segunda-feira, 20 de agosto de 2007

"Simpsons, o filme" de David Silverman - 2007

Simpsons, um seriado pra qualquer tipo de público, e o filme também. Não teve nada demais, o filme foi fiel ao humor do seriado e apesar de se auto-denominar em 2d, tiveram algumas cenas com a presença de técnicas 3d.
Engraçado, divertido, enfim, um típico Simpsons. Não há muito o que falar.
E pra quem ainda for assistir, fique até o final dos créditos, principalmente estudantes de cinema como eu....hahahahaha

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

"Um tiro na noite (Blow out)" de Brian De Palma- 1981

Lá vai mais uma tentativa de crítica. (falta muito aperfeiçoamento...)
Um tiro na noite abriu a mostra de Cinema Contemporâneo do Cineclube Rogério Sganzerla - Cinema UFSC - 2007/02.
Após a sessão, ocorreu um tímido debate, onde consegui formular algumas questões e onde ouvi várias outras interessantes.
Ainda sei pouco sobre De Palma, pois vi pouca coisa do que ele já fez. Acredito que para conhecer bem o trabalho de qualquer cineasta, deve-se ver seus filmes e com base nisso, traçar características comuns e um estilo presente. Não basta apenas ler sobre o cara, tem que estudar seu trabalho, e acho que se estuda, vendo muuuitos filmes.
Enfim, concordo quando alegam que De Palma fez várias referências a Hitchcock em seu filme. Mas o que achei mais em comum mesmo, foi o clima de tensão e suspense que o filme nos conduz em sua trama. Não conseguimos prever o que vai acontecer, e muitas vezes ficamos surpresos. "Será que ela vai conseguir fugir?! Será que ele vai chegar a tempo?!" Além de características psicológicas dos personagens, apresentadas sem explicações. Porque ele é psicopata?! Nada indica esse porquê, apenas suas ações e atitudes. E acredito que isso se faz presente nos filmes de Hitchcock, como Janela indiscreta e Psicose.
Achei o filme muito bom, mesclando humor, suspense e tensão. A trilha contribuiu para essa construção e os movimentos de câmera também.
Os personagems se apresentam de forma esteriotipada como o herói frustrado, a loira sexy e ingênua (pra não dizer burra) e o psicopata obsessivo. Além de outros personagens.
O cineasta parece ter sido influenciado pelo contexto histórico em que se encontrava no momento para construir a trama. (Conspiração e assassinato de John Kennedy).
A seqüência inicial de Blow out (o filme dentro do filme), soa como uma satirização de Psicose com a famosa cena da faca. Isso me leva a refletir que é normal, quando um filme novo com uma idéia nova, e faz sucesso, a tendência é que hajam várias cópias desse sucesso, numa tentativa de atingir o mesmo, mas se tornam apenas tentativas frustradas, no caso dos filmes B. De Palma parece fazer esse tipo de referência, já que se considera um grande fã e seguidor de Hitchock.
Essa cena se torna importante também, a partir do momento em que ela abre e fecha a trama, pois a seqüência do filme se dá quando Jack, editor de som, precisa captar sons para um filme e por acaso, grava o som do acidente do governador e sua amante, que resultará numa obsessão em provar o que realmente aconteceu e na tentativa de não cometer erros do passado.
Enfim, Blow out é uma boa dose de suspense com muito humor e tensão.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

"The Secret" de Drew Heriot - 2006

The Secret... já tinha ouvido falar e estava curiosa pra ver, acabei assistindo ontem e fiquei satisfeita com o que vi. (mais pela mensagem do que pela qualidade do vídeo)
Sei que está bem associado a auto-ajuda, mas fiquei surpresa com a mensagem, porque eu já vinha fazendo isso (o segredo) há algum tempo e obtido sucesso com o pensamento positivo.
Tem quem acredite, tem quem ache uma baboseira, enfim, que o vídeo convence, convence. Achei bem feito, mesmo feito com câmera de vídeo e com cara de tv.
E ainda levanta a discussão do que é um documentário, digo isso porque estou cursando uma disciplina chamada Cinema Documentário em que meu professor insiste em dizer que "A marcha dos pingüins" não é documentário e eu argumento que é, e ainda usando Vertov no meu discurso. Ainda falta muita base teórica pra engrossar meus discursos e análises críticas, por isso ouso escrever por aqui, já praticando um pouquinho do que vem pela frente.

Segue uma lista resumida do que fala o livro que catei por aí:

The Secret – Resumo

O Segredo

* A lei da atração é a lei da natureza. Ela é tão imparcial quanto a lei da gravidade;

* Nada se pode introduzir na sua experiência a menos que você o peça por meio de pensamentos duradouros;

* A fim de saber o que você está pensando, pergunte a si mesmo como está se sentindo. As emoções são ferramentas valiosas que nos dizem instantaneamente o que estamos pensando;

* É impossível sentir-se mal e ao mesmo tempo ter bons pensamentos;

* Seus pensamentos determinam sua freqüência, e seus sentimentos lhe dizem de imediato em que freqüência você está. Quando se sente mal, você está na freqüência em que atrai mais coisas ruins. Quando se sente bem, você está poderosamente atraindo para si mesmo coisas boas;

* Modificadores do Segredo, tais como lembranças agradáveis, a natureza ou sua música predileta, podem mudar seus sentimentos e sua freqüência num instante;

* O sentimento de amor é a freqüência mais alta que você pode emitir. Quanto maior o amor que você sente e emite, maior o poder que você utiliza.


Como Usar o Segredo

* Como o gênio de Aladim, a lei da atração atende a todos os nossos pedidos;

* O Processo Criativo ajuda a criar o que você quer em três passos simples: peça, acredite e receba;

* Pedir ao Universo o que você quer é a oportunidade de ter clareza quanto ao que quer. Quando ficar claro em sua mente, você terá pedido;

* Acreditar implica em agir, falar e pensar como se já tivesse recebido o que pediu. Quando você emite a freqüência de ter recebido, a lei da atração move as pessoas, acontecimentos e situações para que você os receba;

* Receber implica sentir como será assim que seu desejo se manifestar. Sentir-se bem agora o coloca na freqüência que você quer;

* Para perder peso, não se concentre em “perder peso”. Em vez disso, concentre-se em seu peso ideal, Sinta o seu peso ideal e você o atrairá para si;

* O universo não precisa de tempo para produzir o que você quer. É tão fácil produzir um dólar quanto um milhão de dólares;

* Começar com algo pequeno, como uma xícara de café ou com uma vaga no estacionamento, é uma forma simples de experimentar a lei da atração em ação. Projete poderosamente atrair algo pequeno. Ao experimentar o poder que tem de atrair, você irá passar a criar coisas muito maiores;

* Crie seu dia com antecedência pensando no modo como você quer que ele seja, e estará criando sua vida intencionalmente;


Exercícios Poderosos

* A expectativa é uma força de atração poderosa. Espere as coisas que você quer, e não espere as coisas que você não quer;

* A gratidão é um processo poderoso de transformar sua energia e conquistar para a sua vida mais do que você quer. Agradeça pelo que já tem, e irá atrair ainda mais coisas boas;

* Agradecer antecipadamente por aquilo que quer turbina seus desejos e envia ao Universo um sinal mais poderoso;

* Visualização é o processo de criar na mente imagens de você mesmo desfrutando o que quer. Quando você visualiza, gera pensamentos e sensações poderosas de já ter. A lei da atração então devolve essa realidade a você, assim como a viu na sua mente

* Para usar a leite da atração em seu benefício, transforme-o num modo de vida, não em um acontecimento isolado;

* Ao final de cada dia, antes de dormir, repasse os acontecimentos daquele dia. SE algo não se passou como você queria, repita-o em sua mente da forma como gostaria que tivesse sido;

O Segredo para o Dinheiro

* Para atrair dinheiro, se concentre na prosperidade. É impossível atrair mais dinheiro para sua vida quando você se concentra na falta dele;

* É útil soltar sua imaginação e fingir que você já tem o dinheiro que quer. Brinque de ter prosperidade e você se sentirá melhor em relação ao dinheiro; quando se sentir melhor com isso, mais irá fluir para sua vida;

* Sentir-se feliz agora é a forma mais rápida de atrair dinheiro para sua vida;

* Comprometa-se a olhar para tudo de que você gosta, e dizer a si mesmo: “Eu dou conta. Eu posso comprar aquilo”. Você irá mudar sua forma de pensar e começará a se sentir melhor em relação ao dinheiro;

* Dê dinheiro, de modo a atrair mais para a sua vida. Quando você é generoso com o dinheiro e se sente bem em partilhá-lo, está dizendo: “eu tenho muito”;

* Visualize cheques em sua caixa de correio;

* Faça a balança de seus pensamentos pender para a riqueza. Pense rico;

O Segredo para os Relacionamentos

* Quando quiser atrair um relacionamento, tenha a certeza de que seus pensamentos, palavras, ações e ambientes não contradigam seus desejos;

* Sua missão é você. Sem que o primeiro alcance a plenitude, você não ter nada para dar a ninguém;

* Trate a si mesmo com amor e respeito, e irá atrair pessoas que demonstrem amor e respeito;

* Quando se sente mal consigo mesmo, você bloqueia o amor e atrai mais pessoas e situações que continuarão fazendo com que se sinta mal consigo mesmo;

* Concentre-se nas qualidades que adora em si e a lei da atração irá mostrar mais coisas grandiosas sobre você:

* Para fazer um relacionamento dar certo, concentre-se naquilo que aprecia no outro, e não em suas queixas. Quando você se concentra nos pontos fortes, consegue mais do mesmo;

O Segredo para a Saúde

* O efeito placebo é um exemplo da lei da atração em ação. Quando um paciente acredita de fato que o comprimido é uma cura, recebe aquilo em que acredita e acaba curado;

* A concentração na saúde perfeita é algo que podemos fazer dentro de nós, a despeito do que possa estar acontecendo no exterior;

* O riso atrai a alegria, elimina a negatividade e leva a curas milagrosas;

* A doença é retida no corpo pelo pensamento, pela observação da doença e pela atenção dada a ela. Se você está se sentindo indisposto, não fale nisso – Exceto se quiser intensificar o mal-estar. Se ouvir pessoas falarem sobre suas doenças, irá acrescentar energia a estas. Em vez disso, mude a conversa para coisas boas, e dedique pensamentos poderosos à visão daquelas mesmas pessoas com saúde;

* As crenças sobre envelhecimento estão todas em nossa mente, portanto, afaste estes pensamentos de sua consciência. Concentre-se na saúde e na eterna juventude;

* Não dê ouvido às mensagens da sociedade sobre doenças e envelhecimento. As mensagens negativas não servem para você.

O Segredo para o Mundo

* Você atrai aquilo a que resiste, por estar intensamente concentrado nele com emoção. Para mudar alguma coisa, volte-se para si mesmo e emita um novo sinal com seus pensamentos e sentimentos;

* Você não pode ajudar o mundo pela concentração nas coisas negativas. Enquanto se concentra nos acontecimentos mundiais negativos, além de reforçá-los, também introduz mais coisas negativas em sua própria vida;

* Em vez de se concentrar nos problemas do mundo, dedique sua atenção e energia à confiança, ao amor, à abundância, à educação e à paz;

* Nunca ficaremos desabastecido de coisas boas, porque elas são mais do que suficiente para todos. A vida visa à abundância;

* Por meio de seus pensamentos e sentimentos, você tem a capacidade de explorar o manancial ilimitado e traze-lo para sua experiência;

* Louve e abençoe tudo no mundo e você dissolverá a negatividade e a desavença, e se alinhará com a mais alta freqüência – o amor.

O Segredo para Você

* Tudo é energia. Você é um imã de energia, portanto energiza eletricamente tudo para você e se energia eletricamente para tudo o que deseja;

* Você é um ser espiritual. Você é energia, e a energia não pode ser criada nem destruída – ela apenas muda de forma. Portanto, a pura essência de você sempre foi e sempre será;

* O Universo emerge do pensamento. Somos os criadores não só de nosso destino, mas também do Universo;

* Encontra-se a seu dispor um acervo ilimitado de idéias. Todo o conhecimento, todas as descobertas e invenções estão na mente Universal com possibilidades, à espera de que a mente humana venha busca-las. Tudo está contido em sua consciência;

* Todos nós estamos conectados e todos somos um;

* Livre-se das dificuldades do seu passado, dos códigos culturais e das crenças sociais. Só você pode criar a vida que merece;

* Um atalho para a manifestação dos desejos é visualizar como fato absoluto aquilo que se deseja;

* Seu poder está em seus pensamentos, portanto, esteja consciente, ou seja, “lembre-se de lembrar”.

O Segredo para a Vida

* Você precisa preencher o quadro-negro de sua vida com o que deseja;

* Tudo que precisa fazer é sentir-se bem agora;

* Quanto mais usar o poder que tem dentro de si, mais poder irá atrair por seu intermédio;

* O momento de assumir sua magnificência é agora;

* Estamos no meio de uma era gloriosa. Quando pararmos de limitar nossos pensamentos, iremos vivenciar a verdadeira magnificência da humanidade, em cada área de criação.

* Faça o que você ama. Se não souber o que lhe dá satisfação, pergunte: “Qual é a minha alegria?”. Quando se comprometer com ela, irá atrair uma avalanche de coisas alegres, porque estará irradiando alegria;

* Agora que você aprendeu o conhecimento do Segredo, fica a seu critério o que fará com ele. O que escolher será correto. O poder é todo seu.

domingo, 5 de agosto de 2007

"Capote" de Bennett Miller - 2005


Refazendo a crítica em 13 de agosto de 2007, após um pouco mais de pesquisa sobre o filme.

Um filme até bem feito, boa fotografia, boa trilha, mas não concordo quando alegam que tem um bom roteiro. Senti que o filme foi uma tentativa sutil de nos comover e provocar emoções intensas, mas o personagem de Truman era extremamente irritante com aquela voz. Se era uma imitação fiel ou não, comprometeu uma compreensão melhor do filme.
Como opinião pessoal achei o filme cansativo e entediante. Na maior parte do tempo tinha vontade de desligar e deixar de lado, mas insisti em assistir, esperando talvez, uma reviravota na trama (que obviamente não veio).
O que ficou mais claro pra mim, foi quando o persongem Capote diz que ele e Perry pareceram ter sido criados na mesma casa, mas Perry (um dos assassinos) saiu pela porta dos fundos e Capote pela da frente. A minha interpretação é de que Capote tem a mesma mente doente, sensível, falsa, mas que Perry virou bandido e ele um escritor manipulador.

Enfim, foi um filme premiado e tem quem goste, mas eu não conseguiria ver de novo, não por enquanto.

sábado, 28 de julho de 2007

"Transformers" de Michael Bay - 2007

Ok ok... está certo que é um típico filme hollywoodiano de ficção científica, repleto de ação e com aquele velho clichê da "luta contra o bem e o mal". Mas eu curti o filme porque achei os efeitos muito bem feitos e a qualidade do som, perfeita.
Fico satisfeita de viver numa geração que pode apreciar hoje, filmes com qualidade, enriquecidos tecnologicamente. Penso que a indústria cinematográfica abriu espaço pra vários tipos de profissionais: engenheiros, designers, programadores... O mundo cinematográfico está cada vez mais investindo em pesquisa e ampliando os horizontes.
Hoje é possível tornar, praticamente, qualquer idéia mirabolante, num filme. Robos, ETs, sonhos surreais, mortos-vivos... a tecnologia tem facilitado "nossa" vida. Cito inclusive Matrix, que desde que inovou o mundo da ficção científica com o efeito "bullet time", os filmes vem usando e abusando desse efeito, como efeito dramático e ampliando pontos de vista.
Transformers também nos traz uma nova leva de atores...incluindo gatas lindas e super bronzeadas, ou seja, nada a ver com as típicas branquelas americanas. Hollywood está mudando? hahaha típicas "velozes e furiosas"
Enfim, até a metade estava curtindo muito o filme, mas dai vieram os velhos clichês, incluindo a chamada báaasica aos jovens americanos "você é um soldado agora, filho" dã... Mas não tira o mérito de um filme bem feito. (Claro que ainda prefiro filmes simples com grandes idéias...presentes nos filmes franceses, argentinos, e até brasileiros...)
Enfim, é um filme que conta a mesma história de sempre recheado de efeitos especiais e tecnologia. Mas que é legal, é... hehehe Agora quero ver os desenhos... =)

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Análise Crítica - Ópera do Malandro

A família de Duran, o cafetão, vê-se ameaçada com o casamento proibido de sua filha, Terezinha, com o contrabandista Max. Com a trama principal, intercalam-se: a luta pelo poder, a legalização do contrabando, a corrupção policial, chantagens e manifestações públicas, além de uma metalinguagem sugerida na apresentação da própria peça.

Inspirada em outras obras, Ópera dos mendigos (1728), de John Gay, e na Ópera de três vinténs (1928), de Bertolt Brecht e Kurt Weill, que utilizam de narrativas e temas sobre o submundo, a peça de Chico Buarque retrata a década de 40, com a Guerra assolando o mundo, fazendo uma alusão à modernização no Brasil, que deixa de piratear produtos importados para se tornar um país “americanizado” e dentro da lei.

A comédia musical se divide em dois atos e possui em seu repertório diversas músicas compostas exclusivamente para a peça. Todas transmitem algum conteúdo crítico e sugestivo. Entre elas, destaca-se “Homenagem ao malandro” que faz referência ao verdadeiro malandro da boêmia que não existe mais, pois os malandros de hoje são os engravatados do senado, das colunas sociais, regulares e profissionais, como citados na música. Essa referência se faz presente na passagem da peça em que a personagem Terezinha sugere ao seu recente marido, o malandro Max, legalizar seu negócio de contrabando, e quando ele é preso, é isso que ela acaba fazendo. Não só foi uma importante crítica na época, como pode ser aplicada ainda hoje, já que ocorrem tantos casos, da suposta malandragem, ao nosso redor.

Possui um linguajar coloquial, e seu elenco é composto por prostitutas, cafetões, contrabandistas, policiais corruptos e travestis. Ou seja, o mais baixo escalão da sociedade. Não são exemplos para ninguém, o que cria um contraste interessante, já que ao final, esses mesmos personagens se tornam os novos burgueses, sugerindo a verdadeira máscara da sociedade brasileira.

Ópera do malandro retrata uma verdadeira disputa pelo poder, fazendo críticas pesadas, mas utilizando um teor humorístico e agradando o público da época. Em 1985 é adaptada para o cinema, com Edson Celulari no papel do malandro Max.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

"Brás Cubas" X "Memórias Póstumas"

Na obra de Machado temos uma narrativa em primeira pessoa, focada no personagem principal, o “defunto” Cubas, alguém que após a morte resolveu relatar fatos de sua vida. Não há moral, não há final feliz, apenas fatos de romances inacabados, adultérios, frustrações políticas, reflexões, lembranças, devaneios e interferências do autor, através do personagem. Não é uma história visivelmente linear, pois alguns capítulos avançam e voltam no tempo, intercalam-se com os devaneios e reflexões. Porém, apesar da narrativa se apresentar descontínua, não deixa de ser uma história linear. O diretor André Klotzel observa que a obra parece bem moderna, considerando a época em que foi escrita, 1881.

Bressane tentou se aproximar do universo imaginário tanto de Cubas, como de Machado, criando um filme repleto de alegorias e interferências. Ao invés de uma narração do personagem-defunto-autor, como ocorre na adaptação de Klotzel, Bressane optou em narrar através das imagens. Em alguns momentos, o personagem Cubas dialoga com o espectador, assim como acontece no livro, mas a maior parte do filme, dá-se pelas imagens e diálogos da cena.

“Brás Cubas” de 1985 intercala as alegorias em cenas e montagens audiovisuais. No início do livro, há uma passagem fantasiosa de Cubas onde ele se refere ao início dos “delírios”, e no filme, o início também é marcado por uma tentativa de transpor esse imaginário absurdo.

Na cena do envolvimento de Cubas com Marcela, ocorre uma interferência direta do autor do filme, a equipe de filmagem dialoga com os atores Fernando Guimarães e Regina Case, voltam à cena e o filme segue. Esta interferência integrada com as cenas, distancia o espectador do filme, trazendo a reflexão de que “isso é apenas um filme”, igualando-se a Machado que cria esse distanciamento no leitor, quando há um momento de tensão e ele interrompe dialogando através do personagem, diretamente com o leitor, e trazendo a reflexão de que “isso é apenas um livro”, característica também marcante de Machado. Além desse tipo de interferência, ocorre interferência através do personagem Cubas, que dialoga diretamente com o espectador, se referindo a ele como tal. “caro espectador...” Essa interferência transpõe a interferência que acontece no romance, e nesse ponto, Bressane deixou o filme interessante.

Num primeiro olhar, vemos os personagens ridicularizados, mas que serviram para, literalmente, ironizar o filme e criar alegorias da sociedade, que condizem com a obra de Machado. Bressane parece tentar realmente adaptar o livro ao cinema, inclusive transpondo a mão do autor do livro para a mão do autor do filme. Apesar de interessante, a construção da narrativa de Bressane dificultou a compreensão da história. Em parte também, porque o filme de Bressane parece ter sido de um orçamento muito mais baixo que “Memórias Póstumas” de André Klotzel, filme de 2001.

Klotzel consegue fazer um filme agradável, engraçado, levemente irônico e transpondo as partes principais da história de Machado. “Memórias Póstumas” possui um bom elenco, cenários e figurinos bem construídos, além de uma vasta pesquisa histórica. Boa parte do filme é narrada pelo ator Reginaldo Farias que interpreta Cubas já no final da vida, e as imagens apenas reforçam a narrativa do personagem. É como se o filme adaptasse quase que fielmente o livro, sem a interferência do cineasta, abandonando o estilo de Bressane. Ainda ocorrem interferências, mas do personagem e não mais do autor do filme.

Além desses paralelos, Klotzel preferiu não trabalhar com a irmã de Cubas, pois ela não consta no filme, nem seu cunhado, subtendendo-se que ele é filho único. O pai parece mais rígido que no próprio livro e alguns personagens não foram muito desenvolvidos na trama.

Enfim, as duas adaptações trouxeram contribuições para o cinema brasileiro. Bressane parece se aproximar do estilo de Glauber Rocha, arriscando-se a criar um estilo diferente e inovador, utilizando também a trilha sonora como narrativa, enquanto Klotzel preferiu seguir um cinema mais tradicional, bem acabado narrativamente e fiel a obra de Machado.