Resolvi criar este novo quadro com os resumos das aulinhas de cinema que estou dando para uma escola aqui da capital. Leciono (pela primeira vez) para uma turma de 13 alunos da 8ª série!
E este foi o material da minha segunda aula. É apenas um resumo, mas a explicação mais detalhada fica por conta da apresentação em aula com fotos e mostra de filmes!
(A próxima será a sessão pipoca!)
O barato de estar lecionando é que preciso estudar assuntos que tive na faculdade para poder dominar o assunto e sintetizá-lo! "Aprender ensinando!" E só agora tenho noções mais amplas de tudo que estudei!
Enfim! Pode ter alguma utilidade para os visitantes! =)
Aproveitem!
-----
Percurso sobre a História do Cinema
Nascimento
Existem diversas hipóteses para o surgimento do cinema. O que se sabe é que estudiosos buscavam uma tentativa de animar as fotos que já eram tiradas naquela época. Thomas Edison, conhecido como inventor da lâmpada elétrica, inventou um objeto chamado cinetoscópio, que projetava filmes, mas que apenas uma pessoa de cada vez poderia assistir, ou seja, com funções limitadas. Foi quando os Irmãos Lumiére aperfeiçoaram esta invenção com um objeto chamado cinematógrafo, que era considerado 3 em 1, pois captava imagens, revelava e projetava na tela.
Os primeiros filmes realizados pelos Irmãos Lumiere são considerados documentários ou científicos, pois apenas registravam situações cotidianas como a saída de operários da fábrica, um trem chegando na estação ou um bebê se alimentando. O nascimento do cinema é datado do dia 28 de dezembro de 1895, na França, quando a primeira exibição pública atraiu cerca de 30 pessoas que se impressionaram com o que viam na tela.
Foi Georges Méliés, conhecido por ser ilusionista, que utilizou o cinematógrafo de forma mais criativa. Ele acreditava que aquele objeto poderia servir como instrumento de suas técnicas ilusionistas, inovando então as técnicas cinematográficas, como o pioneiro dos efeitos especiais. Seu filme “Viagem à Lua” foi o primeiro filme a tratar de alienígenas.
Com o desenvolvimento dos filmes, ocorreu um crescimento dos “nicklodeons”, que seriam salas pequenas de exibição com entrada a baixo custo (1 nickel) e com exibição de filmes entre 10 e 15 minutos. Até então, o cinema era considerado uma atração para classes baixas, pois a elite freqüentava teatros e óperas.
Nos EUA, destacou-se David Griffith, com “O Nascimento de uma nação” e “Intolerância”, pois surgia à linguagem cinematográfica, a 4ª parede, a idéia de continuidade, ou seja, a idéia de “enquanto isso”. Método aperfeiçoado e dominado por Hollywood até os filmes de hoje.
Em 1907 começou a se pensar em levar o cinema para as classes altas, e os filmes de arte começaram a ser feitos na França.
Nascimento de Hollywood
A França e a Itália eram os países com cinema mais poderoso até década de 10, porém após a 1ª Guerra Mundial, suas indústrias foram destruídas e os EUA passaram a dominar o mercado cinematográfico com o surgimento de Hollywood. Hollywood era uma aldeia, que ficava na Califórnia, pois lá se encontravam dias ensolarados e paisagens que poderiam servir de locação, o lugar perfeito, onde surgiu a maior indústria cinematográfica do planeta.
Foi Hollywood que inventou o Star System, pois via como um grande negócio vender os filmes através das estrelas e astros. Surgem então os grandes estúdios, como Fox, Universal, Paramount, controlados por judeus.
Paralelamente, existiam outros cineastas que optavam por um cinema mais independente, não como negócio, mas como a arte de se fazer filmes. Destacam-se as comédias de Charles Chaplin, que tinham um fundo de crítica social.
O cinema no mundo
Apesar do domínio de Hollywood, outros países continuaram fazendo filmes.
Na França, após a 1ª Guerra Mundial, surge o cinema impressionista francês ou cinema de vanguarda, destacando-se Abel Gance e Jean Epstein com “A queda da casa de Usher”.
Na Alemanha surge o expressionismo alemão, pois marcados pelos horrores da guerra, os filmes tem uma influência sombria e negativa. Na década de 20, destacam-se Robert Wiene com “O gabinete do Doutor Caligari” (1920), Fredrich Murnau com “Nosferatu” (1922), o primeiro filme sobre vampiros e Fritz Lang com “Metrópolis” (1929), o primeiro filme de ficção científica que lida com robôs.
Na Espanha, destaca-se as técnicas surrealistas (sonhos) de Luiz Brunel com “Um cão andaluz” (1928).
Na Rússia, Sergei Eisenstein cria uma nova técnica de montagem, chamada montagem intelectual, pois tem o intuito de criar conexões inconscientes no espectador. Seu maior destaque foi “O encouraçado Potemkin” (1925).
Infelizmente 90% dos filmes do cinema mudo se perderam, pois a maioria possuía nitrato de prata, um composto caro.
A Era do som
Alguns experimentos eram feitos, mas todos falhavam, pois não se conseguia sincronizar o som com a imagem, até que os estúdios da Warner Brothers, de Hollywood, criam o Vitaphone (gravação de som sobre um disco) e lança o filme “The Jazz Singer” (1926), o primeiro musical do cinema com alguns diálogos e músicas misturados com partes sem som.
A propagação do som demorou em outros países por motivos econômicos.
Com o surgimento do som, novas formas e técnicas de se fazer cinema foram surgindo. Os musicais e comédias musicais, os filmes históricos ou bíblicos, filmes de gangsters e westerns. A ficção científica e filmes com duplos sentidos de conotação sexual. Um dos maiores êxitos do início do cinema sonoro e colorido foi “E o vento levou” (1939).
Evolução do cinema
A 2ª Guerra Mundial fez com que a Inglaterra e os EUA produzissem filmes com teor de patriotismo e propaganda de Guerra. Assim como a Alemanha de Hitler também fez. “Casablanca” (1943) foi um exemplo de filme ambientado na guerra mesclando uma história de amor.
Na década de 40, nos EUA, surge Orson Welles com “Cidadão Kane”, inovando com flashbacks (imagens do passado) e da narrativa não-linear.
Na Itália, surge o neo-realismo, que buscava a máxima naturalidade, iluminação natural e atores amadores, com fortes críticas sociais. Destaca-se Vittorio de Sica com “Ladrões de bicicleta” (1945).
Na década de 50 o cinema entra em crise com o surgimento da televisão e começa a investir em novos formatos, filmes com superproduções.
Na França surgia a nouvelle vague, escola com equipamentos mais leves e sofisticados que lançaram os jovens Jean-Luc Godard e François Truffaut como precursores.
O cinema da Índia, produzido em grande escala até hoje, pela primeira vez ganhou reconhecimento internacional com o filme “A canção do caminho” (1955).
Nos anos 60, Hollywood começou a entrar num declínio com o fim do Star System, abrindo espaço para países como Inglaterra e Itália.
Um cinema independente com orçamentos baixos começava a ser feito, com o pioneiro John Cassavetes.
Na França destacava-se François Truffaut e Godard com a filosofia “uma idéia e uma câmera” e na Itália Frederico Fellini, Luchino Visconti e Michelangelo Antonioni, fazendo um cinema mais existencial e intimista.
O cinema hoje
Com todas estas inovações, o cinema foi se aperfeiçoando e criando novas formas de se fazer filmes. Surgem cineastas que se destacaram por estilos inovadores como Alfred Hitchcock e sua arte de fazer suspense “Psicose”, Ingmar Bergman “A fonte da donzela” e seus mergulhos nos abismos da alma, Stanley Kubrick com sua ficção científica “2001 – Uma Odisséia no espaço”, George Lucas com “Star wars”, as obras industriais, mas autorais de Woody Allen, Martin Scorcese, Francis Ford Coppola. E ainda Steven Spielberg inova com a ficção científica “E.T.”, o dinamarquês Lars Von Trier com o marco “Dançando no escuro”; o oriental Akira Kurosawa com “Ran” uma adaptação de “Rei Lear” de Shakespeare.