terça-feira, 4 de março de 2008

"Madrugada muito louca" de Danny Leiner 2004


É um filme ridículo, mas de tão ridículo achei engraçadíssimo!
Tem que estar muito chapado pra elaborar as cenas desse filme. Ou no mínimo, ter uma imaginação muito fértil!

A história é simples: dois amigos, um de origem oriental, Harold e outro de origem árabe, Kumar, com personalidades opostas e esfomeados depois de fumar um bom baseado, resolvem comer hamburgueres num lugar chamado White Castle. O que deveria ser um trajeto simples, torna-se uma longa aventura. Algo estilo American Pie, mas bem mais esculachado!

sábado, 1 de março de 2008

Os piores filmes que eu já vi (nos últimos tempos)- Parte II

Aumentando a lista:

1 - Minha super ex-namorada de Ivan Reitman 2006
2 - Quatro irmãos de John Singleton 2005
3 - A hora do rango de Rob McKittrick 2005
4 - Freddy vs Jason de Ronny Yu 2003
5 - Alexandre de Oliver Stone 2004
6 - Motoqueiro fantasma de Mark Steven Johnson 2007
7- Eu sei quem me matou de Chris Sivertson 2007
8- Sedução e confusão de Stefan Marc 2006
9- Irmãos Solomon de Bob Odenkirk 2007
10- Antes só do que mal casado de Bobby e Peter Farrelly 2007

"Cloverfield - Monstro" de Matt Reeves 2007

Amo LOST e obviamente criei expectativas em cima do filme, já que a produção é do mesmo criador da série, J.J. Abrams.
Porém, o filme deve ser analisado de duas formas: experimental e entretenimento.
Se for avaliar pelo lado experimental, é um filme bem-sucedido.

A câmera assume o ponto de vista central, deixando de ser apenas "o buraco da fechadura" do espectador, para se tornar um objeto de cena, importante para história, se não, um tipo de personagem. O filme só acontece porque a câmera está ligada, gravando ou rebobinando. Ela assume o mesmo papel de qualquer outro personagem, vítima do caos, pois está registrando apenas aquilo que o operador da câmera grava, ou seja, um único ponto de vista, específico, mas falho. Para reforçar sua independência, a fita utilizada está com gravações de outros momentos dos personagens, aproximando a filmagem de algo amador, como o filme propõe, tornando a câmera um personagem com visão exclusiva, além da visão do seu operador. Além disso, a duração da fita é o tempo real em que a história se passa.

O resultado, que alguns comparam com
"A Bruxa de Blair
", seria pegar uma fita daquilo que alguém filmou, diante de uma situação inusitada, e transpor sua gravação, sem cortes, para o cinema. É um efeito mentiroso, mas convincente. Funciona como um outro filme qualquer, planejado, com roteiro, produção, direção, cenário e etc, mas finge que não. Para ele funcionar, exige planos longos e com raros cortes, que se tornam parte da narrativa, pois são os momentos de outras gravações na fita. É um filme que exige treino, planejamento e com certeza, improvisação. E juntamente com tudo isso, ainda insere efeitos especiais.

Considerando tudo isso, sua proposta é inovadora e lança novos questionamentos sobre teoria do cinema.

Agora, analisando como forma de entretenimento, é um filme que não vale a pena pagar para ver no cinema, pois é tremido, agoniante para a vista e nem um pouco assustador.

A história é uma grande piada. Sem explicação, um monstro invade Manhatan, e alguns amigos que estavam fazendo uma despedida, tornam-se vítimas do caos e passam a registrar o que acontece ao redor.

O filme é repleto de situações impossíveis, forçando atuações e posicionamentos atípicos. Filmar amigos morrendo, filmar enquanto se equilibra para salvar a namorada do amigo, filmar o exército fazendo o resgate, filmar o monstro a centímetros de distância. Numa situação normal, com a vida em risco, seria difícil continuar segurando uma câmera, que nada sofre e que não acaba a bateria.

O seu estremecimento "natural" é exagerado, pois mesmo sendo uma câmera de porte pequeno, em alguns momentos seria possível deixá-la mais plana.

E a estratégia de não mostrar o monstro por completo para aterrorizar ou instigar o espectador é falha, pois o "bicho" não assusta em nada e o fato de não explicar sua aparição, confunde mais ainda. O filme teve chances, pois o personagem-operador filma a TV em alguns momentos, ou a explicação de terceiros (exército), que ajudam a construir uma narrativa mais estruturada, para não ficar algo totalmente amador e sem nexo, mas nem isso é capaz de fazer do filme algo compreensível e apreciador. Parece ser um grande despercídio.

A tentativa é válida, mas a escolha não foi das melhores. Talvez com outro tipo de história, e adotando estas técnicas inovadoras, o resultado seja mais interessante! Algo com espíritos, ou uma câmera escondida onde acontece um crime horrível, ou...enfim...falta algo mais surpreendende, instigante e amedrontador.

"Juno" de Jason Reitman 2007


Assisti antes de ser premiado e torci para que fosse!
Foi premiado com o Oscar de melhor roteiro original, feito por uma roteirista peculiar, Diablo Cody que é uma ex-dançarina exótica (e afins)! hehehehe

Juno é um filme independente, que reúne humor a um drama comum: gravidez na adolescência.
A personagem principal, Juno, é uma garota cheia de atitude, sem papas na língua e que encara a gravidez de forma simplista, achando que o "problema" pode ser resolvido facilmente, dando o bebê para adoção. Mas ela descobre que a vida é muito mais complicada e séria do que ela pensa.

Apesar do filme transmitir, de forma leve e bem-humorada, o drama de todos os envolvidos, ele consegue nos comover com sutileza, entre as frustrações e a ingenuidade dos personagens.

O filme é atípico nos diálogos, fugindo das velhas fórmulas de narrativa e diálogos de filmes adolescentes e aproxima seu universo do nosso mundo real.

A imprensão que eu tenho, é que se as falas e atitudes dos personagens fossem modificadas, teríamos um filme completamente diferente, onde poderíamos separar "mocinhos" de "bandidos". Diablo Cody unificou os personagens, mostrando imperfeições e conflitos, tornando-os completamente, humanos!

É um filme com ponto de vista diferente de um assunto tão comum, ao mesmo tempo que é frustrante, é também engraçado e triste. É um filme completamente...humano!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Filmes do mês - fevereiro

Atualizando no decorrer do mês, na ordem em que assisto.

-Irmãos Solomon de Bob Odenkirk 2007 (0)
-Hitman de Xavier Gens 2007 (1)
-Joshua - Filho do mal de George Ratliff 2007 (3)
-Escola de campeões de Phil Price (0)
-A fúria de Frank A. Cappello 2007 (1)
-Conduta de Risco de Tony Gilroy 2007 (2)
-Cloverfield - Monstro de Matt Reeves 2008 (1)
-Juno de Jason Reitman 2007 (3)
-Um plano brilhante de Michael Radford 2007 (2)
-Ela é O cara de Andy Fickman 2006 (2)*
-Quase ilegal de David Mickey Evans 2003 (0)
-Meninas malvadas de Mark S. Waters 2004 (2)*
-The Nines de John August 2007 (2)
-Onde os fracos não tem vez de Joel e Ethan Coen 2007 (2)
-30 dias de noite de David Slade 2007 (0)
-Antes só do que mal casado de Bobby e Peter Farrelly 2007 (0)
-Eu sei quem me matou de Chris Sivertson 2007 (0)
-Infidelidade de Adrian Lyne 2002 (4)*
-Teenagers - As Apimentadas de Peyton Reed 2000 (1)
-Eu sou a lenda de Francis Lawrence 2007 (3)

*Revistos (0)-horrível; (1)-ruim; (2)-razoável; (3)-bom; (4)-muito bom; (5)-excelente

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Tema: Superlotação nos presídios - "O grande lixeiro da sociedade"

Esta é mais uma das inúmeras notícias sobre superlotação nos presídios da Capital e os danos provocados.
Sei que por estarem presos, em sua maioria, devem ser criminosos e merecem estar lá. Mas parece que a sociedade esquece que eles não ficarão presos para sempre, que essas pessoas têm família, que muitos são vítimas de um descaso e desigualdade social, e há aqueles que são inocentes (ou não) e esperam pelo julgamento em condições desumanas. Julgamento este que demora ou nunca acontece. "A justiça tarda mas não falha." Não falha mesmo? Ou tarda demais?!
Que tipo de pessoa, este ou aquele preso, voltará para a sociedade? Voltará melhor? Será re-inserido na vida social?Continuará a cometer atos ílicitos, pois não vê futuro, perspectiva ou esperança de algo melhor? Ou possivelmente guardará seqüelas, provocado por esse descaso das autoridades e também da sociedade.
Autoridades estas, que muitas vezes deveriam estar atrás das grades, mas são beneficiados pela lei, pelo status, poder e dinheiro.
E sociedade esta, que fecha os olhos para não ver, mas esquece que é vítima desse sistema. Sociedade esta que deveria estar cobrando alguma coisa, que deveria estar elegendo políticos melhores, que deveria estar preocupada com seu futuro e futuro de seus frutos.
Que país é esse, onde os valores estão completamente invertidos? Um país onde há obesos e ao mesmo tempo, crianças morrendo de fome. Onde há políticos corruptos livres, e ladrões de galinha presos há anos. Onde quem é rico fica mais rico e quem é pobre fica mais pobre. Onde crianças projetam suas vidas para serem jogadores de futebol ou estrela da globo. Um país que ao invés de melhorar a educação básica, prefere abrir vagas de cotas nas universidades, com aprovações muito abaixo da média e correndo o risco de cair o desempenho em sala. Onde uma pessoa sem formação alguma, governa o país e ainda está aposentado por invalidez física. Por causa de um dedo?
Um país onde as pessoas ganham o seguro-desemprego mesmo depois de arranjar um emprego. Um lugar que todos querem progredir de alguma forma, mesmo do "jeitinho brasileiro" que nada mais é do que ser corrupto de alguma forma. Porque tanta desigualdade social?
Corrupção é uma palavra feia, mas ela parece estar presente na maioria dos brasileiros. Ela se manifesta de várias formas: não pagando alguma coisa que esqueceram de pôr na conta, colando numa prova, roubando uma bala de um amigo, estragando algo que não é seu e não assumir a culpa, enfim, ela parece estar presente no nosso sangue, nos nossos atos, na nossa história.Como mudar isso? Como fazer alguma coisa que possa mudar as coisas a nossa volta e dentro de nós mesmos?!
Todos somos vítimas do sistema, mas acredito na opção de fazer algo melhor. De fazer algo que possa fazer diferença, que possa ser grande, vitorioso, relevante.
Sei que pareço ter fugido do assunto, mas refletindo sobre as superlotações, percebi que este fato é superficial diante de algo muito mais enraizado, o "conflito de valores". O problema já começa muito antes, no nascimento do país, na formação da sociedade, na divisão de classes, nos governantes do país, na influência do exterior sobre nós, na desigualdade social, na pobreza e miséria, não falha distribuição de renda, na má administração do país, na crescente presença da corrupção.
Será que o cinema não tem ligação nenhuma com o que estou falando?
Este cinema que surgiu como entretenimento das classes baixas, que já serviu para promover o nazismo na Alemanha, que funciona como um grande veículo de comunicação de massa, alimentando uma grande indústria cinematográfica, comercializando produtos, serviços, promovendo atores, lançando modas, costumes, gírias. Um comunicador extremamente influente no mundo todo, muitas vezes sem precisar de tradução, pois os dramas são sempre os mesmos, as sensações, as expressões, a dor, a alegria, a saudade, a paz, a guerra, a desigualdade, injustiça, a tristeza.
O cinema pode sim cumprir um papel importante. Seja denunciando algo através de uma narrativa ficcional como "Tropa de Elite" ou não-ficcional como "Notícias de uma guerra particular". E assim como ele serve para entreter e divulgar nossa cultura, ele pode também nos fazer refletir sobre questões presentes do cotidiano. Pode fazer as pessoas tomarem atitudes e terem iniciativas, de ações, projetos, campanhas, passeatas.
Voltando ao assunto então, superlotação é um problema que me preocupa, pois apesar de envolver os marginalizados e esquecidos pela sociedade, envolve, acima de tudo, humanos, imperfeitos, que merecem a chance de viver com dignidade mesmo confinados entre as grades.
Muitos podem ainda retornar a vida social e quem sabe, cumprir um papel importante, através de sua experiência.
As prisões deveriam servir para reintegrar a pessoa e não destruí-la, e deveria ser aplicada a todos sem distinção.
Deveria ser uma oportunidade para desenvolver habilidades (construtivas) dos presos, dar oportunidade de estudo, mostrar que existem outros caminhos, deveria estimular e não funcionar como um grande lixeiro, daquilo que a sociedade descarta porque acha que não presta mais.
Deveria ser um local de reflexão e amparo, para aqueles que em maioria são vítimas da miséria e da falta de opções.
Se culpados, sim, devem ser punidos, e a prisão não seria a punição? Privá-los da liberdade?!Mas a desigualdade e miséria são tão grandes que já publiquei notícias sobre pessoas que queriam ir para prisão só para ter onde dormir e o que comer, mesmo nas condições em que elas se encontram. A vida aqui fora não parece tão boa então, certo?!
Se cometeram crimes por vício, porque a prisão não poderia ajudar na desintoxicação?!Enfim, é uma visão utópica, possível, pouco provável, mas ainda assim, possível.
Agora, como investir no sistema prisional de qualidade e reestruturação se a saúde pública, a educação, a segurança e oportunidade de empregos estão um caos?
A superlotação e as condições desumanas dos presídios, na verdade é um reflexo do descaso dos governantes perante seus deveres para com a sociedade. Como é o último item da longa lista, chegou ao estado que chegou.

Notícia: Superlotação dos presídios

Fonte: Notícias do Dia - 21/02/2008

"Preso pede comida e médico na Central"
Carceragem, em Florianópolis, já está superlotada e a solução parece distante A falta de lugar para dormir na carceragem da Central de Polícia da Capital está obrigando presos a usarem a criativade: eles improvisam rede de descanso com lençóis, cujas pontas são amarradas nas barras de ferro das celas. Ontem, pela manhã, havia dois detentos dormindo "na rede", enquanto os demais colegas se espremiam em colchões num calor de quase 25 graus. "
Isto aqui é desumano. A gente não pode dormir. Não dá nem para se mexer", reclamam em coro. Adriano de Pieri, 33 anos, afirmou que é soro positivo (Aids) e que uma herpes óssea o incomoda muito. "Preciso de médico e remédios", pediu. Outro detento, com aparentes sintomas de tuberculose, também necessita de tratamento médico. Os vinte e cinco presos, amontoados numa pequena cela com capacidade apenas para quatro homens, ainda reclamam da falta de alimentação. Como não existe carcereiro, porque o local teria que ser destinado apenas a presos provisórios, os detentos alegam que recebem comida de familiares, mas que o alimento não chega até eles.
A coordenadora da Central, delegada Ester Coelho, diz que não sabe mais o que fazer para aliviar a superlotação. "O Deap (Diretoria Estadual de Administração Penal) afirma que não existe vagas em unidades prisionais". O diretor do Deap, Hudson Queiroz, confirmou que o déficit de vagas no Estado é de 2500. No entanto, ele revelou que os problemas das carceragens cheias na Grande Florianópolis vão ser aliviados com a inauguração de um presídio em Criciúma, prevista para abril, com capacidade para 350 presos.
"Detentos do presídio de Florianópolis seriam transferidos para Criciúma, e as vagas do presídio preenchidas com os suspeitos detidos em carceragens", observou Hudson. Enquanto isso, ele sugeriu ao chefe da Polícia Civil soldar uma chapa de aço de uma cela na Central de Polícia da Capital, de onde fugiram seis presos no início do mês, para pelo menos aliviar a situação daquele local.