quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Notícias rapidinhas de cinema


1. O diretor brasileiro Fernando Meirelles foi cotado para dirigir os dois últimos filmes da Saga Crepúsculo, mas recusou porque não se identificava com o tema (lóogico).

2. Sylvester Stallone deixou uma dívida de quase 4 milhões de reais no Brasil, pelas filmagens do seu novo filme "Os mercenários". (fdp)

3. Márcio Garcia está dirigindo um filme para o mercado americano. (o Bahuan foi longe).

4. A ex-modelo/cantora/amante?/esposa do 1º ministro francês, Carla Bruni, foi convidada para atuar na série de tevê CSI. (hãmm)

5. A quinta seqüência do filme "Velozes e furiosos" terá história ambientada no Brasil, onde será realizada parte das gravações.

6. O filme "O doce veneno do Escorpião", inspirado no livro de mesmo título, que conta a história real de uma garota de classe média que tornou-se prostituta e postava sua rotina num blog, interpretada pela atriz Débora Secco, será lançado em fevereiro de 2011.

7. Depois do filme de Justin Bieber, Hollywood pretente lançar "Lady Gaga: The Movie" em 3D, contando a história da carreira da cantora Lady Gaga, misturando os estilos dos filmes "Moonwalker" (1988) sobre Michael Jackson, e "Dreamgirls" (2006).

8. A franquia "Jogos Mortais" entrou para o Guinness World Records como a "série de terror de maior sucesso do cinema", desbancando Halloween, A hora do pesadelo, Sexta-feira 13, e O massacre da serra elétrica.

9. A revista americana Empire escolheu seus 10 personagens favoritos mais legais do cinema: Tyler Durden (Clube da Luta); Darth Vader (Star Wars); Coringa (Batman - O Cavaleiro das Trevas); Han Solo (Star Wars); Hannibal Lecter (O Silêncio dos Inocentes); Indiana Jones (Indiana Jones); Jeffrey Lebowski (O Grande Lebowski); Jack Sparrow (Piratas do Caribe); Ellen Ripley (Alien) e Vito Corleone (O Poderoso Chefão).

10. Previsto para ser lançado em 2011, o primeiro filme do urso Zé Cólmeia, com a direção de Eric Breving (Viagem ao Centro da Terra). O filme irá misturar animação com atores.

Prazer culpado - tão ruim, mas é tão bom!


Há algum tempo comentei sobre a expressão "prazer culpado" em relação aos filmes que tecnicamente são ruins, mas mesmo assim adoro assistir.
Conheci o termo do livro "Clube do filme" de David Gilmour e esta semana, li na Revista Veja, uma matéria especial sobre a expressão "guilty pleasure", popularmente usada nos EUA e traduzida por aqui como "prazer culpado" ou em tradução mais livre, "prazer inconfessável".
A Veja listou alguns itens e acrescento os meus e os citados pelo David Gilmour.

Tão ruim, mas é tão bom! - Revista Veja - 04.08.10
Música, filmes, programas, produtos de que todos têm vergonha de admitir que gostam. Quando mais ao centro do alvo, mais inconfessável é o prazer!

1. Chaves - tão ruim que já virou clássico!
2. Big Brother - o circo romano moderno. só esqueceram o leão.
3.Videocassetadas - sucesso desde os tempos que o Faustão era gordo.
4. Crocs - a feiura que os olhos veem e os pés não sentem.
5. Chipz - dois grupos alimentares essenciais: isopor e gordura.
6. Susan Boyle - feia, cafona - mas que gogó
7.Baywatch - sal, sol e silicone
8.Transformers - nada mais idiota - nem mais divertido - do que um carro que vira robô.
9.Fanta uva - o doce e enjoativo sabor da infância
10. Dirty dancing - é o cúmulo brega dos anos 80. mas quem não relaxou e dançou?

"Prazeres culpados" de David Gilmour no livro "O Clube do filme".

1.Uma linda mulher (1990) - nenhuma cena verossímil, mas uma história tão envolvente, contada de forma tão eficaz, com uma cena agradável atrás da outra, que mesmo sendo um filme "idiota", ele prende a atenção.

2. Rocky III - O desafio supremo (1982) - apelo barato, mas irresistível.

3. Nikita - criada para matar (1990) - um filme ridículo sobre uma garota bonita e viciada que é transformada numa pistoleira a serviço do governo. Alguma coisa torna o filme charmoso visualmente, fazendo-nos perdoar o absurdo da história.

4. Showgirls (1995) - horrível, incompetente e doentio. Faz os espectadores balançarem a cabeça de incredulidade. É o campeão dos prazeres culpados, porque faz o espectador se sentir envergonhado por assistir em casa. É tão ruim, que vicia.

5. A força em alerta (1992) - uma tolice que reúne dois vilões, Gary Busey e Tommy Lee Jones, ambos excelentes atores com papéis horrorosos. Dá a nítida impressão que nos intervalos das filmagens, os dois rolavam no chão de tanto rir.

Os meus prazeres culpados (bem culpados e bem prazerosos) - agosto 2010

1. Saga Crepúsculo - os livros não cabem em longas de no máximo 2 horas, mas isso não impediu o lançamento de cada um dos 3 filmes: "Crepúsculo", "Lua nova" e "Eclipse" e não impediu também de se tornarem um sucesso mundial, ainda que muitos achem patética a história de uma humana que se apaixona por um vampiro, numa caracterização inverossímil e fantasiosa. Sou culpada, assumo, mas adoro! =)

2. Sessão da tarde - quem nunca se deliciou com algum filme da sessão da tarde, debaixo das cobertas, comendo porcarias, numa tarde preguiçosa? A lista é imensa, desde "Quero ser grande" (1988), "Curtindo a vida adoidado" (1986), "Te pego lá fora" (1987) e "Sem Licença para Dirigir" (1988). Há também os nacionais, "Lua de Cristal" (1990), "Xuxa contra o baixo astral" (1988) e a série de filmes do Didi, como o meu favorito "Xuxa e os trapalhões em O mistério do Robin Hood" (1990). Acrescento ainda os atuais "Meninas malvadas"(2004), "De repente 30" (2004), "Sexta-feira muito louca" (2006) e não poderia esquecer dos clássicos "Lagoa azul" (1980), "Karate Kid - A Hora da Verdade" (1984) e os filmes do Ed Murphy como "Um Tira da Pesada" (1984) e "Um Príncipe em Nova York" (1988). Mas também é impossível esquecer dos "Caça fantasmas", "Ghost", "De volta pro futuro", "Velocidade máxima", "Querida encolhi as crianças", "Saga Indiana Jones", "Loucademia de polícia", "Procura-se Susan desesperadamente", "Mudança de hábito", "Uma babá quase perfeita", "Os deuses devem estar loucos" e infinitos filmes, mas é melhor parar por aqui.

3. Big Brother - e reality shows em geral como os brasileiros (copiados do estrangeiro) "No limite" e as comidas nojentas, "Ídolos" e seus cantores bizarros, "Troca de família" e todo o quebra-pau, "O aprendiz" - "Vocês está demitido!" e "Dr. Hollywood" e o pavor que dá das plásticas.

4. Pânico na TV - é mal feito, bizarro, vai contra o bom senso, esvazia a mente, mas vicia. Na época do Zina então, impossível não espiar. Nada mais "metáforico" que a mulher samambaia. Já virou até clichê. Ronaldo!

5. Hermes e Renato - e afins na MTV - tão ruim e bizarro quanto o Pânico, mas motivo de boas gargalhadas e boas lembranças entre amigos. "Merda acontece" e "Joselito não sabe brincar".

6. Jackass - na onda dos bizarros - taí uma coisa estúpida, mas viciante como as videocassetadas do Faustão e pegadinhas do Sílvio Santos.

7. Sílvio Santos e Faustão (balaio total) - "Topa tudo por dinheiro", "É namoro ou amizade?", "Passa ou repassa?", "Domingo Legal" ou "Domingão do Faustão" e seu quadro "se vira nos 30", "dança dos famosos", "arquivo confidencial" e por aí vai. Eita tarde preguiçosa! "ô loco meu, ha ha hi hi"!

8. Músicas - quem não sabia de cor as duas músicas de sucesso da Kelly Key? "Baba Baby" e "Cachorrinho" ou os funks do Bonde do tigrão dos anos 2000 "Popozuda", "Tchutchuca" e afins.
E ainda a música "Mila" do Netinho, "O canto da cidade" da Daniela Mercury, "Maionese" de uma tal de Gil, "Fricote" do Art Popular, "Segura o tchan" do É o tchan. (e é melhor parar que tá baixando o nível).

9. Bolacha maizena com muuita margarina - pra apertar pra fazer as "minhoquinhas", bolachas hidrogenadas deliciosas como bono, negresco, passatempo, waffer e afins. Tang e seus mil sabores, puro açúcar. Pipoca caramelizada, maçã-do-amor, maria-mole, puxa-puxa, e tantas outras coisas açucaradas. Ou mesmo salgadas, como chipz/isoporzão, tipo baconzitos com ketchup, sanduíche de fandangos, o alaranjado químido doritos, além do miojo e seu tempero altamente rico em sódio e conservantes, além de nuggets, sempre feitos de resto de aves. Com molhe rosé, uma delícia!

10. Acabou minha inspiração. Só consegui até o 9 mesmo! hahaha

Sugestões??

"Educação" de Lone Scherfig 2009

"Educação" é um filme do qual não se espera nada, e revela-se extremamente maduro.
Tão inocente quanto a personagem, somos levados a acreditar numa história que nos cativa gradativamente, com alguma ponta de desconfiança, mas com imensa vontade de entregar-se e torcer por um final feliz.
Um possível conto de fadas, um desejo de libertar-se, uma reflexão profunda sobre o destino de nossas vidas, principalmente, nós mulheres.
Somos conduzidos com tamanha sutileza e ingenuidade juvenil, que nos chocamos tanto quanto a personagem, com a condução da história.
Espera-se o melhor, espera-se o pior, mas a história é um meio termo.
Nenhuma idealização ou caracterização de personagens perfeitos, mas sim uma história contada sob a perspectiva de uma jovem, Jenny (interpretada pela estreante Carey Mulligan), com 16 anos, ótima aluna de uma escola conservadora em Londres, em plena década de 60, que se envolve com um homem, 20 anos mais velho David (Peter Sarsgaard) e que através dele, descobre um mundo de possibilidades diferentes da qual estava destinada desde que nasceu: estudar e cursar Letras em Oxford.
Os pais com muito esforço, investiram em sua educação, mas deixaram há tempo o lado divertido de viver. O lado em que reside o risco, o inconseqüente e o irresponsável. Simplesmente o lado onde nada se teme, pois tudo parece possível.
Talvez seja o destino de muitos pais, ainda hoje, sacrificarem a si mesmos, por um futuro melhor aos filhos. Dar uma educação melhor do que a tiveram.
De um lado, um pai, um homem conservador, exigente, mas medroso e inseguro, do outro, uma mãe, mulher submissa, que há tempos deixou de sonhar. Quando David ilumina a casa com seu humor e histórias divertidas, ainda que mentirosas, o sorriso desajeitado da mãe, revela uma mulher que projeta na filha, uma vida que não pode ter. E o pai, desajeitado, que há tanto tempo investiu na educação da jovem em ter uma carreira profissional, projeta na filha a possibilidade de uma vida divertida, prazerosa, sem tanto esforço. Uma vida de bem casada.
Onde reside o lado humano e imperfeito dos pais, reside também a fraqueza, e tão ingênuos como Jenny, falham no momento mais decisivo de sua vida, ajudá-la a decidir entre terminar os estudos ou casar e ter uma vida aparentemente alegre?
Como tanta luta escorregou tão fácil pelas mãos? Talvez um desejo obscuro, que nutrem secretamente, que os cegou a ponto de falhar.
Como no filme, nada na vida vem de graça. O sucesso é fruto de muito esforço e determinação. E aquilo que vem fácil, muitas vezes confundido com sucesso, é apenas uma passagem, uma lembrança, às vezes das boas, de uma fase que marcou, mas não foi e nem será garantia de um futuro bom e melhor.
Jenny é uma sortuda, ainda que tenha pego um atalho nada aconselhável, mas quantas Jennys existem lá fora? Quantas tem a chance de retornar ao caminho principal, sem conseqüências?

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

"Salt" de Phillip Noyce 2010

Angelina Jolie encarna uma agente da Cia, acusada de espionagem.
O filme foi inicialmente projetado para um personagem masculino, recusado por Tom Cruise, que preferiu fazer "Encontro Explosivo" (2010) e posteriormente adaptou-se a história original para uma personagem mulher.
Como em todos os filmes recheados de ação, protagonizados por uma mulher ágil e eficiente fisicamente, como "Lara Croft: Tomb Raider" (2001) e "Sr. e Sra. Smith" (2005), Angelina encarna mais uma personagem de forma intensa, trabalhando muito bem o olhar e os gestos sutis, em contraste com os golpes rápidos da personagem Emily Salt. (não posso negar que ela é carisrmática.)
O filme não possui nada de inovador em termos de ação cênica, explorando mais uma vez a narrativa clássica hollywoodiana, fazendo uso de heróis e vilões, como o desgastado papel dos vilões russos/soviéticos, e da heroína nacionalista, leal e silenciosa "americana", ainda que de origem soviética.
A sutileza e profundidade dos olhares da personagem Salt tornam-se aliados dos espectadores mais antenados ao enredo. Está tudo ali colocado e trabalhado na subjetividade dos grandes olhos claros de Jolie.
O olhar intenso e compenetrado, o suspiro milimetricamente retido ao ver o homem amado ser assassinado na sua frente, os gestos delicados e contidos, tudo isto serviu para compor uma personagem forte e misteriosa.
Arrisco em dizer, que a história é bem previsível. Mas ainda assim, um bom filme de entretenimento numa tarde preguiçosa, em que o espectador não está buscando nenhum tipo de reflexão.

"Julie e Julia" de Nora Ephron 2009

Julia Child, interpretada pela veterana Meryl Streep, foi uma norte-americana que viveu parte de sua vida de casada na França, apaixonou-se pela culinária francesa e usou sua arte de cozinhar para se distrair e escrever um livro ao longo de quase 10 anos, o conhecido "Mastering the Art of French Cooking" (1961). Ela é referência culinária nos EUA e constantemente imitada, lembrada e até satirizada por lá.
Julie Powell é uma jovem mulher pós-11 de setembro de 2001, operadora de telemarketing/secretária numa empresa de seguros, bem casada, frustrada profissionalmente, e que decide propor a si mesma o desafio de cozinhar as 524 receitas do livro de Julia Child no prazo de um ano e postar suas experiências num blog recém criado. Este é e foi o pontapé inicial para sua verdadeira carreira de escritora.
Duas personagens reais que repercutiram na mídia americana, inspirando um filme, "Julie e Julia".
Esta é a proposta da diretora Nora, contar através dos olhos de Julie, sua experiência em cozinhar as receitas de Julia. E é através das relações humanas de Julie com as falsas e verdadeiras amigas, com o namorado atencioso, uma mãe negativa, entre tantas frustrações tipicamente femininas, que nos encantamos com uma história delicada de superação e realização.
Motivação não faltou às duas personagens reais e fictícias e o filme coroa este reconhecimento, ilustrando uma vida possível de Julia Child, alegre, colorida e apaixonada.
Julia não teve filhos na vida real e em dois ou três momentos distintos do filme, Nora constrói essa dor, tão profunda e sutil numa mulher, ao mostrar as reações de tristeza de Julia ao ver um bebê ou receber a carta da irmã, informando sobre uma gravidez.
É um filme alegre e bem humorado, com toques de sutileza e graça.
Nora escolheu fazer das refeições, os verdadeiros momentos de encontro entre os personagens. (alguns até engordaram depois das gravações). Mas é através desta percepção, de que a maioria das nossas relações humanas, se cultivam e se fortalecem ao redor de uma mesa, como ir no cinema e comer uma boa pipoca, ou reunir os amigos para jantar ou comer um belisco, combinar com a namorada de ir num bom restaurante, reunir a família num almoço de domingo, sempre estamos nos relacionando e relacionando a comida conosco.
E esta é a cara do filme. Construimos as características de personalidades ao redor dos momentos íntimos que se passam numa cozinha. Uma Julie irritada, impaciente, ansiosa ou uma Julia ousada, feliz, apaixonada. Através desse cotidiano, entendemos que é necessária força, motivação e fé para seguir adiante. E não importa se alguém nos reprovar, ou o resultado não for exatamente o esperado, porque no final das contas, o que realmente importa, é o processo, o aprendizado, sempre indispensável e tão infinito em nossas vidas humanas.

Meia-entrada para professores

Hoje fui ao cinema e já faz um tempo que tenho usado meu direito como professora para pagar meia-entrada em cinemas de Floripa, porém me dei conta de como isto é pouco divulgado e aproveito este espaço para trazer o assunto ao público.

Desde o dia 23 de outubro de 2009, está em vigor uma lei municipal (Florianópolis - SC) que permite a meia-entrada em eventos e atividades culturais, como o cinema, para professores de ensino básico, médio ou superior, de instituições públicas ou privadas, mediante comprovante de pagamento ou a carteira de trabalho certificando a função.

A Lei nº8019/2009 foi criada pelo vereador Márcio de Souza e vale para qualquer professor, inclusive de outras cidades que estejam de passagem por Florianópolis, em cinema localizados no território municipal. Ou seja, vale para todas as salas de cinema do Shopping Iguatemi, Floripa Shopping, Paradigma Cine Arte, CIC e afins.não vale para o Shopping Itaguaçu, por se localizar no município de São José.

Divulguem e aproveitem a meia-entrada professores!!!

domingo, 1 de agosto de 2010

A geração da liberdade autora

A Revista de Cinema trouxe em sua última edição uma matéria especial sobre os principais diretores que surgiram depois de 2000.
Todos iniciaram a carreira trabalhando com curtas e quase nenhum possui mais de cinco longas no currículo, mostrando o desafio de seguir a carreira de cineasta, mas também os prazeres em fazer do cinema uma profissão.
Segue abaixo minha síntese da matéria, com a lista dos diretores, um pouco sobre eles e alguns dos filmes que eles dirigiram, que valem a pena serem vistos (me incluo nessa), para conhecermos melhor o cinema nacional que está sendo produzido.

Cao Guimarães - denominado como "metafísico", esse mineiro de Belo Horizonte, cineasta e artista plástico, realizou produções como "A festa da menina morta" (2008), "Andarilho" (2007) e "Rua de mão dupla" (2005). Ele vê o cinema como um catalisador de sentimentos não verbalizados, de histórias e narrativas despertadas por movimentos plásticos e pelo potencial imaginário de cada imagem. Um cinema de intensidades, em transe com o mundo histórico!

Claudio Assis - considerado "o indomável", por ser extremamente polêmico, carrega em seu currículo os filmes "Amarelo manga" (2002) e "Baixio das bestas" (2007). É o mais radical dessa leva de cineastas, por fazer um cinema que beira ao grotesco, para chocar o poder constituído, moral, sexual e político. Está sempre disposto a ir onde ninguém vai e a falar do que ninguém fala. Coleciona prêmios, mas também bastante rejeição, encontrando muitas vezes dificuldade para conseguir patrocínios.

Jorge Furtado (da foto) - O ou um dos mais conhecidos da lista, mérito adquirido com o trabalho realizado no curta premiado internacionalmente "Ilha das flores" (1987), esse cineasta gaúcho reúne em seus trabalhos, a vontade de falar com o público, principalmente jovem, através de narrativas de fácil compreensão. No currículo, além de trabalhos para televisão como "Lisbela e o prisioneiro", conta com os filmes "O homem que copiava" (2003), "Meu tio matou um cara" (2004) e "Saneamento básico" (2007), divertidos e bons pontos de partida para discussões sobre temas políticos, culturais e sobre a importância social do cinema.

José Padilha - diretor do popular longa "Tropa de Elite" (2007), prefere usar o cinema como ferramenta para discussão de temas que geram debates, especialmente se ele promove ou critica esse temas em seus filmes, como foi o caso da polícia corrupta e violenta em "Tropa de Elite", que prevê uma continuação para lançamento ainda este ano, e também no seu primeiro longa "Ônibus 174" (2002), sobre o personagem que encenou o drama real do seqüestro do ônibus 174 no Rio de Janeiro em 2000, ilustrando a desigualdade social e falta de perspectiva na história do país.

Karim Aïnouz - considerado "inclassificável", despontou em 2002 com no filme "Madame Satã" (2002), iniciando uma nova geração de filmes independentes brasileiros e autorais, buscando o cinema realista, sem necessariamente buscar a realidade. Dirigiu também "O céu de Suely" (2006), sobre uma jovem que rifou o próprio corpo para sair da cidade.

Laís Bodanzky - essa mulher cineasta, prefere dialogar com os jovens, como visto no filme "Bicho de sete cabeças" (2000), polêmico pra época, por falar sobre o uso da maconha e a falta de diálogo e esclarecimento dos pais na vida do personagem, interpretado pelo ator Rodrigo Santoro. E também no filme "As melhores coisas do mundo", lançado este ano.

Lina Chamie - essa cineasta paulista, faz do cinema um exercício pessoal de liberdade. Estreou em 2001 com o longa "Tônica dominante" e em seguida fez "A via láctea" em 2007.

Marcelo Gomes - diretor do longa "Cinema, aspirinas e urubus" (2005), inspirou-se nas histórias do avô para criar um enredo ambientado no sertão nordestino. Também começou com curtas, como todos os outros diretores já listados, e colaborou com diversos trabalhos de outros diretores, como no roteiro de "A casa de Alice" (2007) e codireção no premiado "Viajo porque preciso, volto porque te amo" de Karim Aïnouz.

Marcos Jorge - responsável por um dos melhores filmes pós-2000, "Estômago" (2007), ganhou dezenas de prêmios e lançou-se diretor já no primeiro trabalho em longa-metragem. Inspirou-se no cinema italiano para criar uma comédia de humor (um pouco negro), misturando tempero italiano e arquétipo nordestino do esperto, que manipula todo mundo sem ninguém perceber.

Sérgio Machado - despontou com o longa "Cidade baixa" (2005), protagonizado por Wagner Moura, Alice Braga e Lázaro Ramos, fechado em personagens que escolhem a afirmação do desejo como forma de fugir da marginalidade. E trabalhou também na minissérie "Alice" da HBO, em parceria com Karim Aïnouz. Lança este ano o longa "Quincas Berro d´Água", adaptação da obra de Jorge Amado.