Não que eu conheça tudo do Cronenberg, mas pelos poucos filmes que assisti, obviamente pensei: "é. é um filme do Cronenberg". Pensando assim, não podia esperar nada muito clássico. Achei surpreendente, esquisito, diferente, bem feito, estranho...melhor que Videodrome. hahaAchei a fotografia do filme impecável. Cada enquadramento e movimento de câmera fantásticos. Cenas ousadas de sexo e de violência, imagens daquilo que não costumam mostrar: um 69, por exemplo, entre marido e mulher (nunca vi nada parecido no cinema, considerando que não é um filme erótico), ou as faces desfiguradas das vítimas-mafiosas de Tom (quase lembrou Tarantino, quase).
A história do bom-moço, não tão bom-moço assim. A dúvida que se mantém até a metade do filme: Tom ser ou não ser o verdadeiro Joey. Juro que eu não tinha a menor idéia do que ia acontecer, talvez por isso eu tenha gostado, e talvez por isso muita gente não goste, é um filme meio sem pé-nem-cabeça, mas que eu gostei pra caramba. Odeio prever ou supor o que vai acontecer, e o contrário disso está cada vez mais raro no cinema.
O filme começa tranquilo e como espectadora, já tendo lido a sinopse, esperei ansiosa pela reviravolta do filme, que aconteceu e me manteve numa tensão e intensa expectativa do desenrolar da história. Narra uma trajetória incomum (pelo menos no mundo cinematográfico), sem previsão dos acontecimentos, lidando com o possível e/ou impossível, e sobre a violência adormecida de alguém que queria esquecer o passado.
Gostei muito dos diálogos, pois eram através deles que descobríamos um pouco mais dos personagens. Os dialógos funcionavam como pistas para dúvidas freqüentes durante o filme. Achei isso fantástico, pois Cronenberg não precisou mostrar nada do passado de Tom para entendermos melhor. Claro, que um esforço sempre é necessário.
Enfim, achei um filmão, não tanto pelo conjunto, mais pelos recursos utilizados, que citei aqui.
No final tive uma sensação estranha, pois não estou acostumada a ver filmes assim, mas gostei, entendi, fiquei satisfeita. Acho que Cronenberg faz um cinema do tipo "um cinema que não se costuma fazer, mas eu faço". Acho que virei fã.



