quinta-feira, 2 de setembro de 2010

"Karatê Kid" de Harald Zwart 2010


em breve.

Filmes do mês - setembro

São atualizados no decorrer do mês.

05L-"Lembranças" de Allen Coulter 2010 (3)
04L-"Chico Xavier - O filme" de Daniel Filho 2010 (4)
03C-"Nosso lar" de Wagner de Assis 2010 (2)
02T-"A fera do rock" de Jim McBride 1989 (2)
01T-"O Médico e o Monstro" de Rouben Mamoulian (1931) (4)*
------

*Filmes Revistos Organização: Ordem crescente - em números.

Nome do filme + diretor + ano.
Códigos: C (cinema), D (dvd acervo pessoal), L (locadora), T (tv).

Notas:
(0) dispensável
(1) ruim
(2) razoável
(3) bom
(4) muito bom
(5) excelente
(P) prazer culpado (tecnicamente ruim, mas adorei)

"O médico e o monstro" de Rouben Mamoulian (1931)

Complementando meu momento nostálgico de falar do programa "Sessão Cinema" da TV UFSC (Canal 15 da NET - Região local de Florianópolis SC), aproveito para falar do filme que passou lá hoje no final da tarde e que acabei assistindo novamente. "O Médico e o Monstro" de Rouben Mamoulian (1931), que é uma das várias versões adaptadas para o cinema, do livro (título original em inglês: The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde) de Robert Louis Stevenson , publicado em 1886.
Cito uma passagem que extraí de um site, sobre o livro, para fazer o gancho com o filme: "A história de Stevenson baseou-se na vida dupla de um habitante de Edimburgo, na Escócia, chamado William Brodie: de dia ele era um respeitado marceneiro; à noite, roubava as casas dos moradores da cidade. A história se passa em Londres, no final do século XIX, centro urbano com quatro milhões de habitantes. Devido ao grande contraste econômico entre os industriais (cada vez mais ricos) e os miseráveis (cada vez com menos oportunidades de emprego e vida digna), Londres passou a ser palco de inúmeros crimes horríveis. Justamente por isso, em 1829, foi criada a Scotland Yard, que se tornaria mais tarde reconhecida por sua eficiência em resolver crimes e por tomar parte das inúmeras páginas das histórias policiais inglesas." (Disponível em: http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/resumos_comentarios/o/o_medico_e_o_monstro

O filme de Rouben Mamoulian, é protagonizado pelo ator Fredric Marcha, que vive o personagem com dupla personalidade, Dr. Henry L. Jekyll - o médico e Mr. Hyde - o monstro.
Diante do progresso de Londres, o médico, noivo de uma bela dama, dialoga com seu amigo advogado, Dr Lanyon, sobre a possibilidade do homem possuir duas personalidades, uma boa e uma má. Por ser agente da ciência, Dr. Jekyll acredita ser possível extrair do homem, tudo que existe de ruim e assim, permanecer só o que é bom, como se um não dependesse do outro. Ele acredita na possibilidade, defendendo-se como um curioso, como o curioso que criou a lâmpada e colaborou para o progresso, evitando deixar Londres às escuras ou dependente de mecanismos primitivos e limitados. Dr. Jekyll acredita nos sacríficios a favor da ciência, do progresso.
Em vários percursos do filme, Dr. Jekyll confronta o amigo, promovendo a reflexão de que nele (e em nós espectadores) existem dois lados, do racional e irracional, daquilo que reside na consciência e inconsciência, do feio e de belo. Atitudes que controlamos e instintos incontroláveis. Mal natural que habita o feio, pois para Platão, por exemplo, o bom habita o belo. E o amor deseja o belo. Não um belo, padrão de beleza, limitado e rotulado, mas o belo como conhecimento, verdade, sabedoria, justiça, medida, filosofia.
Dr. Jekyll então, ao permitir o conflito entre sua própria natureza, entre o que considera certo e errado, bom e mau, quando é seduzido por uma meretriz ao defendê-la de um cafetão, (sendo um bom homem) deixar fluir o desconhecido, o instinto, a paixão carnal, atração que inunda o racional, e acaba sendo confrontado pelo amigo advogado: "O que você está fazendo? Você é noivo!" Dr. Jekyll aproveita a deixa para reforçar seu discurso de que algo de tentador reside em sua natureza e provoca o amigo, afirmando que na natureza de todo homem é assim, portanto para combater o mau, basta isolá-lo.
Com isto, em suas experiências de laborátorio, Dr. Jekyll, cria uma "Poção mágica" e faz de si uma cobaia, tomando a opção e sofrendo uma transformação física. No lugar do belo e bom doutor, surge um monstro (ainda que pictórico no filme, por ser antigo) mau e feio. Monstro que se considera livre, como livre nos sentimos ao saciar um desejo, ao seguir um impulso, ao perder o controle e seguir instintos. Lugar onde reside o prazer, a paixão, o irracional. Monstro dentro de todos nós, que precisamos controlar diariamente, para não nos desordenarmos diante das regras impostas pela sociedade. Não exatamente o que é certo, mas quilo que permite a convivência civilizada (se é que ela é possível). Aproveito e cito Carl Jung, quando diz que o conflito entre duas naturezas fundamentais é necessário para o equilíbrio. É necessário conhecer-se por inteiro e saber lidar com os próprios conflitos, que sempre irão existir e fazem parte do crescimento pessoal como ser humano.
Dr. Jekyll então torna-se o monstro inconseqüente Mr. Hyde. E na experiência de liberdade, fica cada vez mais difícil para o médico, não tornar-se Hyde, pois o prazer aflora os instintos, e a curiosidade habita o homem. Ouso dizer, que ao se deliciar com o mau, com o prazer carnal, como o homem e mulher que se rendem ao sexo e traem seus companheiros e companheiras, como faz Dr. Jekyll com a noiva, ao deitar-se com a meretriz que antes o seduziu, enquanto era bom e belo. A meretriz deixa de ver o bom e belo, para ver o mau e feio. Pois é o que acontece conosco por exemplo, quando conhecemos algupem bonito fisicamente, mas de certa forma, se for uma pessoa de mau caráter, péssima índole, acabamos vendo feiúra. Ou ao contrário, como se vê no filme "A bela e a fera" dos estúdios Walt Disney, que o príncipe, tão belo, ao destratar uma pobre senhora, sofre a maldição da feiúra e somente quando Bela vê na fera, beleza, o encanto se quebra e ele torna-se belo novamente, voltando a forma física de príncipe.
Estes exemplos reforçam a ideia de que onde reside o bom, reside o belo.
Para vivermos em harmonia, precisamos respeitar uns aos outros e os dois lados que existem em nós, sem desmerecer nenhum, pois o conflito é necessário para o amadurecimento e crescimento pessoal.
Finalizando, encerro com mais um trecho do site que citei acima:
"Segundo as teorias de Dr. Jekyll, o homem, na verdade, não é apenas um, mas dois. Todo ser humano é dotado de duas naturezas completamente opostas equilibradas de acordo com sua saúde mental. Uma é boa, aquela que traz admiração das pessoas, compaixão dos mais velhos, elogios dos amigos e da esposa ou namorada; outra é má, aquela que é violenta, agressiva, mal-educada, feia e temida por todos. Quando bem distribuídas, com pequenas alternâncias de estado, o homem pode ser considerado normal, mas há os casos em que uma natureza se sobrepõe a outra, tentando se libertar. O problema torna-se grave quando quem alcança a liberdade é o lado negativo, gerando as fatalidades que estamos acostumados a presenciar nos noticiários."
Ou seja, nem Dr. Jekyll ou Mr. Hyde, mas os dois!

TVUFSC - uma oportunidade para o cinema de vanguarda


Em 2009, cursando as duas últimas fases na graduação de cinema da UFSC, tive a oportunidade de atuar como bolsista na TVUFSC (Canal 15 da Net - tido como canal universitário e local), quando ainda se encontrava sem uma direção e estrutura organizada adequada, fazendo parte da equipe apenas eu e a servidora administrativa "Lili" que me convidou para fazer parte dessa "equipe". Deparei-me com uma estrutura mínima, mas com grande potencial. Tinha na mão a oportunidade de inovar uma programação que se resumia a exibir programas antigos produzidos em bons tempos da tv em 2004.
Um canal 100% universitário, disponível aos estudantes e completamente desconsiderado pela universidade. Nasceu então uma grande vontade de inovar e fazer da oportunidade um começo.
Busquei alternativas para inserir novos programas na grade, sem depender de uma equipe, que contaria com uma verba que não existia. Editei novas vinhetas, novos breaks, usando os cenários da universidade. Aproveitei o que existia e tentei acrescentar algo de novo.
Busquei no cinema, a inspiração.
Descobri que filmes com lançamento e exibição pública há mais de 70 anos, passam a ser de domínio público. Portanto, com apoio da propriedade intelectual da universidade, onde tirei minhas dúvidas sobre direitos autorais, pesquisei por meses uma lista imensa de filmes datados até 1939 e comecei a buscar estas cópias para exibir na tv.
Este foi o começo.
Uma programação precária, uma tv com poucos recursos, nenhuma equipe ou verba, muita resistência, mas muita garra da "Lili" e vontade de manter a tv viva. Essa foi a premissa.
No decorrer do ano, a tv deslanchou, assim que entrou um novo diretor geral, o professor e jornalista, Fernando Crócomo. A luta continuava e aos poucos a tv foi crescendo. Vi de perto essa transformação. Novos programas eram feitos no jornalismo, minutos no campus, exibição de tcc´s em vídeo, grandes reportagens realizadas por alunos e assim foi.
Hoje não faço mais parte da TV UFSC por estar formada, mas de vez em quando, coloco no canal 15 e me deparo com o programa "Sessão Cinema", que perdurou e se mantém vivo.
Programa que "criei", organizei, iniciei na tv e na época de bolsista, até fui apresentadora, vivenciando um pouco, a vida de apresentadora de estúdio. Eu escrevia o texto, a jornalista revisava e então, eu fazia as gravações das "cabeças". Antes de iniciar o filme, eu dizia um pouco sobre sua contribuição para o cinema, sem tirar a surpresa da história. Enfrentei o desafio de ler o texto num "tp" (telepronter) e errar o mínimo possível! Tinha preocupações com a cor e com o modelo da roupa para não vazar no chroma key (fundo infinito azul).
Desenvolvi a identidade visual e a vinheta (que estão no ar até hoje).
"Sessão cinema - vanguarda e clássicos".
Com programação de 24 horas, hoje a TV possui uma boa equipe de colaboradores, estudantes, jornalistas, editores, bolsistas, operadores de master e afins. São várias áreas do conhecimento e da comunicação atuando na produção, edição e programação.
Quanto ao programa de cinema, qualquer um poderia ter tido a ideia, tendo vontade e a oportunidade, mas o que realmente importa é existir hoje um espaço para o cinema de vanguarda, um cinema clássico, a disposição da comunidade, mesmo que ainda em tv paga. Filmes difíceis de encontrar em vídeolocadoras (comprei muitos para meu acervo pessoal e cedi cópias pra tv), que não fazem parte de nenhum circuito alternativo e não são protagonistas do tal "telecinecult", antigo telecine classic. Filmes como "Metrópolis" do Fritz Lang (1927), "Um cão andaluz" do Luiz Buñuel (1928), "E o vento levou" de Victor Fleming (1939), entre outros.
É uma oportunidade única de ver os filmes da vanguarda surrealista e impressionista do primeiro cinema. Assim como filmes da era de Ouro de Hollywood, quando inicia o star system (sistema de estrelas/celebridades) e studim system. (sistema de estúdios - filmes feitos em estúdios, controlados pelas grandes produtoras, grandes estúdios, ativos até hoje como Fox, Universal e Paramount. Um modelo pioneiro de cinema que prevalece até hoje no circuito comercial, o modelo de Hollywood, que trata o cinema como um "produto", uma ferramenta de entretenimento, considerando os espectadores como "clientes", como público e a produção como uma indústria cinematográfica.
Não que seja totalmente ruim, afinal é um modelo que gera empregos, mobiliza populações, inova, acrescenta, abre portas, movimenta financiamentos, mercados alternativos e ainda que superficial em vários momentos, permite narrar ideias, sonhos, histórias, aquilo que pertence à imaginação humana.
O importante é que ele não seja considerado o único cinema, desmerecendo o cinema de autor, aquele que busca transgredir, falar do que não é falado, descontruir essa narrativa clássica tão desgastada, e acrescentar ao espectador, provocando, forçando a reflexão. Talvez nem sempre agrade, porque não pretende agradar, mas o mais importante, revoluciona, mesmo que depois, torne-se um modismo. O que importa é o constante movimento e reflexão.

Portanto, sempre que tiverem oportunidade, moradores de Florianópolis e região, prestigiem a "Sessão Cinema" da TV UFSC. Vale a pena!

Programação: http://www.tv.ufsc.br/
TV UFSC - Canal 15 da NET.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

"Filadélfia" de Jonathan Demme 1993


Em 1993 fui com meus pais no cinema e só lembro de acordar no final da sessão. Eu tinha uns 8 anos. Acho que nem era pra minha idade.
Devo ter assistido outras vezes depois, mas assim como em outros filmes, nossa memória nos engana e esquecemos totalmente da história e ao assistir novamente algum filme do passado, somos apresentados a um mundo novo da ficção com muita fantasia, comédia, drama e/ou romance.
"Nossa, não me lembrava desse detalhe!" "Nossa, não me lembrava desse ator!" "Nossa, não lembrava da história mesmoo!"
Enfim, com um acervo de mais de 500 filmes, este foi o filme escolhido para assistir numa noite de sábado, debaixo das cobertas, muito bem acompanhada pelo meu noivo, claro! Foi escolha dele, já que envolvia advogado, sua profissão! =)
"Filadélfia" é a história de um advogado, Andrew Hackett, homossexual (super discreto), com aids (vírus HIV manifestado) que demitido por justa causa do escritório de advocacia, alegando preconceito, resolve entrar na justiça para lutar por seus direitos.
O personagem é protagonizado por Tom Hanks, seu advogado (inicialmente preconceituoso) é Denzel Washington e seu namorado (super fofo e atencioso) é Antônio Bandeiras. Todos bem novinhos e numa ótima performance dramática. Tão boa que o filme foi premiado com o Oscar de Melhor Ator (Tom Hanks) e Melhor Canção (composta por Bruce Springsteen).
Por muito tempo, a câmera nervosa, sob o olhar de quem se sente ameaçado e/ou apavorado por uma pessoa contaminada, age como olhos nervosos dos personagens, atenta a cada movimendo de Andrew: o que ele toca e onde ele toca. Pavor real, reflexo de uma sociedade que na época não sabia lidar muito bem com uma doença tão devastadora e mortal. (se é que hoje já sabe!) Mas pior que o preconceito diante da doença, é o preconceito com a opção sexual de Andrew, tida como causadora e disseminadora da doença e colocada como escolha. Os chefões do escritório, alegam que Andrew escolheu contrair a doença, a partir de suas preferências sexuais, diferente de quem contraiu inocentemente numa transfusão de sangue. Santa ignorância! (perdoem-me mesmo os ignorantes, mas ninguém escolhe contrair uma doença. Até pode estar suscetível, quando se tem uma vida sexual ativa, como o número crescente de soropositivas donas-de-casa que contraem de seus maridos infiéis. Obviamente elas não usam camisinha por serem casadas e por confiarem nos seus homens, que levam pra casa o tal vírus mortal! Escolha uma ova! Deles talvez, mas não delas! Coitadas!)
Não muito longe da ficção, Dourado do Big Brother 2010, causou polêmica, ao afirmar durante o confinamento que somente homossexuais contraiam HIV e heteros não.
Estamos em 2010 e a falta de informação e esclarecimento ainda é grande, mesmo que a sociedade pareça menos apavorada, já que o vírus parece controlado (ainda que mortal).
É difícil morrer de AIDS como antes, como morreram nossos mestres da música Cazuza e Renato Russo. Com as novas descobertas, os soropositivos levam uma vida plena, controlados por medicações fortes, e sem apresentar uma aparência tão debilitada como antes. Os cuidados continuam sendo necessários e os riscos ainda são reais, tanto para os soropositivos, quanto para os sexualmente ativos, independentemente de suas opções sexuais.
Assistir ao filme me fez pensar que o preconceito não reside somente na doença, mas no pavor de assumir o papel de quem sofre preconceito. Viver diante de tanta ignorância e falta de esclarecimento, como Andrew viveu na ficção. Com aparência debilitada, o personagem contou com muito apoio da família e de um namorado que não é soropositivo. Escolha do diretor em mostrar que a pessoa soropositiva leva uma vida normal e é amado pelos entes queridos, mesmo diante de tanto sofrimento. Não é somente um promíscuo ou um drogado, os que contraem a doença, mas às vezes por falta de esclarecimento, um jovem, descobrindo a vida sexual, numa única ocasião, num único deslize, contrai uma doença irreversível. Um erro comum, dificilmente isolado.
Mesmo numa biblioteca, ao tossir ou encostar em algo ou alguém, as pessoas tremem de pavor. Andrew lê um trecho da lei em que diz que a AIDS é uma doença social, pois mais que as conseqüências da doenças, o indivíduo sofre isolamento e preconceito, dificultando ainda mais a luta pela vida, pois menospreza, torna-o inválido e o exclui, antes mesmo que a doença cumpra esse papel.
Um filme da década de 90, mas atual. Não porque a sociedade ainda apresenta uma postura apavorada, mas porque o risco ainda existe, o cuidado ainda é necessário e a falta de esclarecimento é mais comum do que se imagina! Mesmo diante de tanta mobilização, propaganda, campanhas. O esclarecimento às vezes tem que partir de dentro!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Notícias rapidinhas de cinema II


1. Martin Scorsese está em Paris rodando seu mais novo filme, A Invenção de Hugo Cabret, no qual o diretor presta homenagem ao cineasta Georges Méliès (1861 — 1938).

2. Com estreia prevista para 2011, Wes Craven começou a rodar Pânico 4, com participação dos veteranos Neve Campbell, David Arquette e Courteney Cox. O primeiro filme da série de horror foi lançado em 1996, e o último filme da franquia data de 2000, dez anos atrás. A ideia de Craven é lançar o 5 e 6 na seqüência.

3. Lançado trailer do documentário Mamonas para sempre, do diretor Cláudio Kahns. O filme conta com material inédito e depoimentos de parentes, amigos, produtores e músicos que recontam a trajetória do grupo, os desafios, a ascensão e o trágico acidente aéreo que matou todos os seus integrantes em 1996.

4. YouTube estuda a possbilidade lançar serviço de filmes ainda este ano. Os títulos custariam cerca de U$5 e seriam assistidos em tempo real (não baixados).

5. O novo filme do diretor francês Jean-Luc Godard, Film Socialism, chega aos cinemas brasileiros no dia 3 de dezembro.

6. Filme sobre John Lennon, O Garoto de Liverpool (Nowhere Boy) chega aos cinemas em 1º de outubro, interpretado pelo ator Aaron Johnson.

7. "Piranha", refilmagem do clássico "Piranhas" de 1978, dirigido por Alexandre Aja (Viagem Maldita e Espelhos do Medo) chega aos cinemas brasileiros em 15 de outubro, com versões em 3D.

8. O sétimo filme da franquia Jogos Mortais ganhou data de estreia no Brasil: 29 de outubro. O longa terá formato 3D.

9. A Warner Bros. Animation resgata seus personagens clássicos Papa-Léguas e Coiote e os leva de volta aos cinemas em três novos curtas-metragens. As animações acompanharão os próximos lançamentos da distribuidora em filmes para a família que chegam às telonas a partir deste ano, com projeção em 35mm e 3D.

10. As duas principais distribuidoras do Brasil, a Imagem Filmes e a Europa Filmes, se uniram para a distribuição de O Palhaço, segundo filme do ator Selton Mello como diretor. O lançamento está previsto para o primeiro semestre de 2011.

11. O músico, cantor e compositor americano, Lenny Kravitz voltará a atuar no cinema, no filme The Blind Bastards Club de Ash Cohen Baron (irmão de Sasha B. Cohen, conhecido como repórter Borat). Com cenas gravadas no Rio de Janeiro, o longa conta a história de um grupo de cegos que pratica esportes radicais. As filmagens devem começar em março de 2011.

12. O documentário Uma Noite em 67 de Renato Terra e Ricardo Calil é o mais visto no gênero este ano no Brasil. O filme conta como foi um dos grandes momentos da história da MPB, a noite da grande final do terceiro Festival de Música Popular Brasileira, em 1967.

13."Atividade paranormal 2", dirigido por Tod “Kip” Williams (Provocação) estreia em outubro deste ano. Apostando na formula já bem sucedida de A Bruxa de Blair (1999) - produção barata + estilo mockumentary - o primeiro Atividade Paranormal estreou em 2009 e foi sucesso de bilheteria, arrecadando mais de US$ 190 milhões.

14. Exposição reúne vestidos clássicos e imortalizados no cinema (como réplicas dos vestidos usados por Marylin Monroe) no Shopping Iguatemi em São Paulo até 30 de agosto.

15. Abertas inscrições até dia 30 de agosto para a seleção de filmes brasileiros de longa-metragem aptos a concorrer ao prêmio de melhor filme em língua estrangeira no Oscar 2011.

"A origem" de Christopher Nolan 2010

Queria eu ter domínio sobre algum conceito de subconsciente, mas mesmo sem isso e com um pouco de Jung no repertório pessoal, misturado a uma imaginação cinematográfica, consegui entender com clareza a proposta de Nolan.
Fui ao cinema com a mente e postura aberta diante do que poderia vir de Nolan, sabendo que corria o risco de sair com dor de cabeça e com a sensação de frustração, caso não entendesse sua proposta, ou pelo menos, um mínimo dela.
Diferente de outros depoimentos, a ideia me pareceu muito clara.
O filme se constitui de uma narrativa protagonizada por Leonardo Di Caprio e sua equipe, sem se preocupar em introduzir sobre cada personagem, mas já começando diante do inédito, a possibilidade de invadir os sonhos e roubar ideias.
Pra quem estuda um pouco sobre criação, é fácil entender que as ideias de cada indíviduo partem de um repertório pessoal, formado pelas experiências únicas de viver. Sejam experiências vivenciadas (quando se vivencia), presenciadas (quando se presencia a do outro) ou apenas ouvidas (quando o outro a "conta").
Nenhuma ideia vem de um "boom" criativo, inexplicável, sem origem. É um exercício mental de extrair do repertório, a melhor construção: a ideia.
Para os designers, por exemplo, muitas logomarcas são desenvolvidas após uma trajetória de experimentos e tentativas, e acabam sendo frutos de uma descontrução contínua e exercitada. Como começar com um quadrado e terminar com um círculo. O que importa não é o começo ou o fim, mas o processo. O processo é o verdadeiro caminho para a desconstrução e criação.
Isso vale para o design ou para qualquer processo de criação.
Quanto maior o repertório, mais diversificada pode ser a ideia, por isso ver filmes, ler, viajar, conhecer pessoas diferentes, conversar, trocar ideias, escrever, refletir, enfim, estimular a imaginação é extremamente importante e necessário para exercitar a mente e a capacidade de criar.
Voltando agora ao filme, fica simples.
Toda ideia possui uma origem particular no indivíduo. Obviamente deve ser difícil identificar exatamente o que do repertório pessoal influenciou nessa ideia, por isso, entra o subconsciente (ou o inconsciente para Jung): a natureza do desconhecido para o ser humano. Tudo aquilo que foge da lógica ou do padrão, como a pedofilia, a vontade de matar, o próprio instinto humano, a paixão, a atração, inveja, sensações, sentimentos e comportamentos impossíveis de controlar, parecem vir desse universo do desconhecido.
Leonardo Di Caprio é o mais habilidoso invasor de mentes, de toda a equipe. Sua habilidade vem da experiência contínua de trabalho e principalmente, das viagens profundas que embarcou com a esposa. Seu trabalho é roubar ideias, ou no objetivo principal do filme, fazer o difícil, a inserção de uma ideia.
Sendo o cinema a melhor ferramenta para ilustrar o mundo dos sonhos e da imaginação, poderia haver representação melhor que um cofre, um forte, um cadeado para guardar aquilo que temos de mais precioso na mente como nossas ideias mais criativas e conflitos/desejos pessoais internos?
Se é possível invadir, é possível proteger, portanto as cenas de ação do filme se baseiam nos mecanismos de defesa que a mente da vítima criou para proteger o que tem de mais precioso, representados por seguranças de terno e óculos.
Para invadir a mente de alguém, é necessário compartilhar do mesmo sonho, momento humano onde a mente relaxa e vaga dentro de si mesma. Somente ali, é possível agir.
E quanto mais profundo é o sonho, mais dentro de si a mente vaga. Por isso, no filme um sonho dentro de um sonho, é interiorizar ainda mais a mente e tentar chegar o mais longe possível do subconsciente, ou o mais perto da origem de uma ideia, um sentimento, um instinto.
Para ir tão fundo é necessário dormir profundamente e não correr o risco de acordar, pois quando se vai muito longe, o risco de confundir a realidade com os cenários criados pela mente, podem ser grandes e irreversíveis. Como uma pessoa que fica em coma, mas não lembra do que aconteceu enquanto esteve em coma. Ou das experiências de morte ou até de situações-limite, onde a mente bloqueia o trauma, fazendo a pessoa pular uma experiência vivida para se proteger de si mesma.
E essa mesma mente é veloz, pois palavras não parecem suficientemente rápidas para ilustrar tudo que pensamos, tanto é que quando falamos rápido demais, tentando acompanhar o pensamento, atropelamos as palavras.
Assim como Nolan, no filme "O apanhador de sonhos" de Lawrence Kasdan 2003, a mente é representada por um lugar, no caso, um pequeno escritório, com diversas gavetas separadas por assuntos. Neste filme, para bloquear algo da mente antes que seja invadida, porum extraterrestre, o personagem procura nas gavetas o que precisa deletar, num exercício desgastante de procura e bloqueio.
E sempre que esqueço uma palavra, um nome, uma informação, imagino uma figura miniscúla de mim mesma, como uma estagiária nervosa e estressada, procurando incansavelmente nas gavetas, a informação que gostaria de lembrar. Às vezes levam minutos, às vezes horas, às vezes dias, e de solavanco, escovando o dente ou no meio de uma conversa tola, lembro de um nome que não lembrava dias atrás. "Eureca". A estagiária encontrou! =)