O filme me parece uma produção bem independente, pois a idéia e o roteiro foi de Warren Beatty, que é também o produtor, diretor e ator principal do filme.domingo, 23 de março de 2008
"Politicamente incorreto" de Warren Beatty 1998
O filme me parece uma produção bem independente, pois a idéia e o roteiro foi de Warren Beatty, que é também o produtor, diretor e ator principal do filme.segunda-feira, 17 de março de 2008
"10.000 a.C." de Roland Emmerich 2007
Digamos que é um filme que divide minha opinião em duas partes.
A trama central do filme é o clássico clichê, "o jovem apaixonado que faria de tudo para resgatar sua amada". Lembrou de algum outro filme hollywoodiano? Normal!
Além disso, contém protagonistas brancos de um povo com estações bem-definidas como verão-inverno (lembra algum país?!). Possui um "happy end" e os protagonistas sofrem modificações superficiais para adaptação de uma época da pré-história. (Desde quando eles teriam dentes tão brancos, peles sem manchas, unhas tão bem feitas e afins?!). E ainda a presença do inglês, mesmo com as raras tentativas pré-históricas de se falar: "pássaros - barcos", "estrela que sempre brilha - lua", etc.
Maaaas apesar de tudo isso, considerando o humilde acervo de obras que já apreciei, o filme é ambientado numa época pouco retratada, de forma tão grandiosa, no universo cinematográfico.
Até onde eu me lembro, a construção das pirâmides nunca foi mostrada dessa forma...tão incompleta (se é que já foi mostrada de alguma maneira). E é claro que os atuais recursos de computação gráfica possibilitam tal façanha com tamanha grandiosidade e perfeição. (até onde reparei).
O que relevo muito no filme é esta forma didática e criativa de se mostrar a miscigenação dos povos e uma possível explicação para a diversidade de culturas, costumes e tribos que habitam no planeta. É um filme que poderia complementar as aulas de história de forma mais dinâmica e exemplificar (mesmo com o tal clichê) o que os livros insistem em nos ensinar.
É um filme de certa forma mágico, por possibilitar esta nova abordagem da história e abrir caminho, pra quem sabe, novas produções desse porte e talvez mais ricas em narrativas!
terça-feira, 4 de março de 2008
Porque eu ADORO BBB!
Convivo num ambiente acadêmico, trabalho com pessoas de nível acadêmico e percebo que programas como esse, são discriminados, ridicularizados e descartados como forma de análise.
Quando encontro alguém pra conversar, o que é raro, ou apenas vê para passar o tempo (já que não tem TV a cabo) ou faz parte daquele público de aparente desinteresse intelectual, típicos amantes de novela, seriados globais e afins.
Há 8 anos atrás, BBB era um programa que me irritava e não me interessava, mas passei a analisá-lo de outra forma e hoje ele distraí minhas horas vagas, quando estou em casa. Quando não posso acompanhar, entro num blog fiel ao programa desde que surgiu, que tasca críticas e comentários a partir do que acompanham pelo paperview.
Também revejo as edições, criando paralelos e contrastes entre diferentes análises do tal "jogo".
Vejo um grande laboratório humano, repleto de estereótipos da nossa sociedade (e de qualquer outra, mas inserida no nosso universo cultural), personagens de nós mesmos, que sim, atuam, como nós, perante situações da vida.
Porque não ver cada participante como personagem fictício de uma grande história, de um grande jogo, que é o que eles acabam se tornando, pois interpretam a sim mesmos (rejeitando teorias da conspiração) e se tornam famosos por estes mesmos papéis! São "atores" que interpretam a si mesmos! Não é uma tarefa muito fácil.
BBB não é brasileiro apenas, é uma receita de reality show vendido e presente no mundo. É um grande jogo, onde as peças são seres humanos que precisam resistir a desafios e o maior deles, a convivência entre até então, meros estranhos. É mascarar seus defeitos até o último momento ou deixar sua máscara cair em favor do jogo.
Mas argumento mais. Como tenho algum conhecimento em edição, gosto de analisar a forma como eles montam (edições) e influenciam fatos como (aparentemente) aconteceram. Como manipulam falas de diferentes momentos, dando sentidos totalmente diferente às palavras e frases. Como conseguem destruir ou vender a imagem de algum "personagem". E a velha teoria da conspiração: será que tudo aquilo não é manipulado?!
Já tentei encontrar pistas da minha teoria, de que cada um recebe um "papel" e precisa interpretar de acordo com as características que recebem. São dirigidos, manipulados e encaminhados premeditamente para cada situação. Uma espécie de pré-roteiro, onde eles precisam dar material para edição. Às vezes, pela péssima atuação de alguns, tenho certeza da teoria, mas em outros momentos, parece tão real o que eles transmitem, sentem.
Ah! Como eles conseguiriam ser tão bons por tanto tempo?
E os atores de "linha direta", de propagandas, atores que vivem disso por anos mas sempre permanecem anônimos?! E não deixam de ser bons no que fazem. Quem disse, que por ser bom, torna-se sempre famoso?!
Os participantes passam por testes não?! São selecionados de acordo com certas qualidades, e pelo que parece, a principal é "Mostrar-se totalmente vulnerável, disposto a todo tipo de situação, confinado, humilhado, esfomeado, carente, testado, pressionado, pra talvez, lá no final ganhar 1 milhão de reais, ou no mínimo, seus 15 minutos de fama." Ou quem sabe, na melhor das hipóteses, já que somos feito de esperança e ambição, levar a programas de rádio, novelas globais, revistas masculinas, entrevistas, ou seja, uma mudança radical de vida, vivenciando pelo menos alguns minutos, horas, dias, meses, quem sabe anos, do que astros vivem por quase uma vida inteira." Não ser apenas um zé-ninguém, mas alguém que inspirou outra pessoa, pelo menos, uma única vez. Afinal a morte de uma pessoa não está na ausência da sua presença física, mas sim da morte de sua simples presença, de ficar esquecida, ou melhor, nunca mais lembrada.
Me empolguei....vamos aos estereótipos:
Jaqueline - a típica gostosona que sabe que é gostosona. Personalidade forte, completamente segura do que é e do que quer. Afugenta os homens e as mulheres. (só pra constar, pois não tivemos muito contato com ela, foi a primeira a sair).
Alexandre - o típico sertanejo apaixonado. (sem mais).
Galego - estudante de medicina, ego inflado (típico de estudante de medicina), encarou o BBB como um desafio de vida, já que cursar medicina já é um grande desafio. Teve que passar por uma experiência assim, para largar de vez a opção de uma vida arriscada (que lá no fundo tinha vontade de ter), por uma vida sólida e estável. (ou não)
Thalita - fala o que realmente pensa, mas se arrepende. Tem dificuldades de aceitar e assumir os próprios erros. Já teve a auto-estima muito baixo quando foi obesa, e por isso, acaba sendo instável. Cheia de complexos.
Bianca - a típica eterna adolescente. Fala como criança, tem atitudes infantis. É maria-vai-com-as-outras. Porém, tenta passar autenticidade através da aparência.
Fernando - o típico filhinho da mamãe, machista, mas com bons princípios. Valoriza o "ser" mulher. Possessivo, tradicional e preocupado com a aparência e com a reputação. Provável bom marido, bom pai, bom profissional, mas jamais espere que eles supere qualquer expectativa. Previsível.
Felipe - o típico sonhador. Tenta ser amigo de todos, consegue se posicionar, mas foge da raia. Não consegue confrontar as pessoas, mesmo que queira. Possui baixa auto-estima.
Marcelo - a típica pessoa que confronta os outros pelo que são, e força-os a se mostrarem, desrespeitando a opção deles da maneira como eles lidam consigo mesmos e com as escolhas e situações. Finge que é homossexual por estratégia de jogo, pois desde quando gay que assume, fica balançado por mulher?! Ser homossexual não é uma escolha.
Marcos - o típico amigo de todos. Não gosta de confrontos, tenta agradar a todos e não tem coragem de assumir (e nem quer) o que realmente pensa. Aquele bom amigo para contar, mas não para receber conselhos. Apenas um amigo para "passar a mão na cabeça".
Thatyana - típica adolescente/adulta que ainda não aceitou o fato. Continua agindo como adolescente. Acredita que todos devem aceitar o seu jeito, mesmo esquecendo e desrespeitando o espaço do outro. (o ouvido, pra ser mais clara). Há a possibilidade de ser homossexual, mas ainda precisa refletir sobre. Ter amigos e beijar garotas não denunciam que seja, apenas ajudam a fortalecer sua sexualidade. A fé em Deus guia sua vida.
Juliana - a típica equilibrada (até demais). Não se abala por nada. Não se mostra como exatamente é. Fechada, até que se sinta a vontade para mostrar um pouco de si. A menina que se faz de santa, mas não é.
Rafinha - o típico eterno adolescente. (Se fosse bom mesmo como cantor, teria cantado com o Capital Inicial.) Inconstante, observador, instável e ainda sem rumo na vida.
Gysele - observa, reflete e pensa bastante, mas se preserva. Prefere guardar o que pensa para não se prejudicar. (ou porque assassina o português..hahaha não resisti). Parece menina, mas a vida já tratou de transformá-la mulher. Sincera com o que sente.
Natália - a menina-mulher. Não tem tanta noção da beleza e do que pode conseguir com ela, pois mantém maus-hábitos aos olhos da sociedade. Se ama e se orgulha do que é. Espontânea e transparente. Assume seus defeitos e é sincera aos seus sentimentos.
Possível ou não de haver alguma identificação?
"Antes de partir" de Rob Reiner 2007
Resumo: dois pacientes de meia-idade, em estado terminal de câncer, resolvem escrever numa lista aquilo que gostariam de fazer nos seus últimos meses de vida. E bota aventura na lista!
O incrível de se observar no filme é o brilhantismo que Jack Nicholson consegue colocar em todos os seus papéis. Ou os papéis são sempre escritos com ele em mente, ou ele é FODA mesmo e consegue incorporar todos os personagens com paixão e intensidade. Enfim, o cara é FODA.
Mas, achei o filme fraquinho. Tinha tudo para ser um filme super engraçado com alguma ótima lição de vida, o que não deixou de ser, mas em menor escala.
O filme pareceu curto para contar uma história tão profunda. Está certo que para pacientes em estado terminal, o tempo perde seu completo sentido e ganha outro bem diferente e muito mais precioso. Mas a relação afetiva que os dois estabelecem ficou superficial.
O enredo em suas opções de passagem de tempo (cabelo crescendo, recuperação da quimioterapia) não foram suficientes para estabelecer uma ligação tão afetiva entre os dois. Exatamente pela personalidade forte do personagem de Jack, em contraste com a personalidade passiva e familiar do personagem de Morgan Freeman. Acho que o filme deveria ter mostrado algo mais forte para estabelecer o laço afetivo que eles criaram.
(Ai que menina insensível, a doença não foi suficiente?! ... é pra mim...faltou algo mais!)
Talvez eu esteja sendo exigente demais. Ou talvez seja cada vez mais difícil me comover com dramas. Não sei. Mas esperava muito mais.
O filme poderia ter sido mais explorado, em diálogos, atitudes, e ter se aprofundando mais na questão da "The Bucket list" - Lista das botas. Ao invés de ter dado tanta ênfase nas cenas cômicas. Mas como o filme precisa entreter, é compreensível.
"Madrugada muito louca" de Danny Leiner 2004
A história é simples: dois amigos, um de origem oriental, Harold e outro de origem árabe, Kumar, com personalidades opostas e esfomeados depois de fumar um bom baseado, resolvem comer hamburgueres num lugar chamado White Castle. O que deveria ser um trajeto simples, torna-se uma longa aventura. Algo estilo American Pie, mas bem mais esculachado!
sábado, 1 de março de 2008
Os piores filmes que eu já vi (nos últimos tempos)- Parte II
1 - Minha super ex-namorada de Ivan Reitman 2006
2 - Quatro irmãos de John Singleton 2005
3 - A hora do rango de Rob McKittrick 2005
4 - Freddy vs Jason de Ronny Yu 2003
5 - Alexandre de Oliver Stone 2004
6 - Motoqueiro fantasma de Mark Steven Johnson 2007
7- Eu sei quem me matou de Chris Sivertson 2007
8- Sedução e confusão de Stefan Marc 2006
9- Irmãos Solomon de Bob Odenkirk 2007
10- Antes só do que mal casado de Bobby e Peter Farrelly 2007
"Cloverfield - Monstro" de Matt Reeves 2007
Porém, o filme deve ser analisado de duas formas: experimental e entretenimento.
A câmera assume o ponto de vista central, deixando de ser apenas "o buraco da fechadura" do espectador, para se tornar um objeto de cena, importante para história, se não, um tipo de personagem. O filme só acontece porque a câmera está ligada, gravando ou rebobinando. Ela assume o mesmo papel de qualquer outro personagem, vítima do caos, pois está registrando apenas aquilo que o operador da câmera grava, ou seja, um único ponto de vista, específico, mas falho. Para reforçar sua independência, a fita utilizada está com gravações de outros momentos dos personagens, aproximando a filmagem de algo amador, como o filme propõe, tornando a câmera um personagem com visão exclusiva, além da visão do seu operador. Além disso, a duração da fita é o tempo real em que a história se passa.
O resultado, que alguns comparam com
"A Bruxa de Blair", seria pegar uma fita daquilo que alguém filmou, diante de uma situação inusitada, e transpor sua gravação, sem cortes, para o cinema. É um efeito mentiroso, mas convincente. Funciona como um outro filme qualquer, planejado, com roteiro, produção, direção, cenário e etc, mas finge que não. Para ele funcionar, exige planos longos e com raros cortes, que se tornam parte da narrativa, pois são os momentos de outras gravações na fita. É um filme que exige treino, planejamento e com certeza, improvisação. E juntamente com tudo isso, ainda insere efeitos especiais.
Considerando tudo isso, sua proposta é inovadora e lança novos questionamentos sobre teoria do cinema.
Agora, analisando como forma de entretenimento, é um filme que não vale a pena pagar para ver no cinema, pois é tremido, agoniante para a vista e nem um pouco assustador.
A história é uma grande piada. Sem explicação, um monstro invade Manhatan, e alguns amigos que estavam fazendo uma despedida, tornam-se vítimas do caos e passam a registrar o que acontece ao redor.
O filme é repleto de situações impossíveis, forçando atuações e posicionamentos atípicos. Filmar amigos morrendo, filmar enquanto se equilibra para salvar a namorada do amigo, filmar o exército fazendo o resgate, filmar o monstro a centímetros de distância. Numa situação normal, com a vida em risco, seria difícil continuar segurando uma câmera, que nada sofre e que não acaba a bateria.
O seu estremecimento "natural" é exagerado, pois mesmo sendo uma câmera de porte pequeno, em alguns momentos seria possível deixá-la mais plana.
E a estratégia de não mostrar o monstro por completo para aterrorizar ou instigar o espectador é falha, pois o "bicho" não assusta em nada e o fato de não explicar sua aparição, confunde mais ainda. O filme teve chances, pois o personagem-operador filma a TV em alguns momentos, ou a explicação de terceiros (exército), que ajudam a construir uma narrativa mais estruturada, para não ficar algo totalmente amador e sem nexo, mas nem isso é capaz de fazer do filme algo compreensível e apreciador. Parece ser um grande despercídio.
A tentativa é válida, mas a escolha não foi das melhores. Talvez com outro tipo de história, e adotando estas técnicas inovadoras, o resultado seja mais interessante! Algo com espíritos, ou uma câmera escondida onde acontece um crime horrível, ou...enfim...falta algo mais surpreendende, instigante e amedrontador.


