segunda-feira, 1 de outubro de 2007
Filmes do mês - setembro
-O julgamento do diabo de Alec Baldwin - (0)
-Tropa de elite de José Padilha - (3)
-Caça ao leão com arco de Jean Rouche - (2)
-O corte de Costa-Gravas - (3)
-A enfermeira Betty de Neil LaBute - (2)
-O outro lado da rua de Marcos Bernstein - (2)
-Garota da Vitrine de Ashok Amritraj - (2)
-Jogo do amor de Sheldon Larry - (0)
-Sociedade secreta de Rob Cohen - (1)
-Marcas da violência de David Cronemberg - (3)
-De repente é amor de Nigel Cole - (4*)
-Mergulho radical de John Stockwell - (1)
-O exorcismo de Emily Rose de Scott Derrickson - (1)
-A família do futuro de Stephen J. Anderson (em 3D) - (1)
-Corações e Mentes de Peter Davis - (3)
-A identidade Bourne de Doug Liman - (3*)
*Revistos
Obs.: 0-(horrível); 1-(ruim); 2-(razoável); 3-(bom); 4-(muito bom); 5-(excelente)
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
A história de Gustavo N. Bento
"Chove lá fora, faz tanto frio...
Lágrimas de chuva, molham o vidro da janela, mas ninguém me vê...
Isso não é uma carta de amor, são pensamentos tolos, traduzidos em palavras...
E no meio de tanta gente, eu encontrei você, entre tanta gente chata, sem nenhuma graça, você veio...
Eu quis dizer, você não quis escutar...
Pra me transformar no que te agrada...no que te faça ver...
Não é fácil não pensar em você...
É estranho, não te contar meus planos...
Talvez sejam memórias que me perturbam...
Não há nada que me faça entender...
Quando eu vi você quase não acreditei, nem vi você mudar, nem vi você crescer...
Me diga então, em quanto tempo se esquece alguém...
Palavras são erros, e os erros são seus,
Não quero lembrar, que eu erro também,
Um dia pretendo tentar descobrir, porque é mais forte, quem sabe mentir...
Diz pra eu ficar muda, faz cara de mistério...
E que não me falte forças pra lutar...
Não importa quem mais brilha, se agirmos com amor...
Eu descia as escadas, as velhas escadas, sem medo de olhar o que eu deixei pra trás...
São pensamentos tolos, traduzidos em palavras, pra que você possa entender, o que eu também não entendo!"
devaneando...
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
"Tropa de elite" de José Padilha - 2007
Mesmo sem ter sido lançado e com uma versão ainda não-finalizada, não resisti a assistir a cópia de "Tropa de Elite" que consegui no trabalho."Caça ao leão com arco" de Jean Rouch - 1965
Na sociedade capitalista em que vivemos, considerando as mortes racionalizadas dos animais que nos servem de alimento, Rouch nos traz hábitos e costumes diferentes do povo Peul (nômades africanos). Um povo que se relaciona com o ambiente, respeitando as leis da natureza, matando os animais apenas para sobrevivência, sempre envolvidos num ritual de perdão e agradecimento.A caça ao leão é um ritual que envolve fabricação dos arcos e flechas utilizados, preparação do veneno, rastreamento e ritual de sacrifício. Quando bem sucedida, os caçadores entoam canções e narram a aventura às crianças. E só é permitida, quando a aldeia se sente ameaçada. O leão, por exemplo, quando mata sem intenção, é considerado um assassino. Não é a toa que os caçadores denominam o leão caçado no documentário de “americano”, talvez pela imposição econômica e política que o mundo sofre por um país (EUA) tão visado por promover guerras e confrontos políticos.
O documentário de Rouch se divide em dois momentos: a caça ao leão que resulta em fracasso, e após três anos, quando numa bem-sucedida caça, capturam duas fêmeas do “americano”, servindo de alimento e punição ao suposto assassino. O próprio Rouch é quem narra os fatos numa edição posterior e prefere utilizar câmera sem tripé para poder nos dar vários pontos de vista, como afirma na entrevista concedida a (inserir nome). A câmera funciona como espectadora da caça e os caçadores Songhay parecem atuar para nós.
Apesar de todos os recursos que Rouch utiliza, o filme de oitenta minutos se torna um pouco cansativo, talvez pelo próprio cansaço e frustração que os caçadores enfrentam a cada investida mal-sucedida. Nós nos frustramos juntamente com eles, criando expectativas e acompanhando atentos à aventura.
O filme nos faz refletir sobre crenças e costumes em relação aos recursos oferecidos pela natureza. Num primeiro momento, agressivo, pois visualizamos a morte dos animais, mas ao mesmo tempo irônico, pois nós não matamos com nossas próprias mãos, mas aceitamos nos alimentar de animais que morrem violentamente e distantes de nós.
Rouch parece nos contar uma fábula, pois no filme introduz que nos contará a história de gaway- gawey, que na verdade é a canção da caça aos leões.
"O corte" de Costa-Gravas - 2005

O desemprego não é nenhuma novidade, mas Costa-Gravas utilizou do humor e da ironia para transmitir uma trama pesada.
Bruno Davert é um profissional da indústria do papel com certo padrão de vida e se vê sem saída quando completa 2 anos de desemprego. Pai de dois filhos, marido de uma esposa compreensiva, acredita que perderá tudo que construiu se não eliminar seus maiores concorrentes de profissão. Resolve então, matá-los com uma arma antiga do seu avô.
Parece engraçado, e é. Mas ao mesmo tempo mórbido e caótico. Ele realmente consegue eliminar seus concorrentes a sangue frio e de forma bem desajeitada, e ainda se orgulha disso. Com sorte consegue se safar da suspeita de assassino e conquistar o cargo que tanto almeja.
Sua frieza me deu calafrios, mas o filme se tornou tão leve que engolimos o personagem desesperado, compreendendo suas ações. Mas acredito que Costa-Gravas quis unir o útil ao agradável. Fazer um filme diferente e interessante, mas trazendo o questionamento sobre o desemprego. Sobre o crescimento desenfreado do capitalismo e dos profissionais qualificados e experientes, que são descartados por profissionais mais jovens e mais dinâmicos, talvez.
E como já falei em outro filme, o estado de espírito conta muito na análise de um filme. O meu é "empregada" (como bolsista de cinema num órgão público, onde exerço pouca coisa associada diretamente a profissão, mas onde aprendo outras bem importantes...), jovem e faminta por conhecimento. Mas ao mesmo tempo pensei no meu pai, que enfrentou uma situação parecida, se não pior. E apesar de simples, somente agora, com maturidade e através do filme, tive um pouco mais de empatia pra entender a sua situação que tanto já me revoltou.
Muitos filmes acabam se tornando atemporais, exatamente por discutirem temas sempre presentes na sociedade, e este é um deles. A não ser que o capitalismo seja extinto e passemos a viver em harmonia e com outra formação de valores e de sociedade. (o que parece bem utópico).
Li numa crítica na internet, a comparação deste filme com um crime ocorrido no Brasil, de uma mulher que encomendou a morte de uma concorrente. Visto este fato, considerando a idéia absurda do filme, impossível não é, certo?!
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
"De repente é amor" de Nigel Cole - 2005
Esse filme me fez refletir que o estado de espírito do espectador influencia, e muito, no gosto, compreensão e na apreciação de um filme. Afinal, alguns teóricos acreditam que o espectador é um co-autor, certo?! Não é bem uma comédia e nem um romance meloso, é uma história divertida de amor.



