quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Filmes do mês - novembro
12A- O rio de Tsai Ming-liang 1997 (2)
11C- 007 Quantum of solace de Marc Forster 2008 (2)
10D- Desaparecidos de Marco Kreuzpaintner 2007 (2)
09D- Primo Basílio de Daniel Filho 2007 (2)
08D- O código Da Vinci de Ron Howard 2006 (3)*
07D- Olho por olho de Dan Reed 2008 (0)
06D- Programa animal de Fred Wolf 2008 (-1)
05A- Sangue Negro de Paul Thomas Anderson 2007 (3)
04P- Desejo e reparação de Joe Wright 2007 (3)
03D-O último dos moicanos de Michael Mann 1992 (_)
02D- Sociedade dos poetas mortos de Peter Weir 1989 (2)
01D- Os outros de Alejandro Amenábar 2001 (3)*
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Organização: Ordem crescente - em números. Nome do filme + diretor + ano.
Códigos: A (em aula); C (cinema); D (dvd próprio ou locadora); P (pirata ou baixado); T (tv)
Notas: (0) horrível; (1) ruim; (2) razoável; (3) bom; (4) muito bom; (5) excelente
*Revistos
“Faces” de John Cassavetes 1968
por Alessandra Collaço da SilvaUm filme sobre personagens, muito mais que uma história em si. Um marido que procura fora o que não encontra no próprio casamento. Uma jovem mulher que não sente atração pelo marido e nem pela vida. Uma outra que alivia a solidão na bebida e nos homens que conhece, na esperança de um dia encontrar alguém que a ame de verdade. Uma reflexão sobre o fardo do tempo e a conseqüência das escolhas que pesam com o passar dos anos, mantendo os personagens numa constante melancolia.
Gena Rowlands faz o papel de Jennie, que assume no filme o estereótipo da mulher sexy, e divertida, mas não para casar. Vista como prostituta, talvez pela época do filme, nos dias de hoje se aproxima muito mais da mulher moderna e liberal que de uma profissional do sexo. Para ela o tempo corre ainda mais, afinal quando se entra nessa vida, difícil é sair dela.
Jennie parece muitas vezes incomodada com a vida que leva, mas também conformada por falta de escolha, já que não é mais aquela “virgem” jovem, cheia de sonhos e desejos, com o futuro a esperando pela frente. Ela fez suas escolhas e agora atura as conseqüências.
Na seqüência inicial, quando conhece Chet e seu amigo, vemos um trio se divertindo, alcoolizado e gozando de um momento simples e banal da vida. Eles bebem, riem e contam piadas, tudo aparentemente espontâneo, porém quando o “amigo” a lembra que ela é apenas uma prostituta, que vende o corpo, a companhia e a beleza jovial por trocados, ela desaba. Seu rosto demonstra impotência, infelicidade, pois antes parecia conseguir aproveitar e ver o lado bom da vida que leva, mas é essa mesma vida que faz questão de lembrá-la da sua realidade. Que os homens se aproximam por interesse, muitas vezes para satisfazerem-se, quando suas esposas não conseguem mais. Homens que só querem usufruir da sua beleza, corpo e companhia, não importando seus sentimentos e vontades.
Jennie enxerga em Chet uma possibilidade de mudança, de alguém que poderia tirá-la dessa vida. Quando ele aparece em meio a outro “cliente”, ela projeta nele uma salvação e esperança. Despacha o outro “velho insatisfeito” e liberta-se para Chet. Este que decide se separar, já que a esposa não o corresponde. Chet é cavalheiro, gentil e educado e parece não se importar com seu passado. Tudo isso, até o dia seguinte. O maldito dia seguinte pra qualquer mulher solteira, que tem esperanças de ainda viver um grande amor e significar algo para alguém.
Apesar de narrar situações de casais e relações, a câmera parece estar muito mais em função da mulher, já que focaliza bastante em planos fechados seus olhares de frustração e desejo.
De vez em quando vemos Jennie com seus olhares de esperança reprimida, ou descaso forçado, ou ainda de conformidade com a realidade. Jennie é puro olhar, pura transpiração. Ela é mistério e desejo. Jennie é a mulher existente dentro de todas as mulheres. Muitas vezes adormecida, muitas vezes totalmente liberada!
“Sangue Negro” de Paul Thomas Anderson 2008
por Alessandra Collaço da Silva
Sangue Negro é a história de um explorador de petróleo, Daniel Plainview, desde sua primeira descoberta até o fracasso pessoal absoluto. Um personagem incógnito e duvidoso, que julga-se competitivo e individualista, já que afirma odiar quase todas as pessoas por só ver o pior de todas, ou quase todas, já que demonstra afeto por algumas.
domingo, 12 de outubro de 2008
Filmes do mês - outubro
12A-Faces de John Cassavetes 1968 (2)
11T-Mamãe quer que eu case de Michael Lehmann (2)*
10D-Antes que o diabo saiba que você está morto de Sidney Lumet 2007 (5)
09C-Espelhos do medo de Alexandre Aja 2008
08C-Noites de tormenta de George C. Wolfe 2008
07T-A outra face de John Woo 1997 (5)*
06T-A nova onda do imperador de Mark Dindal 2000 (2)
05T-A mulher do meu irmão de Ricardo de Montreil 2006 (2)
04C-As duas faces da lei de Jon Avnet 2008 (1)
03A-Elefante de Gus Van Sant 2003 (3)
02C-Nem por cima do meu cadáver de Jeff Lowell 2008 (2)
01D-Olho por olho de Jonh Schlesinger 1995 (4)*
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Organização: Ordem crescente - em números. Nome do filme + diretor + ano.
Códigos: A (em aula); C (cinema); D (dvd próprio ou locadora); P (pirata ou baixado); T (tv)
Notas: (0) horrível; (1) ruim; (2) razoável; (3) bom; (4) muito bom; (5) excelente
*Revistos
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Ensaio sobre o “Ensaio” II
Edição Setembro 2008, mas texto REJEITADO.
www.punctum.ufsc.br
por Alessandra Collaço da Silva
Não li o livro (ainda). Nunca ouvi falar da história até duas semanas. Um casal dizia que havia detestado. Eu sabia da existência do filme na pré-produção e um pouco da sua repercussão no Brasil. Coisas do tipo: diretor brasileiro, atriz famosa, locação em São Paulo e blabláblá. Desafio: assistir e entender porque aquele casal não havia gostado. Fiquei sem uma boa resposta. Não é um filme qualquer, não conheço nada para compará-lo. É forte e chocante. É um filme de gosto difícil. E pra mim, não deixa de funcionar como uma mensagem, um anúncio ou mesmo um ensaio de algo muito maior que está ou pode estar por vir.
É sobre o caos estabelecido e a reação das pessoas diante do caos. Ou talvez um ensaio sobre um caos já existente de uma população sem fé, sem ética e sem valores. Uma cegueira metafórica, porque nem todo que enxerga realmente vê e nem todo cego realmente não enxerga. Uma cegueira branca, pela luz excessiva, ou uma cegueira causada por tudo aquilo que os rodeia, mas que não se enxerga mais: a injustiça, o preconceito, a falta de valores, a maldade, a exploração, a banalização, a mentira e tantas outras atitudes dos seres humanos diante da vida, julgadas sem importância ou sem a iniciativa de mudá-las.
Em certo momento do filme, a “esposa do Doutor”, Julianne Moore, entra numa igreja onde todas as esculturas de anjos e santos estão vendadas. Enquanto ela observa horrorizada, já que é a única que enxerga, ouvimos em off uma voz masculina dizer que São Paulo foi convertido através da cegueira, mas também ouvimos a mesma voz se questionar sobre o caos da cegueira, alegando que não é coisa de Deus. Por que não seria?
Uma epidêmica cegueira como apresentada no filme, até poderia ser uma intervenção divina, mas as escolhas e atitudes humanas diante dela não são divinas. Matar, estuprar, enganar, ajudar, ceder, cobrar, amar são da natureza do ser humano. Se a vida e nova realidade ficou mais difícil pela cegueira, cabe a eles decidir o que fazer e como se portar diante de tal problema. Culpar o outro é apenas uma desculpa para não agir.
A cor do filme é opaca e clara como num dia nublado. Tudo é muito branco e com excesso de luz. Associada a religiosidade, poderíamos sentir realmente uma manifestação divina, já que o branco no geral é associado a paz, a clareza, a espírito e equilíbrio. Essa brancura poderia ser uma manifestação positiva, uma cegueira que os obrigaria a realmente enxergar. A câmera inclusive, adota esta postura, quando insiste em vários momentos em enquadrar e estabilizar num lugar qualquer, como o olhar de um cego. Um olhar vago que não se entretem com nada, mas um "nada" que posteriormente nos remete a algo. Algo como o tempo decorrido, através da transformação das frutas na casa do "Doutor e esposa". Ou um trecho de rosto, um pedaço de braço, uma lágrima escorrendo. Talvez uma mensagem para nós, afinal o nosso olhar obrigatoriamente é o olhar da câmera, e é o ser humano quem está sendo retratado no filme.
O filme me remete a dois ditados conhecidos: "Em terra de cego, quem tem um olho é rei! (ou quem é "cego" também.)" e "Dê poder ao homem que conhecerás teu cárater". Os personagens não têm nome, sua profissão não importa, nem sua vida passada, mas todos têm seus valores. Bons ou ruins. E o filme nos apresenta as atitudes de alguns personagens diante desta cegueira contagiosa e repentina.
Descobrimos entre os cegos contaminados, um cego de nascença. Um dos líderes da Ala 3. Ala que impõe suas vontades e tiram de outros, o pouco que lhes resta: a dignidade. Este cego é "Rei". Ele passou a vida "enxergando" pelos cheiros, pelos sons, pelo tato. Ele sabe determinar quando algo é ou não de valor pelo tato. Ele reconhece alguém pelo cheiro ou pelo som. Este cego na verdade enxerga.
E a "esposa do doutor"? Será que não desejava a cegueira? Será que queria ver as pessoas se transformarem em monstros, por comida? Vê-las perder a dignidade? Ver a feiúra do ser humano, tanto fisicamente quanto metaforicamente?
De uma certa forma, era cega. Submissa e generosa, liderou o grupo, aprendeu a conviver, a aceitar e a adaptar-se. Acostumou-se. Precisou matar e ameaçar para sobreviver, mas não se orgulha por isso. Ela podia ter agido diferente, mas agiu com caráter e semelhança. E quando percebeu que a cegueira poderia ser reversível? Ficou feliz? Afinal ela estava se sentindo alguém. Alguém importante e prestativo, talvez um alguém com um novo sentido na vida. O seu mundo tornou-se um lugar novo.
Se São Paulo se converteu através da cegueira, será que ela, no meio de uma cegueira absoluta, sendo a única que enxergava, teria se convertido?
A sensação é de incerteza. De incapacidade e impotência. De caos e horror. Mas também de esperança e da necessidade da fé. O ser humano muitas vezes precisa decidir como reagir ao caos, porque no fundo, é esta decisão que realmente importa, independente se tudo ao redor parece tão perdido e sem sentido.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Pensamento do dia
Eu não tenho este talento, mas agradeço aos que têm.
Agradeço pela música que adoça meus ouvidos e acompanha meu humor.
O mundo só é um lugarzinho melhor por causa dela.
Em breve. (ou não...)