Mesmo sem ter sido lançado e com uma versão ainda não-finalizada, não resisti a assistir a cópia de "Tropa de Elite" que consegui no trabalho.quarta-feira, 26 de setembro de 2007
"Tropa de elite" de José Padilha - 2007
Mesmo sem ter sido lançado e com uma versão ainda não-finalizada, não resisti a assistir a cópia de "Tropa de Elite" que consegui no trabalho."Caça ao leão com arco" de Jean Rouch - 1965
Na sociedade capitalista em que vivemos, considerando as mortes racionalizadas dos animais que nos servem de alimento, Rouch nos traz hábitos e costumes diferentes do povo Peul (nômades africanos). Um povo que se relaciona com o ambiente, respeitando as leis da natureza, matando os animais apenas para sobrevivência, sempre envolvidos num ritual de perdão e agradecimento.A caça ao leão é um ritual que envolve fabricação dos arcos e flechas utilizados, preparação do veneno, rastreamento e ritual de sacrifício. Quando bem sucedida, os caçadores entoam canções e narram a aventura às crianças. E só é permitida, quando a aldeia se sente ameaçada. O leão, por exemplo, quando mata sem intenção, é considerado um assassino. Não é a toa que os caçadores denominam o leão caçado no documentário de “americano”, talvez pela imposição econômica e política que o mundo sofre por um país (EUA) tão visado por promover guerras e confrontos políticos.
O documentário de Rouch se divide em dois momentos: a caça ao leão que resulta em fracasso, e após três anos, quando numa bem-sucedida caça, capturam duas fêmeas do “americano”, servindo de alimento e punição ao suposto assassino. O próprio Rouch é quem narra os fatos numa edição posterior e prefere utilizar câmera sem tripé para poder nos dar vários pontos de vista, como afirma na entrevista concedida a (inserir nome). A câmera funciona como espectadora da caça e os caçadores Songhay parecem atuar para nós.
Apesar de todos os recursos que Rouch utiliza, o filme de oitenta minutos se torna um pouco cansativo, talvez pelo próprio cansaço e frustração que os caçadores enfrentam a cada investida mal-sucedida. Nós nos frustramos juntamente com eles, criando expectativas e acompanhando atentos à aventura.
O filme nos faz refletir sobre crenças e costumes em relação aos recursos oferecidos pela natureza. Num primeiro momento, agressivo, pois visualizamos a morte dos animais, mas ao mesmo tempo irônico, pois nós não matamos com nossas próprias mãos, mas aceitamos nos alimentar de animais que morrem violentamente e distantes de nós.
Rouch parece nos contar uma fábula, pois no filme introduz que nos contará a história de gaway- gawey, que na verdade é a canção da caça aos leões.
"O corte" de Costa-Gravas - 2005

O desemprego não é nenhuma novidade, mas Costa-Gravas utilizou do humor e da ironia para transmitir uma trama pesada.
Bruno Davert é um profissional da indústria do papel com certo padrão de vida e se vê sem saída quando completa 2 anos de desemprego. Pai de dois filhos, marido de uma esposa compreensiva, acredita que perderá tudo que construiu se não eliminar seus maiores concorrentes de profissão. Resolve então, matá-los com uma arma antiga do seu avô.
Parece engraçado, e é. Mas ao mesmo tempo mórbido e caótico. Ele realmente consegue eliminar seus concorrentes a sangue frio e de forma bem desajeitada, e ainda se orgulha disso. Com sorte consegue se safar da suspeita de assassino e conquistar o cargo que tanto almeja.
Sua frieza me deu calafrios, mas o filme se tornou tão leve que engolimos o personagem desesperado, compreendendo suas ações. Mas acredito que Costa-Gravas quis unir o útil ao agradável. Fazer um filme diferente e interessante, mas trazendo o questionamento sobre o desemprego. Sobre o crescimento desenfreado do capitalismo e dos profissionais qualificados e experientes, que são descartados por profissionais mais jovens e mais dinâmicos, talvez.
E como já falei em outro filme, o estado de espírito conta muito na análise de um filme. O meu é "empregada" (como bolsista de cinema num órgão público, onde exerço pouca coisa associada diretamente a profissão, mas onde aprendo outras bem importantes...), jovem e faminta por conhecimento. Mas ao mesmo tempo pensei no meu pai, que enfrentou uma situação parecida, se não pior. E apesar de simples, somente agora, com maturidade e através do filme, tive um pouco mais de empatia pra entender a sua situação que tanto já me revoltou.
Muitos filmes acabam se tornando atemporais, exatamente por discutirem temas sempre presentes na sociedade, e este é um deles. A não ser que o capitalismo seja extinto e passemos a viver em harmonia e com outra formação de valores e de sociedade. (o que parece bem utópico).
Li numa crítica na internet, a comparação deste filme com um crime ocorrido no Brasil, de uma mulher que encomendou a morte de uma concorrente. Visto este fato, considerando a idéia absurda do filme, impossível não é, certo?!
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
"De repente é amor" de Nigel Cole - 2005
Esse filme me fez refletir que o estado de espírito do espectador influencia, e muito, no gosto, compreensão e na apreciação de um filme. Afinal, alguns teóricos acreditam que o espectador é um co-autor, certo?! Não é bem uma comédia e nem um romance meloso, é uma história divertida de amor."Marcas da violência" de David Cronenberg - 2005
Não que eu conheça tudo do Cronenberg, mas pelos poucos filmes que assisti, obviamente pensei: "é. é um filme do Cronenberg". Pensando assim, não podia esperar nada muito clássico. Achei surpreendente, esquisito, diferente, bem feito, estranho...melhor que Videodrome. hahasexta-feira, 14 de setembro de 2007
Filmes do mês - agosto
-Videodrome de David Cronenberg - (2)
-O segredo de Berlim de Steven Soderbergh - (3)
-O Homem Com Uma Câmera, de Dziga Vertov - (3)
-Nanook of the North de Robert Flaherty - (3)
-Gritos e Sussurros, de Ingmar Bergman - (3)
-Estranhos no Paraíso, de Jim Jarmusch - (3)
-A volta do todo poderoso de Tom Shadyac - (2)
-Simpsons -O Filme de Davis Silverman - (2)
-Blow Out de Brian De Palma - (4)
-The Secret de Drew Heriot - (1)
-Capote de Bennett Miller - (1)
-Ratatouille de Brad Bird - (3)
-Barton Fink de Joel e Ethan Coen - (2)
*Revistos




