domingo, 21 de setembro de 2008

"Ensaio sobre a cegueira" de Fernando Meirelles 2008

por Alessandra Collaço da Silva

"Ensaio sobre o 'Ensaio'"
Não li o livro. Nunca ouvi falar da história até duas semanas. Um casal dizia que havia detestado. Eu sabia da existência do filme na pré-produção e um pouco da sua repercussão no Brasil. Coisas do tipo: diretor brasileiro, atriz famosa, locação em São Paulo e blabláblá. Desafio: assistir e entender porque aquele casal não havia gostado. Fiquei sem uma boa resposta. Não é um filme qualquer, não conheço nada para compará-lo. É forte e chocante. É um filme de gosto difícil. Não esperem puro entretenimento, pois não terão.

A história em si já é muito interessante pelas possibilidades metafóricas que ela invoca. Uma cegueira branca, inexistente no mundo "real", cegueira como epidemia, contagiosa e caótica. Uma história sobre o caos estabelecido e as reações das pessoas diante do caos. Um horror. Apavorante. Agoniante.

O que mais me impressionou foram as escolhas técnicas. A fotografia, por exemplo. Uns enquadramentos estranhos e aparentemente mal feitos, mas extremamente importantes. A câmera, de uma certa forma, produzia a sua própria cegueira. Estabilizava num lugar qualquer, como o olhar de um cego, que nada enxerga. A câmera funcionava como um olhar vago, muitas vezes sem se entreter com nada, mas um "nada" que posteriormente nos remete a algo. Algo como o tempo decorrido, através da transformação das frutas na casa do "Doutor e esposa". Ou um trecho de rosto, um pedaço de braço, uma lágrima escorrendo.

"É como nadar em leite". Além da fotografia, a cor opaca do filme é bem trabalhada, ressaltando a claridade e o branco excessivo. Os próprios fades brancos usados na transição dos planos, durante a contaminação, remetem-nos a cegueira acontecendo nos personagens. Tudo branco, tudo cego, tudo tão claro e excessivo. Tudo tão caótico e incerto. Meirelles ou quem quer que seja, escolheu estabilizar a câmera em objetos, móveis, paisagens brancas e estouradas. Essa transição nos dá a idéia de "enquanto isso": enquanto um oftamologista fica cego, a criança também fica.

"Claridade excessiva". O branco, a cor opaca, a saturação, o contraste, o desfoque, as transições, etc., todas estas escolhas se tornam importantes pra condução da narrativa, pra história, pro filme, pra adaptação do livro de Saramago (que eu não li) e pra agoniante sensação de cegueira repentina e inexplicável. A imagem tão bem trabalhada, entre foco e desfoque torna-se parte da escolha de como contar uma história tão chocante, e peça fundamental pra sensação do espectador diante da epidêmica cegueira.

"Em terra de cego, quem tem um olho é rei! (ou quem é "cego" também.)" e "Dê poder ao homem que conhecerás teu cárater". Os personagens não tem nome, sua profissão não importa, nem sua vida passada, mas todos tem seus valores. Bons ou ruins.

Descobrimos entre os cegos contaminados, um cego de nascença. Um dos líderes da Ala 3. Ala que impõe suas vontades e tiram de outros, o pouco que lhes resta: a dignidade. Este cego é "Rei". Ele passou a vida "enxergando" pelos cheiros, pelos sons, pelo tato. Ele sabe determinar quando algo é ou não de valor. Ele reconhece alguém pelo cheiro ou pelo som. Este cego enxerga.

E a "esposa do doutor"? Será que não desejava a cegueira? Será que queria ver as pessoas se transformarem em monstros, por comida? Vê-las perder a dignidade? Ver a feiúra do ser humano, tanto fisicamente quanto metaforicamente? Ela não foi "Rei". Não queria ser, até precisar. Ela enxergava, mas de uma certa forma, era cega. Submissa e generosa. Liderou o grupo, aprendeu a conviver, a aceitar e a adaptar-se. Acostumou-se. Mas precisou matar e ameaçar para sobreviver com sua dignidade. E quando percebeu que a cegueira poderia ser reversível? Ficou feliz?

A sensação é de incerteza. De incapacidade e impotência. De caos e horror. "Deus converteu São Paulo através da cegueira. (...) Essa cegueira não é coisa de Deus." Irônico? O caos até poderia ser obra de Deus. Mas nossas atitudes são nossas escolhas.

Estamos cegos?

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Filmes do mês - setembro

São atualizados no decorrer do mês.

7A-Um condenado à morte escapou de Robert Bresson 1956 (2)
6A- Salve o cinema de Mohsen Makhmalbaf (trechos) 1995 (2)
5C-Ensaio sobre a cegueira de Fernando Meirelles 2008 (5)
4T-Escritores da liberdade de Richard LaGravenese 2007 (3)
3D-Meu nome é Taylor, Drillbit Taylor de Steven Brill 2008 (0)
2D-Vestida para casar de Anne Fletcher 2008 (1)
1C-Amar...não tem preço de Pierre Salvadori 2006 (2)
------

Organização: Ordem crescente - em números. Nome do filme + diretor + ano.
Códigos: A (em aula); C (cinema); D (dvd próprio ou locadora); P (pirata ou baixado); T (tv)

Notas: (0) horrível; (1) ruim; (2) razoável; (3) bom; (4) muito bom; (5) excelente

*Revistos

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

“Através das Oliveiras” de Abbas Kiarostami 1994

por Alessandra Collaço da Silva

É um filme sobre pessoas fazendo um filme e suas relações entre si, contendo uma particularidade que até então eu não conhecia: uma ficção com certo ar de documentário. Como assim? Sabemos que é uma ficção (sabemos?), mas em muitos momentos parece-nos um documentário. Personagens fictícios interagem com “personagens” que nos parecem reais, que lidam com a câmera representando a si mesmos.

A cultura presente no filme, diferente da que conhecemos, torna-se um novo personagem, ou pelo menos algo que se destaca constantemente. Não há como mergulhar na narrativa sem repararmos na estética do filme, nos cenários, nos diálogos entre os personagens e na forma como transmitem as emoções e lidam com a própria cultura. A personagem que faz a produtora, assim como todas as mulheres presentes, utilizam seu “véu”. As emoções são manifestadas apenas pela fala, mas não pelas expressões. A câmera passeia no cenário, como se indiretamente o realizador quisesse nos dizer “Olhem! Esta é nossa forma de fazer cinema. Diante destas situações e deste cenário”. É uma narrativa lenta e repetitiva que parece acontecer muito mais nos diálogos que nas ações. É algo muito diferente do que estamos acostumados a assistir.

Os personagens parecem ter o perfil psicológico e físico dos próprios atores que os interpretam, mas estão inseridos num contexto diferente e fictício, interagindo entre si. Muitas vezes a conversa parece real e espontânea, mas não há como dizer quem realmente está atuando ou está apenas interpretando “a si” mesmo.

Na primeira cena do filme, o personagem do diretor fala diretamente com a câmera e explica o que está fazendo. Em seguida, interage com atrizes, figurantes ou personagens reais, que não sabemos ao certo quem é o que, e não volta a se dirigir à câmera, mantendo-se assim até o fim. Uma parte da conversa chama a atenção, quando as moças questionam “Se não podemos ver, porque fazer?”, mas ele explica que o importante não é ver, mas sim fazer. É tudo que importa. (proposital?)

Após esta cena, um longo plano se estende, constituindo a primeira seqüência. A personagem da produtora está no carro conversando com alguém. Temos uma espécie de subjetiva do carro, que nos mostra todo o cenário percorrido, mas também a “presença ausente” dos personagens, através do diálogo. Não os vemos, mas podemos “escutá-los”.

Nesta mesma seqüência, a produtora discute com uma moça sobre o que ela precisa vestir na filmagem. Na história, durante toda realização o filme, a maioria dos atores não segue o que a equipe ordena, mas quase sempre a situação é contornada para que o filme possa acontecer. Os personagens atores não são profissionais, mas pessoas comuns dispostas a participar do projeto proposto. Muito do que lhes pertence como pessoa é incorporada ao personagem, possivelmente para facilitar o trabalho da equipe. É nesta confusão que as gravações acontecem, que descobrimos um pouco sobre suas vidas e da relação que tem entre si.

O filme em si parece uma grande reflexão sobre fazer filme, não qualquer filme, mas fazer um filme inserido naquela cultura, naquele contexto e nas situações difíceis em que se encontram os realizadores. Na dificuldade de moldar os atores a seu modo e na inevitável situação de adaptar-se às limitações encontradas. Tudo isto é possível ser notado na própria estética do filme, na narrativa e no nosso questionamento sobre a atuação dos atores. Talvez seja algo intuitivo, mas algo me diz que muitos “atores” estavam apenas sendo eles mesmos. Então a pergunta: Ficção ou documentário? Algo dos dois? Nenhum? O que exatamente é este filme?

sábado, 23 de agosto de 2008

Filmes do mês - agosto

Isso que dá ficar doente por uma semana! hehe
-----

São atualizados no decorrer do mês.

22T- Redentor de Cláudio Torres 2004 (1)
21A-Através das oliveiras de Abbas Kiarostami 1994 (1)
20T-Um beijo a mais de Tony Goldwyn 2006 (5)
19D-Requiém para um sonho de Darren Aronofsky 2000 (3)
18D-Tropa de elite de José Padilha 2007 (3)*
17T-Herbie - meu fusca turbinado de Angela Robinson 2005 (1)
16T-Diário de uma Paixão de Nick Cassavetes 2004 (5)*
15P-A lenda do tesouro perdido 2 - O livro dos segredos de Jon Turteltaub 2008 (2)
14P-O vidente de Lee Tamahori 2007 (2)
13P-Jumper de Doug Liman 2007 (2)
12T-A lenda do tesouro perdido de Jon Turteltaub 2004 (3)*
11T-Linha mortal de Joel Schumacher 1990 (3)*
10P-O caçador de pipas de Marc Foster 2007 (2)
09A-Santiago de João Moreira Salles 2007 (3)
08C-A Múmia 3: A Tumba do Imperador Dragão de Rob Cohen 2008 (1)
07A-Os catadores e a catadora de Agnès Vardas 2000 (3)
06D-Saindo de uma fria de Christian Charles 2007 (1)
05D-Ela e os caras de Joe Nussbaum 2007 (1,5)
04C-Cinturão vermelho de David Mamet 2008 (-1)
03D-Licença para casar de Ken Kwapis 2007 (0)
02T-O dia depois de amanhã de Roland Emmerich 2004 (2)*
01C-Viagem ao centro da terra de Eric Brevig - 3D 2008 (2)
------
Organização: Ordem crescente - em números. Nome do filme + diretor + ano.
Códigos: A (em aula); C (cinema); D (dvd próprio ou locadora); P (pirata ou baixado); T (tv)
Notas: (0) horrível; (1) ruim; (2) razoável; (3) bom; (4) muito bom; (5) excelente

*Revistos

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Charadas cinematográficas

Quem nunca brincou disso?

Charada: Era uma vez um cachorrinho chamado Tido. Um dia seu dono foi procurá-lo no seu cesto de dormir e ele não estava lá. Qual o nome do filme?

Resposta: O cesto sem Tido
----
Charada: Uma mulher estava no último andar de um prédio alto, caiu de bunda no chão e morreu. Qual o nome do filme?

Resposta: A cusada de morte
----
Charada: Dez garotos estavam no cinema comendo Mentos e começaram a jogar nas pessoas. Qual o nome do filme?

Resposta: Os dez manda Mentos
----
Charada: Um tênis afundando no mar. Qual o nome do filme?
R: TitaNIKE.


Agora vamos a alguns inventados:

Charada: Gladys foi ao dentista arrancar alguns dentes. Qual o nome do filme?
R: Gladys e a dor

Charada: A esposa perguntou ao marido, que havia perdido algo, o que ele estava fazendo. Qual o nome do filme?
R: Procurando né, mô?

Charada: Um grupo de caipiras se perdeu numa clínica de estética. Qual o nome do filme?
R: Perdidos no spa, sô

Quando vier mais, colocarei! =)

Os filmes de "Sensação"

Sabe aquela sensação de surpresa que se sente ao ver filmes como "Sexto sentido", "Os outros", "O orfanato", "O grande truque"?! Eu chamo de "sensação única", pois ela só existe na primeira vez que você vê o filme e jamais se repete (com o mesmo filme). Jamais!

Também é necessário não saber de nenhum segredo do filme antes de assistir, ou algo que sugira o que está por vir. Na verdade o ideal é nem saber nada do filme e não tentar adivinhar nada (por mais que seja difícil) ou a sensação não ocorrerá, porque o êxtase acaba sendo decifrado antes do momento ideal.

É por isso que não é qualquer filme que consegue ser um "filme de sensação". Existem filmes, de suspense por exemplo, que nos enrolam com mistério e uma história cabeluda, para no final criar uma lógica, antes inexistente, para explicar e justificar o filme e a história. Péssimo. O espectador se sente tapeado, porque tentou decifrar através de pistas e evidências, mas jamais conseguiria adivinhar porque a explicação vem do "além" e dos "bastidores" do filme, ou seja, só no final realmente poderia ser revelado.

Acredito que a grande sacada dos melhores "filmes de sensação" é ser tão bem planejado e bem feito, que o espectador quando não está entretetido, concentrado e compenetrado na história, até tenta decifrar e adivinhar o que está por vir, mas erra ou não consegue, e por isso ao final sente aquele orgasmo cinematográfico "Ahhhhhhhhh" de quem pensa "Poxa, estava na minha cara, mas eu não percebi que era isso!". Há alguns que até adivinham. Normal. Mas perdem a chance de sentir aquela sensação única de descoberta e deslumbramento momentâneo. Sim, porque depois se desliga a tv, troca o canal, sai do cinema e vai comer, etc. (Como sorrir, relaxar, virar e dormir!) hehe

Eu detesto os filmes fracos, onde adivinhamos sua história já na metade, sem muitos esforços. E detesto os filmes que nos enrolam. O universo cinematográfico está cheio destes. Mas a-m-o os filmes de "sensação". Porque ele nos dá as pistas, mas é omisso, traiçoeiro. Ele foca outros elementos narrativos para nos confundir e desviar a atenção do foco principal. Por isso precisamos checar, re-assistir para observar o que passou despercebido (propositalmente), mas jamais teremos aquela sensação única novamente, no máximo uma saudade do que sentimos naquela pela primeira vez.

Com este assunto, listo aqui alguns dos filmes de sensação que marcaram minha trajetória como espectadora! Listo os que me vem na cabeça, alguns que re-assisti recentemente e por ordem crescente de favoritos.

01- Vidas em jogo de David Fincher 1997 (múltiplos) Nota: 5
02- Bem me quer, mal me quer de Laetitia Colombani 2002 Nota: 5
03- O orfanato de Juan Antonio Bayona 2007 Nota: 5
04- O sexto sentido de M. Night Shyamalan 1999 Nota: 5
05- Os outros de Alejandro Amenábar 2001 Nota: 5
06- As duas faces de um crime de Gregory Hoblit 1996 Nota: 5
07- A vida de David Gale de Alan Parker 2003 Nota: 4
08- A vila de M. Night Shyamalan 2004 Nota: 4
09- O grande truque de Christopher Nolan 2006 Nota: 3
10- Clube da luta, Seven - os sete pecados capitais.... Nota: 2

Obs.: As notas neste caso estão associadas ao nível de surpresa. Valem do 5 ao 0.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

“Batman – O cavaleiro das trevas” de Jonathan Nolan 2008

por Alessandra Collaço da Silva
para Revista Punctum - Curso de Cinema UFSC

“Batman” pode ser analisado a partir das teorias da psicanálise, principalmente de Carl Gustav Jung, concentrando-se no desenvolvimento da psicose e neurose, manifestadas por personagens do filme.
Psicose e neurose são manifestações do inconsciente humano, quando em situação limite. Cada ser humano manifesta somente uma delas e não está ao seu alcance saber qual delas lhe pertence até que viva a experiência. Somente numa situação limite poderá saber como seu inconsciente se manifestará. A psicose é irreversível e é fruto de um insconsciente reprimido, característica dos doentes mentais de situações irreversíveis. Já a neurose é uma manifestação também de um inconsciente reprimido, porém o sujeito retoma consciência sozinho ou quando em tratamento.
Para entender melhor, é importante lembrar que o conceito de individuação para Jung é o conflito entre duas naturezas fundamentais, no caso, da consciência e inconsciência. Ou seja, o conflito é importante para busca do equilíbrio, porém nenhum pode reprimir o outro, pois quando o ser humano é colocado no seu limite, descobrirá algo antes completamente desconhecido de sua consciência.
O personagem Coringa já se apresenta num estágio de psicose manifestada. Em algum momento da sua vida foi colocado ao limite. A origem da sua cicatriz é narrada ironicamente em diversas versões, deixando indícios da possível situação limite. Ou seja, algo o motivou a reprimir a consciência. Então a sua inconsciência manifestou-se através da psicose, tornando-se desequilibrado e inconseqüente. Para os padrões da nossa sociedade ele é julgado como um doente mental, um louco, ou até um agente do “mal”.
Para Coringa não há limites e seu verdadeiro interesse não é destruir o Batman ou a imagem de bom moço do Promotor de Justiça Harvey Dent, mas colocar a população da cidade, incluindo os dois supostos heróis, em situações limite e observar como cada um manifestará seu lado mais obscuro e secreto: seu inconsciente. Em vários momentos do filme, Coringa apronta armadilhas para provocar o medo e conseqüentemente o caos. A mais interessante é a cena em que dois barcos tentam fugir de Gotham City: um com presidiários e policiais, e outro com pessoas comuns. Um dos “barcos” precisa escolher quem merece viver, pois cada um possui o controle de detonação do barco oposto. Aqui temos diversas manifestações e julgamentos equivocados, onde os “comuns” julgam-se mais merecedores de viver e onde um dos presidiários diz para um policial “Você é incapaz de tirar uma vida inocente, mas também não quer morrer”. O espectador sente-se incomodado, tenta refletir sobre o que faria em determinada situação, mas é incapaz de escolher conscientemente, porque não se encontra verdadeiramente nesta situação limite. Por isso o filme é tão incômodo ou tão instigante para alguns.
Além desta, Coringa prega uma armadilha para o promotor Harvey Dent e o herói Batman. Os dois sofrerão a mesma situação limite: a perda da mulher amada. E cada um reage de forma diferente. Enquanto Batman escolhe salvá-la, acaba salvando o promotor. Este o culpa por não ter escolhido salvá-la, desconhecendo a verdade dos fatos. Se soubesse, faria diferença em suas atitudes?
Os dois sofrem, os dois chegam ao limite, mas Batman consegue retomar o equilíbrio, no máximo culpando a si mesmo pelo acontecido, porém não sabe que sua amada já não o amava mais, pois o mordomo fiel destruiu a carta que ela lhe escreveu. Novamente: se soubesse, faria diferença em suas atitudes?
Já o mais exemplar membro da sociedade, um ícone do bem, aquele que busca Justiça, não consegue superar seu sofrimento e entrega-se a psicose, que em alguns momentos deixou vestígios, como no interrogatório que fez, utilizando o método de roleta russa. Harvey Dent torna-se então o Duas caras, que é o sujeito que reprimia seu inconsciente, mesmo sendo um agente a favor da Justiça. Quando colocado em situação limite, manifestou a mais obscura das suas naturezas: a vingança do mal causado para si.
Batman não permitirá que a sociedade saiba disso, pois o caos provocará desesperança e como Batman se culpa pelo acontecido, assume o lugar de culpado. Temos então “o cavaleiro das trevas”, aquele que assume a culpa, dentro de sua própria neurose e o cavaleiro das trevas que torna-se um psicótico e decide se tornar vingador de sua própria causa.