quarta-feira, 26 de setembro de 2007

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Fotógrafa: ally_c

Primavera

Beiramar

Alguma manifestação

Entrada de Floripa

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

"De repente é amor" de Nigel Cole - 2005

Esse filme me fez refletir que o estado de espírito do espectador influencia, e muito, no gosto, compreensão e na apreciação de um filme. Afinal, alguns teóricos acreditam que o espectador é um co-autor, certo?! Não é bem uma comédia e nem um romance meloso, é uma história divertida de amor.
E como estou super apaixonada e bem resolvida amorosamente, obviamente, adorei o filme. Achei fofo e gostoso de assistir. E olha que assisti com minha mãe. haha
Foi a segunda vez que assisti, e com certeza, na primeira vez eu não estava com esse estado de espírito, tanto que acabei assistindo de novo porque me chamou a atenção. Na verdade, eu nem lembrava de nada do filme. (o que não é nada incomum).
Sei que não é nenhuma obra-prima, mas como já falei aqui antes, meu gosto é eclético e verdadeiro. Não sou super entendida, mas também não sou uma completa leiga no assunto cinema. E acredito no cinema de entretenimento como no cinema alternativo.
Comédias românticas não fazem muito meu estilo, então é raro eu gostar de um filme assim, e eu gostei. Gostei das soluções e da idéia do filme. "O amor é paciente e benigno..." Poxa...esperar 6 anos pra ficarem juntos, descobrirem que foram feitos um para o outro...eu acredito nisso, que nada é por acaso e tudo acontece como deve acontecer. E a vida não tem a menor graça, sem termos vivido pelo menos, um grande amor. Alguém pra quem ligar a noite, alguém pra amar, dar e receber carinho, alguém pra compartilhar realizações e pequenos fracassos, alguém, simplesmente alguém pra dividir um pouquinho da vida e tudo que ela pode oferecer.
Para os mal resolvidos, assistam outra coisa ou então se influenciem pelo filme e para os apaixonados, que tenham uma ótima sessão juntos! =)
"De todo filme pode-se extrair alguma reflexão..." Ally Collaço (hahahaha metida né?!)

"Marcas da violência" de David Cronenberg - 2005

Não que eu conheça tudo do Cronenberg, mas pelos poucos filmes que assisti, obviamente pensei: "é. é um filme do Cronenberg". Pensando assim, não podia esperar nada muito clássico. Achei surpreendente, esquisito, diferente, bem feito, estranho...melhor que Videodrome. haha
Achei a fotografia do filme impecável. Cada enquadramento e movimento de câmera fantásticos. Cenas ousadas de sexo e de violência, imagens daquilo que não costumam mostrar: um 69, por exemplo, entre marido e mulher (nunca vi nada parecido no cinema, considerando que não é um filme erótico), ou as faces desfiguradas das vítimas-mafiosas de Tom (quase lembrou Tarantino, quase).
A história do bom-moço, não tão bom-moço assim. A dúvida que se mantém até a metade do filme: Tom ser ou não ser o verdadeiro Joey. Juro que eu não tinha a menor idéia do que ia acontecer, talvez por isso eu tenha gostado, e talvez por isso muita gente não goste, é um filme meio sem pé-nem-cabeça, mas que eu gostei pra caramba. Odeio prever ou supor o que vai acontecer, e o contrário disso está cada vez mais raro no cinema.
O filme começa tranquilo e como espectadora, já tendo lido a sinopse, esperei ansiosa pela reviravolta do filme, que aconteceu e me manteve numa tensão e intensa expectativa do desenrolar da história. Narra uma trajetória incomum (pelo menos no mundo cinematográfico), sem previsão dos acontecimentos, lidando com o possível e/ou impossível, e sobre a violência adormecida de alguém que queria esquecer o passado.
Gostei muito dos diálogos, pois eram através deles que descobríamos um pouco mais dos personagens. Os dialógos funcionavam como pistas para dúvidas freqüentes durante o filme. Achei isso fantástico, pois Cronenberg não precisou mostrar nada do passado de Tom para entendermos melhor. Claro, que um esforço sempre é necessário.
Enfim, achei um filmão, não tanto pelo conjunto, mais pelos recursos utilizados, que citei aqui.
No final tive uma sensação estranha, pois não estou acostumada a ver filmes assim, mas gostei, entendi, fiquei satisfeita. Acho que Cronenberg faz um cinema do tipo "um cinema que não se costuma fazer, mas eu faço". Acho que virei fã.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Filmes do mês - agosto

Agosto

-Videodrome de David Cronenberg - (2)
-O segredo de Berlim de Steven Soderbergh - (3)
-O Homem Com Uma Câmera, de Dziga Vertov - (3)
-Nanook of the North de Robert Flaherty - (3)
-Gritos e Sussurros, de Ingmar Bergman - (3)
-Estranhos no Paraíso, de Jim Jarmusch - (3)
-A volta do todo poderoso de Tom Shadyac - (2)
-Simpsons -O Filme de Davis Silverman - (2)
-Blow Out de Brian De Palma - (4)
-The Secret de Drew Heriot - (1)
-Capote de Bennett Miller - (1)
-Ratatouille de Brad Bird - (3)
-Barton Fink de Joel e Ethan Coen - (2)

*Revistos

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

"Corações e mentes" de Peter Davis - 1974

“Corações e mentes” retrata uma visão crítica sobre a Guerra do Vietnã através de depoimentos, reportagens, imagens de arquivo, entrevistas, entre outros recursos.

Utilizando a proposta de Nichols sobre a classificação de documentário, encontraríamos a presença do “discurso direto” por utilizar entrevistas e um pouco do “cinema direto” onde Davis utilizou imagens de arquivo da Guerra. Não há uma narração no “estilo voz-de-Deus”, porém há presença de outros elementos que aproximariam o documentário de algo como “auto-reflexivo”: uma mistura de todos esses recursos. Também há a presença de uma voz própria, dificuldade que Nichols aponta no discurso direto (apenas entrevistas) e no cinema direto (apenas imagens).
Considerando que Davis recebeu uma boa quantia em dinheiro para realização de “Corações e mentes”, constatou-se que ele reuniu um bom material e conseguiu construir uma visão crítica bastante evidente, através da montagem desse material. Davis mostra pontos de vista de todos os principais envolvidos na Guerra do Vietnã: soldados norte-americanos e vietnamitas, governantes e vítimas, além de intercalar imagens do patriotismo norte-americano e dos horrores da guerra, dando um tom irônico e crítico sobre o posicionamento dos EUA perante a Guerra do Vietnã.

O documentário acaba se tornando extenso, talvez por essa preocupação em mostrar vários pontos de vista, e ainda consegue construir uma visão crítica, instigando o espectador a refletir sobre os horrores da Guerra de Vietnã e sobre as verdadeiras vítimas dessa guerra: todos os soldados, familiares e a ignorância de um povo que acaba sendo manipulado pelo seu governo, em virtude de interesses próprios.
“Corações e mentes” poderia ser atemporal, pois esses mesmos horrores continuam acontecendo pelo mundo, só mudam o lugar e as vítimas.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

"Videodrome" de David Cronenberg - 1983

O que falar desse filme?! Uma sensação estranha, depois de uma história que termina sem o menor sentido. Era pra ser engraçado?! Afinal, o que era pra ser esse filme?
Enfim, na sessão dessa semana do cineclube, Videodrome trouxe questionamentos e discussões (até) interessantes.
Conversando com meu amigo Stéfano, ele lembrou que na época do filme, o cinema 3D estava em ascenção. Técnica que envolve o espectador de uma forma ainda mais intensa, por dar a impressão de estar dentro do filme. Além disso, tanto a televisão quanto o computador hoje, tornaram nosso mundo mais individual e novos padrões de vida assumiram espaço no cotidiano. Passar horas vendo filmes ou tendo conversas na internet, vivendo dentro de um mundo alheio a realidade. Refeições mecânicas e amigos virtuais, além de uma alienação do mundo exterior.
Videodrome começa com uma trama que aparentemente se desenvolverá com início, meio e fim. James Woods, dono de uma pequena emissora de tv erótica, busca novidades para seu público e encontra um mistério a ser desvendado. Estamos na expectativa da descoberta junto com ele, até o ponto em que o filme parece não ter mais sentido algum. A trama "quebrada" nos distancia do que realmente está se passando e os efeitos e a maquiagem ao invés de nos causar horror, causa-nos risos. O filme quando termina, provoca um bater dos ombros "então tá né".
No debate que seguiu após o filme, levantou-se a questão da tv se tornando a realidade e como Cronenberg trabalhou isso no filme, mas sinceramente porque começar com uma história que aparenta se desenrolar normalmente e depois confundir o espectador por completo?!
Achei o filme apelativo e até lembra um pouco da filosofia de Matrix, quando fala dessa realidade e nos faz questioná-la, mas de uma forma superficial e confusa.
Sinceramente, não gostei não. Eu acho que algumas coisas tem obrigação de fazer sentido, maaas como conheço pouco do trabalho deste diretor, melhor investigar, antes de tirar conclusões precipitadas.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

"O segredo de Berlim" de Steven Soderbergh - 2006

O segredo de Berlim possui uma estética diferenciada. A impressão que me passa é que na falta de alternativas e roteiros originais, Hollywood está optando em diferenciar seus filmes através da estética. Notamos essa característica em filmes como 300 e O número 23, já citados aqui no blog. No caso desse filme, resgatando a forma que o cinema já foi feito algum dia. Tanto nas imagens, planos e atuações, O segredo de Berlim parece um filme antigo, mas não é.
A trama se passa numa Berlim ainda em conflitos, mas se concentrando mais em personagens, deixando a guerra apenas como cenário ilustrativo.
O que realmente me chamou a atenção foi a estética do filme e como isso tem proliferado nos chamados "filmões". Ao mesmo tempo que parece interessante ver qualquer idéia mirabolante ser realizada, devido as ferramentas disponíveis hoje, vemos um empobrecimento de roteiro e o questionamento, como estudante de cinema, do que ainda pode ser feito hoje sem que se apele apenas para a estética! Questionamento válido, já que o cinema contemporãneo, que comentei no filme anterior, vai lidar exatamente com esse problema. O que fazer daqui pra frente?