sexta-feira, 2 de maio de 2008

"Vidas em Jogo" de David Fincher 1997

Este filme é daquele tipo que a sensação de surpresa, só acontece uma única vez: a primeira vez que você assiste. E esta sensação eu senti faz algum tempo, mas quis revê-lo para relembrar porque gostei tanto. Não fiquei surpresa, mas adorei revê-lo, e continuo recomendando para os amantes dos filmes imprevisíveis.
É um filme que não dá para contar nada, ou estraga, a não ser o que se lê na sinopse. Mas o que acho interessante nele, é a margem de discussão que ele abre para a estrutura que ele propõe. A discussão do papel do ator. (ai que vontade de falar maaaais).
Seu idealizador não é ninguém menos que o idealizador de "Seven". Então podemos imaginar o seu potencial.
Tô me coçando pra falar, mas não quero estragar a surpresa.
Este post é especial. Só pra recomendar um filme, daquela lista de filmes que valem a pena ser vistos.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

"Apocalypto" de Mel Gibson 2006

Em algum lugar está meu post sobre "10.000 a. C." e cito este filme, pois os dois seguem traços semelhantes.
É um filme épico, num contexto histórico atípico, mas com uma estrutura narrativa principal ambientada neste contexto. As semelhanças param por aí.
O que mais gosto do trabalho de Mel Gibson, além da atuação, claro, é o trabalho minucioso dos filmes. Os idiomas originais, as características físicas semelhantes às reais, e a contextualização não só da história, mas dos costumes, crenças, fisionomia, atitudes e afins, fugindo do típico eurocentrismo. Enfim, acho que estou falando do trabalho brilhante da produção e da direção de arte.
O filme é pura ação, conseqüência da história, que se concentra na dominação entre os Mais e Astecas, de uma América "virgem", onde prevalece a lei da sobrevivência, e onde são travadas batalhas brutais na dominação de povos a serviço das crenças e sacrifícios humanos. Tudo isto, antes de ser descoberta por desbravadores espanhóis, como o final sugere. (ups) O pior ainda estava por vir (segundo dados históricos).
O ponto de vista nos é dado a partir de um dos integrantes de uma das tribos invadidas, personagem principal, que esconde sua família e passa o filme tentando salvar a própria pele, para poder salvá-los das forças da natureza.
O filme acontece na ação, mas também na troca de olhares dos personagens. Que mal falam, mas conseguem transmitir o que sentem através dos olhos. E isto nos basta para ocorrer identificação com o personagem e torcer para um final feliz. Não importa a época, os sentimentos são os mesmos!

sexta-feira, 11 de abril de 2008

"Ponto de vista" de Pete Travis 2008

Se cortarmos os últimos 15 minutos, teremos um filme muito mais interessante. O final previsível, americanizado, moralista e improvável, consegue tirar muitos pontos positivos do filme.
Previsível e improvável porque no fundo você torce pelo contrário do que acontece. Americanizado e moralista porque obviamente os terroristas não poderiam sair ganhando, certo? Existe uma moral embutida bem x mal, "o mal perde no final = o terrorista perde no final". Será que é o mal mesmo?!
Uma mesma história, ou melhor, uma mesma passagem de tempo, um mesmo evento que ocorre, para ser mais exata, é mostrado em 5 pontos de vista diferentes. No caso, o assassinato do presidente dos EUA, na Espanha, num evento pacífico.
Os 4 primeiros pontos de vista são a partir de personagens (jornalistas, seguranças EUA, turista e segurança espanhol) e o último, como ponto de vista do narrador onisciente, onde revela o que ainda não havia sido revelado, o ponto de vista dos terroristas. A trama só se constrói, a cada ponto de vista, pois a compreensão dos fatos só se dá a partir das descobertas que o espectador faz. E é claro que o que todos queremos saber é: o que realmente aconteceu?
O filme cria um certo suspense, pois em cada ponto de vista, algo novo nos é apresentado, aumentando a nossa curiosidade e fazendo a trama se desenrolar. "Ah! Foi isso que ele viu!" Ou seja, o papel do espectador é fundamental para compreensão da história! E nisso, o filme é inovador.
O que achei mais interessante foi essa receita "Lost" de instigar o espectador a prestar atenção na próxima informação, criando as conexões necessárias pra melhor compreensão dos fatos. Inclusive o ator, Matthew Fox, o Jack de Lost, faz uma ponta importante na trama.
Traições, mortes, terrorismo, jornalismo comercial e manipulador são alguns dos temas tratados, maaaas o final consegue estragar qualquer entusiasmo criado no decorrer do filme. E quem assistir, vai entender o porquê.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Filmes do mês - abril

Atualizando no decorrer do mês, na ordem em que assisto

-Apocalypto de Mel Gibson 2006 (4)
-Imagens do além de Masayuki Ochiai 2008 (1)
-Fahrenheit 9/11 de Michael Moore 2004 (4)
-Um bom ano de Ridley Scott 2006 (4)*
-Sedutora e diabólica de Nick Guthe 2006 (1)
-Ponto de vista de Pete Travis 2008 (3)

*Revistos (0)-horrível; (1)-ruim; (2)-razoável; (3)-bom; (4)-muito bom; (5)-excelente

segunda-feira, 31 de março de 2008

Filmes do mês - março

Atualizando no decorrer do mês, na ordem em que assisto.

-Jogo de intrigas de Tim Blake Nelson 2001 (2)
-Viagem à lua de Georges Méliès 1902 (obrigatório)
-Prenda-me se for capaz de Steven Spielberg 2002 (4)*
-Politicamente incorreto de Warren Beatty 1998 (4)*
-10.000 a.C. de Roland Emmerich 2007 (3)
-Mansão mal-assombrada de Rob Minkoff 2003 (2)
-Madrugada muito louca de Danny Leiner 2004 (2)
-Bee movie de Steve Hickner 2007 (2)
-Em pé de guerra de Craig Gillespie 2007 (1)
-Medo da verdade de Ben Affleck 2007 (1)
-Antes de partir de Rob Reiner 2007 (2)

*Revistos (0)-horrível; (1)-ruim; (2)-razoável; (3)-bom; (4)-muito bom; (5)-excelente

terça-feira, 25 de março de 2008

Sessão Pipoca

Aulinha de cinema
Para a aula 3 fiz uma seleção dos pioneiros do cinema e salientei o que tivemos na aula passada, além de mostrar as diferenças e evoluções do cinema.
Sessão Pipoca
-Exibição de imagens do cinematográfo, cineastas, capas de filmes, etc.
-Lumière - curtas: saída da fábrica, bebê almoçando, regando as plantas, chegada do trem na estação. (exemplos de filmes sem história, situações do cotidiano).
-Méliès - 2 curtas e exibição de "Viagem a lua" (exemplos de filmes já com história, mas ainda numa ambientação teatral).
-Griffith - 1 curta (chapéus - exemplo de "4ª parede", pequena história, e lembrando o que é linguagem cinematográfica).
-Eisenstein - um trecho de "O encouraçado Potemkin" - trecho da carne podre (exemplo da montagem intelectual - troca de planos, close, detalhes)
-Fritz Lang - trecho de Metrópolis - (exemplo de inovação na ficção científica e inserção de rôbos na história do cinema, dando origem a filmes feitos hoje sobre o assunto).
-Desenho do pernalonga - um curta onde o ícone animado faz propaganda de guerra.
-Orson Welles - um trecho de Cidadão Kane - (exemplo onde mostra flashback e explicando/reforçando o que é narrativa não-linear).
*Aula passada - trecho de Psicose de Hitchcock (cena da facada no chveiro).
Tarefa: escolher um diretor estudado sobre o assunto, ver um filme e dizer o que achou, justificando a resposta em no mínimo 3 linhas.

segunda-feira, 24 de março de 2008

"História do cinema brasileiro"

Aulinha de cinema
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Resumo esquemático para os alunos
CINEMA BRASILEIRO

1ª Época: 1896-1912

1896- Chegou no Brasil o Omniografo

1897- Primeiras semana – cinematógrafo no Rio de Janeiro, Petrópolis e São Paulo.

-Essa nova invenção era utilizada por artistas ambulantes e estrangeiros com conhecimento mecânico.

1897 – Dia 31 de julho abre o “Salão de Novidades” no Rio de Janeiro. A primeira sala de exibição/projeção de “vistas animadas”. O dono era Paschoal Segreto (família italiana). Depois o salão passou a se chamar “Salão Paris no Rio”. E o irmão de Paschoal, Afonso Segreto, era responsável por ir a Europa buscar filmes e equipamentos novos.

1898, 19 de junho, Domingo - Num dos retornos da Europa, no paquete francês “Brésil”, Afonso trazendo uma câmera de filmar, registra imagens da Baía de Guanabara e assim nasce o cinema brasileiro.

- Os primeiro filmes eram considerados “vistas nacionais”

“Salão Paris no Rio” – incêndio em 1898 e reabre em 1899. Até 1903 os Segreto eram os únicos exibidores.
Afonso foi pra Itália e nunca mais se ouviu falar dele.

1907, março – Instala-se a Usina de Ribeirão das Lages no RJ. Até então a eletricidade era escassa no país.
Instalam-se 20 novas salas de exibição de filmes. E começam a investir na importação, exibição e produção de filmes.

Destacam-se os estrangeiros produtores no Brasil, pioneiros do cinema:

Italianos: José Labanca e Jácomo Rosário Staffa (bicheiros)
Franceses: Marc Ferrez e filhos (fotógrafos)
Alemão: Guilherme Auler (fabricante de móveis)
Espanhol: Francisco Serrador.
Português: Antônio Leal

Entre 1908 e 1911 – o comércio de exibição e fabricação de filmes é intenso. Até 1907 todas as filmagens eram de assuntos naturais.

1908 – O primeiro filme considerado “posado”, de enredo/ficção é “Os estranguladores” de Antônio Leal.
Por muito tempo ele foi considerado o criador e fundador do cinema brasileiro.

“Os estranguladores” é baseado na história real de um crime que ocorreu. Dois adolescentes ricos que foram estrangulados por uma quadrilha. O roteiro foi escrito a partir do livro “A Quadrilha da morte”. Dividia-se em 17 quadros: 1-Trama do Crime; 2-na Avenida Central; 3-Embarque na Prainha; 4-Na Ilha dos Ferreiros; 5-Primeiro estrangulamento; 6-A procura da pedra; 7-Desembarque em São Cristóvão; 8-O assalto; 9-Segundo estrangulamento; 10-Divisão das jóias; 11-A pega; 12- O informante; 13- Prisão do primeiro bandido; 14-Nas matas de Jacarepaguá; 15-Prisão do segundo bandido; 16-Dois anos depois; 17- Na prisão.

1907, maio. Surge a “Photo Cinematographia Brasileira” – com duração de 2 anos. Considerada uma fábrica de vistas, mas logo começou a produzir filmes de enredo.

Como sucesso de “Os estranguladores”, investe-se em filmes baseados em crimes que aconteceram recentemente.

1908-1911 – Outros gêneros também se destacaram: melodramas, tradicionais, dramas históricos, patrióticos, temas religiosos, temas carnavalescos, comédias e algumas que satirizavam a atualidade política. Até esquetes criticando os costumes da época.

-Antônio Leal e José Labanca se destacaram nesta época.

Os concorrentes são Cristóvão Guilherme Auler e Francisco Serrador, que introduziram o cinema cantanta ou falante. Os atores falavam ou cantavam na exibição do filme, ao vivo.

Existiam também as paródias e surgiram os filmes-revistas, que falavam sobre a atualidade política. Ex. “Paz e amor”.

O eixo principal do cinema até então se concentrava em RJ e SP.

1911 – Começou uma crise no cinema. Pouca coisa foi produzida e começou uma dificuldade para exibir-se os filmes, pois o cinema estrangeiro começou a invadir as salas de exibição.

2ª Época – 1912 a 1922

Destaca-se ainda Antônio Leal.

Surge Paulino e Alberto Botelho – produção de documentário e jornais cinematográficos.

-Continuam os filmes baseados em crimes, mas em menor proporção.

1ª Guerra Mundial, escassez do filme/película. A produção começa a parar.

Mais tarde surgem novos “cineastas”. Destacam-se italianos e alguns brasileiros. Entre eles José Medina e Luiz de Barros permanecem produzindo.

1922-23 – Começam a ser feitos filmes inspirados na literatura brasileira. Entre alguns autores que inspiraram estão: Monteiro Lobato, Olavo Bilac, Aluízio Azevedo, José de Alencar, entre outros.

-Com a guerra, filmes com este teor começam a ser feitos, pois o Brasil teve uma pequena participação.

-O primeiro desenho animado brasileiro é “O Kaiser”.

-Crônica criminal perde espaço, mas se mantém. Valoriza-se então os filmes históricos.

Alguns jovens demonstram interesse pela produção cinematográfica: os cariocas, Pedro Lima, Ademar Gonzaga e o paulista Antônio Tibiriçá.

-Até então os filmes tinham o formato de episódios. (VER OS ESTRANGULADORES)

-A exibição continua difícil, pois o estrangeiro industrializado invade cada vez mais as salas, conquistando os públicos por causa da qualidade.

Cinema entra numa nova crise.

3ª Época: 1923 a 1933

-O cinema brasileiro estava desvalorizado pela crítica e pelo público, mas duas revistas supervalorizavam “Selecta” e “Paratodos”. Os jovens Pedro Lima e Ademar Gonzaga se destacam nessa época.

CICLOS REGIONAIS – Algumas cidades passam a produzir filmes também: Recife, Belo Horizonte, Campinas, Porto Alegre, Curitiba. Destaca-se Pernambuco. “Aitaré da Praia” – cenário brasileiro como pano de fundo. Artesãos e jovens técnicos são os precurssores.

1925- Surge Humberto Mauro, considerado um dos mais importantes cineastas brasileiros. Trabalhou com o cinema mudo. Ex. filmes: “Na primavera da vida”; “Tesouro perdido”; “Brasa dormida”; “Sangue mineiro”.

Destacam-se os cineastas: José Medina, Gilberto Rossi e Canuto Mendes de Almeida.

1928 – Cinema sonoro invade o universo cinematográfico, mas somente em 1933 que o Brasil incorpora a técnica. (5 anos depois).

-Nasce a Companhia Cinédia – a favor do cinema nacional, fazia campanhas.

-Destaca-se Mauro Peixoto com “Limite” e Humberto Mauro com “Ganga bruta”, considerado um dos filmes mais importantes do cinema brasileiro, por possuir um teor inovador.

-A crise e luta por espaço nas salas de exibição continua diante do avassalador cinema estrangeiro. (EUA)

4ª Época – 1933 a 1949

-Permanece Humberto Mauro fazendo filmes, porém volta-se para produção de filmes educativos e documentários.

-Começam os filmes musicais – Surge a comédia carnavalesca, popularmente conhecida como “chanchada”.

-Surge a Atlântida (produtora de filmes), considerada a companhia mais importante do cinema brasileiro.

-Chanchada faz sucesso entre o público, apesar das duras críticas. Permanece pro 15 anos no auge.

-Paródias sobre acontecimentos políticos: golpe comunista; golpe de Getúlio Vargas, golpe contar Getúlio, nossa participação na Segunda Guerra Mundial.

-Surge a Televisão no Brasil, o cinema perde espaço por falta de interesse do público. (CONFIRMAR)

5ª Época – 1950 a 1966

-Companhia Vera Cruz “Cinema brasileiro com padrão internacional”, renegando as chanchadas, propondo um cinema de qualidade. A Companhia tem Alberto Cavalcanti, renomado profissional do cinema francês e inglês. Ex.”Caiçara”

-Humberto Mauro retorna para o cinema brasileiro.

-Surge a produção cinematográfica brasileira com a tentativa de industrializar o cinema, exportá-lo para os outros países, mas enfrenta dificuldades.

-Comédia continuou, destaca-se Genésio Arrudas no papel de Amacio Mazzaroppi, com contribuição para a chanchada, com temas caipiras. Permaneceu no auge por 10 anos.

-Surge Nelson Pereira dos Santos com “Rio 40 graus”, feito entre 1955 e 1959, e Walter Hugo Khouri.

-“Vidas Secas” de 1963 é considerado um dos melhores filmes já feitos.

-Fala-se em cinema contemporâneo, numa tentativa de fugir das “cópias”, do estrangeiro e tentar fazer um cinema autêntico, diferente do que era feito.

-Nesta época Nelson Rodrigues escrevia seus romances escandalosos e Jece Valedão contracenava no cinema urbano.

-É feito “O pagador de promessas”

-Glauber Rocha, baiano, em 1961 faz “Barravento” e “Deus e o diabo na terra do sol”

-Surge o cinema-novo, o questionamento sobre o cinema que era feito.

Diretores que se destacaram nessa época: Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade, Luís Sérgio Person, Ruy Guerra, Leon Hirzman, Carlos Diegues, Sérgio Ricardo, Walter Lima Junior.

-Ainda há, até hoje, a dificuldade do filme brasileiro ser valorizado nas salas de exibição, tanto pelos donos das salas de exibição quanto pelo próprio público. Nosso cinema compete cada vez mais com o cinema estrangeiro e só em um espaço considerável, ainda por intervenção do Estado.
*Atualmente se destacam nomes como Eduardo Coutinho, Walter Salles, José Padilha, Fernando Meirelles, entre outros.