quarta-feira, 25 de agosto de 2010

"Os deuses devem estar loucos" I e II de Jamie Uys 1980 e 1989


Recentemente precisei de um trecho do filme "Os deuses devem estar loucos" de Jamie Uys 1980, para exemplificar a construção de significados e diversidade cultural, numa palestra na semana de planejamento na Escola onde trabalho. Exibi um trecho do youtube e foi um sucesso!
Diante da curiosidade em rever na íntegra este clássico da sessão da tarde, resolvi adquirir uma cópia em dvd e me deparei com um problema: o filme saiu de catálogo e se esgotou no Brasil. Não encontrei uma cópia sequer no mercado online, e vaguei em diversas lojas, na esperança de encontrar uma cópia esquecida, mas não tive sucesso. Até encontrei duas ofertas no todaoferta, das quais não senti confiança e depois de dois meses de busca, meu noivo encontrou uma cópia nos EUA, no amazon.com, com legenda em português e chegou semana passada pelo correio.
Passei o final de semana assistindo e digo: vale a pena ver de novo!
Com as limitações técnicas da década de 80, o filme preserva o que tem de melhor: a simplicidade em apresentar os contrastes culturais entre membros de uma tribo africana e o "homem" urbano europeu.
Os dois filmes são ambientados no Kalahari, deserto localizado no Sul da África, onde somente a tribo dos bosquímanos consegue se adaptar e conviver amigavelmente, sobrevivendo diante da escassez de água.
No primeiro filme, o personagem Xi, encontra uma garrafa de coca-cola, culturamente desconhecida para ele, que inicialmente é bem recebida na tribo, como um presente dos deuses, mas que posteriormente é vista como motivo de desentendimento e vergonha entre o grupo. Xi resolve devolver o "presente" aos Deuses, embarcando numa jornada de contrastes e diversidade cultural.
Já no segundo filme, os filhos de Xixo se deparam com a curiosidade de conhecer o novo, seguindo as "pegadas" de um caminhão de exploradores de marfim, e Xixo precisa resgatá-los, seguindo os rastros deixados, tendo que lidar com as limitações de quem não sabe sobreviver num ambiente tão árido, mas considera-se extremamente civilizado.
A simplicidade de Xixo é cativante e nos faz questionar nosso modo de viver.
A sociedade contemporânea não parece disposta a abrir mão de todo conforto e tecnologia disponível, mesmo que resulte em desigualdade social, miséria, desgaste dos recursos naturais e superexploração do planeta, talvez por isso, o preço a ser pago seja tão alto!

Dicas de filmes - agosto

CINEMA

Não vi, mas vou ver:

"O bem amado" de Guel Arraes 2010 - comédia

Baseado na obra de Dias Gomes, O Bem Amado conta a história do prefeito Odorico Paraguaçu, que tem como meta prioritária em sua administração na cidade de Sucupira, a inauguração de um cemitério. De um lado é apoiado pelas irmãs Cajazeiras. Do outro, tem que lutar contra a forte oposição liderada por Vladimir, dono do jornaleco da cidade. http://www.obemamado.com.br/filme.html

"Meu malvado favorito" de Pierre Coffin e Chris Renaud2010 - animação

Gru (Steve Carell) é um supervilão que duela com Vector (Jason Segel) para ter o posto de o mais malvado. Para vencer a disputa, ele decide roubar a Lua. Só que terá que enfrentar três órfãs, que estão sob os seus cuidados e não podem ser abandonadas.

"Kick ass - quebrando tudo" de Matthew Vaughn 2010 - ação
Filme independente (baixo orçamento para os padrões hollywoodianos), inspirado em quadrinhos, sobre jovens e desajeitados heróis, geração Youtube, mergulhados em uma trama cínica, engraçada e violenta a la Tarantino. Conta com a participação de Nicolas Cage, como o pai da Hit Girl.

Já vi e indico:

"A origem" de Cristopher Nolan 2010 - ficção científica Atual campeão de bilheteria nos EUA, é considerado impenetrável à crítica, tamanha é a proposta complexa do enredo, depois de "Matrix" (1999). Se depender do mesmo diretor de "Batman - O cavaleiro das trevas" (2008), a expectativa é grande!

"Salt" de Phillip Noyce 2010 - ação/drama
Angelina Jolie encarna uma agente da Cia, acusada de espionagem.
O filme foi inicialmente projetado para um personagem masculino, recusado por Tom Cruise, que preferiu fazer "Encontro Explosivo" (2010) e posteriormente a história original foi adaptada para uma protagonista mulher e como em todos os filmes recheados de ação, protagonizados por uma mulher ágil e eficiente fisicamente, como "Lara Croft: Tomb Raider" (2001) e "Sr. e Sra. Smith" (2005), Angelina encarna mais uma personagem de forma intensa, trabalhando muito bem o olhar e gestos sutis, em contraste com os golpes rápidos da personagem Emily Salt. O filme não possui nada de inovador em termos de ação cênica, explorando mais uma vez a narrativa clássica, do uso de heróis e vilões, usando o desgastado esteriótipo dos vilões russos/soviéticos, em contraste com uma heroína nacionalista leal silenciosa. A sutileza e profundidade dos olhares da personagem Salt tornam-se aliados dos espectadores mais antenados ao enredo. Está tudo ali colocado e trabalhado na subjetividade através dos grandes olhos claros de Jolie, para sacar a construção da personagem e o desenrolar dos acontecimentos. Arrisco em dizer, que é até um pouco previsível. E aproveito para acrescentar algo positivo no quesito entretenimento, usando um comentário de uma amiga otimista que assistiu antes de mim, afirmando que o filme traz um toque de realismo em algumas cenas, do tipo "parece tão fácil, que dá vontade de fazer igual". Angelina é perfeita pra esse papel e pra esse tipo de personagem, mas o filme é puro entretenimento e boa opção pra quem gosta de pura ação e um pouquinho de sutileza.

"Toy Story 3" de Lee Unkrich 2010 - aventura/animação 3D
Continuação da aventura dos brinquedos falantes do crescido e calouro universitário Andy, agora em 3D, resgatando lembranças da infância, passagens para vida adulta e arrancando boas risadas (e algumas lágrimas nostalgicamente emocionadas) ao apresentar novos personagens, como o Ken metrossexual e o ursinho roxo vingativo Lotso (com cheirinho de morango), além dos inesquecíveis Wood, Buzz e seus amigos. Vale a pena assistir os dois filmes anteriores e relembrar de como era fantasiar os brinquedos ganharem vida, quando se está distraído. Destaque para o desfile de moda do Ken. Inesquecível!

"Eclipse" de David Slade 2010 - fantasia/suspense/aventura/romance
Terceiro filme da saga Crepúsculo. Dispensa comentários. Puro "prazer culpado".
Para relembrar, é focado no confronto entre a família Cullen e o exército de recém-criados (vampiros) de Victoria, buscando vingança pela morte do parceiro James (no 1º filme). Além de focar principalmente nas incertezas de Bella Swan ao se sentir dividida entre o amor de Jacob (lobinho) e Edward (vampirinho).
Destaque para a cena da cabana, que carrega o tom humorado e divertidamente constragedor do livro.
Obs.: A saga toda faz parte da minha lista de "prazeres culpados" infinita. (tecnicamente não é bom, mas eu adoro mesmo assim).

VIDEOLOCADORA

Não vi, mas vou ver:

"Encontro Explosivo" de James Mangold 2010 - ação/comédia
Protagonizado pelos astros Tom Cruise e Cameron Diaz, narra a história de uma jovem que se envolve com um agente secreto e embarca numa agitada aventura.

"Mary e Max" de Adam Elliot 2009 - animação/drama
Em paralelo ao 3D, é um longa feito em técnica artesanal stop motion (fotografia dos movimentos quadro a quadro), que conta uma história de amizade entre dois personagens, inseridos no universo atual das redes sociais.

"A fita branca" de Michael Haneke 2009 - drama/guerra
Ambientado na Primeira Guerra Mundial, foi indicado ao Oscar 2010 de Melhor Filme Estrangeiro.

"Chico Xavier - O filme" de Daniel Filho 2010 - drama

O filme conta a história do médium Chico Xavier, maior representante do espiritismo no Brasil que completaria 100 anos em 2010, se estivesse vivo.

"É proibido fumar" de Anna Muylaert 2009 - drama
Glória Pires protagoniza a história de uma mulher, professora de violão, que precisa enfrentar conflitos pessoais como parar de fumar, reaver um sofá e lidar com o envolvimento amoroso com o vizinho recém chegado.

Já vi e indico:

"Educação" de Lone Scherfig 2009 - drama

É um filme do qual não se espera nada, e revela-se extremamente maduro. Tão inocente quanto a personagem, somos levados a acreditar numa história que nos cativa gradativamente, com alguma ponta de desconfiança, mas com imensa vontade de entregar-se e torcer por um final feliz. Nenhuma idealização ou caracterização de personagens perfeitos, mas sim uma história contada sob a perspectiva de uma jovem, Jenny, com 16 anos, ótima aluna de uma escola conservadora em Londres, em plena década de 60, que se envolve com um homem, 20 anos mais velho, David e que através dele, descobre um mundo de possibilidades diferentes da qual estava destinada desde que nasceu: estudar e cursar Letras em Oxford. A atriz estreante, Carey Mulligan, que interpreta Jenny, foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz, assim como o filme teve indicação para Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado.

"Um sonho possível" de John Lee Hancock 2009 - drama
Conta a história real de um adolescente negro que é amparado pela socialite Leigh Anne e sua família (rica e branca), tornando-se um astro do futebol americano. É um filme interessante, bonito e otimista sobre atitudes que podem mudar para melhor a vida de uma pessoa, esquecida pela sociedade.
Alegra um dia nublado e nos encoraja a pensar que existe esperança no mundo!
Sandra Bullock recebeu o Globo de Ouro e Oscar de Melhor Atriz em 2010 pela curiosa composição da personagem, forte e espivetada Leigh Anne.
O filme foi indicado ao Oscar de Melhor Filme.

"A estrada" de John Hillcoat 2009 - drama

Filme sem narrativa clássica (início, meio e fim) que apresenta a luta pela sobrevivência de um pai e filho, num cenário monocromático de horror, 10 anos depois de um evento não esclarecido que causou o fim da energia, vegetação e vida no Planeta Terra (aquecimento global talvez?).
É um filme com passagens fortes, durante a trajetória que os personagens percorrem, num mundo dividido pelos que lutam para sobreviver sem perder a humanidade e pelos que nunca a tiveram.

"Um olhar no paraíso" de Peter Jackson 2009 - drama
É sobre uma garota que é brutalmente assassinada e não consegue fazer a "passagem espiritual", pois precisa ajudar a família a superar sua morte.
O diretor já trabalhou com temas espirituais em filmes como "Almas gêmeas" (1994) e "Os espíritos" (1996), além de ter dirigido a trilogia "Senhor dos Anéis".
Achei intensa a experiência visual do cenário que a personagem Susie Salmon transita até fazer a passagem espiritual após a morte.
A mistura de cenários e objetos lembra bastante nossos sonhos, quando mistura lembranças e sentimentos através das composições fantásticas e metafóricas, como a chuva que começa a cair quando Susie fica triste ou quando tudo começa a secar ao seu redor, quando sente raiva e solidão.
Os conceitos espirituais não são explícitos, o filme não tem impregnado discursos morais sobre o espiritismo, apenas apresenta uma crença, uma possibilidade de que existe vida após a morte, existe uma continuidade e é necessário desprender-se deste mundo para integrar a um outro completamente novo. Isso significa querer esquecer e superar as lembranças ruins, mas todas as boas também. É desapegar-se da vida terrena. Mas Susie não consegue fazer isso, não enquanto sente sua família desequilibrada e vê seu assassino livre sem poder intervir.
É preciso, no mínimo, estar disposto a se entregar à proposta espiritual e tentar não desanimar com o fato de que não há necessidade de um fim, mas sim de uma continuidade da vida. Uma frase marcante e carregada de subjetividade "Você ainda vai entender que todos morrem Susie".

"Nova York, eu te amo" 2009 - drama/romance
Seguindo a proposta de "Paris te amo" (2006), do qual já assisti umas 5 vezes, o filme faz parte do projeto "Cities of love", que incluirá trabalhos realizados no Rio de Janeiro em 2011. Diferente do primeiro, em Paris, que apresentava 20 curtas bem definidos, este realizado em Nova York, reúne histórias e personagens entrelaçados entre si, num formato de longa, dirigido por diversos diretores sem um início e fim bem definido do trabalho de cada um. É uma questão de escolha e de propostas bem diferentes, em ambos projetos. Eu ainda prefiro a proposta de curtas, por ser uma linguaguem incomum no circuito comercial, que deveria ser mais valorizada. De qualquer forma, ambos projetos são uma boa oportunidade de conhecer narrativas com propostas diferentes, das apresentadas nos longas tradiocinais e que trabalham com uma mesma temática: o amor e as relações humanas nas "Cities of love" - Cidades do amor.

Filmes do mês - agosto

São atualizados no decorrer do mês.

17C-"Karatê Kid" de Harald Zwart 2010 (2)
16D-"O expresso da meia-noite" de Alan Parker 1978 (2)
15T-"A outra" de Justin Chadwick 2008 (3)
14D-"Filadélfia" de Jonathan Demme 1993 (3)*
13C-"A origem" de Christopher Nolan 2010 (3)
12T-"O segredo de Beethoven" de Agnieszka Holland 2006 (3)
11T-"Tigerland - A caminho da guerra" de Joel Schumacher 2000 (2)
10C-"Os mercenários" de Sylvester Stallone 2010 (1)
09D-"Os deuses devem estar loucos 2" de Jamie Uys 1989 (4)*
08D-"Os deuses devem estar loucos" de Jamie Uys 1980 (4)
07D-"Educação" de Lone Scherfig 2009 (4)
06T-"Paranóia" de D.J. Caruso 2007 (2)
05T-"Transamerica" de Duncan Tucker 2005 (3)
04C-"Salt" de Phillip Noyce 2010 (2)
03L-"Julie e Julia" de Nora Ephron 2009 (3)
02L-"Nova York, eu te amo" vários diretores 2009 (2)
01L-"Um olhar no paraíso" de Peter Jackson 2009 (2)
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*Filmes Revistos Organização: Ordem crescente - em números.

Nome do filme + diretor + ano.
Códigos: C (cinema), D (dvd acervo pessoal), L (locadora), T (tv).

Notas:
(0) dispensável
(1) ruim
(2) razoável
(3) bom
(4) muito bom
(5) excelente
(P) prazer culpado (tecnicamente ruim, mas adorei)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

"Os mercenários" de Sylvester Stallone 2010

Não é meu tipo de filme favorito, mas ao sair do cinema, conclui que não poderia deixar de comentar minhas impressões sobre esse filme...tão tão..tão..."Domingo Maior"?
Extremamente violento, beirando ao cômico e absurdo, "Os mercenários" me surpreendeu pela qualidade técnica. Som impecável (meio exagerado), toque de humor masculino manjado e sangue, muito sangue e violência. De fechar os olhos. História bem fraquinha e nada inédita, mas como não esperava muito do Stallone, fiquei surpresa. No final das contas, história, ação e técnica foi o que menos me importou, porque o filme me pareceu um grande encontro e uma grande homenagem ao gênero, e principalmente aos astros que se consagraram nos filmes de ação: Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Bruce Willis, Jason Statham, Dolph Lundgren, Jet Li e outros. (só faltou o Vin Diesel) Atores estes, que fizeram parte de uma geração de filmes que marcaram nossas noites de domingo.
Fãs dos filmes típicos de ação, luta, sangue, violência, vilãoXherói, mocinha sexy e indefesa, explosões catastróficas, músculos de aço e afins, possivelmente curtirão o resultado.
Sessão lotada, inevitável não rir da cena rápida e sugestiva entre Bruce Willis, Arnold (pausa para pesquisar no google) Schwarzenegger e Sylvester Stallone. Piada interna maaaaster!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Notícias rapidinhas de cinema


1. O diretor brasileiro Fernando Meirelles foi cotado para dirigir os dois últimos filmes da Saga Crepúsculo, mas recusou porque não se identificava com o tema (lóogico).

2. Sylvester Stallone deixou uma dívida de quase 4 milhões de reais no Brasil, pelas filmagens do seu novo filme "Os mercenários". (fdp)

3. Márcio Garcia está dirigindo um filme para o mercado americano. (o Bahuan foi longe).

4. A ex-modelo/cantora/amante?/esposa do 1º ministro francês, Carla Bruni, foi convidada para atuar na série de tevê CSI. (hãmm)

5. A quinta seqüência do filme "Velozes e furiosos" terá história ambientada no Brasil, onde será realizada parte das gravações.

6. O filme "O doce veneno do Escorpião", inspirado no livro de mesmo título, que conta a história real de uma garota de classe média que tornou-se prostituta e postava sua rotina num blog, interpretada pela atriz Débora Secco, será lançado em fevereiro de 2011.

7. Depois do filme de Justin Bieber, Hollywood pretente lançar "Lady Gaga: The Movie" em 3D, contando a história da carreira da cantora Lady Gaga, misturando os estilos dos filmes "Moonwalker" (1988) sobre Michael Jackson, e "Dreamgirls" (2006).

8. A franquia "Jogos Mortais" entrou para o Guinness World Records como a "série de terror de maior sucesso do cinema", desbancando Halloween, A hora do pesadelo, Sexta-feira 13, e O massacre da serra elétrica.

9. A revista americana Empire escolheu seus 10 personagens favoritos mais legais do cinema: Tyler Durden (Clube da Luta); Darth Vader (Star Wars); Coringa (Batman - O Cavaleiro das Trevas); Han Solo (Star Wars); Hannibal Lecter (O Silêncio dos Inocentes); Indiana Jones (Indiana Jones); Jeffrey Lebowski (O Grande Lebowski); Jack Sparrow (Piratas do Caribe); Ellen Ripley (Alien) e Vito Corleone (O Poderoso Chefão).

10. Previsto para ser lançado em 2011, o primeiro filme do urso Zé Cólmeia, com a direção de Eric Breving (Viagem ao Centro da Terra). O filme irá misturar animação com atores.

Prazer culpado - tão ruim, mas é tão bom!


Há algum tempo comentei sobre a expressão "prazer culpado" em relação aos filmes que tecnicamente são ruins, mas mesmo assim adoro assistir.
Conheci o termo do livro "Clube do filme" de David Gilmour e esta semana, li na Revista Veja, uma matéria especial sobre a expressão "guilty pleasure", popularmente usada nos EUA e traduzida por aqui como "prazer culpado" ou em tradução mais livre, "prazer inconfessável".
A Veja listou alguns itens e acrescento os meus e os citados pelo David Gilmour.

Tão ruim, mas é tão bom! - Revista Veja - 04.08.10
Música, filmes, programas, produtos de que todos têm vergonha de admitir que gostam. Quando mais ao centro do alvo, mais inconfessável é o prazer!

1. Chaves - tão ruim que já virou clássico!
2. Big Brother - o circo romano moderno. só esqueceram o leão.
3.Videocassetadas - sucesso desde os tempos que o Faustão era gordo.
4. Crocs - a feiura que os olhos veem e os pés não sentem.
5. Chipz - dois grupos alimentares essenciais: isopor e gordura.
6. Susan Boyle - feia, cafona - mas que gogó
7.Baywatch - sal, sol e silicone
8.Transformers - nada mais idiota - nem mais divertido - do que um carro que vira robô.
9.Fanta uva - o doce e enjoativo sabor da infância
10. Dirty dancing - é o cúmulo brega dos anos 80. mas quem não relaxou e dançou?

"Prazeres culpados" de David Gilmour no livro "O Clube do filme".

1.Uma linda mulher (1990) - nenhuma cena verossímil, mas uma história tão envolvente, contada de forma tão eficaz, com uma cena agradável atrás da outra, que mesmo sendo um filme "idiota", ele prende a atenção.

2. Rocky III - O desafio supremo (1982) - apelo barato, mas irresistível.

3. Nikita - criada para matar (1990) - um filme ridículo sobre uma garota bonita e viciada que é transformada numa pistoleira a serviço do governo. Alguma coisa torna o filme charmoso visualmente, fazendo-nos perdoar o absurdo da história.

4. Showgirls (1995) - horrível, incompetente e doentio. Faz os espectadores balançarem a cabeça de incredulidade. É o campeão dos prazeres culpados, porque faz o espectador se sentir envergonhado por assistir em casa. É tão ruim, que vicia.

5. A força em alerta (1992) - uma tolice que reúne dois vilões, Gary Busey e Tommy Lee Jones, ambos excelentes atores com papéis horrorosos. Dá a nítida impressão que nos intervalos das filmagens, os dois rolavam no chão de tanto rir.

Os meus prazeres culpados (bem culpados e bem prazerosos) - agosto 2010

1. Saga Crepúsculo - os livros não cabem em longas de no máximo 2 horas, mas isso não impediu o lançamento de cada um dos 3 filmes: "Crepúsculo", "Lua nova" e "Eclipse" e não impediu também de se tornarem um sucesso mundial, ainda que muitos achem patética a história de uma humana que se apaixona por um vampiro, numa caracterização inverossímil e fantasiosa. Sou culpada, assumo, mas adoro! =)

2. Sessão da tarde - quem nunca se deliciou com algum filme da sessão da tarde, debaixo das cobertas, comendo porcarias, numa tarde preguiçosa? A lista é imensa, desde "Quero ser grande" (1988), "Curtindo a vida adoidado" (1986), "Te pego lá fora" (1987) e "Sem Licença para Dirigir" (1988). Há também os nacionais, "Lua de Cristal" (1990), "Xuxa contra o baixo astral" (1988) e a série de filmes do Didi, como o meu favorito "Xuxa e os trapalhões em O mistério do Robin Hood" (1990). Acrescento ainda os atuais "Meninas malvadas"(2004), "De repente 30" (2004), "Sexta-feira muito louca" (2006) e não poderia esquecer dos clássicos "Lagoa azul" (1980), "Karate Kid - A Hora da Verdade" (1984) e os filmes do Ed Murphy como "Um Tira da Pesada" (1984) e "Um Príncipe em Nova York" (1988). Mas também é impossível esquecer dos "Caça fantasmas", "Ghost", "De volta pro futuro", "Velocidade máxima", "Querida encolhi as crianças", "Saga Indiana Jones", "Loucademia de polícia", "Procura-se Susan desesperadamente", "Mudança de hábito", "Uma babá quase perfeita", "Os deuses devem estar loucos" e infinitos filmes, mas é melhor parar por aqui.

3. Big Brother - e reality shows em geral como os brasileiros (copiados do estrangeiro) "No limite" e as comidas nojentas, "Ídolos" e seus cantores bizarros, "Troca de família" e todo o quebra-pau, "O aprendiz" - "Vocês está demitido!" e "Dr. Hollywood" e o pavor que dá das plásticas.

4. Pânico na TV - é mal feito, bizarro, vai contra o bom senso, esvazia a mente, mas vicia. Na época do Zina então, impossível não espiar. Nada mais "metáforico" que a mulher samambaia. Já virou até clichê. Ronaldo!

5. Hermes e Renato - e afins na MTV - tão ruim e bizarro quanto o Pânico, mas motivo de boas gargalhadas e boas lembranças entre amigos. "Merda acontece" e "Joselito não sabe brincar".

6. Jackass - na onda dos bizarros - taí uma coisa estúpida, mas viciante como as videocassetadas do Faustão e pegadinhas do Sílvio Santos.

7. Sílvio Santos e Faustão (balaio total) - "Topa tudo por dinheiro", "É namoro ou amizade?", "Passa ou repassa?", "Domingo Legal" ou "Domingão do Faustão" e seu quadro "se vira nos 30", "dança dos famosos", "arquivo confidencial" e por aí vai. Eita tarde preguiçosa! "ô loco meu, ha ha hi hi"!

8. Músicas - quem não sabia de cor as duas músicas de sucesso da Kelly Key? "Baba Baby" e "Cachorrinho" ou os funks do Bonde do tigrão dos anos 2000 "Popozuda", "Tchutchuca" e afins.
E ainda a música "Mila" do Netinho, "O canto da cidade" da Daniela Mercury, "Maionese" de uma tal de Gil, "Fricote" do Art Popular, "Segura o tchan" do É o tchan. (e é melhor parar que tá baixando o nível).

9. Bolacha maizena com muuita margarina - pra apertar pra fazer as "minhoquinhas", bolachas hidrogenadas deliciosas como bono, negresco, passatempo, waffer e afins. Tang e seus mil sabores, puro açúcar. Pipoca caramelizada, maçã-do-amor, maria-mole, puxa-puxa, e tantas outras coisas açucaradas. Ou mesmo salgadas, como chipz/isoporzão, tipo baconzitos com ketchup, sanduíche de fandangos, o alaranjado químido doritos, além do miojo e seu tempero altamente rico em sódio e conservantes, além de nuggets, sempre feitos de resto de aves. Com molhe rosé, uma delícia!

10. Acabou minha inspiração. Só consegui até o 9 mesmo! hahaha

Sugestões??

"Educação" de Lone Scherfig 2009

"Educação" é um filme do qual não se espera nada, e revela-se extremamente maduro.
Tão inocente quanto a personagem, somos levados a acreditar numa história que nos cativa gradativamente, com alguma ponta de desconfiança, mas com imensa vontade de entregar-se e torcer por um final feliz.
Um possível conto de fadas, um desejo de libertar-se, uma reflexão profunda sobre o destino de nossas vidas, principalmente, nós mulheres.
Somos conduzidos com tamanha sutileza e ingenuidade juvenil, que nos chocamos tanto quanto a personagem, com a condução da história.
Espera-se o melhor, espera-se o pior, mas a história é um meio termo.
Nenhuma idealização ou caracterização de personagens perfeitos, mas sim uma história contada sob a perspectiva de uma jovem, Jenny (interpretada pela estreante Carey Mulligan), com 16 anos, ótima aluna de uma escola conservadora em Londres, em plena década de 60, que se envolve com um homem, 20 anos mais velho David (Peter Sarsgaard) e que através dele, descobre um mundo de possibilidades diferentes da qual estava destinada desde que nasceu: estudar e cursar Letras em Oxford.
Os pais com muito esforço, investiram em sua educação, mas deixaram há tempo o lado divertido de viver. O lado em que reside o risco, o inconseqüente e o irresponsável. Simplesmente o lado onde nada se teme, pois tudo parece possível.
Talvez seja o destino de muitos pais, ainda hoje, sacrificarem a si mesmos, por um futuro melhor aos filhos. Dar uma educação melhor do que a tiveram.
De um lado, um pai, um homem conservador, exigente, mas medroso e inseguro, do outro, uma mãe, mulher submissa, que há tempos deixou de sonhar. Quando David ilumina a casa com seu humor e histórias divertidas, ainda que mentirosas, o sorriso desajeitado da mãe, revela uma mulher que projeta na filha, uma vida que não pode ter. E o pai, desajeitado, que há tanto tempo investiu na educação da jovem em ter uma carreira profissional, projeta na filha a possibilidade de uma vida divertida, prazerosa, sem tanto esforço. Uma vida de bem casada.
Onde reside o lado humano e imperfeito dos pais, reside também a fraqueza, e tão ingênuos como Jenny, falham no momento mais decisivo de sua vida, ajudá-la a decidir entre terminar os estudos ou casar e ter uma vida aparentemente alegre?
Como tanta luta escorregou tão fácil pelas mãos? Talvez um desejo obscuro, que nutrem secretamente, que os cegou a ponto de falhar.
Como no filme, nada na vida vem de graça. O sucesso é fruto de muito esforço e determinação. E aquilo que vem fácil, muitas vezes confundido com sucesso, é apenas uma passagem, uma lembrança, às vezes das boas, de uma fase que marcou, mas não foi e nem será garantia de um futuro bom e melhor.
Jenny é uma sortuda, ainda que tenha pego um atalho nada aconselhável, mas quantas Jennys existem lá fora? Quantas tem a chance de retornar ao caminho principal, sem conseqüências?