Neto: possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1998) e mestrado em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (2006). Atualmente é Professor do Laboratório Estação - Grupo Estação, Editor / Redator da Porta Curtas Petrobras e Professor Substituto da Universidade Federal Fluminense. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Cinema. Atuando principalmente nos seguintes temas: Documentário, Favela, Realismo, Voyeurismo, Ética e Axiografia.

Ruy Gardnier: é fundador e crítico da revista eletrônica Contracampo, jornalista do jornal O Globo e pesquisador do Tempo Glauber.
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Palestra - sessão comentada
"O mundo como olhar - Viajo porque preciso, volto porque te amo"
(Dirigido por: Marcelo Gomes e Karim Ainouz)
Convidada: Cláudia Mesquita
Quarta feira - 10/11
Horário: 9:00 às 12:00
Local: Sala Hassis, CCE bloco B, UFSC, Campus Trindade

Exercício fílmico de radical deslocamento do olhar documental original, “Viajo porque preciso, volto porque te amo” o faz para sugerir, paradoxalmente, que não há mundo possível sem um olhar que o limite, distorça e transfigure. A partir do comentário ao filme e de alguns cotejos com outras obras, buscaremos uma atualização da discussão sobre os limites tênues do documentário e da ficção no cinema.

Cláudia Mesquita: é professora na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). De 2007 a 2010, foi professora no Curso de Cinema da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). É pesquisadora de cinema, com mestrado e doutorado pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Atua como pesquisadora e realizadora de documentários, tendo integrado as equipes de Saudade do Futuro (César & Marie-Clemence Paes, 2000), Peões (Eduardo Coutinho, 2004), Em Trânsito (Henri Gervaiseau, 2005), e co-dirigido, com Junia Torres, Nos olhos de Mariquinha (2008). Tem ministrado com regularidade cursos e oficinas de cinema, assim como publicado artigos em livros e revistas especializadas. Publicou, em co-autoria com Consuelo Lins, o livro Filmar o Real – sobre o documentário brasileiro contemporâneo (Jorge Zahar Editor, 2008).
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Mesa: “O filme-ensaio e a obra de Godard”
Convidado: Ismail Xavier
Quarta-feira (10/11)
Horário: 13:30 às 18:00
Local: Auditório Henrique Fontes, CCE bloco B, UFSC, Campus Trindade.

*Como introdução dessa mesa, haverá apresentação da Cinemateca.

A noção de filme-ensaio tem se mostrado pertinente na caracterização de obras de cineastas que apresentam forte dimensão reflexiva, heterogeneidade de meios e linguagens que dificulta o uso de categorias como ficção, documentário, cinema experimental. Godard, desde os anos 60, é um dos maiores protagonistas de um estilo de trabalhar o cinema como "forma que pensa", ressaltando a combinação do aspecto conceitual do discurso audiovisual, onde está igualmente presente, com toda a legitimidade, a subjetividade do autor. Esta questão será colocada em foco a partir de "Duas ou três coisas que eu sei dela" (1966).

Ismail Xavier: formou-se em Comunicação Social (habilitação em cinema) pela ECA (Escola de Comunicações e Artes da USP) em1970. É Mestre em Teoria Literária na USP, sob orientação de Paulo Emílio Salles Gomes, com a dissertação À procura da essência do cinema: o caminho da avant-garde e as iniciações brasileiras, defendida em 1975. Doutor em 1980, orientado por Antonio Candido de Mello e Souza, com a tese Narração contraditória: uma análise do estilo de Glauber Rocha, 1962-1964. Em 1982, tornou-se PhD em Cinema Studies pela Graduate School of Arts and Science, da New York University, onde concluiu seu pós-doutorado em 1986. Publicou tese de livre-docência em 1993, com o título Alegorias do subdesenvolvimento: Cinema Novo, Tropicalismo, Cinema Marginal.

É professor da ECA-USP desde 1971. Também foi professor-visitante na Universidade de Nova Iorque (1995), na Universidade de Iowa (1998) e na Université Paris III - Sorbonne Nouvelle (1999). É membro do conselho consultivo da Cinemateca Brasileira desde 1977. Faz parte do conselho editorial das revistas acadêmicas Novos Estudos Cebrap e Literatura e Sociedade.
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Palestra - sessão comentada “Terra deu, terra come”
Convidado: Rodrigo Siqueira.
Quinta-feira (11/11)
Horário: 9:00 às 12:00
Local: Sala Hassis, CCE bloco B, UFSC, Campus Trindade

Rodrigo Siqueira: Com formação em jornalismo, o diretor mineiro Rodrigo Siqueira entrou para o cinema como
pesquisador para o longa-metragem de ficção que abordava a trajetória da Radio Favela de Belo Horizonte. A partir dessa experiência, realizou o documentário Aqui Favela, o Rap Representa, vencedor dos prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Pesquisa no Festival Internacional de Filme Etnográfico do Rio de Janeiro em 2003 e exibido em rede nacional pela Tv Cultura, atingindo cerca de 800 mil espectadores e tendo excelente repercussão. Terra Deu, Terra Come consagraga Rodrigo Siqueira como diretor ao ganhar o prêmio máximo no É Tudo Verdade 2010, o mais importante festival de documentários da América Latina. O filme é seu segundo trabalho autoral e seu primeiro projeto a ser lançado em circuito comercial de cinemas.

Terra deu, terra come (2010)
(Direção: Rodrigo Siqueira)
Pedro de Almeida, garimpeiro de 81 anos de idade, comanda como mestre de cerimônias o velório, o cortejo fúnebre e o enterro de João Batista, que morreu com 120 anos. O ritual sucede-se no quilombo Quartel do Indaiá, distrito de Diamantina, Minas Gerais. Ao conduzir o funeral de João Batista, Pedro desfia histórias carregadas de poesia e significados metafísicos, que nos põem em dúvida o tempo inteiro. A atuação de Pedro e seus familiares frente à câmera nos provoca pela sua dramaturgia espontânea, uma auto-mise-enscène instigante.
No filme, não se sabe o que é fato e o que é representação, o que é verdade e o que é um conto, documentário ou ficção, o que é cinema e o que é vida, o que é africano e o que é mineiro, brasileiro.
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Mesa “Transmídia: a ficção no mundo real”
Convidados: Roberto Tietzmann, Maurício Martins Faria, Pedro Tourinho.
Quinta-feira (11/11)
Horário: 14:00 às 18:00
Local: Auditório Henrique Fontes, CCE bloco B, UFSC, Campus Trindade.

Transmídia é a criação de inúmeras ferramentas de acesso e a geração de novos focos de interesse, que são os atuais movimentos da indústria de entretenimento e publicidade. Tudo isto é pensando em termos estratégicos: abordar conteúdos em diversas mídias, gerar interação e envolvimento, impactar o maior número de pessoas das mais variadas formas e, com isso, obter o maior lucro possível. Essa extrapolação dos limites pela transmídia convoca o público consumidor a interagir com os múltiplos conteúdos, proporcionando assim uma nova proposta de experiência.

Roberto Tietzmann é formado em Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com mestrado em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul tendo realizado uma pesquisa sobre comunicação visual e cinema através dos créditos de abertura de filmes. Concluiu o doutorado pela PUCRS estudando efeitos visuais, montagem e narrativa cinematográfica. Atualmente é professor da FAMECOS, faculdade de comunicação social da PUCRS.

Maurício Martins Farina é fotógrafo, graduado em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Mestre em Multimeios pela Universidade Estadual de Campinas (1997) e Doutor em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicação e Artes da ECA/USP (2003). Atualmente é o chefe do Departamento de Multimeios, Mídia e Comunicação do Instituto de Artes da Unicamp. Trabalha com teoria e crítica da imagem, atuando principalmente com temas relacionados com a fotografia, a história da arte, e a semiótica da cultura.

Pedro Tourinho é publicitário especialista em entretenimento e mídia pela UCLA, Califórnia. Diretor de conteúdo e interatividade do Legendários.
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Mesa “Entre a tela e a página”
Convidados: Suzana Amaral e Marcelo Esteves
Sexta-feira (12/11)
Horário: 14:00 às 18:00
Local: Auditório Henrique Fontes, CCE bloco B, UFSC, Campus Trindade.

Partindo do fato de que muitas produções cinematográficas se baseiam em livros para o desenvolvimento dos roteiros, essa mesa procura provocar discussões que façam refletir sobre esse processo, o limiar dessas linguagens e todas as possibilidades de relação entre elas.
Suzana Amaral: Atualmente é Professora Adjunta no ensino superior da Fundação Armando Álvares Penteado - FAAP. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Cinema. Produziu, dirigiu e roteirizou incontáveis filmes para a TV Cultura e os longa-metragens "A Hora da Estrela","Uma Vida em Segredo" e "Hotel Atlântico", baseados em obras literárias de Clarice Lispector, Autran Dourado e João Gilberto Noll, respectivamente. O último lhe rendeu o "Prêmio ABL de Cinema", pelo roteiro que assinou junto com João Gilberto Noll. Sua participação e premiação em diversos festivais nacionais e internacionais motivou a Condecoração Ordem do Rio Branco no Grau de Oficial, do Ministério das Relações Exteriores.

Marcelo Esteves: Coordenador e professor do curso de Cinema da Universidade do Sul de Santa Catarina - UNISUL. É autor do roteiro de "Manhã Transfigurada" – longa-metragem gaúcho dirigido por Sérgio Assis Brasil - através do qual concorreu ao prêmio de Melhor Roteiro Adaptado para o Cinema da Academia Brasileira de Letras, em 2010 . Foi roteirista das séries "Os Farrapos" (RBS TV/ RS), "O Contestado" (RBS TV/ SC), e "Lendas, Contos e Outras Histórias Catarinenses" (RBS TV/ SC). Como roteirista da TVi – Televisão e Cinema, escreveu o roteiro do curta-metragem "Alumbramentos", vencedor do Prêmio Cinemateca Catarinense/ Fundação Catarinense de Cultura – 2001. Na edição de 2007, foi premiado pelo roteiro do curta-metragem "Mulher Azul".

O limiar da ficção envolve as fronteiras dos discursos de realidade e de ficionalidade, resumindo as fronteiras entre documentário e ficção. Assim, temos em foco a questão do realismo no cinema, que aborda tanto a história do documentário, sua tradição ética e estética, quanto a tradição da representação ficcional realista, onde vemos diversos pontos de contato no cinema e na TV. Trabalha-se com filmes que criam "fissuras" na ficção ou em que o mundo diegético se rebate sobre o "mundo real", traçando um breve histórico com ponto de ancoragem em Roberto Rossellini. Por fim, analisa-se a estética de alguns cineastas contemporâneos que provocam perturbações na lógica documental/ficcional e observando alguns procedimentos de mise-en-scène que tornam distintas as obras desses cineastas.

Dicas de filmes (temporário)

Imagem Mês: outubro

CINEMA
Não vi, mas vou ver:


"Os vampiros que se mordam" de Jason Friedberg e Aaron Seltzer 2010 - comédia
Paródia do filme "Crepúsculo", na onda de gozações como "Todo mundo em pânico", "Uma comédia nada romântica", "Não é mais um besteirol americano", "Deu a louca em Hollywood"

"A Ressaca" de Steve Pink 2010 - comédia
Depois de uma experiência maluca, quatro amigos viajam no tempo e têm a chance de mudar o futuro.

"Amor à distância" de Nanette Burnstein 2010 - drama/comédia romântica
Drew Barrymore e Justin Long protagonizam um casal que precisa lidar com os conflitos de se relacionar à distância.

"O bem amado" de Guel Arraes 2010 - comédia/nacional
Baseado na obra de Dias Gomes, O Bem Amado conta a história do prefeito Odorico Paraguaçu, que tem como meta prioritária em sua administração na cidade de Sucupira, a inauguração de um cemitério. De um lado é apoiado pelas irmãs Cajazeiras. Do outro, tem que lutar contra a forte oposição liderada por Vladimir, dono do jornaleco da cidade. http://www.obemamado.com.br/filme.html

"Meu malvado favorito" de Pierre Coffin e Chris Renaud 2010 - animação
Gru (Steve Carell) é um supervilão que duela com Vector (Jason Segel) para ter o posto de o mais malvado. Para vencer a disputa, ele decide roubar a Lua. Só que terá que enfrentar três órfãs, que estão sob os seus cuidados e não podem ser abandonadas.

Já vi e indico:
"Comer, rezar, amar" de Ryan Murph 2010 - drama
Baseado no best seller Eat, Pray, Love: One Woman's Search for Everything Across Italy, India and Indonesia, de Elizabeth Gilbert.
Liz Gilbert (Julia Roberts) tinha tudo o que uma mulher moderna deve sonhar em ter “um marido, uma casa, uma carreira bem-sucedida” ainda sim, como muitas outras pessoas, ela está perdida, confusa e em busca do que ela realmente deseja na vida. Recentemente divorciada e num momento decisivo, Gilbert sai da zona de conforto, arriscando tudo para mudar sua vida, embarcando em uma jornada ao redor do mundo que se transforma em uma busca por auto-conhecimento. Em suas viagens, ela descobre o verdadeiro prazer da gastronomia na Itália, o poder da oração na Índia, e, finalmente e inesperadamente, a paz interior e equilíbrio de um verdadeiro amor em Bali.
"Tropa de Elite 2" de José Padilha 2010 - ação/policial
Diferente do primeiro, marcado por jargões e violência extrema, José Padilha nos apresenta um outro esquema corrupto de milícia, de certa forma previsível, mas nunca tão claro. Baseado em depoimentos reais de policiais e políticos perseguidos, Tropa de Elite 2 é ainda mais apavorante que "Cidade de Deus" de Fernando Meirelles, quando põe no chinelo Zé Pequeno e sua tropa de esfarrapados, para dar lugar aos agentes bem treinados, armados e camuflados pela política e corrupção.

"Gente grande" de Dennis Dugan 2010 - comédia
Trinta anos após a formatura do colégio, cinco amigos (Adam Sandler, Chris Rock, Kevin James, David Spade e Rob Schneider) se reencontram para passar um fim de semana juntos. Comédia a La Adam Sandler, arranca boas risadas dos machos e risos tímidos das fêmeas, numa enxurrada de situações cômicas vividas pelas famílias dos cinco amigos. Destaque para o ator Steve Buscemi, super engraçado nas cenas que está engessado após o tombo da piscina. (uuuuuh!)

"A origem" de Cristopher Nolan 2010 - ficção científica

Campeão de bilheteria nos EUA, é considerado impenetrável à crítica, tamanha é a proposta complexa do enredo, depois de "Matrix" (1999). Do mesmo diretor de "Batman - O cavaleiro das trevas" (2008), o filme serve como representação do mundo das ideias, sonhos e imaginação, como já disse sobre o cinema, o cineasta espanhol (surrealista de vanguarda) Luiz Buñuel.

VIDEOLOCADORA

Não vi, mas vou ver:

"Mary e Max" de Adam Elliot 2009 - animação/drama
Em paralelo ao 3D, é um longa feito em técnica artesanal stop motion (fotografia dos movimentos quadro a quadro), que conta uma história de amizade entre dois personagens, inseridos no universo atual das redes sociais.

"A fita branca" de Michael Haneke 2009 - drama/guerra

Ambientado na Primeira Guerra Mundial, foi indicado ao Oscar 2010 de Melhor Filme Estrangeiro.

"É proibido fumar" de Anna Muylaert 2009 - drama
Glória Pires protagoniza a história de uma mulher, professora de violão, que precisa enfrentar conflitos pessoais como parar de fumar, reaver um sofá e lidar com o envolvimento amoroso com o vizinho recém chegado.

"Encontro Explosivo" de James Mangold 2010 - ação/comédia
Protagonizado pelos astros Tom Cruise e Cameron Diaz, narra a história de uma jovem que se envolve com um agente secreto e embarca numa agitada aventura.

Já vi e indico:

"O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus" de Terry Gilliam 2010 - fantasia/aventura
O Dr. Parnassus (Christopher Plummer) tem o dom de inspirar a imaginação das pessoas. Dono de uma companhia de teatro itinerante, ele conta com a ajuda de seu assistente Percy (Verne Troyer) e do mágico Anton (Andrew Garfield) para oferecer ao público a chance de transcender a realidade e entrar em um universo sem limites, o qual pode ser alcançado ao atravessar um espelho mágico. Tony (Heath Ledger) foi encontrado pela trupe dependurado em uma ponte, à beira da morte. Após ser salvo, ele passa a integrar a equipe, como forma de escapar de seu passado. Em uma tentativa de modernizar o show, ele termina por conhecer o novo mundo oferecido por Parnassus e passa por diversas transformações no decorrer de sua viagem. Só que esta mágica tem um preço e ele está perto de ser cobrado ao dr. Parnassus: sua preciosa filha Valentina (Lily Cole).

"Lembranças" de Allen Coulter 2010 - drama

Protagonizado por Robert Pattinson (eternizado como o vampiro Edward da saga Crepúsculo), conta a história de um jovem que encontra no amor, redenção.
Após o suícidio do irmão mais velho, Tyler, confuso e sem rumo, conhece Ally (Emilie de Ravin de LOST) e uma nova forma de enxergar a vida.
Robert não lembra em nada o vampiro Edward e surpreende com boa atuação. Final clichê, mas não estraga o filme. Vale a pena!

"Chico Xavier - O filme" de Daniel Filho 2010 - drama

O filme conta a história do médium Chico Xavier, maior representante do espiritismo no Brasil que completaria 100 anos em 2010, se estivesse vivo.
Tecnicamente impecável, o filme transita em passagens da vida de Chico, em sua infância sofrida, mas suportável, juventude de descoberta e vida adulta de sacrífios.
O eixo condutor parte da entrevista de Chico ao programa de tv "Pinga-fogo", onde o médium respondeu perguntas e contornou com graça, cada comentário ou questionamento malicioso dos entrevistadores. O filme parece deixar clara a essência de Chico, homem de fé, bondade e de paz.

“Mãe e filho” de Alexander Sokúrov (1996)

A fotografia e O cinema. A mãe e o filho?

“...um texto não é feito de uma linha de palavras a produzir um sentido único, de certa maneira teológico (que seria a "mensagem" do Autor-Deus), mas um espaço de dimensões múltiplas, onde se casam e se contestam escrituras variadas, das quais nenhuma é original: o texto é um tecido de citações, saídas dos mil focos da cultura” (BARTHES, Roland. A morte do autor In. O rumor da língua)

Diante das inúmeras formas de ler “o mundo”, ou “um filme”, neste caso, este filme “Mãe e filho”, pareceu-me inevitável fazer relação com o cinema e a fotografia. Sokúrov nos apresenta um paradoxo, um filme-contraste, um filme de diferenças e semelhanças, de movimentos e silêncios. Um filme de morte e de vida.

Já no primeiro plano vemos uma composição curiosa: uma imagem estática, um casal que conversa, envolvido pela escuridão, onde o contraste claro/escuro típico de uma pintura, é emoldurado pelo formato retangular de qualquer tela de projeção. Se não fosse o diálogo contido e os movimentos sutis, poderíamos estar diante de uma tela de tinta à óleo.

Sobre o que conversavam? Sobre sonhos (ou pesadelos). A mulher, a mãe, já velha e enferma, revela seus temores diante de um sonho/pesadelo que sempre se repete: uma sensação incômoda de prisão. O homem, o filho, ainda que jovem e viril, compartilha do mesmo pesadelo e temor. Se este diálogo pudesse representar todos os elementos que compõem a fotografia ou o cinema (onde o movimento é pura ilusão), eu sentiria o mesmo temor. É quase como ter vida própria num espaço limitado de tempo e lugar. É quase como dar vida às imagens mortas e congeladas no tempo, compondo personagens, histórias e diálogos. É como entrar em sintonia com o diretor e compartilhar das mesmas “pirações” e/ou inventá-las. Imagine se pudéssemos ouvir o que as imagens nos dizem! Falariam dos seus medos? Da sensação estranha de aprisionamento? Do pavor da morte? Saberiam quem são e o que fazem naquele lugar? Tão escuro e distante? Tão limitado e estranho? Nessa leitura seria o possível punctum? Minha forma de ver e imaginar?

Uma mãe enferma, imóvel, dependente de um filho, jovem, ágil e solidário. Uma mãe que resiste ao tempo, cruel e veloz. Por vezes não entende porque ainda existe, tão velha e cansada. Teme e deseja a morte. Sente-se inútil e um fardo para o filho. Para que existir? Mas o filho é solidário e amoroso. Ainda que ela não consiga mais caminhar sozinha, ele a carrega. Ele a leva e a movimenta em seus braços, ainda que ela permaneça imóvel. Sempre imóvel. Reconhece em si mesmo, a importância da mãe, sua origem. Para o cinema existir, a fotografia foi o caminho, o marco, e agora é vestígio. O cinema carrega nos braços, aquela que o originou e mesmo que algum dia a recuse, jamais poderá negar sua origem (como qualquer filho).

O filho por vezes sai de cena, fora de campo, coisa possível somente no cinema. A fotografia estática, a mãe, permanece sempre estática, enferma, imóvel. A paisagem que os envolve é como uma pintura ou uma limitada moldura de projeção, mas o filho e o som se movimentam constantemente. Sempre há som. Possível prova de movimento constante? Ainda que fora de campo ou manipulado na edição, sempre há o som. Som de um trem, de pássaros, de passos, sons da vida, constante, móvel, ágil.

O filho quer alimentar a mãe, como o movimento que ânsia por mover, carregar e salvar o estático. Já crescido, independente, livre, mas eternamente grato. A mãe por vezes se recusa a comer. Está cansada de ser carregada. De ser enferma, de estar viva. Por vezes relembra sua própria origem, na casinha distante, envolvida pela paisagem serena, ao som dos pássaros e grilos. Lembra de quando era viva e quando teve seu filho, o primeiro, de uma gestação difícil, mas tão amado e desejado. Nem todos aprovaram, mas ela o teve mesmo assim. Seria o cinema um temor para alguns? Uma origem difícil e rejeitada por tantos? Uma ilusão de movimento, sem cor e som, mas de certa forma, representação da vida? A mais fiel possível, talvez?

O filho acaricia a mãe, observa, ama. Ele confere se ela apenas dorme, teme sua morte. Sente pavor de perdê-la. Conseguirá ter vida própria? Conseguirá seguir sozinho? Deseja encontrá-la onde quer que esteja. Ele sofre. Necessita interagir, tocar, estar perto. Ele a repousa no jardim e mostra-lhe fotos. Metalinguagem? Uma foto vendo uma foto? Uma imagem vendo uma imagem?

E quando o movimento do filho cessa, o som permanece. A vida os envolve? A moldura da vida os acolhe nas folhagens e estradas. O filho passeia sozinho. Pensa. Reflete. Chora. Distancia-se. Quer fugir? Quer voltar? Saiu pra pensar?

E ainda que ele repouse, sempre há o som. Diegético e extra-diegético? Por vezes ele a carrega, mas sempre repousa. Descansa. Seria a confirmação do cinema como ilusão? Ilusão do movimento? Ao cessar da película, interrupção?

A mãe fala do medo da morte e ele fala que ela pode viver quanto quiser. Escolha sua? Inevitável morte? Ela questiona o porquê, ele explica que se vive por alguma razão: a razão de apreciar a vida. E quando pensamos que ele irá se libertar, ele retorna para seu lar, sua origem. Às vezes caminha, às vezes corre, e ainda que repouse, a vida os envolve.

No passar das nuvens e no balançar das árvores, numa borboleta ou numa mosca, sempre há vida. Sempre há movimento, além do filho. Ele é envolvido pelo movimento. Ele é movimento no movimento, mas também repouso. Assim como a mãe é enferma, e está sempre no limite da vida e da morte, como a fotografia, congelada no tempo, também está viva na memória. Ao ler uma imagem, podemos criar o movimento que quisermos. Podemos projetá-la para fora de campo e imaginar continuidade, composição, histórias. Temos o poder nas mãos de sermos eternos “leitores”!

A mãe morre. O filho sofre. Ele deseja encontrá-la. Algum dia. Será a morte do cinema? Ele pede paciência. Pede que ela o espere. Ele a chama. Ele repousa. E a vida....continua....

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

34ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

Durante duas semanas, acontece em São Paulo a tradicional Mostra Internacional de Cinema, onde em sua 34ª edição, exibe mais de 400 títulos dos mais variados países e de diversas cinematografias que estarão sendo exibidos em mais de 20 espaços, entre cinemas, museus e centros culturais espalhados pela capital paulista. A seleção faz um apanhado do que o cinema contemporâneo mundial está produzindo e das principais tendências, temáticas, narrativas e estéticas produzidas em todo o mundo.


“O Estranho Caso de Angélica”, filme de Manoel de Oliveira coproduzido pela Mostra, abre o evento no próximo dia 21, no Auditório do Ibirapuera. Exposições de fotos de Wim Wenders e de storyboards originais de Akira Kurosawa também são destaques da programação.

E pela primeira vez, Santa Catarina tem um filme selecionado com "A antropóloga" de Zeca Pires.

Sobre o filme catarinense

Zeca Pires já reúne um apreciável curriculum na área cinematográfica. Dirigiu diversos curtas e este é o seu primeiro longa metragem que conta a saga de uma antropóloga portuguesa que vem do arquipélago dos Açores para a Ilha de Santa Catarina desenvolver uma pesquisa de etnobotânica.

É na bucólica Costa da Lagoa que ela se envolve com a comunidade local e descobre aspectos do misticismo e das crendices populares preservadas pelos descendentes dos açorianos que colonizaram a Ilha.

Com base no argumento original de Tabajara Ruas, as roteiristas catarinenses Tânia Lamarca e Sandra Nebelung realizaram extensa pesquisa para o desenvolvimento de uma história de suspense, que é considerado um gênero inovador na produção cinematográfica nacional.

O resgate histórico das tradições açorianas, a cultura do sobrenatural e a busca pelo auto-conhecimento são as tônicas dramáticas do filme, que homenageia ainda Franklin Cascaes a partir da incorporação de seu legado artístico aos rituais e elementos retratados no filme.

Fonte: http://aluizioamorim.blogspot.com/2008/06/antroploga-um-filme-de-zeca-pires.html