sexta-feira, 16 de maio de 2008

Série "LOST" de J.J. Adams

em breve.

"Solaris" de Andrei Tarkovski 1972


Num primeiro momento: chato, longo, cansativo, lento, dá sono, muito sono.
Maaas não é um desperdício total!

Perdoem-me os adoradores de Tarkovski, mas se depender deste filme, prefiro não ver mais nada dele.
A escolha deste filme foi uma mera obrigação acadêmica. Sobraram poucos filmes para o trabalho de grupo, fiquei com este por tratar de "cosmos e espiritualidade" segundo meu professor.

Desafio aceito, bora ver o filme. Pff...levei muito tempo pra conseguir ver, pois a cada meia hora dormia e só consegui terminar de ver adiantando as partes desnecessariamente (penso eu) lentas.

Reconheço 2 pontos positivos em Tarkovski (e não no filme): é preciso muita competência pra conseguir fazer tantos planos-seqüências (plano é o que está entre dois cortes e no filme isso não é tão comum) e conseguir contar alguma história com diálogos há cada meia hora (o filme tem 2h50).

Solaris é um planeta que contém uma estação espacial do Projeto Solaris, onde residem 3 cientistas que se vêem rodeados de situações complexas e metafísicas. O terceiro cientista, o psicólogo Kelvin chega justamente para relatar o que está acontecendo em Solaris, mas se torna mais uma vítima do oceano de Solaris, ou melhor, da sua própria inconsciência.

Acredito que o valor do filme está associado as possibilidades metafóricas de interpretação, seja do homem moderno, do mundo moderno, da consciência e inconsciência humana, da impotência humana perante o desconhecido e etc. Mas o filme possui passagens desnecessariamente lentas, onde a câmera se concentra por tempo demais em algum plano-detalhe, como se quisesse ter certeza que não perderíamos este detalhe. Ou não, talvez Tarkovski queria outra coisa, queria invadir nossa própria inconsciência e nossos pensamentos para nos confundir e influenciar.

Seja lá o que for, o filme não me convence, me dá sono e isso me impede de absorver qualquer coisa que ele pretenda.

No máximo, posso explorar o tema do trabalho: "Solaris como representação da consciência e inconsciência humana".

A estação ("a ilha") localizada na superfície, como a mente que conhecemos, em contraste com o imenso oceano solarístico, o planeta desconhecido, inexplorado, ou a inexplicável, inatingível e profunda inconsciência.

Quando se traz algo do inconsciente, como se faz em psicoterapias por exemplo, quando algo inconsciente se torna consciente, tem se a origem de um problema, de um trauma, de uma crise, de uma frustração. O consciente se expande, mas jamais atinge o espaço maior, a incosciência.

Quando Kevin materializa sua falecida esposa, através dos sonhos, ela só possui a memória dele, pois obviamente é criação da sua inconsciência. É algo desconhecido, mas não além das próprias experiências. Kevin tenta fugir dela, mas ela o persegue, se machuca, chora, mas jamais se separa. Se Kevin tenta afastá-la, ela retorna, ou seja, por mais que se tente fugir do inconsciente, ele não se desprende da consciência, os dois caminham juntos.

Quanto mais ele a aceita, mais ela se afasta, pois ela é a materialização do inconsciente. Quando este é aceito e conhecido, deixa de existir, pois se torna outra coisa, torna-se consciência, algo compreensível e aceitável.

Nossas atitudes quando conhecidas são conscientes, quando inexplicáveis e inaceitáveis fazem parte de um ambiente inexplorado e inexplorável. Portanto, existe infinitamente, e em nossa trajetória nos preocupamos em explorá-la, assim como o desconhecido em nossas vidas, mas esta busca não encontra final, pois a trajetória é o verdadeiro crescimento e amadurecimento.


Sugestão de leitura: http://www.telacritica.org/solaris_tarkovski.htm

"Ed Wood" de Tim Burton 1994



"Ed Wood, um dos piores diretores de todos os tempos" mas que possui uma legião de fãs por seus trabalhos toscos que rendem boas risadas e reflexões. Um desses fãs: Tim Burton.


Tim Burton recria parte da trajetória do cineasta (diretor,produtor,ator,roteirista) Edward Davis Wood Jr, conhecido como Ed Wood, de uma forma cômica e excêntrica como costuma fazer em suas obras. (Ex.: "Edward, mãos de tesoura", "Os fantasmas se divertem", "Noiva cadáver", "Peixe grande e suas histórias maravilhosas", etc).

Muitas vezes o estilo de um cineasta, além das escolhas narrativas, fica evidente por se trabalhar sempre com a mesma equipe, e Tim Burton se enquadra nesse método.

A importância deste filme está em descobrir (de uma forma divertida) uma das origens do cinema B de suspense e ficção científica, ou do anti-cinema, por falhar na técnica e qualidade, mas ganhar no humor tosco.

O Ed Wood de Burton, é um ambicioso, sonhador e prático cineasta. Escreve, dirige, produz e até atua nos filmes. Não perde tempo ensaiando ou sendo minucioso, apenas se preocupa com a mágica que ocorre na gravação e na edição. É um idealizador, e no mínimo criativo, para misturar elementos narrativos da forma que mistura. Peca na qualidade, ridiculariza os efeitos especiais, mas consegue entreter exatamente pela tosquice.

Depois de ver este filme, interessei-me em ver os filmes do verdadeiro Ed Wood. Com certeza, as gargalhadas devem ser garantidas!

domingo, 4 de maio de 2008

"As crônicas de Nárnia: o leão, a feiticera e o guarda-roupa" de Andrew Adamson 2005

Hoje, pela primeira vez em muito tempo, após ver Nárnia, entendi com mais clareza as metáforas que estes filmes de fantasia, como Harry Potter, Senhor dos Anéis, A bússula de ouro e etc, querem muitas vezes nos falar.
Neste momento não irei analizar os filmes citados, mas apenas este.
E creio que pessoas céticas, desesperançosas, atéias e afins, talvez não entendam ou compreendam do que vou falar.
O filme se passa na Segunda Guerra Mundial, onde era comum crianças serem enviadas para lugares mais seguros, distantes dos países bombardeados. Quatro crianças: Pedro, Edmundo, Susana e Lúcia (na tradução) são enviadas para casa de um suposto professor e acidentalmente descobrem um mundo secreto dentro de um guarda-roupa. O resto do filme é pura fantasia, ou uma grande metáfora que irei desenvolver aqui.
Suponhamos o sofrimento que as crianças passam quando separadas dos pais, dos novos valores que terão que encontrar dentro de si mesmas e dos novos desafios que precocemente terão de enfrentar. Suponhamos que a velocidade do tempo do nosso pensamento e da nossa capacidade de fazer escolhas seja superior e muito mais veloz em relação ao tempo real de vida, ou tempo físico.
Considerando isso, vamos as comparações.
O leão, Rei Aslam seria a representação da força, que não surge quando queremos, mas quando realmente estamos precisando. E esta força existe dentro de todos nós.
A Feiticera seria a representação do mal e seus horríveis servos, literalmente, seriam representações dos sentimentos ruins e perturbadores: inveja, cobiça, traição, egoísmo, desespero, angústia. Sentimentos que também existem dentro de nós. Isto é reforçado quando a feiticera alega que Edmundo lhe pertence, pois ele é um grande traidor.
O lado do Bem é representado por seres mitológicos, como unicórnios, sagitários, papai noel, animais falantes, seres frutos da imaginação humana e representações dos sonhos, esperanças, alegrias.
O que seria o guarda-roupa? A porta de entrada para a consciência humana, Nárnia, que eternamente nos atenta a escolher um dos lados, o bem ou o mal, pois os dois se fazem presentes o tempo todo em nossas vidas.
Quando os quatro irmãos, reis de Nárnia, são mostrados mais velhos e acidentalmente voltam para a "salavazia", estão iguais como entraram, mas apenas fisicamente, pois internamente estão mais maduros, de acordo com o que viveram em Nárnia.
Ou seja, a vida está sempre nos testando, a escolher um lado, e de alguma forma inexplicável, tenta nos mostrar a coragem e força que existe dentro de nós. E principalmente, mostrar que sem fé não há transformação, é preciso acreditar em si mesmo.
Ao final do filme, o professor fala uma coisa que reforça ainda mais estas suposições, ele fala para Lúcia que não adianta voltar agora, só o tempo irá mostrar quando for necessário, reforçando a idéia de consciência humana e o amadurecimento natural da vida.
Com certeza, estas crianças enfrentarão com mais coragem os horrores que a guerra ainda haveria de lhes mostrar. E realmente, é preciso coragem para continuar uma caminhada tão dolorosa.
Obs.: Tecnicamente, o filme deixa a desejar!

"Sentença de morte" de James Wan 2007


Se um bom filme dependesse só do orçamento, dos atores famosos, da produção, dos efeitos, enfim, se dependesse só das técnicas, não teríamos filmes horríveis como esse.

Mas um filme, acontece primeiramente no roteiro, e considero este filme horrível, por claramente possuir um roteiro horrível.

Ouvi falar que Wan tentou fazer uma releitura, da série "Desejo de matar" de Brian Garfield, que parece ter funciona com Charles Bronson, mas não com Bacon.

Há um superficial desenvolvimento dos personagens ou até nenhum, pois a incoerência se mantém o tempo todo presente no personagem de Kevin Bacon. Se ele possui uma família feliz, uma vida boa e dois filhos ótimos, porque colocaria tudo isto em risco, por duas vezes, após a tragédia de perder um dos filhos? Não faz e nem fez o menor sentido. Se era para mostrar uma troca de identidade e justificar a vingança, ele falhou. Os atos do personagem não combinam com seu perfil inicial e não justificam a vingança. Se o massacre fosse total, como aconteceu com Bronson, daí talvez funcionasse.

O filme força a idéia de "justiça com as próprias mãos", pois não consegue convencer, e ainda esbanja cenas gratuitas de ação, numa tentativa de suprir as falhas da narrativa.

É isso que o filme é, um filme de ação bem feito, mas com uma história sem pé nem cabeça (se é que existe uma história).

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Cinema: potencial de "arma"

O que é cinema?

Numa tentativa de responder, diria que o cinema FOI uma invenção criada a partir de um objeto (cinematógrafo - 3x1) que projetava imagens. Estas imagens eram capturadas a uma certa velocidade (16 quadros por segundo) e projetadas nesta mesma velocidade, davam a ilusão de movimento.

Esta invenção tinha o intuito de promover o equipamento e entreter uma platéia de interessados. Visto que ver a imagem do seu semelhante era algo surpreendente, alguns destes interessados passaram a explorar o equipamento, conseguindo resultados diversos. Perceberam que poderiam usá-lo para truques de imagem, para contar histórias, para reportar algum acontecimento, para se aproveitar da inteligência e capacidade de percepção dos espectadores, criando códigos de linguagem, próprios do cinema, ou seja, uma linguagem cinematográfica. Enfim, perceberam nesta invenção, múltiplas possibilidades, que desencadearam outras invenções e novas manifestações.

O que o cinema É hoje, não é mais o que era. A palavra é a mesma, mas o significado mudou.
Digo isso, porque quando surgiu, era a única manifestação que existia de imagem em movimento, e hoje já existem as imagens digitais e divisões conceituais de audiovisuais como: telejornais, novelas, seriados, documentários, propagandas, etc.

Como entender o cinema hoje então?! Complicado. Pois se antes, tudo que era "filmado" e "projetado" era considerado cinema, hoje não funciona mais assim, e talvez por isso seja tão complicado enquadrar gêneros ou criar regras para os produtos desta invenção, OS FILMES.

O que faz parte ou não do CINEMA? Aquilo que muitos chamam de "Sétima Arte".
Onde começaram as divisões?
Quando o cinema surgiu, as primeiras imagens eram "cenas" do cotidiano, imagens sem histórias, apenas capturas de uma suposta "realidade". Com a evolução desta nova invenção, criaram cine-jornais, teatros filmados, inseriram-se histórias, mas as primeiras imagens continuaram fazendo parte da história do cinema.

Fazer um vídeo/filme caseiro do aniversário da vó então não é cinema? Diria-se com certeza que NÃO.

Ver um filme horrível nas salas de projeção, chamadas popularmente de CINEMA ("Vamos ao cinema?!"). Alguns "cults" também diriam que NÃO.

Sabe-se que ocorreu uma divisão, mas é polêmica a separação que as pessoas fazem do que é ou não é cinema. Cabe a nós julgar? Como julgar gosto pessoal?
O olhar crítico faz parte deste mesmo gosto. Podemos até reconhecer que um filme que não gostamos, foi bem feito tecnicamente, mas não significa que iremos gostar mais dele por isso.

Bom, fugindo dos dados históricos, da realidade e caindo naquele mundo sonhador, onde as pessoas geralmente caem em algum momento da vida (ou não), o cinema, para mim, significa TER VOZ, não dar, mas ter.
Significa colocar numa tela, num monitor, numa televisão, uma criação que possui alguma intenção, seja ela qual for, (mesmo que se negue), daquilo que o realizador queria contar, dizer, informar, criticar, expôr, ou qualquer coisa parecida. E porque "ter voz?" Porque é o criador/idealizador, o (primeiro) responsável por aquilo que faz. Mas claro que isto não significará que os espectadores entenderão ou compreenderão esta intenção. A significação ocorrerá de acordo com a "bagagem" de conhecimento e experiência de cada um. Mas, enfim, esse "ter voz" é simplesmente concretizar através das imagens, as idéias.

Agora, porque este título Cinema: potencial de "arma branca"
Porque assim como muitos objetos, que não tem a função de ferir, nas mãos erradas, ferem, o cinema nas mãos erradas pode ferir e MUITO. E este ferir, não significa o ferir físico, mas algo muito pior, um ferir conotativo e muito mais amplo.

Se um filme é a "voz" do seu criador, e se neste filme, o novo é apresentado ao espectador, o seu conteúdo pode ser tomado como verdade, mesmo se tratando de uma ficção. Como? A nossa noção de povos, de culturas, de países, de raças, animais, perigos, fatos, acontecimentos e até valores. Como? Os audiovisuais se tornaram a maior e principal fonte de informação. Ex. telejornais, novelas, filmes, vídeos, propagandas, documentários, seriados e afins. Somos possivelmente, completamente manipulados, mesmo que inconscientemente.

Portanto, me assusta o fato de o cinema poder funcionar como uma arma.
Mais difícil que fazer, é exibir os filmes. Ou seja, uma porcentagem muito pequena chega aos espectadores, e para chegar aonde chega, não adianta só querer, precisa fazer parte do sistema e de uma certa forma, ser "permitido". Então é uma batalha árdua para aqueles que tentam e querem fazer o diferente.
Dúvido que os filmes são feitos apenas por fazer. Intenção qualquer, se tem. E fazer filme dá trabalho, então deduzo que o idealizador gostaria de pelo menos ter algum espectador, mesmo que específico.
Agora porque é tão difícil ser "ouvido"?!
R.: SISTEMA

"Vidas em Jogo" de David Fincher 1997

Este filme é daquele tipo que a sensação de surpresa, só acontece uma única vez: a primeira vez que você assiste. E esta sensação eu senti faz algum tempo, mas quis revê-lo para relembrar porque gostei tanto. Não fiquei surpresa, mas adorei revê-lo, e continuo recomendando para os amantes dos filmes imprevisíveis.
É um filme que não dá para contar nada, ou estraga, a não ser o que se lê na sinopse. Mas o que acho interessante nele, é a margem de discussão que ele abre para a estrutura que ele propõe. A discussão do papel do ator. (ai que vontade de falar maaaais).
Seu idealizador não é ninguém menos que o idealizador de "Seven". Então podemos imaginar o seu potencial.
Tô me coçando pra falar, mas não quero estragar a surpresa.
Este post é especial. Só pra recomendar um filme, daquela lista de filmes que valem a pena ser vistos.